o anzol da direita, fez a esquerda virar peixe

Entenda porque a esquerda errou feio nas eleições para presidência da Câmara dos Deputados Federais

Já falava o Rapper Criolo em sua música Esquiva da Esgrima “Novas embalagens para antigos interesses; É que o anzol da direita, fez a esquerda virar peixe”. Foi isso que aconteceu ontem (dia 1º de fevereiro) na votação para presidente da Câmara dos Deputados Federais. A centro-direita liberalóide, supostamente a favor da democracia, fez lobby encima dos parlamentares de esquerda para apoiarem o candidato do centrão à presidência da Câmara, o Baleia Rossi. Parte da esquerda caiu no conto do vigário (uns por ingenuidade, outros por malícia, mas isso é outra história). Tudo isso para na hora H, a esquerda ficar sem candidato nenhum para a presidência, e todo mundo do centrão correr para a base governista em troca de cargos e verbas. Este caso deveria ser ensinado em todos os cursos de ciência política como exemplo do que não fazer na hora das negociações.

A tragédia já começou anunciada. A esquerda foi convencida a entrar no jogo com um poder de barganha baixo: desistiram de apoiar em peso alguma candidatura realmente progressista. Ter uma candidatura própria e forte não seria questão de ingenuidade. Muito pelo contrário: Deixaria a mão da esquerda mais forte na hora de negociar pautas e propostas com o centrão. Poderiam, por exemplo, desistir POSTERIORMENTE da candidatura própria se o centrão se comprometesse em apoiar um nome menos terrível que o Baleia Rossi (o cara votou junto com a base governistas mais até que o próprio Arthur Lira!). Na pior das hipóteses a esquerda poderia se consagrar como oposição séria e comprometida com seus valores e princípios. Esse tipo de coisa pesa no longo prazo, principalmente considerando o já conhecido chavão “político é tudo igual”. A esquerda perdeu uma chance de se diferenciar.

A esquerda virou massa de manobra

Mas a comédia de erros vai ainda mais além: a esquerda foi massa de manobra usada pelo centrão. Ao reforçar a ladainha de uma “frente ampla” (ampla demais) contra o Bolsonaro, o centrão, basicamente, ameaçou o presidente de dar prosseguimento ao processo de impeachment. Com isso o centrão conseguiu aumentar o seu poder de barganha (ao mesmo tempo que diminuiu o da esquerda). Em outras palavras valorizaram os seus votos a preço de ouro. E assim conseguiram garfar verbas e cargos públicos em troca de apoiarem o candidato do Bolsonaro.

Isso é, na verdade, política usual para o centrão. O trabalho deles não é facilitar, mas, a princípio, dificultar o andamento das coisas. Apenas para, posteriormente, usar seu apoio como barganha. Eles estão no negócio de criar dificuldades para vender facilidades. Mas isso todo mundo sabe. Era para a esquerda entender bem essas dinâmicas, e não cair na ladainha. A esquerda comprometida quer fazer a vida de Bolsonaro difícil não para ter ganhos próprios, mas para travar as des-reformas promovidas, enquanto lutam por mudanças sociais reais. Mais uma vez, “o anzol da direita, fez a esquerda virar peixe”. Que a esquerda, ao menos, dessa vez aprenda: se for para negociar com o capeta vá com alguma munição.

As opiniões presentes no texto não necessariamente refletem as opiniões do Vereador Toninho Vespoli

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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