Na cidade de pedra os rios são asfalto

O silêncio ao desmonte da educação inclusiva

Entenda a origem das enchentes em São Paulo

As enchentes são problema de longa data em São Paulo. Isso não significa, evidentemente, que a inação quase total de algumas gestões não piorem o problema, tornando-os corresponsáveis dele. Mas é importante pensar, de um ponto de vista mais estrutural como o problema veio a ser. A resposta curta: com o asfaltamento, na cidade de pedra, os rios são asfalto

Como pode ser entendido no livro e tese de mestrado Na Trilha de Macunaíma, de Célio Turino, os alagamentos em São Paulo não são por acaso. Fazem mais de 100 anos que impermeabilizamos nossos solos, confinamos nossos rios e ocupamos as áreas de várzea. Na realidade, enchentes tão constantes não são acidente. Mas a consequência de um projeto político. 

Desde quando começou a ocupação da cidade a elite de São Paulo se propôs a aniquilar os rios. Eram 300 rios, riachos e cursos d’água na cidade. A maior parte deles foi enterrada, canalizada ou simplesmente destruída.

O rio Pinheiros é, talvez, a mostra mais clara da guerra aos rios. Outrora sinuoso e curvo ele costumava inundar grandes áreas de terra durante as cheias. O trajeto do Rio o desacelerava, e fazia que em períodos de chuva as águas demorassem a chegar no ponto de várzea. Assim, ao invés de enchentes haviam cheias. O rio expandia e retraia as suas margens em um processo natural, previsível e manejável.

Na cidade de pedra, os rios são asfalto

As gestões passadas optaram por tentar “corrigir” o rio. Se fazendo de deuses sobre a terra, quiseram domar a natureza. Arretaram o rio, transformando vários trechos em córregos subterrâneos. O trajeto reto e veloz que as águas percorrem, em um espaço muito reduzido, fizeram das enchentes uma realidade comum em nossa cidade de pedra. Acelera São Paulo. A solução não funcionou para os nossos rios.

Como era o Rio Pinheiros antes de ser destruído

Ao longo das últimas décadas o processo de impermeabilização e invasão das áreas de várzea se intensificou. E com estímulo do poder público! Em 1929 as enchentes já eram algo comum. Sendo constantes as inundações, principalmente nos começos de ano.

Ao invés de buscar formas de reduzir a impermeabilização das áreas de várzea, as últimas prefeituras optaram por fazer obras faraônicas de contenção, chamadas piscinões. A ideia é basicamente cavar imensos buracos de concreto, com o objetivo de armazenar a água da chuva. Não funcionou. E no meio de tanta incompetência, no fim quem mais sofre é a população pobre de São Paulo, que tem que sobreviver aos escombros da selva de pedra.

Este texto é parte de uma série sobre enchentes em São Paulo. Para entender como resolver os alagamentos leia a parte 2 da serie.
Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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