Carta aberta aos homens. Justiça para Mariana Ferrer

Se falar que nós homens somos machistas te incomoda mais do que o caso de uma mulher estuprada, você precisa entender o que é a cultura do estupro.

O ato brutal do qual Mariana Ferrer foi vítima, segue a expondo às outras inúmeras violências. Mariana foi dopada, estuprada e pediu ajuda, mas ninguém a ajudou. Quando ela chega em casa toda ensanguentada, percebeu o que ocorreu. No dia seguinte, entraram com o B.O. na delegacia e foi comprovado que houve o rompimento de hímen e que havia sangue e esperma em suas roupas. As consequências? Foi demitida do trabalho. A casa de show, onde ocorria a  balada, passou pano pra toda a situação e se eximiu de suas responsabilidades. Mariana seguiu pedindo ajuda nas redes sociais e ficou taxada de oportunista que queria fama. Ela teve consequências graves para sua saúde mental, como depressão e síndrome do pânico. E o estuprador, André Aranha segue surfando em meio aos seus privilégios de ser homem, rico e branco, e foi absolvido mesmo com provas.

É sempre assim: quando uma mulher denuncia uma violência, a primeira coisa que nós homens falamos é “o que ela fez pra acontecer isso?”.

Quando nós ficamos sabendo do assassinato de um homem, perguntamos “mas o que aconteceu para matar ele?”. Percebem? A gente naturaliza qualquer violência porque a mulher já nasce culpada na sociedade que nós homens ajudamos a criar. Quantas vezes lá na Câmara, eu recebo denúncias e ligações de mulheres pedindo ajuda e quando orientamos, elas falam: “fui na delegacia e me ignoraram”; “fui falar com o delegado e ele disse que eu provoquei, que eu não estava cumprindo meu papel”. É sempre assim! 

Precisamos entender o seguinte: a mulher pode andar nua na rua e em hipótese alguma é motivo de violentá-la; a mulher pode estar drogada porque quis e em hipótese alguma é motivo de estuprá-la; Não existe qualquer justificativa para um ato de violência. Estupro não se explica, se faz justiça. É crime e deve ser julgado e o autor condenado. Todas as mulheres são estupradas diariamente: “olha lá, lá vai ela com essa roupa…”, “olha lá, tá bebendo, pedindo pra ser estuprada…”, “não vai na igreja e acaba assim mesmo…”, “não faz o serviço de casa, dá nisso…”, e isso não tem fim. A cultura do estupro é assim, naturalizada em nosso cotidiano.

Se ainda assim, você acha que a Mariana é a culpada, estamos do lado oposto dessa história.

Pra você que como eu, segue na desconstrução do machismo de cada dia, tem a obrigação de não apenas twittar uma hasgtag, mas de defender publicamente Mariana, conversar com os seus amigos sobre a cultura do estupro. Você precisa conversar com seus filhos, seus irmãos, seu pai, seu vizinho e falar sobre machismo, sobre a cultura do estupro e denunciar isso. Somos responsáveis e precisamos defender e lutar junto das mulheres, porque essa cultura, essa violência toda que a Mariana e tantas outras mulheres estão passando fomos nós criamos. De que lado você está?

Há muito para ser feito

Na minha atuação parlamentar tento criar mecanismos para acabarmos com a cultura do estupro. Apresentei o projeto de lei (PL) 310/2016 que promove ações contínuas de formação da comunidade escolar sobre a violência contra a mulher, a Lei Maria da Penha (Lei Federal nº 11340/2006) e o combate à cultura do estupro. A proposta inclui no Plano Municipal de Educação (PME) uma diretriz para que os profissionais da Educação municipal de São Paulo sejam instruídos para formarem os alunos sobre o combate às diversas formas de violência contra a mulher, visando superar preconceitos e discriminações no ambiente escolar.
Toninho Vespoli

Toninho Vespoli

Toninho Vespoli é Professor e Vereador pelo PSOL em São Paulo.

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