Até quando teremos que trabalhar tanto?

Até quando teremos que trabalhar tanto?

Hoje é dia do trabalhador! É dia de memória. Memória sobre décadas de luta! Memória sobre nossas conquistas, mas também sobre nossas derrotas em páginas tão infelizes de nossa história. Mas também é dia de reflexão, dia de tentar entender, por que as coisas são como são. Por que os salários não aumentam? Por que as jornadas não diminuem? Por que, enquanto tantos trabalham duro para pagar o pão de cada dia, a desigualdade no país só cresce? Por que em meio à pandemia do coronavírus, os mais pobres parecem ter que pagar pela crise mais do que os mais ricos? E por fim, afinal, até quando teremos que trabalhar tanto?

Hoje é dia do trabalhador! É dia de memória. Memória sobre décadas de luta! Memória sobre nossas conquistas, mas também sobre nossas derrotas em páginas tão infelizes de nossa história. Mas também é dia de reflexão, dia de tentar entender, por que as coisas são como são. Por que os salários não aumentam? Por que as jornadas não diminuem? Por que, enquanto tantos trabalham duro para pagar o pão de cada dia, a desigualdade no país só cresce? Por que em meio à pandemia do coronavírus, os mais pobres parecem ter que pagar pela crise mais do que os mais ricos? E por fim, afinal, até quando teremos que trabalhar tanto?

Conquistas históricas!

Os últimos dois séculos foram importantíssimos para a conquista dos trabalhadores de direitos básicos. Desde a segunda revolução industrial, em meados do século XIX, movimentos trabalhistas no mundo inteiro se uniram na luta por jornadas de trabalho justas, salários mínimos, garantias de estabilidade entre outras bandeiras! Em alguns casos houveram derrotas. Em outros, vitória!

Aqui no Brasil do comunista Luiz Carlos Prestes ao anarquista Antonio Candeias Duarte, muitos foram os lutadores por condições dignas de trabalho! O mais belo fruto de décadas de luta foi a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) – hoje atacada por governos de direita. Foi, para a época extremamente avançado, que garantia direitos básicos aos trabalhadores brasileiros!

Angelo Bandoni

Conquistas históricas!

Os últimos dois séculos foram importantíssimos para a conquista dos trabalhadores de direitos básicos. Desde a segunda revolução industrial, em meados do século XIX, movimentos trabalhistas no mundo inteiro se uniram na luta por jornadas de trabalho máximas, salários mínimos, garantias de estabilidade entre outras bandeiras! Em alguns casos houveram derrotas. Em outros, vitória!

Aqui no Brasil do comunista Luiz Carlos Prestes ao anarquista Angelo Bandoni, muitos foram os lutadores por condições de trabalho dignas! O mais belo fruto de décadas de luta foi a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). Diploma legal, para a época extremamente avançado, que garantia direitos básicos aos trabalhadores brasileiros!

Angelo Bandoni

Perdas recentes:

Mas os avanços não foram o suficiente. Segundo estudo da faculdade  Insper, entre o ano 2000 e 2011 a produtividade aumentou em ritmo mais acelerado do que os aumentos salariais. Ao mesmo tempo, as jornadas de trabalho se mantiveram as mesmas. Ou seja, em termos talvez um tanto antiquados, a exploração da mais valia só aumentou. Era para os trabalhadores receberem mais e trabalharem menos! Ao invés disso os governos aprovaram diversas reformas trabalhistas que tiraram direitos históricos dos trabalhadores, rasgando a CLT em pedaços. Essas medidas, segundo especialistas, não geraram empregos e abriram o caminho para a terceirização e precarização das relações de trabalho. 

Tão grave quanto o sucateamento dos postos de trabalho fixo, tem sido a inação das forças públicas em criar formas de sustento e emprego para todos. Ocorre que dos milhões de trabalhadores do Brasil, uma imensa parte não teve acesso a cargos formais de trabalho. Ao invés de investir pesadamente em empréstimos e em educação profissional para a população mais pobre, o Estado limitou-se a flexibilizar a definição de emprego e empresa.

Perdas recentes:

Mas os avanços não foram o suficiente. Segundo estudo da faculdade  Insper, entre o ano 2000 e 2011 a produtividade aumentou em ritmo mais acelerado do que os aumentos salariais. Ao mesmo tempo, as jornadas de trabalho se mantiveram as mesmas. Ou seja, em termos talvez um tanto antiquados, a exploração da mais valia só tem aumentado. Era para os trabalhadores receberem mais e trabalharem menos! Ao invés disso os governos aprovaram diversas reformas trabalhistas que tiraram direitos históricos dos trabalhadores, rasgando a CLT em pedaços. Essas medidas, segundo especialistas, não geraram empregos e abriram o caminho para a terceirização e fragilização das relações de trabalho. 

Tão grave quanto o sucateamento dos postos de trabalho fixo, tem sido a inação das forças públicas em criar formas de sustento e emprego para todos. Ocorre que dos milhões de trabalhadores do Brasil, uma imensa parte não teve acesso a cargos formais de trabalho. Ao invés de investir pesadamente em empréstimos e em educação profissional para a população mais pobre, o Estado limitou-se a flexibilizar a definição de emprego e empresa.

Os trabalhadores invisíveis

O resultado foi uma imensa quantidade de brasileiros começando a trabalhar de maneira informal e à margem dos direitos. Se viram como podem para conseguir renda e sobreviver. Uns ainda criaram pequenas e microempresas, e ainda outros tantos que, em meio à ameaça de miséria, se tornaram Microempreendedores Individuais (MEI). 

As MEIs e as micro e pequenas empresas constituem 70% das ocupações!

Segundo estudo da SEBRAE

Outros tantos trabalhadores são informais, autônomos, e sem carteira de trabalho. Por não serem registrados, muitas vezes eles nem entram nos números de pesquisas sobre trabalho e renda no Brasil. Para esses trabalhadores e microempreendedores, desde sempre, os ganhos são incertos. Eles têm suas rendas variando com qualquer mudança mínima na economia. Agora, com o novo coronavírus, eles, tão negligenciados, têm sido os que mais sofrem. São trabalhadores precarizados em direitos e na garantia de renda. 

E os bancos não facilitam. Para se ter uma ideia, 60% das micro e pequenas empresas que pediram empréstimos durante a pandemia tiveram seus pedidos negados. Para os 40% dos “trabalhadores empreendedores” que conseguiram empréstimos as coisas também não são tão boas. Os juros durante a pandemia estão mais altos. O resultado é que os bancos estão lucrando bilhões em cima da tragédia de muitos.

Nem bancos e nem Estado. Os mais frágeis continuam sendo negligenciados!

Mas o descaso não tem sido apenas dos bancos. Em plena pandemia, o mínimo a se esperar por parte das forças públicas seria algum tipo de auxílio financeiro aos trabalhadores. Mas, seja você um funcionário de siderúrgicas, ou um microempreendedor, há uma grande chance de nenhum auxílio ter chegado. Não só o Governo criou critérios que deixam de fora grande parte dos que vão precisar, como ainda estão enrolando para liberar os auxílios. Os insuficientres 600 reais aprovados, a muito custo, no congresso até agora não chegaram para grande parte de quem teria direito.

Michel Temer, presidente que sancionou a reforma trabalhista
Michel Temer, presidente que sancionou reforma trabalhista

Nem bancos e nem Estado. Os Micro são negligenciados!

Mas o descaso não tem sido apenas dos bancos. Em plena pandemia o mínimo a se esperar por parte das forças públicas seria algum tipo de auxílio financeiro aos trabalhadores. Mas, seja você um funcionário de siderúrgicas, ou um microempreendedor, há uma grande chance de nenhum auxílio ter chegado. Não só o Governo criou critérios que deixam de fora grande parte dos que vão precisar, como ainda estão enrolando para liberar os auxílios. Os míseros 600 reais aprovados, a muito custo, no congresso até agora não chegaram para grande parte de quem teria direito.

E o rico fica mais rico

Se você for um milionário, entretanto, as notícias são melhores: segundo o IBGE, somente entre 2014 e 2018, a riqueza do 1% mais rico aumentou 9,4%. No mesmo período, a renda dos 5% mais pobres caiu em 39,3%. O que tem acontecido é um verdadeiro Robin Wood ao contrário, em que centenas de bilhões de reais têm sido transferidos do povo trabalhador para os mais ricos. No fim o que ocorre é uma realidade em que nunca se produziu tanto, e em que a população nunca ganhou tão pouco. Os ricos têm ficado mais ricos, e os pobres, mais pobres.

Talvez um triste pensamento esteja passando na cabeça de alguns: todos devem se adaptar, trabalhar duro, merecer o pão. A ideia herdada dos dominadores de que o brasileiro seria preguiçoso e não gostaria de trabalhar. 

O brasileiro trabalha demais!

Mas a verdade é que brasileiro trabalha (e muito!). Basta se lembrar dos catadores de lata, ambulantes, artistas de rua, motoristas, diaristas, a maioria moradores em situação de rua, que percorrem em média 20 quilômetros por dia, trabalhando em busca de sua subsistência. Ou dos trabalhadores da construção civil, que graças à influência das construtoras e das imobiliárias, continuam quebrando laje, se arriscando em plena pandemia! Ou ainda dos trabalhadores entregadores, que, em troca de merrecas arriscam suas vidas transportando mercadorias de cima para baixo, sabendo da chance de pegarem o corona. Para não falar dos servidores públicos, das escolas, hospitais e de todos equipamentos públicos que trabalham à serviço de todos e que além de comprometidos pelo bem comum, ainda são rotulados de “parasitas”. Para nenhum desses muitos trabalhadores a quarentena foi uma opção! Infelizmente, a fome fala mais alto que o vírus!

O brasileiro trabalha! Trabalha até demais! É um incansável trabalhador, se dobrando e desdobrando para conseguir sobreviver. O que falta ao brasileiro não é o trabalho, e sim o descanso! O direito de ir a parques, bares, churrascos, cinemas; de jogar futebol, de brincar! Mas para o capitalismo o descanso não pode ter vez. Os trabalhadores devem trabalhar (apenas!). O descanso sendo reservado para poucos, para os ricos, um privilégio! Da mesma forma, ficar em quarentena enquanto o corona corre solto, parece ser apenas para alguns. O direito de ficar em casa, de preservar a sua vida com conforto e dignidade, é, na prática, negado à grande parte da população.

Até quando teremos que trabalhar tanto?

A pandemia que vivemos talvez sirva para a reflexão: enquanto milhões de brasileiros estão ficando sem renda, a produção de alimentos continua essencialmente a mesma, a produção de energia elétrica, apesar de sofrer alguns abalos, deve continuar suficiente, as represas de água continuam com vazão e milhares de prédios inteiros nos centros urbanos continuam abandonados. No entanto, a fome arrisca chegar, uns sofrem com falta de luz e de água, enquanto milhões de pessoas no Brasil continuam sem teto para morar. Talvez, a melhor reflexão para o dia do trabalhador seja até quando teremos que trabalhar tanto?

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