O apagamento da variante Delta e a volta às aulas

O apagamento da variante Delta e a volta às aulas

O último mês, concomitante ao aumento de contaminações e mortes em outros países pela variante Delta do vírus Covid-19, o Brasil tem anunciado o retorno presencial para 100% dos bebês e crianças nas escolas.

A chamada 3º onda tem sido anunciada por pesquisadores ainda no mês de setembro aqui no Brasil, o que pode aumentar de forma vertiginosa o número de internações e mortes, em especial entre a população não completamente vacinada. Mas afinal quem são os não-vacinados?

Justamente o público atendido nas escolas! Aliás, bebês e crianças de até 12 anos de idade não possuem nem sequer a expectativa de serem vacinados. Ou seja, mais uma vez, a experiência de outros países que poderia antecipar ações de combate ao vírus estão sendo ignoradas! E isso não tem partido, tem alinhamento político! Em São Paulo, por exemplo, apesar dos discursos um pouco distintos, as medidas negacionistas têm sido tomadas nas 3 esferas!

É fato recorrente a grande mídia e governo utilizarem argumentos de “especialistas” de que as perdas na aprendizagem escolar e isolamento são maiores para as crianças no contexto de pandemia. Isto é fato! Mas existe perda maior do que a vida? É proposital ignorar a ampla divulgação do número de internações, mortes e sequelas pós-Covid em cidadãos que, biologicamente e socialmente, ainda estão em fase de formação? A receita é simples: aumenta o risco pois aumenta a circulação, o contato e a transmissibilidade.

Uma analogia muito interessante feita pelo analista de dados Isaac Schrarstzhaupt é a de guerra: “se está havendo um bombardeio há um ano e meio, será que as pessoas vão perguntar se podem sair entre uma bomba e outra”?

Desde março de 2020 a maior cidade do país não conseguiu rever sequer o número de funcionários entre as equipes de limpeza, não conseguiu suprir as vagas de PAAIs e estagiários e nem oferecer máscaras adequadas em quantidade suficiente para funcionários e estudantes.

Além disso, pelo público atendido e número de estudantes por agrupamento, não há como esperar um “cenário perfeito” de cumprimento de protocolos. O distanciamento que vem sendo diminuído há cada novo documento norteador não é possível de ser realizado. Os profissionais ainda serão vacinados em segunda dose no mês de setembro e a imunização esperada será atingida somente após 28 dias da vacina (e com menor eficácia neste nova variante), lidando com um público não-vacinado e que todos podem continuar transmitindo… que tipo de resultado está sendo esperado com essa irresponsabilidade?

“Melhor” seria defender então tirar a decretação de situação de emergência e bancar as consequências do que estão fazendo mediante uma catástrofe anunciada com a população que deveria estar mais protegida e que carreguem o peso e assumam a carapuça do que realmente são: GENOCIDAS! Argumento chocante, não?

Plausível seria defender isso se não estivesse se falando em crianças e vidas e que existisse espaço para tentativa e erro. Assim sendo, enquanto não for controlada a pandemia e que a população em geral esteja vacinada, não há como defender com tranquilidade, amparado em qualquer argumento o retorno “normal” às aulas presenciais nas escolas sem que esteja em risco seja nosso bem mais precioso…

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