Caravana Da Educação

A palhaçada com os cargos comissionados

Entenda os motivos para ser contrário à criação de novos cargos gerenciais na Secretaria Municipal de Educação de São Paulo

Entenda os motivos para ser contrário à criação de novos cargos gerenciais na Secretaria Municipal de Educação de São Paulo

Pode-se observar que a Educação, mais do que qualquer outra pasta sempre tem gente vendendo soluções mágicas. É importante ressaltar que mais de 80% dos estudantes da Educação Básica estão nas escolas públicas. Com verba carimbada, corporações financistas estão enraizadas no MEC e nas Secretarias de Educação de São Paulo.

No município, o Executivo mandou um projeto de lei para a Câmara criando cargos com altos salários e subsídios na Educação. Cria os cargos de subsecretário e assessores de Gestão da Educação a partir de comissionamento e sem nenhuma exigência de formação na área ou ser profissional de carreira, como exige o provimento em cargos públicos. Ao que parece o leque de maldades desse governo não tem limites e esse PL vem para mostrar isso!

Um trecho da justificativa do Projeto explicita: “os Assessores de Gestão da Educação designar-se-ão a assessorar os Subsecretários nas tarefas que lhes forem designadas, sem atribuições técnicas, com destaque para ações que visem o atingimento das metas de governo, que reflitam em melhoria dos índices de alfabetização, evasão escolar e prova São Paulo, bem como aquelas voltadas a projetos inovadores para o desenvolvimento da Educação do Município de São Paulo”. 

Ou seja, o mesmo governo que paga de “liberal”, e vive bradando sobre “enxugar a máquina pública”, na hora que é do interesse deles enchem a Secretaria de cargos comissionados! Este tipo de modalidade de contratação deveria estar a serviço direto do governo, e não para “assessorar os subsecretários” seja lá o que isso signifique na prática. Se há necessidade real dessas contratações, por que são cargos comissionados e não concursados? Quase todo profissional da educação teve que fazer concurso para participar, além de muitas vezes precisar de uma formação técnica extensa. Por que neste caso é diferente?

Mas afinal, também, qual tem sido a política do tucanato em São Paulo para a Educação? – Privatiza-se “mantendo a proposta” com a lógica mercantil influenciando no processo  pedagógico e na organização da escola pública.

Nesse caso o privado assume a direção das políticas educativas e define a produção e apropriação do conhecimento.

O Estado, fazendo uso desse leque de opções, começou um processo que dura até hoje, com Fundação Lemann e Instituto Ayrton Senna, interferindo diretamente, em todo o processo, para bater metas e atingir seus objetivos.

– Incorpora vigorosamente à Educação Pública uma lógica empresarial contemporânea. A escola como empresa. Toda atividade humana organizada pode ser uma empresa. E uma empresa visa resultados, e esses resultados devem ser medidos. Ou seja, transpõe à Educação Pública uma ideologia de produtividade e controle.

Também ocorre ao mesmo tempo na execução e direção, pois instituições privadas definem o conteúdo da Educação e também executam sua proposta por meio da formação, da avaliação e do monitoramento, premiação e sanções que permitem um controle de que seu produto será executado.

Por trás da bandeira da eficiência o público vai sendo sucateado e isso gera implicações profundas para a Educação, para a sociedade e para a democracia.

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Escola em cobaia da iniciativa privada?

Escola em cobaia da iniciativa privada?

Todos pela E__, Fundação L__, Instituto A__. Instintivamente sabemos completar esses nomes e muitos outros de conglomerados que cada vez estão mais dentro do MEC e da Educação de São Paulo. De repente gurus com soluções mágicas prontas para as questões da educação pública aparecem por todo canto.

No ano de 2017 estudantes do Ensino Médio de algumas escolas da Capital e da Região Metropolitana de São Paulo, consideradas vulneráveis, passaram a participar de um perigoso projeto. Trata-se do Contrato de Impacto Social (CIS), que visa a redução das taxas de evasão escolar da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo.

O CIS é uma modalidade de Parceria Público Privada (PPP) na qual o Governo contrata empresas privadas para realizarem intervenções em serviços públicos, ou seja, o governo se livra das suas responsabilidades e o mercado lucra com as as dificuldades do governo. Tais empresas são pagas se os resultados forem avaliados como positivos, método conhecido no mercado como pay by results. Num primeiro momento poderia parecer bom só pagar as empresas mediante comprovação de resultados. Contudo, para que essa comprovação aconteça as empresa envolvidas dividem as ações em dois grupos: (X) aqueles que receberam as intervenções diretas das empresas, o chamado grupo tratamento e (Y) aqueles que são mantidos exatamente como estão para efeitos de comparação, o chamado grupo controle.

Esse método, ao envolver 122 escolas públicas estaduais, torna-se ainda mais nefasto e prejudicial. As escolas são transformadas em laboratórios e os alunos em cobaias de empresas que não possuem qualquer experiência no serviço público de educação. Além disso, as escolas que fizerem parte do grupo controle, ou seja, 61 delas, não receberão quaisquer intervenções durante os quatro anos de vigência do contrato apesar de apresentarem os mesmos níveis de vulnerabilidade das demais 61 escolas que constituem o grupo tratamento. Em outras palavras, um enorme conjunto de alunos vulneráveis ficarão relegados à própria sorte em nome da comprovação da eficácia de uma empresa, e pior, sem saber disso.

Além disso, como as empresas serão pagas mediante a comprovação de resultados são elas quem irão determinar o tipo de intervenção que cada escola receberá. Trata-se, portanto, de uma afronta à autonomia escolar na medida em que escolas, professores e alunos estarão subordinados aos projetos dos investidores.

Esse tipo de contrato transforma a má qualidade da educação em possibilidade de investimento para o mercado financeiro, ou seja, está a serviço da política de privatização do ensino público, transformando escolas em laboratórios para testar tal política com os mais vulneráveis.

Os caminhos buscados para as soluções espetaculares para a Educação nunca passam pela valorização profissional, sucateamento, descontinuidade e desrespeito com as políticas públicas. No meio deste percurso veio a Pandemia. O prazo terminaria agora em 2021. Como será que estão essas escolas atualmente?

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Dica de legislação: decreto 60.336

Dica de legislação: decreto 60.336

Dica de legislação: decreto 60.336: Dispõe sobre a retomada da contagem dos prazos e a cessação de medidas previstas no Decreto nº 59.283, de 16 de Março de 2020, bem como a manutenção das regras de funcionamento previstas no Plano São Paulo, no âmbito do Município de São Paulo

– No decreto anterior (59283/20) no artigo 20 estavam suspendendo todos os prazos legais, exceto para licitações, contratos e etc; este de hoje estipula que os prazos voltam a ser contados;

– Também volta para o comparecimento presencial o grupo de risco no tocante a perícia, exames, recadastramento, provas de vida e qualquer providência administrativa;

– Gestantes, lactantes, acima dos 60, PCD e grupo de risco vacinados voltam para o presencial.

Enquanto as notícias dos últimos dias caminham para o aumento de contaminações promoveremos mais aglomeração nas escolas com a falsa ideia de proteção com apenas uma dose da vacina.

A atribuição para o trabalho remoto já está consolidada para este ano (pensando na realidade das escolas); a burocracia não pode ser maior do que a preservação da vida! Nesse momento grupo de maior risco estando em casa não ajuda só na proteção deles mesmos, mas evita aglomeração e consequentemente ajuda a todos no cumprimento dos protocolos e ainda não acarreta em prejuízo para a municipalidade na medida em que todos estão desenvolvendo suas atividades de forma remota.

Mais uma vez é o “cumpra-se” acima da preservação da vida.

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A danação da privatização e os tucanos de São Paulo

A danação da privatização e os tucanos de São Paulo

Saiba como o PSDB quer se livrar de todas as suas responsabilidades através da privatização!

Desde 1995 à frente do Governo do Estado de São Paulo, os tucanos acumulam uma extensa lista de envolvimento em escândalos de corrupção, que são, na maioria das vezes, arquivados como resultado de possível “afinidade” entre representantes eleitos e governo, setores do Poder Judiciário e empresários. Não bastasse a questão estrutural que caracteriza esses governos e suas alianças com outros partidos e setores da sociedade, os ataques aos direitos sociais, sobretudo da população mais vulnerável, têm sido uma constante em mais de duas décadas daquilo que podemos chamar de um verdadeiro desgoverno.

A linha política dos tucanos vai na direção da redução do papel do Estado e opção por privatizações, concessões, terceirizações e sucateamento das políticas públicas. Essas práticas resultam no agravamento da precariedade no atendimento aos serviços básicos como a Saúde, Transporte e a Educação.

Por trás do discurso da eficiência e da redução de gastos, o governo busca se eximir da responsabilidade de garantia dos direitos, transferindo para o setor privado as políticas sociais.

No município de São Paulo a Assistência Social é exemplo de desmonte, praticamente inteira terceirizada; Cortou programas e durante a pandemia temos acompanhado que as escolas possuem mais capilaridade e mais dados do que a pasta que é responsável por olhar pelos mais vulneráveis. Aos educadores restou fazer a entrega de cartões, cestas, kits de higiene, fazer busca ativa e etc;

Assim como no governo do estado, a política de ataque adotada em âmbito municipal atinge todos os níveis e modalidades de ensino, afetando de forma negativa professores, estudantes e seus familiares por meio de uma série de retrocessos no direito à Educação pública de qualidade.

Para atender promessa de campanha de zerar a fila das creches destruíram o projeto de educação infantil municipal. Determinaram o fechamento de salas pedagógicas e ameaçaram aumentar o número de crianças por sala.

Além do mais, se eximiram da responsabilidade com o ensino público, privilegiando a assinatura de convênios com instituições privadas, minando qualquer possibilidade de ampliação de servidores públicos na área de educação.

Além disso, durante a pandemia ampliaram a privatização com a permissão de compra de vagas em instituições com finalidade lucrativa e nos últimos dias possibilitaram a ampliação do número de crianças por agrupamento, o que é um retrocesso histórico na Educação e pior ainda nos Centros de Educação Infantil que o público vai de 0 a 3 anos de idade e que o contato com os outros bebês e adultos é inevitável; O resultado disso, no mínimo, se volta para a destruição de propostas pedagógicas adequadas ao desenvolvimento da criança; falta de transparência no trabalho oferecido pelas instituições privadas, a precarização do trabalho e a desvalorização do magistério.

Também precarizou a merenda das crianças enxertando dinheiro para a rede conveniada comprar produtos alimentícios, na época do governo Dória chegou a propor substituí-la por ração. Agora oferecem um cartão com valor irrisório que serve mais para fazer política do que qualquer outra coisa.

Além disso, deu continuidade ao projeto de confisco do salário de servidores por meio da implementação do Sampaprev, uma tentativa de confiscar até 19% dos salários dos servidores públicos municipais por meio de escusas manobras parlamentares.

Desta forma, se o governo estivesse comprometido com os servidores e com a educação pública, buscaria aumentar a arrecadação por meio do fim da terceirização e da convocação dos aprovados em concursos públicos.
Em suma, apesar de vender a propaganda de rompimento com a velha política trazendo o perfil de “gestores” os governos tucanos representam algo pior que o retrocesso como discursos tradicionais, representam na verdade um projeto que prevê sugar e precarizar ao máximo para que a “solução mágica” seja a privatização do que é direito de todos.

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Dica de legislação Instruções Normativas nº 22 e 23

Dica de legislação Instruções Normativas nº 22 e 23

Instruções Normativas nº 22 e 23 publicadas no diário oficial do dia 18 de junho de 2021 tratam sobre as questões de uniforme e material escolar dos estudantes matriculados na rede municipal de São Paulo.

No ano de 2020 houve o polêmico projeto de lei 628 que, dentre outras coisas, transferiu para o formato de voucher esses dois benefícios dos estudantes.

Desde o início desse governo a questão dos uniformes foi alvo. Começaram com um questionário às famílias sobre a vontade de permanecer com o benefício, depois da lei colocou a responsabilidade de adquirir os itens às famílias, sem considerar o poder de compra diferente do indivíduo e prefeitura; além disso a lei abriu espaço para a compra de uniformes de escolas particulares (revoga lei 14.964∕09) e posterior extinção desse benefício (6% da verba é destinada à políticas inclusivas).

Desde a aprovação da lei a prefeitura encontrou outros problemas, como a falta de empresas com aprovação nos testes de qualidade e que pudessem oferecer os mesmos itens com o valor repassado pela prefeitura às famílias individualmente. Agora em 2021, o que tem sido percebido é a dificuldade dos pais em encontrarem locais que disponibilizem os itens aos estudantes.

Da mesma forma tem acontecido com os matérias escolares. Fruto da mesma legislação os materiais escolares também passaram a ser responsabilidade das famílias com a disponibilização do valor a partir de um cartão; São exatamente os mesmos problemas: falta de local para que as famílias façam a compra dos itens, discriminação em lojas credenciadas com filas específicas e apontamento de marcas a serem adquiridas, como se esse dinheiro valesse menos; Além disso, muitos problemas com “sumiço” de saldo, problemas de cadastro e etc;

Não é à toa que essas duas Instruções Normativas chegaram colocando prazo limite para gastos desse dinheiro e maior flexibilização para as empresas em relação ao uniforme.

Se a prefeitura não consegue barganhar e adquirir itens de qualidade para a rede, nem sequer resolver problemas de licitação e acordo com as tais empresas “parceiras”, como, em pleno momento de pandemia, em que ficou escancarado que 40% das famílias atendidas não possuem nem ao menos acesso à internet e que a vulnerabilidade está posta dificultam o processo de adquirir um direito dessas crianças e adolescentes? Na regra, o que não for gasto até 31 de outubro voltará aos cofres públicos. Na prática, de forma mais sutil do que o corte do leite, são mais dois direitos ligados à questão da permanência na escola que estão escoando.

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Dica de legislação: INSTRUÇÃO NORMATIVA SME Nº 20, DE 04 DE JUNHO DE 2021

Dica de legislação: INSTRUÇÃO NORMATIVA SME Nº 20, DE 04 DE JUNHO DE 2021

Estabelece procedimentos para a execução do projeto de produção e distribuição de refeições saudáveis e balanceadas para consumo imediato – marmitas, à população em situação de vulnerabilidade social da cidade atingida pela crise econômico-social causada pela pandemia do coronavírus, e dá outras providências.

A legislação organiza a elaboração e distribuição de marmitas todos os dias da semana em Unidades Educacionais pré-estabelecidas.

A DRE encaminhará servidor para acompanhar o processo diariamente.

As empresas terceirizadas destinam as cozinheiras e entregadores; Garantem a segurança alimentar e temperatura da comida;

As escolas disponibilizam o espaço.

CODAE, DREs e Unidades Educacionais pólo, divulgarão amplamente o impedimento da comercialização das marmitas recebidas.

Para evitar o desperdício dos alimentos produzidos as marmitas não entregues deverão ser distribuídas para as famílias pertencentes à comunidade local.

Nesse contexto de fragilidade financeira de grande parte da população, essa é uma ação que movimenta a rede de trabalhadores das empresas terceirizadas destinadas a questão da alimentação escolar e ainda colabora de forma ativa com as comunidades escolares.

É obvio que a escola tem finalidade própria, porém especificamente durante esse momento de pandemia pode ser importante ser pólo de capilaridade para políticas públicas.

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A regulamentação do Homeschooling comentada ponto a ponto

A regulamentação do Homeschooling comentada ponto a ponto

Entenda mais sobre porque o homeschooling é uma má ideia

O ensino domiciliar ou homeschooling está tramitando a passos largos na Câmara federal subdividido em dois: um pela regulamentação da modalidade e outro contra o enquadramento por abandono intelectual aos responsáveis dos estudantes com essa especificidade. Além disso, em diferentes parlamentos pelo país a proposta tem ganhado força novamente, inclusive com aprovações regionais. Explicamos ponto a ponto aqui os motivos de sermos contrários a esta modalidade tomando como norte os argumentos que eles justificam para fazerem a propositura:

Convivência: O ensino domiciliar é alternativa excludente da escola, promove o individualismo e prejudica o desenvolvimento emocional e social das crianças e adolescentes, já que a convivência e interações nas escolas são fundamentais. Os estudantes ficam expostos a discursos homogêneos acarretando graves prejuízos ao desenvolvimento social desses alunos, devido à ausência de interações e convivências diversas!

Estudantes com deficiência: Defender que estudantes com deficiência devam ficar novamente fora da escola é um atraso secular! Está mais que comprovado que as interações são necessárias para a aprendizagem e boa convivência de todos! Não existem dois mundos. Todos precisam conviver, se respeitar e se relacionar. Aprendemos com o diverso e todos são capazes de aprender e devem estar em sociedade.

Periferia e desigualdade social: A iniciativa do homeschooling é oportunismo de grupos conservadores. Ensino remoto na pandemia não deve substituir as aulas presenciais como consequência; Sabemos de todas as dificuldades que já foram antecipadas nesse momento. Muitas famílias com número superior a 4 pessoas convivendo em um ou dois cômodos. Qual é o espaço adequado destinado ao estudo? Qual o tempo do responsável para acompanhar todas as tarefas de cada uma das crianças após o turno de trabalho, deslocamento e todas as outras tarefas domésticas? Como essa criança consegue estudar?

Avaliação anual baseada na BNCC: A transferência da responsabilidade do ensino às famílias coloca em risco a garantia do direito e acesso à Educação, já que não há diretrizes que garantam como será feita a devida fiscalização como ocorre nas escolas regulares. Será que uma avaliação anual dá conta de todo o diagnóstico e acompanhamento das aprendizagens das crianças?

Pais com ensino superior: Pais não podem ser responsáveis pela educação formal. Pais e mães têm sido convidados a refletir ainda mais sobre a educação dos filhos, a formação específica em uma área do conhecimento não faz com que os responsáveis sejam qualificados para exercer o papel de educador. Alguém consegue saber de tudo em todas as áreas específicas do conhecimento, ter metodologia e garantir as interações e a diversidade proporcionada pelas escolas regulares?

Acompanhamento pelo conselho tutelar: infelizmente esse é o ponto mais triste de toda essa história. A escola é o principal ponto de denúncia inicial sobre violência doméstica, exploração infantil e violência sexual. A escola é tradicionalmente um espaço em que as crianças e jovens encontram segurança e escuta ativa. O Conselho Tutelar está absolutamente precarizado e mal dá conta de dar devolutivas sobre as demandas de denúncias que recebe. Qualquer pessoa que conheça a realidade das escolas e dos Conselhos entende que esse argumento não possui aplicabilidade e no fim, é sabido que essas crianças estarão fora da escola e dos olhos da rede de proteção.

Outro nó desses projetos: Como regulamentar algo que não existe em lei? Se não tiver punição pelo abandono intelectual num momento em que não há regulamentação mais crianças estarão fragilizadas!

Perto de 50 milhões de alunos na Educação Básica (47,3) e cerca de 15 mil interessados. 0.3% de interessados apressando uma discussão que não remete a interesses coletivos amplos. O fanatismo religioso e elitismo não podem pautar a política nacional. A pressa em retomar esse tipo de projeto durante a pandemia tem um lema: criança rica em casa! Não dá pra desatrelar as tentativas de desvinculação de verba e a retirada de recursos da Educação com esse tipo de proposta.

Vivian Alves Nunes

Vivian Alves Nunes

Vivian Alves é diretora de escola na Rede Municipal de Educação, historiadora, pedagoga e ativista. Atualmente faz parte da caravana da educação do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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Dica de legislação: INSTRUÇÃO NORMATIVA SME Nº 2, DE 05 DE FEVEREIRO DE 2021

Dica de legislação: INSTRUÇÃO NORMATIVA SME Nº 2, DE 05 DE FEVEREIRO DE 2021

DISPÕE SOBRE A DISPENSA DE PONTO AOS AFILIADOS PARA PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS PROGRAMADOS PELOS SINDICATOS REPRESENTATIVOS DOS SERVIDORES DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE SÃO PAULO PARA O ANO DE 2021.

Todos os anos os servidores precisam fazer opção sindical. A partir dela terão o direito de participar de atividades com dispensa de ponto daquela entidade como, por exemplo, eleição, reunião de representantes sindicais ou congressos.

É importante salientar que independente do número de sindicatos que a pessoa seja filiada, apenas poderá ter dispensa de ponto por atividades da entidade escolhida.

A dúvida que fica para 2021 é se por conta da excepcionalidade da greve desde o início do ano letivo e do contexto de pandemia esse processo poderá ser feito no segundo semestre, já que algumas escolas com maior adesão optaram por não chamar os servidores para assinar listas de votação gerando deslocamento e aglomeração desnecessária nas Unidades.

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7 razões para ser contra os detectores de metal nas escolas

7 razões para ser contra os detectores de metal nas escolas

Entenda porque os detectores de metal nas escolas seriam uma péssima ideia

Está para ser votado o PL 308/2019 que visa a colocação de detectores de metais nas escolas. O projeto é uma resposta a casos de tiroteios nos ambientes escolares. Em teoria, o objetivo seria detectar e apreender armas sendo portadas pelos alunos. Explicamos 7 razões para ser contra os detectores de metal nas escolas:

1 – olhar pedagógico: a escola deve ser um espaço de acolhida, um local em que os alunos se sintam seguros e plenos. Colocar detectores de metal nas entradas tornaria os ambientes escolares hostis. Queremos, sim, um constante ir e vir de alunos, professores, mães, pais, avós e cuidadores para participarem da formação escolar das crianças. Detectores de metal representariam um retrocesso na visão de escola como um local aberto a todos. 

2 – a incidência: apesar da mídia “sensacionalisar”, casos de tiroteios em escolas são extremamente raros! No Brasil foram, no país inteiro, 9 casos entre 2002 e 2021. Sendo que existem quase 180.000 escolas no Brasil. Significa que a chance de uma dada escola sofrer um ataque ao longo desses últimos 19 anos é de 0.005%. Apenas a título de perspectiva, a chance de uma pessoa morrer por acidente de carro é quase 8,5 vezes maior. Isso sem nem entrar no fato de que nenhuma das escolas atacadas eram na cidade de São Paulo.

3 – o custo para 3 mil unidades: já pensou quanto custaria instalar 3 mil unidades de detectores de metal em escolas públicas? Um detector de metais fixo pode ser encontrado à venda por cerca de 8 mil reais. Vamos supor que a prefeitura (ao invés de superfaturar) conseguisse um acordo por comprar em quantidade, e adquirisse cada unidade, que fosse, pela metade do valor. Ainda assim estaríamos falando de 12 milhões de reais! Só este valor seria o suficiente para pagar um auxílio emergencial no valor de 600 reais para  5.000 pessoas durante 4 meses ou para construção de CEIs da rede direta.

4 – não há servidores para operar os detectores: este ponto talvez seja menos óbvio, mas simplesmente não há previsão de profissional para operar e fazer manutenção das máquinas detectoras de metal. E se houvesse seria, ao menos (sendo bem otimista), mais um cargo por unidade escolar. De onde a prefeitura iria retirar estes recursos? Da Secretaria de Educação? E quais reduções em outras áreas seriam necessárias para arcar com as despesas? Muitas escolas não possuem nem ao menos o serviço de vigilância, e quando são atendidas por empresas terceirizadas o horário é a partir das 19h, ou seja, fora do horário de atendimento ao público e estudantes;

5 – Não é atribuição de ninguém. No funcionalismo as atribuições são previstas em edital. Nenhum profissional da Educação tem a função nem o treinamento necessário para comandar máquinas detectoras de metal. O módulo do quadro de apoio está defasado há muito tempo e mal conseguem executar o que já lhe é atribuído. Não tem gente nem para ajudar no cumprimento dos protocolos como medição de temperatura na porta; Imaginem a logística de passar 500, 600 alunos a cada horário de entrada numa fila indiana como acontece no aeroporto ou bancos. A logística não cabe no contexto escolar!  

6 – Não resolve a raiz do problema: as razões para tiroteios em escolas acabam sendo ignoradas. Transformar escolas em recintos de paranóia, com segurança estilo militar, ignora que por trás de cada tiroteio existem histórias trágicas de jovens que não encontraram um lugar na sociedade. Não, não é questão de “passar pano”. E sim de reconhecer que se as escolas não forem locais acolhedores, em que a paz, o respeito e a empatia sejam valores máximos, o número de revoltados com armas de fogo deve aumentar, e não diminuir!

7 – Mediação de conflitos nas escolas: uma alternativa muito mais interessante à colocação de detectores de metais em escolas é a correta e harmônica articulação para lidar com situações-problema. Violência em escolas existe, e são infelizmente episódios quase que comuns, mas raramente são problemas que seriam evitáveis com detectores de metal. A mediação de conflitos existe justamente para abarcar situações que envolvem a valorização e respeito entre todos da comunidade escolar e pela legislação é obrigatório em todas as Unidades. Com formação, cuidado e respeito, todas essas situações de conflitos, se bem mediadas, dificilmente viram situações de confronto. Em conjunto com o devido acompanhamento pedagógico, a GCM também possui articulação e estrutura para mediação de conflitos em consonância com as escolas e esse processo pode render muito mais resultados positivos do que simplesmente um equipamento sem efetividade real.

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Educação e Saúde: um debate sobre prazer e os desafios ao corpo

Educação e Saúde: um debate sobre prazer e os desafios ao corpo

Entenda porque os modelos antigos de educação não são o bastante para ajudar jovens a se tornarem saudáveis e felizes

Pensar na relação Educação – Saúde é pensar nas relações escola – corpo, pessoa – higiene, público- privado. É importante pensar nas descoberta dos jovens e as diferentes relações com o corpo em contraponto aos padrões.

O início da nossa História pós-vinda dos portugueses trouxe consigo muito explicitamente, dentre as diferenças culturais, a relação com o corpo.

No início, os europeus associavam a nudez indígena com inocência e pureza, não como algo feio ou indecente. Tempos depois, passou-se a associar a nudez com o mal, à tentação, a incitação. Dizia-se que as indígenas não tinham pudores necessários às mulheres e que a nudez na verdade, afastava o desejo da curiosidade.

Após as gradativas tentativas dos jesuítas em “cobrirem as vergonhas” dos povos originários, o que gerava até situações divertidas de indígenas utilizando somente chapéus ou botas, a idéia de vestimenta foi se consagrando na ainda em formação cultura brasileira.

Outra relação estabelecida com o corpo que se chocou culturalmente no Brasil foi a questão da higiene e privacidade. Passou-se desde a Europa a valorizar o misterioso, pudico. Os corpos não deveriam ser mostrados nem mesmo para o banho. As casas, em sua maioria não possuíam muitas janelas, e estas, quando existentes, não eram abertas para ventilação dos ambientes úmidos, misturando no mesmo espaço os penicos e suores, e no caso da população mais pobre, em que moravam em cômodo único e dormindo em redes, o conceito de privado estava sempre ligado coletivamente aos assuntos domésticos, familiares. Com o tempo, o conceito de privado foi se tornando mais individual, ligado à pessoa.

Tais relações e conceitos são importantes para pensarmos, agora sim, na relação com a escola. Esta é fruto da sociedade, mas em alguns aspectos, não!

Atualmente pensar em privado, é extremamente complicado, vivemos numa época de valorização da exposição. Provas disso são os sites de relacionamento, blogs, mensagens e etc. Todo mundo sabe o que o outro está passando, sentindo, lendo, onde se diverte e com quem dorme; até os carros servem como outdoors com adesivos dos membros da família incluindo animais de estimação.

E lembrando que os adolescentes também são frutos e reflexo da sociedade, passam por conflitos, dentre outras coisas, sobre o que é valorizado dentro e fora dos muros. No ambiente escolar, perdem sua identidade com o uso de uniformes, proibição de aparelhos eletrônicos, relacionamentos, não podem falar abertamente sobre descobertas e inclusive sobre o uso de drogas lícitas ou ilícitas. Não confiam nos adultos porque se sentem julgados o tempo todo.

Tal modelo encontra-se deslocado do seu tempo histórico.  A escola passa a ser um lugar extremamente desinteressante, em que só se pode interagir com a nuca do outro e com seus materiais. Talvez essa seja a “vestimenta” necessária aos jovens a quererem investigar mais suas potencialidades físicas e sensoriais, às escondidas, aprender com seus pares sem medo ou preocupação de serem julgados.

Além das descobertas e desafios ao corpo ligados a questão da sexualidade, o contato com drogas também é comum. O álcool os aproxima dos amigos mais velhos, dos adultos. Os encoraja, os protege. Anima. Desafia. Nesse contexto, outras drogas como a maconha, pode ser que ainda tragam um pouco da ideia de contracultura.

Não é possível insistir numa discussão nos dias de hoje sobre ISTs ou drogas, por exemplo, sob o prisma de grupos de risco dependendo da mudança de comportamento individual. Afinal a relação é diferente dependendo de fatores econômicos e sociais. A chance de contaminação por HIV biologicamente é a mesma, mas não é igual para todos os países ou indivíduos. Muitas vezes a classificação entre usuário ou traficante é étnica. A vulnerabilidade tem cor e espaço geográfico. Hábito é fruto de condições do meio.

A escola não pode ter fim em si mesma. Não dá para isolar o cotidiano da vida escolar.  Romper com a hierarquização e padronização das discussões pode ser um caminho interessante para pautar com responsabilidade e respeito temas que podem desafiar para além das potencialidades, limites e valores do indivíduo, mas a saúde, vida e organização social.

Para saber mais:

ADORNO. Educação e emancipação. São Paulo: Paz e Terra, 1995.

A vulnerabilidade social. Disponível em: a www.ssrevista.uel.br/c_v3n1_jovens.htm

Bucher, R. (1996). Drogas e Sociedade nos Tempos da AIDS – UnB – Brasília.

Educação para pensar autônomo theodor adorno escola frankfurt teoria critica formação humanistica. Disponível em http://revistaescola.abril.com.br/formacao/formacao-continuada -11236.shtml

O conceito de vulnerabilidade como instrumento de análise. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-46982007000100012.

DEL PRIORI, Mary. Histórias íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2011.

SANTOS, B. de Souza. Dilemas do nosso tempo: globalização, multiculturalismo e conhecimento. Educação & Realidade, v. 26, n. 1, p. 13-32, jan./jul. 2001.

Vivian Alves Nunes

Vivian Alves Nunes

Vivian Alves é diretora de escola na Rede Municipal de Educação, historiadora, pedagoga e ativista. Atualmente faz parte da caravana da educação do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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