Lobby pela privatização pressiona por avaliação precoce na Educação Infantil

A presença de grandes grupos financistas na órbita do Ministério da Educação (MEC) pautando o debate sobre Educação no país é uma ferida que precisa ser cuidada. A novidade agora é que entidades como a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Fundação Lemann, Itaú Social e B3 Social se juntaram na arrecadação de verba para que o Brasil participe de uma avaliação mundial de ranqueamento na Educação Infantil, semelhante ao PISA. Isso mesmo sem o aval oficial do governo federal.

Tal postura aponta que independente do governo, essas instituições e fundações se sentem tão cientes da adesão, que já arrecadaram o valor de R$ 700 mil para a participação do Brasil na prova International Early Learning and Child Well-being Study (IELS), organizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Outro aspecto importante para ser destacado é que a tal avaliação prevê provas de Língua Portuguesa e Matemática para crianças de 5 anos com duração de duas horas, segundo eles, a partir do manuseio de tablet e com a mediação de um adulto de forma lúdica. Ora, esse pessoal tem ciência de que na realidade das escolas são 35 crianças por turma, que as crianças e escolas não possuem tablets, que a Educação Infantil não é uma preparação para o Ensino Fundamental e que apresenta as diferentes competências a partir do Brincar?

Na justificativa sobre a importância da avaliação, com dados de outros três países, afirmam que a criança inserida em uma família que lê para ela todos os dias, que possui livros em casa, conversa com a criança e que é submetida a mais estímulos como aulas de natação e dança, possui maior nível de aprendizagem. Ora, além da obviedade de que um ambiente letrado facilita a aprendizagem, esse tipo de ranqueamento pode trazer consigo análises do tipo “não aprende porque é pobre” ou pior, trazerem uma necessidade de antecipação no processo de alfabetização das crianças na escola para suprir o contexto extraescolar, submetendo à Educação Infantil como sub escola quando na verdade existem as próprias características e desafios.

Mesmo imaginando um cenário sob condições ideais para a realização da prova, traduzir e adaptar atividades de uma avaliação internacional dão conta do nosso Currículo da Educação Infantil? Qual o interesse de grupos financistas em submeter crianças pequenas ao estresse de uma prova com duas horas de duração aos cinco anos de idade, para avaliar de forma desnecessária coisas que lhes serão formalizadas tempos depois, desrespeitando a infância e as diferentes fases da aprendizagem?

A gana em obter fatias de verba pública pode fazer com que as crianças sejam cobaias de programas cheios de soluções mágicas para as questões da Educação brasileira; e falando especialmente da paulistana, com um dos mais bem estruturados currículos da infância, não podemos permitir!

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