A rebeldia da juventude e o coronavirus: epicurismo ou realidade?

A rebeldia da juventude e o coronavirus: epicurismo ou realidade?

Entenda o que está acontecendo com a juventude nas quebradas durante a pandemia

Uma das preocupações durante a quarentena entre os educadores, especialmente os que atuam no Ensino Fundamental e Médio, é sobre o que seus alunos que não estão interagindo nas plataformas virtuais estão fazendo. Se estão bem.

Não faltam relatos de ruas cheias de jovens empinando pipas, de fluxos lotados ou de colegas mudando as fotos de perfil nas redes sociais com mensagens de luto.

É importante pontuar que via de regra muitos jovens dos extremos periféricos estão sendo contaminados e parecem desafiar as regras de cuidados impostos durante a quarentena.

Por outro lado, já vivem em meio às piores expectativas de vida da cidade. São os que não têm acesso ao saneamento básico. São os que esperam por 9 horas para uma consulta simples. São os que são selecionados negativamente na vaga de emprego pelo CEP. São muitas vezes os que dividem um cômodo para 7 pessoas da família. São os que não possuem acesso a diferentes fontes de lazer que muitas vezes é proporcionado pelas interações na escola. São as maiores vítimas de morte violenta e de “erros” por parte do Estado, é neles que cabe a justiça com as próprias mãos, furto de chocolate vira chibatada, furto de carne gera tortura com choques.

Falar que estão arriscando as vidas e que podem morrer por um vírus significa o que na rotina de vida desses meninos?

Sabe aquele papo do aluno que não sabe se vale a pena ser como o “bandido” da vila, pois é respeitado, anda de moto, tem namoradas, tênis da moda e uma TV legal em casa? Ele te fala que sabe que provavelmente viverá pouco, mas terá aproveitado ao máximo.

Às vezes é exatamente essa a impressão deixada quando alguns compram pebolim ou churrasqueira durante a quarentena e festejam como se não tivesse amanhã.

Em tempos normais, com alguns dias de não comparecimento às aulas a escola tenta contato com família, com conselho tutelar. E durante a quarentena? O trabalho dos conselhos precarizados foi intensificado? Quais as ações foram pensadas pelo governo para a busca ativa desses nossos estudantes? Quais foram as estratégias reais de proteção a essas vidas e de prevenção a evasão? Provavelmente poucas ou nenhuma, afinal os que eram invisíveis antes da pandemia, continuam tristemente a sê-lo.

Vivian Alves

Vivian Alves

Vivian Alves é filósofa, diretora de escola e ativista pela esucação. Atualmente ocupa o mandado do Vereador Toninho Vespoli.

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