Eixos do Mandato

Auschwitz é aqui? O Brasil de 2022 e a necessidade de um novo pacto civilizatório

Genivaldo, Vila Cruzeiro e a necessidade de um novo pacto civilizatório

Bruno é filho de um oficial nazista que assume um cargo importante em um campo de concentração. Sem ter muito o que fazer, ele decide explorar o local e acaba conhecendo Shmuel, um garoto que vive usando um “pijama” listrado e está sempre do outro lado de uma cerca eletrificada. A amizade cresce entre os dois e Bruno passa, cada vez mais, a visitá-lo, tornando essa relação mais perigosa do que eles imaginam.

Shmuel consegue um “pijama” listrado igual ao dele e entrega a Bruno que atravessa a cerca e vai conhecer a rotina do amigo e explorar o outro lado. Durante a expedição dos garotos, em um dos barracões, a SS decide levar todas as pessoas de “pijama” listrado para uma câmara onde irão tomar “banho”. 

O “banho”, na verdade, é uma câmara de gás! Bruno e Shmuel, no meio de um monte de outras pessoas que se empurram e gritam pedindo socorro, se dão as mãos e são assassinados pelo regime nazista em uma câmara de gás. 

A descrição dos três parágrafos anteriores, se o leitor desse blog ainda não identificou, é de “O menino do Pijama Listrado”, o filme descreve os horrores dos campos de concentração nazista e a ideia de extermínio do povo judeu. 

As cenas finais deste filme vieram forte a minha mente quando no último dia 25 de maio, um vídeo de um homem sendo asfixiado com gás pimenta, por policiais, no porta malas de uma viatura viralizou nas redes sociais. 

 

GENOCÍDIO COMO POLÍTICA DE ESTADO

O caso de Genivaldo de Jesus Santos, de 38 anos, é um retrato do Brasil em 2022 e da política de morte que está colocada em curso no país. Auschwitz é aqui! 

Genivaldo é mais uma vítima do Estado brasileiro que no dia anterior, 24 de maio, subiu a Vila Cruzeiro, Complexo da Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro, e assassinou mais de 20 pessoas. 

Genivaldo é mais uma vítima do Estado brasileiro que faz vistas grossas para o genocídio de povos indigenas por garimpeiros.

A morte de Genivaldo demonstra o sadismo do Estado brasileiro. Imobilizado e sem oferecer mais resistência, o homem que sofria de esquizofrenia, foi algemado e colocado no camburão da viatura da Polícia Rodoviária Federal, os policiais soltaram gás pimenta. Genivaldo foi asfixiado. 

Não bastasse matar o corpo, o Estado ainda tenta matar a reputação. Emitem notas, declarações e forjam boletins de ocorrência para dizer que Genivaldo teve um mal súbito e morreu a caminho do hospital ou ainda que apresentou resistência à prisão, por isso foi imobilizado com “técnicas modernas e tecnológicas”. 

O mesmo Estado, na Vila Cruzeiro, segundo notícias de veículos de comunicação e denúncias de moradores, torturou um homem antes de assassiná-lo, ou ainda, metralhou a casa de moradores, mesmo com os pedidos e gritos de que eram casas de moradores.

O Brasil vive uma epidemia de morte. 

A polícia, braço armado do Estado, não atua para proteger e salvaguardar a vida das pessoas, mas para perpetrar um massacre, um verdadeiro genocídio de pobres, pretos, povos indigenas e outras minorias do país. 

 

QUEM ALIMENTA ESSA POLÍTICA? 

Essa política é alimentada por uma turma que não veste farda, mas manda em quem veste. Prefeitos, governadores, presidente, senadores, deputados e vereadores. Políticos que usam de seus cargos para aplaudir e referendar essas ações. 

Essa política de extermínio é alimentada quando termos de guerra são usados para justificar operações urbanas. Ou quando após ações absurdas como as que vimos em Sergipe ou no Rio de Janeiro, o poder público emite nota para tentar justificar dizendo que quem morreu “reagiu” à polícia. 

Alimenta essas ações a grande imprensa, quando usa do expediente de que entre os mortos, um número X de pessoas tinham passagem pela polícia, como se isso fosse uma espécie de salvo conduto para que, à revelia da lei, penas de morte sejam executadas. 

Ao insistir na cantilena de excludente de licitude, o presidente da república e sua horda de apoiadores lunáticos alimentam essas operações e ações de morte. 

Cada cidadão que acredita e aplaude esses massacres e assassinatos perpetrados pela polícia, como se ações como essas, de fato, resolvessem o problema da segurança pública no país. 

 

UM NOVO PACTO CIVILIZATÓRIO 

Urge que o povo brasileiro faça um novo pacto civilizatório. Precisamos olhar para os mortos da Vila Cruzeiro, para Genivaldo, para os Yanomami e para centenas de outros brasileiros que são assassinados pelo Estado e dizer que não toleraremos mais corpos empilhados. 

É imperioso repensarmos que esse novo pacto civilizatório vai respeitar a Constituição e fazer valer a lei e o direito de todas e todos os brasileiro, principalmente os mais pobres e aqueles que há anos estão à margem da nossa sociedade. 

Esse novo pacto civilizatório precisa inverter a pirâmide de prioridades deste país, colocando em primeiro quem sempre esteve por último. 

 

 

Vitória em ação contra os vouchers!

Vitória em ação contra os vouchers!

Saiba como uma ação do professor Toninho Vespoli limita a ganância de aliados da prefeitura de São Paulo

O presente pede luta, mas também pede esperança. E é por isso que é importante reservarmos momentos para celebrar as conquistas das lutas de Toninho Vespoli na educação pública. E há razão nova para comemorar! O Tribunal de Justiça de São Paulo deu razão parcial à ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) iniciada junto a Toninho Vespoli contra os vouchers na educação pública de São Paulo (lei 17.437/2020).

Na ação que Toninho iniciou, a argumentação dizia respeito aos artigos 6°, 7°, 8°, 9°, 10, 11, 17, 18, 18, 20, 21, 22, 23, 24, 25 e 26 da Lei que cria e disciplina o Programa Mais Educação Infantil (vouchers pagos com dinheiro público para a contratação de creches escolares privadas). O Tribunal de Justiça deu razão parcial à ação, admitindo inconstitucionalidade no parágrafo 3º do artigo 7º. Ainda assim é uma grande vitória!

O que isso significa é que, embora o programa de vouchers não tenha sido considerado inconstitucional, ao menos a prefeitura não irá poder contratar com os vouchers creches que visem o lucro, brecha que seria aberta pelo trecho julgado inconstitucional. Isso significa que qualquer dinheiro público colocado na educação deve servir exclusivamente para a educação, e não para encher os bolsos de amigos do prefeito.

Os tempos continuam trágicos, com uma gestão genocida no congresso atrasando a vacinação do povo brasileiro, e uma gestão genocida na Câmara Municipal, arriscando, desnecessariamente, a vida de profissionais da educação, alunos, e cuidadores. Mas pelo menos sabemos que quando a educação se restabelecer em ritmo normal, creches que visem o lucro não serão mais permitidas em São Paulo!

O fogo cruzado no debate da volta às aulas

O fogo cruzado no debate da volta às aulas

Entenda porque as crianças são quem mais perde com a Volta às Aulas antecipadas!

Tem ficado acirrada a disputa de narrativa sobre a volta às aulas presenciais e as condições para fazê-la. Num espectro macro fica parecendo que os profissionais da Educação não querem a volta enquanto instituições privadas e parte das famílias desejam esse retorno o quanto antes!

O ponto comum é que toda a sociedade reconhece que as aulas presenciais nas escolas não podem ser substituídas e movimentos com solicitação pelo “homescholling” ficam mais enfraquecidos. Vamos aos pontos principais desse debate:

  1. Contexto de pandemia e os prédios escolares: não é surpresa para ninguém os relatos de que os prédios estão sucateados nas escolas públicas de São Paulo (referência de maior cidade do país). Isso vem sendo denunciado há décadas pelas entidades sindicais e profissionais que atuam nas escolas. De repente, chega um vírus que exige como cuidado fundamental ter a ventilação e a redução do número de pessoas nos espaços. O que fazer com CEUs projetados com corredores sem nenhum tipo de ventilação? O que fazer com escolas que foram instaladas dentro de galpões? O que fazer com escolas antigas sem janelas? O que fazer com o padrão de vidraça e tela/grade “padronizado” nas escolas por questão de segurança e que impede a abertura dos vidros? É óbvio que os governos não tiveram condições de resolver esses problemas estruturais ignorados há décadas durante a suspensão das aulas presenciais em 2020. Novamente, fecham os olhos para esse aspecto e insistem num discurso de “normalidade”.
  2.  Os recursos humanos: Já que o governo não resolve a questão estrutural das Unidades, o investimento foi na parte de equipamentos – foi um tal de tótem, tapete sanitizante, álcool gel e verba para essa finalidade chegando nas escolas. Mas quem limpa as maçanetas, vidros, mesas, brinquedos e banheiros com a frequência adequada? A prefeitura não faz concursos para o cargo de Agente Escolar desde 2002 e as equipes terceirizadas de limpeza estão contando apenas com 3 trabalhadores por escola, número já denunciado amplamente e que não tinha condições de manter a limpeza das escolas mesmo antes da pandemia. O quadro de professores substitutos foi reduzido. O número de inspetores foi reduzido. O quadro de cozinheiras foi reduzido. As escolas perderam os vigias. Onde estão os recursos humanos para, dentro de suas funções, colaborar com a volta presencial segura? E a vacinação dos profissionais da Educação? Simplesmente não há discussão de solução sobre isso.
  3. Crianças são transmissoras ou não? Bater o martelo sobre essa questão tem sido difícil no mundo inteiro, uma vez que trata-se de um novo vírus e com variantes e novas cepas aparecendo em diversos países, afirmar qualquer coisa de forma taxativa parece ser um erro grave. O que pode ser afirmado até o momento é que o número de crianças aumenta quando o do restante da população também aumenta e que existem casos de aparecimento de síndromes raras em crianças contaminadas pelo coronavirus.

Quanto à Economia…

Considerados esses pontos de maior discordância entre os que defendem ou não a imediata volta com segurança para criança, profissionais e familiares é importante falar sobre o outro lado dessa questão: a Economia.

Existe uma confusão entre interpretar a Educação como um direito fundamental aos cidadãos e um meio de lucro para os donos de escolas. Movimentos de escolas particulares estão preocupados com o possível desemprego de profissionais da rede privada e perdas nos lucros dos donos dessas instituições. A preocupação é legítima tendo em vista que o desemprego tem crescido e muitas pequenas empresas não sobrevivem à crise econômica.

O que não há concordância é na estratégia de minimizar mortes que estão representando quantidades absurdas em comparação com a representatividade da população mundial. Há dias em que o número de mortos por Covid-19 no Brasil chega a atingir 20% das mortes no mundo! Outra estratégia seria pressionar os governos para que exista apoio fiscal nesse momento tão difícil e que isso ajude a impedir mais falências e demissões.

A culpa da crise não é dos professores que não estão seguros para voltar às aulas presenciais sem paramentos, apoio com recursos humanos ou estrutura predial. Colocar profissionais em espaços fechados com as crianças diante de todo esse contexto por conta de razões econômicas é correspondente anacronicamente a campo de concentração. Não dá para culpar quem não é responsável pela situação ou agravamento da crise.

Apontados os nós fundamentais desse debate e escancarando os problemas da escola pública talvez o caminho seja toda a sociedade brigar por estrutura para todos. Com isso, toda a população só tem a ganhar. Nossas crianças merecem, a vida merece, o futuro merece!

Vivian Alves

Vivian Alves

Diretora de escola na Rede Municipal de Educação, historiadora, pedagoga e ativista. Atualmente faz parte da Caravana da Educação do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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Arquitetura da exclusão

Entenda o problema da Arquitetura da Exclusão, em São Paulo e no mundo

Como alguns sabem, o Padre Júlio Lancellotti, em ato heroico, recentemente destruiu paralelepípedos em viaduto colocados para impedir o repouso de pessoas em situação de rua. O que talvez seja menos conhecido é que essa é uma prática antiga, feita há décadas por prefeitos de todos os partidos. Tem até um apelido: arquitetura da exclusão! Na internet é fácil encontrar exemplos dessa arquitetura hostil. São rampas de concreto, bancos com divisórias de ferro, e é claro, os famosos paralelepípedos pontiagudos. Tudo para dificultar ainda mais a vida da população em situação de rua.

A questão é antiga, e curiosamente bem estudada. A primeira pessoa a investigar a questão foi o famoso escritor anarquista George Orwell, em seu polêmico livro “Na Pior em Paris e Londres”. No livro jornalístico, Orwell vive como pessoa em situação de rua em Paris e em Londres. Ele relata variados tipos de opressão, arquitetônica e policial, contra moradores de rua.

A arquitetura da opressão continua atual!

Hoje a questão continua extremamente atual. Além de leis proibindo dar esmola no mundo inteiro (inclusive em municípios brasileiros, como Vacaria, RJ), administradores públicos usam de toda a sorte de artifícios para dificultar que pessoas em situação de rua consigam ter algum sossego na hora de dormir. São blocos de concreto, pedregulhos, rampas sem nenhuma função estrutural e até mesmo hortas colocadas no meio de calçadas. Tudo isso, mesmo que possa parecer inofensivo, muitas vezes tem a função de dificultar a vida das pessoas em situação de rua.

O mandato do Vereador Toninho Vespoli iniciou um mapa com o objetivo de listar os lugares em que ocorre a arquitetura da exclusão. Se você conhece algum exemplo dessa forma hostil de arquitetura, comente na publicação do facebook para incluirmos também no mapa. Se listarmos e denunciarmos os casos, talvez possamos, posteriormente, pressionar a prefeitura por mudanças! Além disso, Toninho Vespoli entrou com uma representação no Ministério Público contra casos de arquitetura da exclusão, e criou um projeto de lei contra esse tipo de prática.

Não podemos abaixar a cabeça e aceitar que pessoas em situação de rua sejam oprimidas assim! O correto seria uma política de casa popular para todas as pessoas que precisam (principalmente em uma cidade em que já há mais imóvel sem gente do que imóvel). Mas na falta disso, que pelo menos dêem as pessoas o direito de dormir em paz!

As opiniões presentes no texto não necessariamente refletem as opiniões do Vereador Toninho Vespoli

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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Vidas ou aulas?

Vidas ou aulas?

Se as aulas voltarem agora, crianças irão morrer! Entenda porque

“Coronavirus: Ubatuba registra a primeira morte de criança”, “ Criança de nove anos morre de Covid-19 em Taboão da Serra”, “ Conselho de Saúde indígena relata em ofício morte de crianças Yanomami com sintomas de Covid em Roraima”, “Como age a síndrome rara que afeta crianças com Covid e o que dizem especialistas”, “RS tem a primeira morte de criança por síndrome inflamatória associada ao coronavirus”, “ Todos os pacientes internados por Covid-19 em Ipixuna são crianças, “Na capital, leitos de UTI infantil para Covid na rede pública triplicam em 1 mês, ocupação é de 100%”, “ Emergência pediátrica do Hospital da Criança Conceição, em Porto Alegre registra surto de Covid-19”, “ Número de crianças internadas dobra no Albert Sabin”, “Infecções por Covid-19 em crianças e adolescentes disparam em Curitiba”.

Essas são algumas notícias que podem ser encontradas numa busca rápida nas publicações dos últimos dias. Concomitante a elas, os governos vêm anunciando a volta às aulas presenciais em todo o Brasil.

São Paulo, mesmo com as aulas suspensas, liderou em 2020 o número de casos de “síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica no Brasil”. O número foi próximo a 100 casos. O aumento de contágios por Covid-19 nesse início de 2021, a preocupação com novas cepas e a insistência na reabertura das escolas parecem cenário perfeito para que esses números explodam.

O que pode parecer pessimismo fica empiricamente comprovado com experiências de países como a França, Estados Unidos, Portugal e Coreia do Sul. Aqui no Brasil acompanhamos a pressa em retomar as aulas presenciais em Manaus e o desespero em apontar a falta de respiradores, inclusive para crianças!

O ECA diz que crianças e adolescentes devem ter o seu direito à vida e à saúde protegido com prioridade pela família, sociedade e pelo poder público. Expor essa faixa etária ao espaço escolar, que se torna insalubre pelas circunstâncias atuais e de décadas de abandono é um ato genocida com a população e com o futuro!

Enquanto os governos se esforçam para mostrar que existem condições sanitárias para a volta às aulas, pipocam denúncias de redução do quadro de funcionários da limpeza, revezamento quinzenal das equipes de cozinha, falta de EPI em quantidade suficiente e problemas estruturais das Unidades, isso sem contar com a já tão evidenciada especificidade do grupo de crianças e jovens aprenderem a partir da troca, do toque, do afeto;
Por todas essas razões é urgente que autoridades se posicionem e barrem esse retorno precipitado. A vida não se recupera, não tenhamos o peso histórico de símbolo de direitos violados. Que até o Capital tenha um limite: A PRESERVAÇÃO DA VIDA. Morto não produz. Morto não consome.

As opiniões presentes no texto não necessariamente refletem as opiniões do Vereador Toninho Vespoli

Vivian Alves Nunes

Vivian Alves Nunes

Vivian Alves é diretora de escola na Rede Municipal de Educação, historiadora, pedagoga e ativista. Atualmente faz parte da caravana da educação do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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Não é hora de voltar!

Os “voluntários da pátria” atuando nas escolas

Entenda porque ainda não devemos voltara com as aulas presenciais!

Não é possível afirmar que a Educação é o futuro e caminho do progresso de uma nação e ao mesmo tempo acreditar que professores sejam aproveitadores baratos da maior crise sanitária que já presenciamos para não trabalhar.

Todo mundo se lembra da mandona, do fedido, do bonzinho, do brigão; Os professores lembram daquele aluno que convulsionou na sala de aula, do que precisou correr para o hospital depois de cortar a testa na trave da quadra, daquela que “presenteou” com uma cesta básica às escondidas, daquele que não tinha chuveiro em casa ou dividia o tênis com o irmão, daquele que foi aconselhado a não ficar fumando na porta da escola, daquele que precisava trabalhar calibrando pneus no posto de gasolina, daquele que faleceu devido ao contexto de vulnerabilidade social.

Isso acontece porque na prática é possível observar que o acesso à Saúde não é para todos, a Assistência Social não chega a todos que dela necessitam, assim como a Habitação digna, políticas esportivas e culturais. A escola é atualmente o espaço de todos, é o direito garantido. É a voz do Estado que mais abrange as famílias. Prova disso são as campanhas de vacinação, entrega de cestas básicas e outras políticas públicas, comumente realizadas em escolas, atingindo de forma mais ampla a população.

Ver movimentos de grupos privatistas fazendo carreatas pressionando pela volta às aulas presenciais e acusando professores de “folgados” que não querem retomar a “normalidade” é simplesmente enxergar que esses grupos não conhecem a realidade das nossas escolas e trabalhadores (públicas e muitas privadas de pequeno porte que atuam nas periferias).

Uma característica genérica bem plausível de professor é a capacidade de se realizar no outro, criar condições para que o outro seja livre e autônomo, e que para isso interfere e pensa sobre a realidade concreta.

Desde março quando as aulas passaram a serem remotas, as escolas permaneceram abertas, cumprindo função de facilitadora de políticas sociais e a parte burocrática, representada pelas equipes gestora, apoio e limpeza. Foi feito um enfrentamento muito forte para o fechamento total das Unidades. Isso não foi considerado, expondo a vida desses trabalhadores; Mas é fato que ter os alunos presencialmente sem vacina aumenta ainda mais esse risco.

Fica, portanto, evidente a total irresponsabilidade de Bruno Covas e João Doria ao insistirem na retomada antecipada das aulas presenciais. O descaso é grande, e não apenas com os profissionais da saúde que tanto alertam sobre os riscos de se desistir do isolamento físico antes da vacinação, mas também com todos os servidores da educação e os alunos de São Paulo. O risco de vida é grande. Covas e Doria tem sangue em suas mãos.

As opiniões presentes no texto não necessariamente refletem as opiniões do Vereador Toninho Vespoli

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O Fiasco do ENEM

O Fiasco do ENEM

Entenda porque essa edição do ENEM pode ser um triste presságio sobre outros fiascos a se desdobrarem na educação pública

O fiasco do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), em sua última edição, talvez tenha sido a maior tragédia promovida pelo ministério da educação de Bolsonaro (e olha que a competição é grande!). Mais da metade dos inscritos no ENEM não compareceram à prova. A principal razão foi um medo justificado dos inscritos de se contaminarem com a Covid-19. Alunos que realizaram os testes relataram salas de exames lotadas, com pouca circulação de ar. Ambiente perigosíssimo em tempos de pandemia. O Ministério da Educação teve a oportunidade de adiar as provas. Inclusive, ação do Ministério Público de abril do ano passado pedia ao INEP (Instituto que organiza as provas do ENEM) exatamente isso, isto é, que as provas fossem adiadas. Não podemos deixar esse tipo de fundamentalismo continuar arriscando vidas inocentes. Que sirva de lição: a retomada presencial de atividades educacionais só deve ocorrer depois da vacina chegar a todos!

Não foi por falta de aviso!

Não foi por falta de aviso que ocorreu o fiasco do ENEM. O Ministério Público já havia pedido ao INEP que adiasse as provas para março. Na época o INEP respondeu com um comunicado dizendo que “a realização do exame na data marcada é perfeitamente possível e segura para todos os envolvidos, não havendo riscos de ordem sanitária”. Apesar das garantias do Instituto, no dia de aplicação da primeira fase da prova do ENEM alunos registraram em vídeos aglomerações nas entradas, e mesmo no interior das salas dos locais em que as provas foram realizadas.

Não é como se adiar as provas não fosse uma opção. É difícil entender o que deve ter passado na cabeça da gestão bolsonarista para aplicar uma prova dessa importância em tempos de pandemia. Uma das razões pode ser possível lobby das universidades privadas no Ministério da Educação. Acontece que o ENEM é prova necessária para a aprovação de financiamento e empréstimos públicos em universidades particulares (por exemplo, através do FIES e do PROUNI). Com a prova adiada para data posterior, as faculdades poderiam perder parte de seus recursos. É triste pensar que nossa gestão parece arriscar vidas para garantir os lucros de grupos privados.

Covas e Doria, como sempre, seguem os passos de Bolsonaro

É também bastante preocupante pensar que não se trata de projeto apenas de Bolsonaro. A ideia de adiantar a retomada de atividades presenciais ligadas à educação antes que seja seguro, parece iniciativa almejada pelo prefeito Bruno Covas e pelo Governador João Doria. Ambos já liberaram planos de retomada das aulas, enquanto passamos por uma segunda onda da Covid-19. A decisão é trágica, e deve custar muitas vidas!

É grave, também, pensar que aqueles que acreditam na ciência, e não querem correr riscos desnecessários podem acabar sendo prejudicados. Na aplicação da prova do ENEM, por exemplo, aqueles que não fizeram a prova tiveram que arcar com a taxa de inscrição. Aqui em São Paulo a situação será semelhantes: os jovens, mães, pais e profissionais da educação que prezarem pelas suas saúdes, correrão riscos de ficarem em desvantagem acadêmica frente aos outros jovens, ou mesmo de perder os seus empregos.

Não é razoável arriscar dessa forma a vida de nossas crianças e servidores da educação. A retomada só deve ocorrer quando a vacina chegar para todas e todos!

As opiniões presentes no texto não necessariamente refletem as opiniões do Vereador Toninho Vespoli

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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A “roleta russa” da volta às aulas presenciais

O anúncio da volta às aulas presenciais feita a pouco pelo prefeito e o novo Secretário de Educação de São Paulo, mostram a toada do que se deve esperar deste governo tucano pelos próximos quatro anos na nossa cidade.

Há poucos dias foi anunciado por representantes de entidades sindicais que o Secretário teria dito que o retorno aconteceria apenas após a autorização da Secretaria de Saúde.

Com um número de mortes perto de 50 mil pessoas, o Estado de São Paulo erra em anunciar a volta e, como tem sido desde que assumiu a prefeitura, Covas segue a vontade de seu padrinho político e brinca com a vida dos estudantes, trabalhadores da Educação e seus familiares.

É ridículo que esse público não esteja como prioritário na campanha de vacinação contra o Covid-19. É absurdo que a pressão de grupos privados seja maior que a preservação da vida. E absolutamente ninguém duvida que se o número de casos é enorme com as aulas presenciais suspensas e que disparará com essa retomada de atendimento presencial aos estudantes sem a imunização. Uma verdadeira roleta russa!

Por outro lado fica cada vez mais evidente o papel fundamental das escolas e da Educação. Não há tecnologia que substitua o afeto, não há apostila que substitua o professor; Isso foi constatado a duras penas e de forma inesperada a todos, inclusive aos defensores de homeschooling; Infelizmente dezenas de milhares de famílias em São Paulo também aprenderam que a vida não tem preço.

Durante praticamente todo o ano de 2020 temos debatido e ouvido diferentes especialistas afirmando o risco desse retorno sob as atuais circunstâncias. O prédio continua o mesmo, as equipes de limpeza continuam reduzidas, o módulo de servidores continua o mesmo, a vivacidade e características próprias das crianças continuam as mesmas. Infelizmente o prefeito continua o mesmo…

Não existe preciosismo quando o que está é jogo é o nosso bem maior, não existe excesso de zelo com a vida. O detrimento do direito à vida, proteção e saúde é uma triste constatação que falhamos enquanto cidade educadora e como sociedade.

E essa recuperação, hein?

Vidas ou aulas?

Entenda porque Bruno Covas deveria rever suas prioridades na educação pública!

Como num quebra-cabeças, a virada da folha do calendário de certos setores da sociedade trouxe junto aos votos de um ano novo melhor e mais próspero um proposital cinismo acompanhado de perda de memória.

Desde 2019 temos denunciado o número insuficiente de trabalhadores nas equipes de limpeza dos CEUs e demais unidades escolares da nossa rede. Resolveram? Não! Os equipamentos continuam com equipe reduzida, mas parece que isso não é mais um problema.

Passamos praticamente 170 dias letivos em aulas remotas sob as mesmas condições e contexto atual de alto número de contágio e mortes (mas agora insistem no presencial como única forma de recuperação paralela), parecem tão anestesiados e esperançosos pelo ano que se inicia que esqueceram inclusive que professores e estudantes não estão sequer na lista de prioridades na vacinação que se anuncia.

Vidas inocentes valem essa pressa?

Mas é pelo pedagógico! A criança precisa do vínculo! Claro que sim. Não há o que substitua a relação e as trocas que se dão na escola. Mas que escola? Polos com professores que não conhecem os estudantes, crianças sem relação entre si, nem com o espaço, nem com os adultos, em baixíssima adesão. Esse ganho pedagógico é maior do que o risco empregado a todos que estão envolvidos nesse plano de recuperação no mês de janeiro?

Qual a pressa em se dizer que está tudo bem e que a rotina precisa voltar? As escolas ficaram maiores e mais arejadas? Os corredores dos prédios antigos agora estão ventilados? Os itens de higiene estão em quantidade suficientes?

O discurso era pela vida, porém, sem absolutamente nenhuma mudança real, passa a ser pela imediata aula presencial, inclusive com a tal recuperação que está sendo oferecida nos CEUs. Coincidentemente subiu o tom do discurso de escolas particulares e políticos bem NOVOS bancados por grupos privatistas.

A aula nunca parou!

A aula nunca parou. E sabe por quê? Porque os professores pagaram internet do próprio bolso, compraram equipamentos tecnológicos com mais memória, mais recursos; disponibilizaram os números pessoais e se dispuseram a atender famílias independente do dia ou horário de trabalho; de uma hora pra outra aprenderam a manusear parafernálias com as quais não estavam habituados. Tudo para manter o vínculo e a aprendizagem daqueles alunos que também precisaram dispor de recursos próprios por não terem sido adequadamente assistidos pelo poder público.

Além dos professores, o quadro de apoio e a equipe gestora estiveram na linha de frente desde março, atendendo a todos os “cumpra-se” que ficavam sabendo pela mídia, afinal, diálogo com a categoria que estava na linha de frente durante o ano de 2020 não existiu.

Fizemos inúmeras tentativas de diálogo com a Secretaria, apresentamos projeto de lei pela entrega de chips aos trabalhadores e estudantes, brigamos por alimentação para todos, fizemos manifestação, denunciamos no Comitê Emergencial, Comissão de Educação, Ministério Público, Tribunal de Contas e tudo mais que pudemos, mas a voz que parece soar mais alto em mais um ano, é a voz de conglomerados financistas, a voz da irresponsabilidade e a voz do faz-de-conta.

Utilizar a rede pública como teste para atender à pressão de reabertura das escolas (em especial particulares) sem vacinação dos agentes envolvidos no processo educacional é mais que irresponsável, é sujo e tem caráter desumano!

As opiniões presentes no texto não necessariamente refletem as opiniões do Vereador Toninho Vespoli

Vivian Alves Nunes

Vivian Alves Nunes

Vivian Alves é diretora de escola na Rede Municipal de Educação, historiadora, pedagoga e ativista. Atualmente faz parte da caravana da educação do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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A educação pública corre o risco de acabar!

A educação pública corre o risco de acabar!

Entenda porque a educação pública corre risco!

A educação pública corre o risco de acabar! Hoje, na Câmara Municipal de São Paulo, as únicas coisas impedindo o desmonte da educação pública são a mobilização e engajamento dos servidores da educação, e o Professor Vereador Toninho Vespoli 50650. Foi Toninho Vespoli 50650 uma das principais pessoas na denúncia da máfia das merendas. Esquema terrível de corrupção em que creches privadas desviaram dinheiro público das merendas escolares. Sem Toninho é bem possível que o esquema não teria sido desmontado. É também Toninho um dos poucos vereadores realmente preocupados em garantir que a educação pública continue sendo pública. Russomano e Covas querem acabar com a educação em São Paulo. Os dois estão comprometidos em privatizar e terceirizar a educação. Só Boulos prefeito e Toninho Vespoli 50650 vereador são capazes de frear esses que querem acabar com a educação!

Quem tá no chão da escola sabe como as últimas gestões têm ameaçado e intimidado a educação pública municipal. Covas só aumenta os gastos com a rede terceirizada. O plano dele é, no futuro, começar a desligar a rede direta, deixando todas as crianças à mercê do livre mercado. Escola não é mercadoria! A rede parceira é mal fiscalizada, e dá pouca satisfação sobre o que é feito com o dinheiro público. Mais que isso: quem monta uma escola para receber da prefeitura está, muitas vezes, só querendo fazer dinheiro. Mamar nas tetas do governo, às vezes chegando a desviar dinheiro público para se enriquecer! É essa a lógica do setor privado, e todos os grandes escândalos de corrupção no Brasil ocorreram quando dinheiro público foi colocado na mão de grupos públicos. Não dá certo. Mas é nisso que acreditam Bruno Covas e Russomano.

Covas e Russomano odeiam professores!

Covas veio tentar fazer os servidores engolirem goela baixo o Sampaprev, reforma da previdência que acabaria sendo paga, principalmente, pelos servidores públicos de base, que ganham os menores salários. Gente, por exemplo, que está no chão da escola! O objetivo é piorar as condições de trabalho na rede direta, para beneficiar grupos da rede indireta e parceira na hora das contratações de funcionários! Toninho Vespoli Não deixou! liderou os protestos contra o Sampaprev! Teve sucesso: conseguiu barrar o Sampaprev!

Russomano é outro que é contra a educação. É afilhado político de Bolsonaro, presidente que quer tirar dinheiro do FUNDEB e das universidades federais! O cara já reconhece no seu plano de governo que quer aumentar a rede indireta, terceirizada, na educação. O Crivella paulistano fala pouco ou quase nada sobre propostas concretas, mas pelo seu histórico é fácil perceber que ele está do lado dos poderosos. Votou contra a renda emergencial em São Paulo e é a favor da reforma administrativa de Paulo Guedes, ministro de Bolsonaro.

Se Boulos ou Covas virarem prefeito é difícil saber o que será da educação em São Paulo. Se Toninho 50650 não for reeleito, São Paulo, também, perderá um dos mais importantes pontos de resistência pela educação pública gratuita e de qualidade. A educação pública corre o risco de acabar! Por isso é fundamental que ele seja eleito. Junto com Boulos e Erundina 50, Toninho Vespoli vai poder continuar a sua luta por uma educação de primeiro mundo em São Paulo!

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