A tal da nova política...

Entenda porque Bolsonaro mentiu para você quando falou da nova política

Bolsonaro fez a sua eleição prometendo “acabar com a corrupção e a velha política” (sic.). Até dá para entender porque parte do eleitorado caiu na ladainha. De fato, há décadas os políticos governam cada vez menos com o povo e cada vez mais em conchavos com velhos coronéis. É verdade, ainda, que o próprio PT, partido de esquerda com maior bancada no Congresso, se iludiu com os acordos internos. É compreensível parte do povo se sentir traído pela esquerda. O Bolsonaro se alimentou dessa indignação para entregar mentira atrás de mentira. Agora, com o Congresso revisitando o impeachment do Bozo, ele fala de criar mais ministérios para dar cargos para o centrão. Não era a tal da nova política?

Ninguém é santo, mas só um é o capeta

Antes que comecem a tocar o disco riscado do “mas e o PeTê”, que fique claro que o Partido dos Trabalhadores também merece críticas pela criação de ministérios em troca de apoios. Sim, a postura foi errada, e representou uso irresponsável do dinheiro público. Mesmo quando se tratando de ministérios de criação importante e necessária (como, por exemplo, o Ministério da Mulher), fica na cara que um dos objetivos era indicar parlamentares do centrão para cargos, em troca de apoio em votações.

Mas o que torna as declarações de Bolsonaro particularmente bizarras é que uma das grandes promessas dele (talvez a única mais ou menos “concreta”) tenha sido “diminuir o tamanho do Estado”. Ainda assim agora ele declara de forma escancarada que pretende criar ministérios em troca de apoio no Congresso. Foi isso que ele revelou em um evento fechado, mas transmitido por seus filhos em redes sociais:  “Se tiver um clima no Parlamento, pelo o que tudo indica as duas pessoas que nós temos simpatia devem se eleger, não vamos ter mais uma pauta travada, a gente pode levar muita coisa avante quem sabe até ressurgir os ministérios”. Ou seja, está falando com todas as letras que condiciona pautas que ele defende no Congresso à criação de ministérios!

Não ia “diminuir o estado”?

Mas e quanto a “diminuir o tamanho do Estado”? A resposta a essa queixa também mudou, em impressionantes 180 graus: “Alguém pode falar ‘ah, quer criar ministério de novo’. O tamanho do Brasil, pessoal, só o Brasil é maior que toda a Europa Ocidental”, disse o Bolsonaro, no mesmo evento. Ou seja, de “diminuir o tamanho do Estado”, foi para aumentar o Governo em troca de apoio no Congresso!

Essa entrevista se dá em momento tenso para a sua gestão. Estão para ocorrer as eleições para presidente da Câmara dos Deputados Federais, e para presidente do Senado Federal. A disputa, em ambas as casas, se dá entre figuras aliadas expressas de Bolsonaro, e outras mais ligadas ao “centrão” do Congresso Nacional. A questão chave é que os candidatos mais próximos ao centrão estão considerando dar continuidade aos pedidos de impeachment contra Jair Bolsonaro. Ele falar de criar Ministérios nesse contexto, a depender da eleição de “duas pessoas que nós [a gestão Bolsonaro] temos simpatia” é uma forma de ele tentar trocar cargos no Ministério, em troca de apoio contra o seu próprio impeachment. Ou seja, a mais velha política possível.

Governar um país não é fácil, e lógico que em alguns momentos acordos e trocas tem que ocorrer. Mas houve uma séria perda de qualidade. O cara nem disfarça. É essa a única coisa de “nova” na tal da nova política: um aumento na cara de pau.

As opiniões presentes no texto não necessariamente refletem as opiniões do Vereador Toninho Vespoli

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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