“Balbúrdia” contra o corona

Esses dois anos têm sido tão desgastantes que parece que foram 20. Talvez por isso alguns já tenham esquecido quando o ministro da educação de Bolsonaro, Abraham Weintraub, chamou as universidades federais de “balbúrdia”. O pensamento parece não ser exclusivo do ministro. Bolsonaro, em uma entrevista, já declarou que acha que aluno de universidades brasileiras “faz tudo, menos estudar” (sic.). Não deixa de ser irônico pensar que o Bolsonaro agora enfrenta uma crise pandêmica em que as universitários estão se mostrando fundamentais. E é para lembrar da importância das faculdades que selecionamos uma lista de ações comandadas por elas no combate contra a pandemia. Viva as universidades federais! Viva a balbúrdia! É a balbúrdia contra o corona!

 

Universitários ajudam a fazer os testes

“Testar, testar e testar” foi essa a recomendação da OMS no combate contra o corona. Mas como fazer isso acontecer no Brasil?

Em todo o Brasil, universidades federais estão oferecendo forças tarefas para testar os pacientes com a Covid-19. Participam a UNICAMP, USP, UFRJ, UFRGS entre muitas outras. Os estudantes de medicina e médicos pesquisadores estão, de forma voluntária, arriscando suas vidas para conseguir testar o maior número de pacientes possível. Diferente do nosso presidente, os universitários sabem que devem contribuir para a sociedade “É nosso compromisso devolver à sociedade todo investimento feito” disse em entrevista universitária da UFRGS.

 

Testes mais rápidos e mais baratos

Mas para além de realizar os testes é importante que hajam testes o suficiente. Isso tem sido um problema até agora, não só para o Brasil, mas para o resto do mundo. O teste utilizado atualmente levam pelo menos 8 horas para ficarem prontos, além de serem caros. Até existem testes mais rápidos a venda no mercado internacional, mas além de serem pouco confiáveis (podem ter até 75% de erro!) ainda nos deixam dependentes da capacidade de produção e venda da China, que pode decidir vender mais caro para outros países mais ricos. Felizmente, pesquisadores da UNICAMP e da USP estão trabalhando em uma solução: um teste que custa metade do preço do normalmente usado, usa tecnologia e mão de obra nacional, e fica pronto em apenas 5 minutos! A expectativa é que o teste esteja disponível para uso em meados de maio.

 

Conscientização

Muitas universidades estão agindo na conscientização sobre o que deve ser feito para combater o corona. A UFRJ, por exemplo, dedica espaço em seu site para combater fake news e espalhar boas práticas. As universidades também estão agindo tentando contatar políticos e pessoas influentes para a informação de quais as melhores medidas a serem praticadas. Outras ações incluem a criação de bots no whatsapp para esclarecer dúvidas e planejamento de manuais de boas práticas para médicos que tratarem pacientes em meio a pandemia.

 

Máscaras

Se você tiver comprado máscaras em farmácias, DOE-AS em unidades hospitalares! Para sair de casa use máscara de pano feita em casa. As máscaras hospitalares estão em falta, e o uso deve ser solidário. E é para ajudar a garantir que quem precisa de máscaras as tenha, que universidades federais estão usando na fabricação. As máscaras fabricadas são feitas com peças de impressoras 3d e pedaço de plástico PET. Universidades como a USP, UNICAMP, UFJ, UFSC, UFAM entre tantas outras estão participando da iniciativa.

 

Respiradores

Outra coisa que está em falta no Brasil são respiradores. Equipamentos do tipo são caros e complicados de se produzir. Mas, felizmente, várias iniciativas de universidades federais buscam criar projetos para respiradores de emergência. Engenheiros e médicos da USP, por exemplo, demora apenas 2 horas para ser montado, e custa cerca de 15 vezes menos que os respiradores tradicionais.

 

Vacinas

O Brasil é um dos países que lideram os esforços para o desenvolvimento de vacina contra o corona. Foi o primeiro país a realizar o sequenciamento genético do vírus, importante para o desenvolvimento rápido de vacinas. Agora, pesquisadores de diversas universidades buscam como desenvolver vacina. Apesar dos esforços, uma vacina deve demorar ao menos um ano para ficar pronta. Portanto não saiam de casa ainda!

 

Existem muitas (mesmo!) outras iniciativas sendo feitas por universidades públicas contra o coronavírus. Não dá para listar todas elas aqui, mas acho que já deu para entender: ainda bem que temos tanta “balbúrdia”! É a “balbúrdia” contra o corona!

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