Direitos Humanos

População de rua é uma das mais vulneráveis!

população de rua é uma das mais vulneráveis!

Entenda como o Bruno Covas aumentou o risco de morte para o povo de rua infectado com o novo coronavírus

Por causa do Bruno Covas, o povo de rua pode ser massacrado pelo coronavírus! O irresponsável do prefeito cortou no orçamento de 2020 centenas de milhões em verbas que poderiam ajudar a população de rua. Agora, com a chegada do novo coronavírus no Brasil, a população de rua é uma das mais vulneráveis!

Apesar de São Paulo ter aumentado as suas arrecadações em 2019, e apesar do prefeito fazer questão de manter quase 13 bilhões de reais em caixa, ele ainda assim achou de bom tom cortar dinheiro que ajudaria a população de rua! Tamanho descaso não é apenas irresponsável, é diabólico! Em qualquer contexto isso seria inaceitável, mas como o novo coronavírus as consequências podem ser mortais

O povo de rua é vulnerável

A população de rua é vulnerável ao novo coronavírus. Não apenas eles são, em boa parte, portadores de outras doenças respiratórias crônicas (o que piora o sistema imunológico e aumenta a chance do infectado morrer). Além disso, também tem acesso dificultado à saúde, muitas vezes não tem como se proteger de temperaturas baixas, são obrigados a dormir próximos uns dos outros (seja em albergues por causa da falta de estrutura, seja na rua por causa de repressão social) e por serem em grande parte pedintes, estarem em contato constante com centenas de pessoas por dia.

Apesar dessas dificuldades, assistência social pode ajudar a mitigar algumas das dificuldades, seja de forma direta (como assistentes sociais educando os moradores de rua sobre como não se contagiar) ou seja de forma indireta (como com a construção de novos e melhores albergues). Infelizmente, com o novo orçamento, será ainda mais difícil auxiliar a população de rua. O prefeito Bruno Covas cortou quase 15 milhões da assistência social. Tão trágico quanto, tirou mais de 60 milhões do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Este último corte foi feito, cirurgicamente, em cifras da pasta que ajudam as crianças de rua, como centros de juventude, e a proteção de jovens em riscos sociais.

A maldade de Covas não tem fim!

Mas a maldade não acaba por aí. Covas tirou 3,6 milhões dos Centros de Apoio ao Trabalhador. Também tirou 361 milhões do Fomento às Cadeias Produtivas e Projetos Locais. Ambas as áreas acabam por beneficiar, em grande medida, quem vive na rua. São, para muitos, a chance de um dia sair do ciclo de miséria através de empregos e pequenas empresas.

Com tantos cortes em áreas tão importantes, o atendimento à população de rua tende a se tornar mais precário. Além disso, o povo de rua tende a ter menos oportunidades de mudança de vida. Com o novo coronavírus, a população de rua é uma das mais vulneráveis, correndo um risco de vida particularmente alto. Não podemos deixa-la ficar desamparada!

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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A PM tem que acabar

A PM tem que acabar

Entenda porque o fim da PM seria bom para todos (inclusive para os militares)

Dia 3, segunda-feira, circulou na internet um vídeo de um policial militar batendo em uma mulher grávida. O “crime” dela foi gravar o policial enquanto ele abordava uma outra pessoa, ao que tudo indica, também, de forma agressiva. Não apenas filmar a ação de policiais não é crime, mas também é um forma de fiscalizar a ação agressiva. No caso, felizmente, havia ainda outra pessoa filmando o ocorrido. Talvez ele seja punido pelo feito. E se for será correto. A ação do oficial foi absurda, violenta e ilegal. Ilustra como no Brasil a PM tem que acabar.

Não é possível querer reduzir todo o problema a esse caso isolado. O problema se revela também nos números: o Brasil tem a polícia que mais mata no mundo. O outro lado da moeda é que, também, é a polícia que mais morre. Muito sangue está sendo derramado, e passa da hora de tentarmos entender como dar um basta em tanta violência.

Como quase tudo na sociedade o problema, aqui também, começa na educação. O modelo herdado da ditadura militar treina os cadetes em um ambiente de constante assédio moral. “Bora, bora, você é um bicho. Você é um jumento, seu gordo!” Comenta em entrevista à Revista Exame o ex-soldado Darlan Menezes Abrantes, imitando a forma que ele era tratado na academia. No meio de um ambiente tão hostil, o cadete é ensinado a reproduzir agressões contra a sociedade “Você é vagabundo! Essa desgraça desse cabelo. […] Você é o quê? Você é trabalhador é, viado?!” Foram essas as palavras de um policial flagrado, recentemente, em vídeo agredindo, com socos e pontapés, um homem negro, nas ruas de Salvador.

“O soldado é treinado pra ter medo (…) pro cara sair do quartel igual a um pitbull”

Os alunos reproduzem o que aprendem. Acredito que qualquer um que já entrou em uma sala de aula consegue entender isso. “O soldado é treinado pra ter medo (…) pro cara sair do quartel igual a um pitbull, doido pra morder as pessoas. Hoje se treina um policial parece que está treinando um cachorro pra uma rinha de rua” conclui Darlan Abrantes.









Em 2018 a polícia militar matou 6160. No mesmo ano morreram 343 policias. Estes números estão entre os mais altos do mundo.













Essa lógica de assédio contra os policiais, não serve apenas para torna-los mais agressivos. O objetivo é, também, moldar um comportamento de união e homogeneidade. O policial torna-se parte de um “Todo” superior, infalível, heroico. Quaisquer ações fora das ideias desse “Todo” são brutalmente punidas na corporação, e taxadas como subversivas, degradantes, imorais. O policial passa a reproduzir essa visão nas ruas. Age não apenas como polícia das leis, mas como polícia moral, punindo qualquer coisa que viole a identidade do “Todo”.

Esse “Todo” reproduz, no fundo, a ideologia das elites dominantes. A ordem, fria e clara. A ação precisa, crua, obediente. O “digníssimo guarda da esquina” convencido que deve ser parte da elite – a todo custo. Há uma certa ironia em pensar que, ao mesmo tempo, são pessoas, principalmente, de origem humilde. São convencidos através de uma verdadeira doutrinação ideológica fascista que suas origens e suas raízes são parte do “problema”, por violarem a soberania do “Todo”. “O problema é o guarda da esquina”. Esse tipo de lógica é a mesma do fascismo. torna claro que a PM tem que acabar.

A construção do sagrado “Todo”

Esse sagrado “Todo” traz em si um ideal de homem, mas também um ideal de sociedade. O homem perfeito seria másculo, sério, correto, jamais subversivo. Mais que isso, seria um herói para a sociedade. Alguém que não tem medo de morrer em nome da ordem e do progresso. Também alguém que não tem medo de matar em nome da dita ordem. A sociedade ideal seria aquela composta pelos homens ideais. Todos seriam corretos, morais. Não haveriam ideias disruptivas, ou pessoas que questionassem. Todos viveriam conforme as engrenagens, conforme o seu papel.









O modelo de treinamento usado para os militares no Brasil foi o mesmo usado para treinar tropas americanas e nazistas na segunda guerra mundial.










As periferias, as festas de rua, e ainda a pobreza extrema são vistas como manchas nessa sociedade “ideal”. Manchas que devem ser removidas, limpas. Para isso vale intimidar, prender, matar. Invadem casas nas periferias, massacram bailes Funks, revistam e prendem pobres. Mas pobreza no Brasil tem cor. Assim a polícia absorve o racismo de nossa sociedade. Qualquer um que “suje” a “cidade linda” de Covas e Doria, merece a ira em nome do “Todo”. “Abordagem nos Jardins tem de ser diferente da periferia” palavras do então Comandante da Rota sobre como deve agir a polícia. Esse tipo de pensamento ilustra porque a PM tem que acabar.

A militarização se transforma em estatística

Tudo isso resulta nas estatísticas que conhecemos. Só em 2018 foram 6160 pessoas mortas por policiais militares. Se o excludente de ilicitude de Bolsonaro e Moro tivesse sido aprovado esse número tenderia a aumentar ainda mais. Alguns talvez acreditem que esses números refletem um trabalho que demanda “sujar as mãos” para ser feito. Os policiais matariam, basicamente se protegendo dos “marginais”. Para além de apontar como esse pensamento, no fundo, reflete a reprodução do já mencionado “ideal” social, vale também considerar como as ações violentas da polícia militar influenciam a nossa sociedade

No caso vale a máxima “violência gera violência”. A ação assassina da polícia apenas faz com que grande parte da população se sinta por ela reprimida. Segundo pesquisa feita pelo Datafolha no final de 2019, 51% dos brasileiros tem medo da polícia (ante apenas 47% que diz confiar nela). Muitos se sentem ameaçados, intimidados. E qualquer grupo que se sente ameaçado alguma hora reage. Quem sente medo da polícia acaba se unindo com o outro “lado”. As comunidades periféricas acabam se dividindo entre algumas “cuidadas” pela polícia e outras “cuidadas” pelo tráfico. Geralmente com pleno endosso das populações locais.









Estima-se que cerca de 83% das comunidades cariocas são controladas pelo tráfico ou pelas milícias


















A guerra com a PM tem que acabar

A militarização reforça, assim, um ambiente de constante guerra. Um lado se une ao tráfico, o outro se une à polícia. Mas como muito do que os policiais acabam fazendo os faria perder a insígnia, estes decidem agir com suas próprias mãos fora do serviço. Formam-se, assim, as milícias. Brutais, assassinas, ilegais mas (até paradoxalmente) defensoras da ordem, do progresso, da sociedade “ideal”. E entre os dois lados da guerra ocorrem muitas casualidades. Com muitos os inocentes pegos no fogo cruzado.

A solução para os problemas não é simples, e será abordada em outro artigo. Mas está claro que o modelo fascista e militarizante é parte dos nossos problemas. Militares não resolveram a economia e a política de nossa sociedade. Surpreende um pouco haver quem defenda que eles conseguiriam resolver a violência no Brasil. Precisamos desmilitarizar a polícia, e desmilitarizar já!

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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População de Rua em São Paulo Cresce!

População de Rua em São Paulo Cresce!

A população de rua em São Paulo cresce! Aumentou em 50% de 2016 para cá! Isso é mais um reflexo do autoritarismo neoliberal colocado em prática pelos maus “gestores” João Doria e Bruno Covas. Para eles a população de rua deve ser combatida, repremida e expulsa. Os dois representam o abandono de qualquer senso de decência e humanidade com as populações marginalizadas pelo sistema capitalista que eles tanto defendem!









“Doria optou por, literalmente, ensinar os pobres a fritar hambúrgueres para o Mcdonalds.”













Problema velho, soluções terríveis!

O problema de moradores de rua não é novo. Mas gestões passadas, com todas as suas falhas, ao menos tentaram tratar sobre o problema com projetos minimamente humanistas. A gestão do petista Fernando Haddad, por exemplo, tentou tratar do problema por meio do programa Braços Abertos. A iniciativa (mesmo que falha em pontos extensos demais para serem tratados aqui) buscava oferecer apoio psicológico, social e assistencial à população de rua, inclusive por meio da abertura de hóteis populares. João Doria, ao invés de melhorar o programa, fez a trágica opção de desmantela-lo, tão logo assumiu. Tentou substituí-lo por uma iniciativa que chega a ser cômica de tão trágica: para ele os moradores de rua seriam “alunos lentos” do capitalismo que ele defende. Seria papel da gestão municipal auxiliar esses maus alunos com aulas intensivas sobre como ser subserviente ao sistema. 

Assim, desde que assumiu, fez a opção de treinar os miseráveis para trabalharem para os mestres do mundo. Ao invés de reconhecer o direito da população de rua à moradia (direito, inclusive, previsto na Constituição Federal), ou, ainda, buscar entender as razões que os levaram à condição de miseráveis, Doria optou por, literalmente, ensinar os pobres a fritar hambúrgueres para o Mcdonalds. A maioria deles, entretanto, resistiu a tamanha “liberdade” de servir. Preferiu ser presa à miséria do que ser presa à nova Casa Grande. Acharam as ruas mais dignas do que a senzala!

Para essas práticas elitistas, perpetrada por Bruno Covas, esses “maus alunos” do capitalismo seriam “vagabundos”, “inúteis”, na medida em que se recusam a ser úteis à máquina que os oprime. Soma-se ao fetiche neoliberal do trabalho escravo, interesses perpretados pela gestão tucana de agradar a amigos partícipes da especulação imobiliária, e fica fácil de entender a reação de Doria e Covas contra a população de rua. Segundo a narrativa, eles merecerim a exceção da intervenção do Estado materializada na intervenção militar contra os pobres. Assim, desde a gestão de Doria, aumentaram exponencialmente as ações da polícia contra a população de rua, principalmente no centro onde a maior parte dela se concentra. O que há, é mais que descaso, uma verdadeira falta de humanidade, e respeito com a população mais vulnerável de São Paulo.









Segundo a própria prefeitura, hoje existem mais de 24 mil pessoas em situação de rua. Para ativistas, como Julio Lancelotti, os números reais devem ser ainda maiores!













Toninho chama o povo para a luta!

O Professor Vereador Toninho Vespoli entende esses problemas. E é por isso que ele convenceu a Câmara a aprovar seu projeto de lei que obriga os albergues municipais a permitirem que os moradores de rua possam entrar neles acompanhados de seus cães (no caso de muitos, única companhia e consolo). Além disso, ele propõe que a polícia municipal seja proibida de roubar as posses da população de rua (problema frequente, de acordo com múltiplas lideranças sociais, como o Padre Julio Lancelotti).

Mas ele também entende tratar-se de um problema complexo, que dificilmente será resolvido por assinaturas, de cima para baixo. Para ele toda a população deveria se engajar na resolução do problema. Mas o primeiro passo para isso é ter um público informado. Por isso, além de denunciar e tentar coibir abusos contra os miseráveis em redes sociais, e manter essa plataforma em que o assunto possa ser exposto e comunicado, Toninho Vespoli também luta para que sejam feitas campanhas para comunicar o problema ao público. Pois somente juntos, conseguiremos resolver tão trágica crise! Somente assim, conseguiremos conseguir reduzir  tamanho da população em situação de rua em São Paulo, que cresce!

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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Transempregos

Republicado da Revista Cidadanista

Por Fernanda Patrocínio

Criado em 2013, o projeto TransEmprego tem como foco a empregabilidade de transgêneros no Brasil

Um exercício mental prático: quantas pessoas gays, lésbicas ou bissexuais trabalham com você? “Se eu olho para LGBTs, eles também estão em cargos de liderança, mas não necessariamente se assumem no ambiente de trabalho. Nem sempre falam sobre a sua orientação sexual e, mesmo quando falam, são muito comuns as situações de preconceito e todo tipo de violência nas organizações”, alerta Ricardo Sales, consultor da Mais Diversidade. Retomando o exercício mental: e quantas pessoas trans trabalham com você? “E se a gente fizer o recorte pensando nas pessoas trans aí, de fato, temos uma exclusão muitíssimo grande”, ressalta Sales. 

Os números não mentem essa realidade, pois, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), a partir do estudo Mapa dos Assassinatos de Travestis e Transexuais no Brasil em 2017, “90% de travestis e transexuais utilizam a prostituição como fonte de renda e possibilidade de subsistência”. Além disso, 13 anos é a idade média em que travestis e pessoas transgêneras são expulsas de casa. Segundo dados do projeto Além do Arco-Íris, da AfroReggae, apenas 0,02% dos trans estão na universidade, 72% não possuem o Ensino Médio e 56% não concluíram o Ensino Fundamental. Dentre as consequências desse quadro, que reflete exclusão social, familiar e escolar, relacionam-se às dificuldades de inserção de travestis e pessoas transgêneras no mercado formal de trabalho. 

“ISSO SE DÁ PORQUE ANTES  SÓ HAVIA EXCLUSÃO. AO MESMO TEMPO EM QUE ESTE FATO ‘É UMA ALEGRIA, REVELA TAMBÉM O ATRASO. HÁ PESSOAS QUE MORRERÃO  SEM TER DIREITO AO EMPREGO”

INCLUSÃO É A CHAVE 

Iniciativas como o TransEmpregos auxiliam na inserção da população trans e não binária em empresas. Criado em 2013, o projeto tem como foco a empregabilidade de pessoas transgêneras, fazendo a intermediação entre candidatos e empresas, bem como preparando empresas e corporações para praticar a inclusão, de fato. Maitê Schneider, consultora de diversidade e uma das fundadoras do TransEmpregos, conta que, há 16 anos, em Curitiba, ela fundou a ONG Transgrupo Marcela Braga e que, por intermédio deste grupo, houve incentivo para cursinhos preparatórios exclusivos para pessoas trans. “Elas começaram a estudar, terminaram o Ensino Fundamental, Médio e também as graduações. Só que começaram a reclamar de um problema: apesar das qualificações educacionais, nas mais diversas áreas, não havia emprego/acesso a elas”. E desse problema, após diálogos entre Schneider e nomes como Márcia Rocha e Laerte Coutinho, surgiu a ideia do TransEmpregos. 

Ao dialogarem com as empresas, a consultora afirma que era comum ouvir respostas como: “Não sabia que tinha gente qualificada” e “Achei que todas eram prostitutas”, numa reprodução de estigmas e preconceitos. Ela cita, em alguns casos, que há homens e mulheres trans que têm conseguido seu primeiro emprego formal somente agora, com mais de 50 anos. “Isso se dá porque antes só havia exclusão. Ao mesmo tempo em que este fato é uma alegria, revela também o atraso. Há pessoas que morrerão sem ter direito ao emprego”, afirma. 

O trabalho do TransEmpregos hoje se dá em três movimentos. O primeiro é receber currículos de pessoas trans gratuitamente (é possível fazer o cadastro no site www.transempregos.com.br) e fazer essa ponte com as empresas que estejam aptas para a inclusão. É muito importante que a organização esteja pronta. É aí que entra o segundo movimento da TransEmpregos, que é a realização de consultorias para preparar as empresas a serem inclusivas, na prática, e não somente no discurso. “Dialogamos com CEOs, lideranças e funcionários para estarem lidando com a diversidade humana e a variedade de pessoas”, explica a fundadora. Este trabalho demanda tempo e, só depois que a empresa está pronta é feita a ponte entre candidato e organização. O terceiro movimento da TransEmpregos vai além da empregabilidade. “As próprias empresas querem ir além, pois sabem que diversidade traz inovação. Quando a meta é a criatividade, traz retorno produtivo para a empresa”, afirma Schneider. “As empresas estão mudando realidades sociais, cada uma dentro de suas missões e seus valores, trazendo um novo pensamento para melhorar o entorno social”, elucida.

 

Ensinar e/ ou aprender: potencialidades da teoria e da prática

Para falar em educação é necessário recuperar o educador e filósofo Paulo Freire, que defendia que “não há docência sem discência”, na obra Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa, cuja primeira edição foi publicada em 1996. Ambos os processos se complementam, e a prática docente consiste basicamente em se ter humildade de reconhecer que não se sabe tudo, e sabedoria de reconhecer que se aprende quando se transfere conhecimentos. 

A grande dificuldade atribuída aos que decidem pela carreira da docência, em especial aos que optam por atender ao ensino público, é a de instigar a curiosidade e o senso crítico dos discentes, cada vez mais apáticos frente às adversidades e às poucas perspectivas de um futuro melhor ou mais interessante. 

Mas o que pode motivar os mais jovens a aderirem ao processo de aprendizagem? Há muito tempo, a educação deixou de ser prioridade a muitos indivíduos, em alguns casos por falta de recursos financeiros, ou por ter outras prioridades, ou mesmo por não perceberem o quanto isso pode agregar valor, especialmente aos considerados millennials. Conforme definição adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e Banco Mundial, estes se constituem em indivíduos que estão na faixa etária de 15 a 24 anos de idade. No Brasil, no entanto, jovem é todo aquele que está na idade entre 15 e 29 anos, de acordo com o Estatuto da Juventude, conforme Lei n. 12.852/2013. 

Embora se admita que as gerações não podem ser limitadas à idade do indivíduo, esta variável tem sido considerada para determinar o público-alvo em alguns estudos. Pesquisa do IBGE, como a pesquisa PNAD Contínua de 2017, apurou que 23% dos jovens na faixa etária de 15 a 29 anos nem trabalhavam, nem estudavam e nem buscavam uma colocação profissional. Esse percentual vem aumentando nos últimos anos, pois em 2016 era de 21,8%. Condições educacionais pouco atraentes aos alunos, por exemplo, têm favorecido a formação de uma geração conhecida por “nem, nem, nem”; ou seja, que nem estuda, nem trabalha, nem busca emprego. 

Outra pesquisa realizada na América Latina e no Caribe pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), entre 2017 e 2018, com jovens residentes em áreas urbanas, de 15 a 24 anos de idade, verificou a mesma condição de jovens ‘ociosos’, não que isso seja uma opção pessoal. Isso ocorre, em sua maioria, com mulheres, de baixa renda, baixa escolaridade e por esses atributos não conseguem “Entre ensinar e aprender é preciso cultivar as duas práticas!” uma colocação profissional. Entre nove países pesquisados pelo Ipea, os piores indicadores ficam com os brasileiros e chilenos. 

Para os jovens que nem estudam e nem trabalham, embora estejam na faixa economicamente ativa, resta depender de apoio familiar. E quanto menor a escolaridade dos pais, menos estes estimulam seus filhos para os estudos regulares e/ou técnicos para que possam conquistar sua independência financeira, o que resultaria em condições mais aprazíveis à família e mesmo para a economia local. 

Cabe ao professor garantir a atenção e interesses de jovens que se enquadram nesse contexto e frequentam a escola, em diferentes níveis, do Ensino Fundamental ao Superior. O docente tem de estar disposto a lidar com as diferenças individuais e entusiasmado a agregar conhecimentos; ao mesmo tempo que é desafiado a promover o interesse dos discentes, que nem sempre estão dispostos a adquirir novos hábitos. 

Para que isso se efetive, é preciso oferecer aos docentes melhor remuneração, mais oportunidades de qualificação, aquisição de conteúdos e aperfeiçoamentos (teorias), bem como autonomia para o exercício didático (práticas). Para reduzir as desigualdades não se pode também pensar a educação à parte do poder público, pois estão estreitamente relacionados, principalmente quando se pensa em inovação curricular associada ao desenvolvimento profissional. Entre ensinar e aprender é preciso cultivar as duas práticas!

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