Indicados políticos ganham aumento maquiavélico de Ricardo Nunes

Campanha Sampaprev 2

O PL 651 aprovado nesta terça-feira (26), em sessão extraordinária, dobra o salário de comissionados, e dá aumento a subprefeitos, secretários-adjuntos e chefes de gabinete.

O autor de “O Príncipe” (1513), Nicolau Maquiavel, escreveu o tratado com intenção de exercer um cargo público na corte de um Duque italiano. Ironicamente, ele não foi contratado. Mas os ensinamentos contidos na obra influenciam as decisões de governantes até hoje. Em particular, a determinação de que “é bem mais seguro ser temido, do que amado”.

No caso do Prefeito de São Paulo, esse cálculo entre amor e temor é evidente. Àqueles cuja relação de amor é impossível, os servidores municipais, cabe o susto, o ataque surpresa, as sessões extraordinárias, o congresso de comissões, a fim de gerar pânico; aos mais chegados, os que têm posições de poder para revidar seus ataques, cabe o amor — ou melhor, a bajulação.

Não à toa, o PL 651/2021, que dobra o salário de comissionados, e dá aumento a subprefeitos, secretários-adjuntos e chefes de gabinete, está sendo votado junto com ataques à classe trabalhadora. É a compensação, em capital financeiro, de uma perda inevitável de capital político, quando se cogita descontar 14% de aposentadorias do tamanho de um salário mínimo.

O tempo também é essencial para minimizar as perdas e evitar mais compensações. Um dos gritos mais difundidos nesta segunda mobilização dos servidores para manter sua previdência, é o “se votar, não volta!”. Ricardo Nunes corre para aprovar seus projetos na Câmara antes que esse grito seja conhecido por mais munícipes.

Pragmatismo político

Apesar de hoje em dia, o adjetivo maquiavélico estar impregnado de julgamento moral, Maquiavel foi inovador por sobrepor o pragmatismo político aos valores éticos e morais. Da mesma forma, Nunes não se preocupa se o aumento de indicados políticos irá piorar o serviço, ou indignamente permitirá que a corrupção passe despercebida.

Outro valor incontestável da atual sociedade sob o neoliberalismo, a necessidade de se controlar gastos dentro do Estado, incluído como argumento para o Sampaprev 2, também é atropelado pelos aumentos para os “amados” do Prefeito.

Sentido do pragmatismo 

Se o pragmatismo passa por cima de tudo que é valor, onde vai parar? Ou melhor, qual o seu sentido? 

Para um político de carreira como Ricardo Nunes, o sentido é a sobrevivência política. Mas em um contexto geral, não importando se o Prefeito está consciente dele, o sentido é a acumulação e reprodução do capital.

Faça-se a pergunta, para que arriscar tanto desgaste político se a missão dele é sobreviver politicamente? A quem pode agradar um projeto esse?

A resposta está camuflada entre diversos ataques aos servidores. Incentivando a transição do modelo solidário, para um modelo de capitalização, o projeto do Sampaprev 2 é a chance que os grandes bancos têm de meter a mão na aposentadoria dos servidores da maior cidade da América do Sul. E assim, ele torna-se para o Prefeito, uma chance de demonstrar força, e se tornar mais amado ainda pelos poderosos.

O sentido do nosso pragmatismo

Longe de se prender a meros dogmas morais, a luta política dos servidores contra Ricardo Nunes, em um contexto geral (e nesse caso, é melhor que isso venha à consciência), também pode atropelar tudo, mas no sentido contrário.

Se de um lado, a intenção é a valorização do valor por si, aumento da média dos lucros, a reprodução do capital; do outro, deve-se ter a noção de que a luta é pela valorização do que cria tal valor, do responsável por transformar a natureza, o trabalho e a vida dos trabalhadores.

Parece agora que estamos brigando para manter alguns “trocados” na aposentadoria, faltas abonadas, benefícios, etc. Mas o espírito que habita nossos lutadores é a antiga e irrefreável vontade do proletariado de ter o que merece pelo seu trabalho.

Breno Queiroz

Breno Queiroz

Graduando em jornalismo pela ECA USP e estagiário de comunicação no mandato do vereador Toninho Vespoli.

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