Duas incertezas na Zona Leste: coronavírus e monotrilho

Quando a linha 15-Prata voltará?

Quando a linha 15-Prata voltará?

O novo coronavírus já chegou nas periferias, talvez não em sua força bruta, mas é o assunto que mais está na boca do povo. Quase que diariamente pipocam mensagens de que apareceram casos ou mortes em hospitais públicos. Notícias verdadeiras ou não, o fato é que a crise sanitária está incomodando todo mundo. No entanto, mesmo com as recomendações de isolamento social, há trabalhadores que precisam sair de casa e pegam o transporte público para colocar o pão na mesa da família no fim do dia. E em meio à pandemia, frotas de ônibus foram reduzidas em quase 50%, ou seja, essas pessoas estão enfrentando lotação. A situação se complica ainda mais para quem dependia da Linha 15-Prata do metrô. Além do vilão invisível, o coronavírus, a periferia da Zona Leste está enfrentando a omissão do Estado, também letal. 

Há mais de um mês, o monotrilho que liga Vila Prudente e São Mateus permanece com estações fechadas, contrariando o anúncio do secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, de que no dia 23 de março haveria a reabertura parcial do trecho. A justificativa apresentada pelo governo estadual é que houve queda no número de passageiros devido a pandemia do coronavírus e não haveria necessidade de reabrir o trecho. Com isso, os usuários continuam sendo atendidos pelo Paese (Plano de Atendimento entre Empresas de Transporte em Situação de Emergência), que também sofreu redução no número de veículos.

 

Trabalhadores sob risco

O maior problema sobre o fechamento total da Linha 15-Prata é a falta de transparência do Metrô e da gestão Doria. Sequer foram reapresentados calendários para a retomada do funcionamento e é inaceitável responsabilizar a pandemia para a total paralisação. 

Não é segredo que o cotidiano não mudou para milhares de moradores dos bairros que dependem desse transporte. Há muitos trabalhadores que não foram dispensados ou que são informais. Com frota reduzida e a falta de funcionamento do monotrilho, a superlotação dos ônibus também vira um problema de saúde pública.


Soa romântico exigir da população que seja solidária com o próximo, que lave as mãos e que não saia de casa, mas a desigualdade não permite que todos ajam assim. A partir dessa perspectiva, não está no controle do povo o combate ao vírus da Covid-19, que não se trata de uma gripe comum, mas dos governos. 


Se a gestão Doria está permitindo que pessoas se aglomerem no transporte coletivo também está escolhendo quem deve morrer ou viver. E isso tem nome, é necropolítica. Esse termo foi apresentado pelo filósofo camaronês Achille Mbembe e significa, em resumo, o poder de uma sociedade que define quais corpos são matáveis, quais têm menos valor e são, portanto, descartáveis.

Sobre a doença ainda não há cura, mas sobre o monotrilho todos precisam ter acesso imediato às respostas. 

 

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Ajude-nos a pressionar os responsáveis a dar uma resposta e exigir mais segurança e a volta da operação da Linha 15.
Juliana Ghizzi

Juliana Ghizzi

Juliana Ghizzi é Jornalista pela PUC-SP. Atualmente, trabalha como assessora de comunicação do Mandato Popular do Vereador Toninho Vespoli

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