Abuso sexual: a Globo também é culpada!

Abuso sexual: a Globo também é culpada!

Entenda porque não é apenas sobre alguns abusadores isolados

Talvez o leitor já tenha ouvido falar do caso do Marcius Melhem, diretor humorístico da Globo. Trata-se do caso padrão de assediador sexual: diretor de grande empresa assedia funcionárias; alguma funcionária corajosa (no caso a Dani Calabresa) vem a público denunciar o escândalo; outras vítimas se inspiram no caso e revelam que o assediador é um pervertido de marca maior; o assediador a princípio nega, depois “relativiza” os casos e tenta se fazer de coitado; enquanto a imprensa monta um circo para vender mais jornais. Mas o que está sendo pouco coberto é o papel de empresas como a Globo na continuação do problema. Antes de Dani Calabresa vir a público, ela já havia feito reclamações em instâncias internas da Rede Globo. Tudo o que recomendaram foi que o assediador Marcius fizesse terapia enquanto continuava livre para abusar de outras mulheres. Precisamos, urgentemente, rever como lidamos com o assédio sexual, tanto em empresas privadas como públicas!

O caso é um absurdo, e merece a indignação das massas! Dani Calabresa merece todo o apoio e solidariedade do grande público! Não é fácil ser mulher, saber que ganha menos do que os homens pelo mesmo serviço, e lidar com comentários, às vezes cotidianos, objetificando e hiperssexualizando o seu corpo. Mas a maioria das vítimas não possuem o apelo midiático de alguém como a Dani Calabresa. Para muitas, denunciar abusos significa ser mandada embora! Isso porque, muitas vezes, as próprias direções da empresa compactuam com o abusador. Mesmo no caso da Dani Calabresa, quando ela reclamou, dentro da Globo, à sua chefe de Desenvolvimento e Acompanhamento Artístico (DAA), a resposta foi apenas recomendar ao assediador uma terapia! Enquanto continuou em suas funções normalmente.

Os abusos relatados são absurdos! O cara roçava a sua genital em funcionárias, contra a vontade delas! Segundo Dani Calabresa, ele chegou a agarra-la e a tentar força-la a mostrar as suas partes íntimas em festa da equipe! E a resposta foi um pouco mais do que um tapinha na mão!

Em outros lugares de trabalho as coisas podem ser ainda piores. Segundo pesquisa encomendada pela Globo 40% das mulheres já foram xingadas em local de trabalho (contra 13% dos homens)! E na própria Rede Globo, em julho desse mesmo ano, uma repórter, a Ellen Ferreira, diz ter sido demitida por denunciar caso de assédio! Se isso ocorre em uma empresa de comunicação e jornalismo, bastante preocupada com a sua imagem, imagina o que deve ocorrer em empresas de outros ramos. Mas muitas das leitoras talvez nem precisem imaginar: sabem na pele!

Seria fácil, e cômodo, fingir que o problema são algumas maças podres, alguns assediadores isolados. Mas o problema é cultural e estrutural! Agora, em meio às denúncias, a mesma empresa, a Globo, responsável pelo bem estar de seus funcionários, poderá lucrar vendendo os jornais noticiando os casos de assédio. O problema, também é da Globo, e ainda mais de toda a sociedade. Para pararmos o assédio, precisaremos, cada um de nós, compreender as nossas responsabilidades, mas também exigir que mais seja feito! É fundamental que quem veja algo errado não se cale! exija que a justiça seja feita, mas também lute por campanhas de conscientização, nas escolas e em locais de trabalho! Uma frase atribuída a Oscar Wilde sugere que “a única coisa necessária para o triunfo do mal, é que pessoas boas não façam nada.” Não deixem o mal triunfar!

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