Motivos para você se convencer a ficar em casa

O corona já está matando gente pobre e da periferia. 

Ontem (28), os dados divulgados pelo Ministério da Saúde acenderam o sinal vermelho para o nosso país. A situação está realmente crítica. Batemos o recorde de mortes por coronavírus em 24 h, com 474, e passamos o total da China, tornamo-nos o nono país com mais vítimas no mundo. Foram registrados 71.886 casos de coronavírus e 5.017 mortes da doença no país até as 14h da terça-feira (27), segundo informações repassadas pelas Secretarias Estaduais de Saúde.

Qualquer brasileiro vivo está em risco, em especial, quem depende unicamente do SUS e já está sem emprego.  Prevista para acabar dia 10 de maio no Estado de São Paulo, a quarentena pode se estender se a situação não melhorar.

Esse texto é para você que pode estar em casa, que não está trabalhando fora, ou é aposentado ou é estudante… Com o bolso vazio e a cabeça cheia de preocupação, ficar em casa pode ser uma tortura. Ainda mais se você mora em poucos cômodos e com muita gente. A real é que esse esforço vai te garantir um presente e um futuro melhor pra você e sua comunidade.  

Se mesmo assim, você ainda não está convencida ou convencido dos impactos do coronavírus na sua vida, separamos aqui uma lista de motivos para você ficar em casa

1. COVID-19 MATA MAIS NA PERIFERIA

A desigualdade indica que a letalidade por conta da doença chegou com muito mais força aos bairros periféricos de São Paulo.  Em toda a cidade, a prefeitura registrou 2.688 óbitos confirmados ou suspeitos na semana epidemiológica até 24 de abril.

O Morumbi, com 331 casos, continua sendo o bairro com maior número de infectados confirmados no total, mas isso não significa que tem mais gente morrendo lá. No ranking de casos, vem Vila Mariana, Jardim Paulista e Bela Vista.

Já em relação ao número de mortos, a Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, é o distrito que continua sendo o que registra o maior número absoluto de mortos em São Paulo. O bairro passou de 54 para 81 mortes por coronavírus confirmadas ou suspeitas. Crescimento de 39% em apenas sete dias. 

No ranking de óbitos por regiões da cidade, a Zona Leste continua liderando. A região acumulou 1.098 óbitos confirmados ou suspeitos por coronavírus até a o dia 24 de abril e a alta de óbitos foi de 39% em uma semana. 

Bairros com maior números de mortes até 24 de abril:

∎ Brasilândia (Zona Norte) – 81 mortes

∎  Sapopemba (Zona Leste) – 77 mortes

∎ São Mateus (Zona Leste) – 58 mortes

∎ Cidade Tiradentes (Zona Leste) – 51 mortes

∎ Vila Nova Cachoeirinha (Zona Norte) – 50 mortes

∎ Sacomã (Zona Sul) – 50 mortes

∎ Freguesia do Ó (Zona Norte) – 47 mortes

∎ Capão Redondo (Zona Sul) – 46 mortes

Artur Alvim (Zona Leste) – 45 mortes

Cangaíba (Zona Leste) – 44 mortes 

2. PRETOS TÊM MAIS CHANCE DE MORRER COM COVID-19

Chance de morrer 62% maior do que brancos. Os pretos moradores da cidade de São Paulo têm uma chance 62% maior de morrer por Covid-19 do que os brancos. Os pardos têm 23% mais risco. Os dados são resultado de uma análise científica das mortes registradas na cidade até 17 de abril, uma parceria entre o grupo de cientistas Observatório Covid-19 e a Prefeitura de São Paulo.

45,2% das mortes já são de pardos e pretos. Além disso, de acordo com dados do dia 26/4, os pardos e pretos somavam 37,4% das hospitalizações e 45,2% das mortes. Duas semanas antes, os percentuais de hospitalizações e de mortes era de respectivamente 23,10% e 32,8%.

67% dos negros dependem apenas do SUS. De acordo com a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, 67% dos brasileiros que dependem exclusivamente do SUS (Sistema Único de Saúde) são negros, e estes também são maioria dos pacientes com diabetes, tuberculose, hipertensão e doenças renais crônicas no país – todos considerados agravantes para o desenvolvimento de quadros mais gravosos da Covid-19.

3. OS NÚMEROS DE CASOS E ÓBITOS JÁ ASSUSTAM, MAS PODEM SER BEM MAIORES

Estudo aponta que o número pode ser 168% maior. De acordo com a análise do do epidemiologista Paulo Lotufo, da USP, as mortes provocadas pela covid-19 no município de São Paulo estão na realidade 168% acima do número atribuído oficialmente ao novo coronavírus.

Segundo o portal G1, nos números de mortes por causas naturais (excluindo homicídios e acidentes em geral), praticamente não houve diferença nos meses de janeiro e fevereiro em relação à média dos cinco anos anteriores. Em março, no entanto, houve 743 mortes a mais, ou 12,5% acima da média registrada no mesmo mês entre 2015 e 2019. Dessas, apenas 277 foram atribuídas oficialmente ao novo coronavírus, a primeira delas no dia 17 daquele mês.

Há subnotificação. A falta de kits para testes e a inexistência de uma portaria específica do Ministério da Saúde para determinar quais casos devam ser considerados confirmados ou suspeitos têm feito com que muitos doentes não entrem nas estatísticas, segundo a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), que representa 6.000 médicos atuando em 47,7 mil equipes de atenção básica em todo o Brasil.

Cartórios de todo país mostram um aumento gigantesco de óbitos por doenças respiratórias, principalmente de síndrome respiratória aguda grave.  Eles mostram que, desde o registro da primeira morte por Covid no país, no dia 16 de março, houve um aumento de 1.035.

4. LEITOS HOSPITALARES LOTADOS = GENTE SEM COVID PODE MORRER SEM ATENDIMENTO

81% das UTIs da Grande São Paulo estão ocupadas. A taxa de ocupação dos leitos de UTI nos hospitais chegou a 81% pela primeira vez na Grande São Paulo e chega a 61,6% no estado, segundo dados divulgados pela Secretaria da Saúde de São Paulo no dia 28/4. As enfermarias, que recebem pacientes menos graves do novo coronavírus, têm ocupação de 70% na Região Metropolitana e 44,5% no estado inteiro.

60% dos leitos de UTI estão no centro de São Paulo.  A cidade tem 1.221 leitos em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) pelo Sistema Único de Saúde, de acordo com dados de fevereiro de 2020 do DataSUS, vinculado ao Ministério da Saúde.  A distribuição é desigual. Mais de 60% dos leitos em UTI para adultos estão concentrados nas subprefeituras Sé, Pinheiros e Vila Mariana. Outros distritos não contam com nenhuma unidade pela rede pública de saúde, são elas: Aricanduva/Formosa/Carrão (na zona leste), Campo Limpo e Cidade Ademar (zona sul), Lapa (zona oeste), e Jaçanã/Tremembé e Perus (zona norte).

5. SE O ISOLAMENTO SOCIAL SE AFROUXAR, O SISTEMA DE SAÚDE VAI ENTRAR EM COLAPSO

Se a taxa de isolamento social for mantida em 50% de adesão serão necessários oito vezes mais leitos para pacientes graves e críticos do que o Governo do Estado consegue criar, segundo dados do Centro de Contingência do Coronavírus do estado de São Paulo.  Na segunda-feira (27/04), o índice do estado ficou em 48%.

Se mais gente começar a sair pra rua, mais tempo teremos que ficar de quarentena e o sistema de saúde público não vai suportar a quantidade de enfermos. 

6.CORONAVÍRUS SE ESPALHA MAIS DO QUE GRIPE

O número reprodutivo da gripe comum é 1,3. Isso significa que cada pessoa infectada passa a doença a 1,3 pessoa, em média. Já o vírus coronavírus, segundo estudos disponíveis, tem número reprodutivo entre 2 e 3. Ou seja, que, se não forem tomadas medidas especiais, como ficar em casa e evitar se reunir com familiares ou amigos, a Covid-19 infectará mais gente que a gripe.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Faça parte da nossa rede

Quer ser um embaixador virutual e ajudar a educacão salvar vidas na cidade?
Venha conosco, inscreva-se e ajude a espalhar a campanha do Professor Toninho