Greve dos metroviários: um exemplo de luta para a classe trabalhadora

Greve dos metroviários: um exemplo de luta para a classe trabalhadora

Por que algumas pessoas tiveram a impressão de que os trabalhadores do Metrô estavam contra o povo quando na verdade estavam lutando ao seu lado?

A greve dos metroviários mostrou mais uma vez a força da organização da classe trabalhadora. Tudo estava contra os metroviários, assim como tudo está contra qualquer trabalhador e trabalhadora brasileiros. E mesmo assim, a luta lhes rendeu uma nova proposta do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), oferecendo reajuste salarial de 7,79% e pagamento da segunda parcela da Participação nos Resultados (PR) de 2019, em 2022.

Quando se diz que tudo estava contra eles, isso inclui os próprios trabalhadores. Ou pelo menos a maioria deles, influenciado pela mídia de massas por todos os cantos. No jornal Bom Dia São Paulo, por exemplo, os metroviários só apareceram para figurar como grande inimigo do povo trabalhador que acorda cedo e não vive sem o transporte público.

Rodrigo Bocardi tratou toda categoria como egoístas e irresponsáveis que querem um aumento salarial em meio à pandemia. Pois foi em meio à pandemia que 25 funcionários morreram e cerca de 700 ficaram doentes enquanto mantinham a operação do metrô. Isso não conta como prova de empatia? Em meio a pandemia, os metroviários tiveram que lutar, assim como outras categorias, para serem priorizados na vacinação.

Em nenhum momento, o jornal deu ênfase sobre o que o Governo de João Doria tem feito, como a tentativa de vender a sede do Sindicato dos Metroviários na rua Serra do Japi, no bairro de Tatuapé, zona leste. Ou então, a falta de diálogo quando o Metrô não enviou nenhum representante para as negociações no TRT. Não é de se assustar que a população em maioria é contra a greve.

Com os interesses alinhados, o discurso organizado pelo governo estadual, junto da mídia hegemônica, visava o tempo todo colocar trabalhador contra trabalhador, até que todos só conseguissem enxergar solução na privatização do serviço. “A linha 4 [privatizada] não parou”, diziam alguns comentários na internet. 

Haja ânimo e coragem para enfrentar uma guerra tão desequilibrada pela opinião pública. Enquanto os comentaristas no rádio, na TV e na internet colocavam o povo contra o povo, os metroviários se mobilizaram, fizeram piquetes e intervenções para explicar sua causa.

“Não faria nada diferente”, afirma com convicção Dagnaldo, metroviário que acompanhou a mobilização da categoria. “Você acha que se não houvesse disposição, se não estivéssemos no nosso limite, íamos conseguir parar?”

Mesmo aqueles que entendiam a reivindicação, e culpavam a gestão Dória, faziam questionamentos sobre as táticas do movimento: “Por que na pandemia? Por que não abriram as catracas?”. Dagnaldo explica que essa é uma exigência que se faz à empresa. A abertura das catracas pode acabar em piores punições, para os funcionários individualmente, do que a greve. Por isso, eles oferecem ao Metrô uma troca: se deixarem abrir as catracas, não há necessidade de greve.       

Os metroviários lutaram como puderam e usaram o direito constitucional de greve como arma. Resta o exemplo de que quando os trabalhadores se organizam, a elite se treme e interrompe suas disputas internas para tentar dissipar as forças que lutam por alguma dignidade. A cada dia mais pessoas têm consciência disso, e decidem que o tempo de recuar dos seus interesses de classe chegou ao fim. 

A suspensão da greve não é o fim da mobilização dos metroviários, nem dos ataques de João Doria a tudo que é público e passível de ser vendido a seus amigos da elite. A guerra está longe de acabar.

As opiniões presentes no texto não necessariamente refletem as opiniões do Vereador Toninho Vespoli

Breno Queiroz

Breno Queiroz

Estudante de Jornalismo com interesse em comunicação política e militante do PSOL.

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