Militar não é lacrar!

Entenda a diferença entre "lacrar" e militar!

As tretas no BBB 21 (Big Brother Brasil 2021) parecem não ter fim. E, com isso, vibram as torcidas. É time Bil, time Gil, time Projota. Mas um lado mais sombrio do que está acontecendo é que muita gente acaba entrando na cultura do cancelamento. Já ouviu falar sobre isso? É basicamente quando uma pessoa tem toda a sua vida e existência criticada por causa de algum erro pontual. Mas militar não é lacrar! Esse tipo de prática acaba banalizando lutas históricas, e fazendo parte do público confundir lacração com ativismo.

Não se trata de ser contrário a avisos e toques em redes sociais, ou de defender que pessoas sejam escrotas online. “Nem toda crítica é cancelamento, e apontar o preconceito de alguém no Twitter é uma forma de demarcar limites sobre o que é aceitável falar no espaço público” destaca Thiago Amparo, advogado negro, defensor dos direitos humanos. De fato, a internet é um lugar em que algumas pessoas preconceituosas se utilizam do anonimato para atacar e prejudicar pessoas com base em preconceitos. Esse tipo de postura deve ser combatida! 

Quando denúncia vira lacração…

O problema é quando deixa de ser sobre o bem estar e empoderamento de vítimas, e passa a ser apenas sobre o engrandecimento da pessoa que faz a denúncia. Ou seja, quando a denúncia se torna mera “lacração”. “A ideia de que o militante (particularmente, o progressista) tem de se colocar como uma alma superior atrapalha. Práticas de cancelamento e hipercriticismo produzem uma imagem inautêntica, pouco fiel às nossas incoerências” explica o psicanalista Christian Dunker. Ou seja, em algum momento todos nós erramos, pisamos na bola. Se o “filtro” para a pessoa poder ser considerada progressista passa a ser tão rígido, muitas pessoas podem ficar com medo, e não se aproximar de causas progressistas.

Completamente diferente disso é o ativismo digital de verdade, bem estruturado. Desde 2017, por exemplo, artistas e ativistas iniciaram o movimento digital #metoo (eu também), contra o assédio sexual e a cultura do estupro. O movimento, ainda ativo, consiste em mulheres, famosas ou não, denunciarem em suas redes sociais histórias de abusos com a #metoo. Diferente das “lacrações” e “cancelamentos” na internet, as ações foram bem organizadas por ativistas para enfrentar, de forma coletiva, um problema grave. O alvo das ativistas não eram apenas comentários escrotos ou atos pontuais, mas casos graves e criminosos de violação e abuso sexual. Os objetivos, além de punir abusadores, era fazer mulheres se sentirem mais à vontade em romper o silêncio. Militar não é lacrar! 

Lutas importantes acabam banalizadas

Abuso sexual é uma coisa séria, e acontece de diferentes formas, inclusive às vezes de maneira sutil. E quando coisas sérias assim deixam de ser sobre o bem das vítimas, e viram sobre a pessoa que acusa querer construir uma imagem em uma guerra por “likes”, a própria causa acaba enfraquecida, pois as pessoas passam a associar uma luta válida, aos “chatos” que dizem defendê-la.

Novamente: não se trata aqui de passar pano. Machismo, racismo e lgbtfobia são coisas reais, que devem ser combatidas inclusive no dia a dia. Mas lacrar na internet muitas vezes acaba atrapalhando mais do que ajudando. É impressionante perceber que na maioria dos “linchamentos digitais” a vítima é a pessoa menos comentada. Ou seja, a preocupação parece ser mais em crescer em cima da denúncia contra o agressor, do que em garantir o bem-estar da vítima.

As tretas são planejadas

Esse é o maior perigo do BBB: É bem provável que a produção do programa selecione os participantes com perfis que entre si possam gerar enfrentamentos, ou melhor, criem tretas. Não podemos esquecer que toda essa narrativa, como a da atual edição, é exposta em formato de show business, ou seja, há a exposição e banalização completa da falta de diálogo para a resolução de conflitos, e mesmo a espetacularização da violência. E o pior de tudo isso, é que a “desgraça” vende. Se não, já estariam extintos os seculares programas policialesco.

Quem mais perde com isso são as pessoas que realmente dedicam suas vidas a combater os preconceitos, os verdadeiros ativistas pelos direitos humanos! Esses são confundidos com os lacradores e canceladores. Com quem não entende que militar não é lacrar! E com isso muito da luta acaba deslegitimada e “pessoas da vida real” continuam sofrendo violências.

As opiniões presentes no texto não necessariamente refletem as opiniões do Vereador Toninho Vespoli

o autor do texto preferiu esconder a sua identidade temendo ser cancelado

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