Apoio a Baleia ou candidatura própria, uma falsa polêmica

Apoio a Baleia ou candidatura própria, uma falsa polêmica

Entenda porque nem Baleia nem Lira estão do lado do povo

Desde a eleição de Bolsonaro, a principal discussão dos progressistas no país é a composição de frentes amplas para derrotar o bolsonarismo. Essa discussão, tem se tornado um tema tão central no debate que é comum vermos os ditos analistas levantarem a bola de Doria, Moro, Huck, Mandetta e Maia como nomes ilibados para unirem o país contra o bolsonarismo.

Essa conversa vem crescendo como uma bola de neve e levado muita gente a acreditar que esse é o único caminho para 2022. O fim das eleições municipais de 2020 e o quadro de crescimento ou queda dos partidos colocou mais lenha nessa fogueira, mas nada se compara com a eleição para presidente da Câmara Federal que acontecerá em 1º de fevereiro.

A eleição pra presidência da Câmara dos deputados se tornou um ensaio para a eleição da presidência da república em 2022, e o que fica nítido é que querem empurrar uma escolha entre a direita fascista e a direita liberal e relegar a esquerda ou centro esquerda um papel de coadjuvante de todo esse processo.

Maia, uma falsa oposição a Bolsonaro

A afirmação desse intertítulo deve ser o que nos norteia. De fato, que oposição Rodrigo Maia fez a Bolsonaro? E podemos ir além, Doria, Moro, Huck e Mandetta, que estiveram no palanque bolsonarista até um dia desses que oposição fizeram, efetivamente, a esse governo?

Maia votou e aprovou todos os projetos de desmonte do Estado propostos por Bolsonaro, sem vergonha ou constrangimento tocou o projeto bolsonarista com orgulho. Agora, no apagar das luzes de seu mandato de presidente, banca o opositor fazendo críticas no twitter e xingando o presidente. Maia e Bolsonaro são dois lados de uma mesma moeda. A moeda do neoliberalismo entreguista, que ataca direitos sociais e os mais pobres para beneficiar os poderosos empresários.

Lira e Baleia, farinhas do mesmo saco

O deputado Arthur Lira é o candidato de Bolsonaro, porém, é Baleia Rossi, candidato de Maia quem mais votou favoravelmente aos projetos encaminhados por Bolsonaro a Câmara dos Deputados. Querem impor as esquerdas um candidato que sequer defendeu os interesses do povo contra as medidas do presidente nesses últimos dois anos de mandato.

De acordo com um levantamento feito pela consultoria ArkoAdvice, em 2019 Baleia votou a favor do governo em 90,24% das votações e contra em 9,75%. No mesmo ano, Lira votou a favor em 86,29% das vezes e contra em 13,70% das ocasiões. Portanto podemos cravar categoricamente: não há distinção entre Lira e Baleia. Maia sabe disso e apresenta Baleia como seu sucessor numa tentativa de constranger as esquerdas e dar o tom da eleição de 2022.

O que a esquerda deveria fazer? 

Essa é a pergunta do século, e não vale apenas para esse momento, mas diante do cenário nacional e internacional, essa é a pergunta que deve virar o mantra da esquerda: O que devemos fazer?

Antes de mais nada admitir que há uma tentativa de silenciamento e escanteamento do nosso campo por parte da grande mídia e dos liberais e neoliberais. Esses tentam fazer parecer que a culpa do estado bizarro de coisas que vivemos no país é da esquerda e, portanto, apenas eles ou uma aliança ampla e global pode salvar o país.

Não assumem que Bolsonaro e essa política de desmonte do Estado é fruto das ações de todos esses que agora bancam de salvadores da pátria. Temos que denunciar o genocídio de Bolsonaro, mas temos que igualmente denunciar Doria, Moro, Huck, Mandetta e Maia. Temos que denunciar o Estadão e seus colunistas que dias antes da eleição apregoavam o editorial: Uma escolha difícil.

É nosso papel enquanto esquerda permanecer aglutinando militantes e movimentos sociais na defesa da construção de um outro projeto político. Que caminhe ao lado da luta parlamentar, mas que entenda que o jogo de cena do Congresso Nacional é uma falsa dicotomia. Nem Lira e nem Baleia defenderão os interesses do povo quando isso for posto em pauta. Ambos defenderão o grande capital e seu representante.

A esquerda deveria defender outro projeto!

Por isso é necessário que a esquerda ocupe o espaço da candidatura a presidência da mesa diretora da Câmara dos Deputados e dialogue com a população para dizer o que ela defende. Sabemos que o voto para presidente das Casas Legislativas não é direto, são os parlamentares eleitos que elegem, entre seus pares, quem conduzirá o trabalho daquela instituição. Porém, ao ocupar um espaço entre as candidaturas postas, a esquerda conseguirá mais uma vez mostrar que defende um outro projeto.

A despeito disso, é necessário ressaltar que a eleição para a Câmara dos Deputados acontece em dois turnos, portanto ainda que, por hora, não tenhamos uma candidatura competitiva e com possibilidade de vitória, a eleição será decidida apenas no segundo turno, momento sim que podemos apoiar ou dar o voto crítico ao candidato que representa uma oposição maior ao bolsonarismo.

A esquerda deve apresentar o seu candidato, mostrar a sua cara o seu programa. Debater pra dentro e pra fora do parlamento a importância de frearmos o bolsonarismo, mas não para cair no canto da sereia do liberal moderado e sim, para caminharmos para um outro projeto social de país.

Toninho Vespoli

Toninho Vespoli

Toninho Vespoli é Professor e Vereador pelo PSOL em São Paulo.

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