Escolas públicas com gestão pública!

Sala de aula

Foto: Caco Argemi / CPERS – Sindicato

Tramita na Câmara projeto para privatizar a equipe gestora das escolas municipais.

Quero falar mais da apresentação de um projeto de lei de uma colega vereadora sobre a privatização da equipe gestora.

Por mais que a vereadora tenha feito um esforço sobre-humano para tentar convencer os pares que este PL não privatiza nada, a realidade é outra.

Se a nobre vereadora, tão preocupada em mandar as pessoas lerem o seu projeto, tivesse visitado algumas escolas e visto de perto a realidade e o trabalho da rede — coisa que não está escrita em PL algum — não teria proposto esse projeto.

Vereadora, de forma bem honesta e respeitosa, a partir do momento que vossa excelência quer que a gestão da escola, atualmente feita de forma direta por funcionários concursados que possuem anos de experiência, — vou usar um termo que vocês liberais adoram — “expertise” e vivência da escola são substituídos por funcionários de entidades, não seria privatização?

Quero falar do modus operandi que tem infestado o Legislativo nas três esferas, com uma gana pela privatização da Educação Básica. É sempre importante lembrar que a Educação tem verba carimbada e um monte de institutos e bancos “inocentemente” preocupados com isso.

O processo de privatização segue uma lógica

Primeiro aconteceu a precarização e a terceirização dos cargos de limpeza, cozinha e vigilância. Sabemos bem como está a situação desses serviços nas escolas e as inúmeras denúncias de superexploração e ineficiência desse formato.

Agora estão na fase de oferecer formação de institutos organizados por grupos financistas da seguinte forma:

Privatiza-se “mantendo a proposta” enquanto a lógica mercantil influencia o processo pedagógico e a organização da escola pública. Nesse caso, o privado assume a direção das políticas educativas e define a produção e apropriação do conhecimento.

Também ocorre ao mesmo tempo na execução e direção, pois instituições privadas definem o conteúdo da Educação e também executam sua proposta por meio da formação, da avaliação e do monitoramento, premiação e sanções que permitem um controle sobre a execução de seu produto.

Investimento pelas empresas privadas na formação dos professores e gestores, e alteração da lógica de gestão, de DEMOCRÁTICA para GERENCIAL. É componente chave da maioria das versões de privatização, ameaçando alterar tanto a forma, quanto o conteúdo do trabalho na escola, agindo diretamente na cultura escolar e na relação estabelecida entre toda a comunidade no que se refere ao processo de aprendizagem.

Um método, uma apostila e um chicote na mão prometem fazer milagres na saga por resultados sem investimento no que são de fato os maiores problemas.

Mais do que nunca, a bandeira da escola pública precisa ser atualizada. Não basta mais sua defesa, agora temos que defender a escola pública com gestão pública!

Toninho Vespoli

Toninho Vespoli

Professor de matemática da rede municipal de São Paulo e Vereador no 4º mandato

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