As Fake News de Bolsonaro e a Guerra híbrida

Por Ari Meneghini

As Fake News de Bolsonaro marcam a entrada em um novo tipo de conflito político: a Guerra Híbrida. A Guerra híbrida se caracteriza por ações virtuais e não virtuais. Ela visa deixar o inimigo desorientado, confundido quando percebe o que está acontecendo já é tarde demais. O assassinato de Marielle as fake news das eleições de 2018 fazem parte desse conjunto de ações. Para a extrema direita os meios de comunicação digital passaram a ser o campo de batalha onde a guerra deve ser travada. Trata-se de uma guerra mais barata que não precisa ser feita pelos seus agentes, através das redes é possível conquistar aqueles que farão o
trabalho sujo.

Recentemete (segunda semana de novembro de 2019) Jair Bolsonaro voltou a falar sobre a possibilidade das urnas eletrônicas serem fraudadas.

UM POUCO DE HISTÓRIA DO SISTEMA ELETRÔNICO DE VOTAÇÃO

Foram os engenheiros do INPE (instituto nacional de pesquisa espaciais) ligados ao Comando Geral de Tecnologia Aero Espacial que criaram os requisitos e desenharam o sistema de como seria o coletor eletrônico de votos (CEV). Foram envolvidos também a inteligência do Exército, da Marinha e do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD).

Um grupo de engenheiros criou todos os requisitos do sistema eletrônico de coleta de votos (CEV), depois foi feito o edital TSE 002/199. Participaram do certame as empresas: IBM, UNISYS e PROCOMP. A vencedora foi a UNISYS. Até hoje há uma disputa pela patente das urnas.

O TSE já colocou o sistema a prova várias vezes: empresas, hackers e engenheiros foram convidados a testar a segurança. Nenhum deles conseguiu. Em São Paulo desde 1996, quando a votação eletrônica foi implantada, vimos uma grande alternância da ocupação do cargo de prefeito: Pitta, Marta, Serra, Kassab, Haddad, Doria com Bruno Covas, nosso atual prefeito. Bolsonaro e, aqueles que produzem essas fakenews, poderiam desconfiar do PSDB no governo Estado de São Paulo porque o partido ocupa o Palácio dos Bandeirantes desde 1995, ocupado atualmente por Dória. Nunca ouvimos que houve fraude por parte do PSDB.

A indústria de fake news de Bolsonaro

Vimos durante a campanha de 2018 que empresários pagaram até 12 milhões para o disparo de mensagens em massa via WHATSAPP. Não foi apenas o volume que surpreende, foi o uso de tratamento de dados por empresas super especializadas que possibilitaram a entrega de mensagens a micro segmentos nos grupos de família, do futebol, de amigos etc. A mensagem correta para a pessoa certa.

Do kit gay à mamadeira de piroca o objetivo das fake news eram; desestabilizar e confundir o que as pessoas pensam; reforçar preconceitos; destruir a razão e os fatos; desacreditar a mídia e a ciência; desqualificar artistas e a arte; promover o medo e a desconfiança.

A novidade

Talvez seja um experimento de Steve Bannon, mas o fato é que houve uma divulgação massiva principalmente durante o segundo turno de que as urnas eletrônicas estariam fraudadas. Um video falso onde um eleitor votava em Bolsonaro mas aparecia a imagem de Haddad rodou as redes sociais, mesmo o TSE e a mídia tendo desmentido, a dúvida estava plantada. Talvez, se Haddad ganhasse teríamos algo semelhante ao que o correu na Bolívia.

Logo após o golpe na Bolivia, Bolsonaro chegou a dizer na sua conta de Twitter, que a fraude eleitoral ocorreu por conta das urnas eletrônicas, ocorre que lá a votação é feita no papel. Bolsonaro sabe disso, mas ele está falando para os seus seguidores e seu eleitorado, continua construindo a fake news para que ela vire verdade em algum momento.

Na Bolívia já havia um alerta sobre uma possível fraude. Após as denúncias a OEA acabou notificando o governo de Evo Morales que convocou novas eleições. Evo sabia que ganharia novamente, então vem o Golpe porque não queriam de fato novas eleições. Chomsky chegou a afirmar que aquilo era ação do Governo dos EUA com o apoio de Bolsonaro.

A fake news preventiva serve para causar desconfiança e no futuro o questionamento de algo que venha a ocorrer, como uma vitória da oposição. O campo progressista precisa esclarecer o tempo todo, repetidamente, quando identifica uma fake news. Será através da razão, do esclarecimento incessante que podemos vencer cada batalha: educação e informação essa é a chave.

Ari Meneghini
É formado em História pela USP, publicitário e pesquisador dos meios digitais de comunicação.

1 comment on “As Fake News de Bolsonaro e a Guerra híbrida

  1. Elton Dietrich disse:

    O que é mais interessante nesta história é o fato desta fale news não afetarem somente pessoas pouco esclarecidas, é comum a gente ver pessoas que sabem que aquilo é falso e mesmo assim repassarem, usam estas mensagens no discurso de defesa deste governo. Acho que aí entra a outra questão que é o ódio de classes. Triste no que está acontecendo.

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