“Uma negra chargista?” Sim, estou aí

Conheça Janete: a chargista negra que veio para quebrar padrões!

Já reparou quão raras são personagens negras na mídia? Seja em séries de televisão, filmes, livros ou mesmo em charges de revista e jornais. O Gênero feminino também não recebe destaque. Os papeis reservado a elas costumam ser subservientes, coadjuvantes. É para quebrar esses padrões que a chargista Janete começou a atuar. Negra, mulher e empoderada, protagoniza charges críticas e muito bem humoradas. O Blog 2 Litrão teve prazer em entrevistar essa incrível mulher! A entrevista foi realizada por e-mail. No final da matéria você encontra Facebook, Twitter, Instagram e Youtube dessa já grande chargista!

2 Litrão: O que a motiva?

Janete: O que me motiva é a militância. Sempre fiz charges e guardava para mim. Com as mídias sociais, amigos me incentivaram a publicar. Era só publicar. Experimentei e a coisa pegou.

2 Litrão: Na sua opinião, como a visibilidade negra, (nas artes, filmes, livros etc) se relaciona com o racismo na sociedade brasileira?

Janete: Não tem como ser negra sem passar pelo preconceito. Mas fazemos um papel importante de abrir fronteiras, ocupar espaços com talento. Recentemente morreram duas grandes atrizes, Ruth de Souza e a Chica Xavier. E assim no cenário das artes temos grandes talentos, literatura, música, poesia. E compomos a base da brasilidade, isso é fértil para as crianças negras, seus sonhos, seus ímpetos, suas lutas. Para mim é a base de um mundo melhor.

2 Litrão: O gênero Charge costuma ser bastante crítico, e é muitas vezes produzido e propagado por pessoas de esquerda, consideradas progressistas. Ainda assim são raras as personagens negras nesse tipo de veículo. Na sua opinião, isso reflete falhas dentro do próprio campo progressista?

Janete: Não sei se são falhas. Lembro que no campo “branco” (rs) quando o Guga [renomado tenista brasileiro, Gustavo Kuerten] chegou lá, explodiram as escolas de tênis para a criançada. Isso no país do futebol. Sempre tivemos grandes escritores e poetas negros. Mas o nome não revela a origem, e os livros de história pintavam de branco. Nas charges, também não aparecia a origem, só o nome artístico, tirando alguns amigos que fizeram sua bandeira, como o grande Pestana, militante chargista do movimento negro. No geral não nos identifica. E veja que também não temos muitas mulheres. Então os modelos inspiram e apontam caminhos, espero servir disso. Espero inspirar não só meninas negras, mas meninas (japonesas, chinesas, índias…) e porque não meninos negros? A arte costuma transcender a raça, que assim seja, mas que sejam inspirados também pelo humanismo, pelo respeito, pela democracia (porque temos sim humoristas de direita, e pagos para posar ao lado do presidente).

2 Litrão: De que maneira você acha que a sua presença e atividade podem ajudar o movimento negro?

Janete: Minha presença ajuda o movimento negro sendo uma negra que faz, que ocupa espaço, que procura fazer bem feito. “Uma negra chargista?” Sim, estou aí. Que venham mais.

2 Litrão: De que forma você entende a onda de protestos, nos Estados Unidos e no mundo, em resposta ao racismo de nossa sociedade?

Janete: Essa onda é muito importante, embora muitas vezes eles não se ocupem da causa primária, o racismo serve para a exploração do homem pelo homem, precisamos ligar as coisas. Mas é um começo, Me entristece que o Brasil se comove com mortes de negros americanos, muito mais do que com negros brasileiros, mas não vim pra chorar, vim para bater no preconceito, escandalizar com nossas mortes.

2 Litrão: Na sua opinião, existe espaço de luta para pessoas brancas no movimento racial?

Janete: Existe e devemos lutar juntos, conheço muitos branco, orientais, seriamente comprometidos contra o racismo. Para mim não faz sentido lutar para o negro também ter empregada doméstica, funcionários explorados. O preconceito só acaba se também abrimos as chances de sermos iguais, termos acesso à cultura, estudo, e cidadania. O direito só de ser rico é mesquinho e não muda muita coisa. O negro americano conquistou o direito a riqueza, e ainda se mata negros… Precisamos ver o outro como irmão, como semelhante. Dentro do meu cristianismo canhestro, acredito muito que nossa espécie só terá mais chances se amarmos o próximo como a nós mesmos.

2 Litrão: Que dicas você daria para uma criança negra na sociedade em que vivemos?

Janete: Quais dicas? Aí estaria falando para uma parcela pequena, que tem pão na mesa. Essa precisa de dica de como chegar, e chegará mesmo sem dica, pois essa é a marca do artista. Ele chega por atrevimento, por iniciativa própria. Que escola fez Tim Maia, Jorge Ben, Ruth de Souza. Em teatro se passa por escola, mas sem isso, sem essa rebeldia, não se vira artista. Mas em vez de dica, eu peço a vocês que estão me entrevistando, a quem está lendo. Lute pela escola pública e de qualidade para todos, para a democratização da arte, dos espaços artísticos, eles que forjam os artistas. E mesmo que x negrinhx não queria ser artista, o acesso a cultura, à arte, à cidadania permitirá que ele se realize onde for. Viva o FUNDEB, viva o ECA, que se cumpram, que se materializem. Lutemos por isso, pelas garantias sociais, pelas proteções às minorias, por escola de qualidade para todos. O direito de ser gente, dessas crianças de famílias ou sem famílias abandonadas pelo estado, Elas precisam mais do que dica, precisam disso, precisam da nossa luta por essas coisas.

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