Cadáver paga mensalidade?

É possível observar que nos últimos dias os jornais foram tomados de notícias sobre protocolos para uma possível volta às aulas em todo o Brasil mesmo numa curva de contágio e mortes causadas pelo vírus covid-19 ascendente e sem vacina ou remédio para tratamento.

Os caminhos sinalizados foram desde a proibição de abraços até túneis de desinfecção (isso num país em que 6,5% das escolas não possui nem banheiros). Mas nada foi tão cruel e pesado como ver campanha de reabertura das escolas particulares para evitar a falência.

É indiscutível a importância de políticas voltadas a micro pequenos e médios empresários, especialmente em tempos de crise. Mas isso de forma alguma pode ter como contrapartida a vida.

Além disso, é uma consideração rasa ao ponto em que no contexto econômico, com salários arrochados, demissão em massa e estagnação financeira em todo o mundo, não é a volta às aulas de forma precipitada que vai garantir a manutenção das matrículas na rede particular.

Quanto vale um filho?

Especular irresponsavelmente sobre a reabertura das unidades escolares sob a justificativa de que os pais precisam de um espaço para deixar os filhos enquanto trabalham já é absurdo, pois desconsidera a criança como um sujeito de direitos e o papel fundamental da Educação.

Por outro lado defender essa reabertura sob a justificativa de manter os proprietários recebendo as mensalidades integralmente das famílias dos estudantes é de crueldade comparável ao fascismo. É genocídio infantil.

Que pai ou mãe ficaria tranquilo em entregar a educação formal dos filhos num local que não o enxerga como uma vida cheia de potencialidade, direitos e sonhos? Que tipo de escola expõe seus educadores ao contágio silencioso e inevitável, fantasiado dos abraços, do contato com as secreções, do espirro inesperado, do consolo ao choro que não quer usar mais a máscara ou daquele sono no colinho?

Sem vacina, sem volta

Muitas das escolas de pequeno e médio porte possuem sua estrutura alçada em casas adaptadas, salas de aula em espaços pequenos e com pouca ventilação.

Além do mais, como garantir afastamento, impedir afeto, garantir o uso e a troca de mascarás, correto manuseio e tantos outros protocolos especulados, durante uma pandemia em que do pouco que se conhece, indica que a maioria das crianças é assintomática. Ou seja, medidas como a aferição de temperatura se tornam ineficazes.

Porém, colocar as crianças como vítimas e vetores para toda a sua rede de relações em nome de lucro não parece ser um preço em que as famílias estejam dispostas a pagar, apesar de autoridades políticas estarem propensas a rifar tantas vidas em defesa de uma estratégia econômica.

Enfim, a reabertura das escolas aumentando a vulnerabilidade, contágio e mortes de nossas crianças e famílias em nome do dinheiro não é uma medida aceitável a quem reste um pouco de humanidade ou sensatez.

Vivian Alves

Vivian Alves

Vivian Alves é filósofa, diretora de escola e ativista pela esucação. Atualmente ocupa o mandado do Vereador Toninho Vespoli.

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