“Os diálogos têm demonstrado as realidades gritantes e as necessidades urgentes de mudança no modo de viver e do conviver com a terra. A dificuldade maior é sempre econômica; é dinheiro. A poluição do ar, das águas, a devastação das florestas, a destruição pelo garimpo está ligada ao lucro, ao dinheiro”, trecho de uma entrevista de Dom Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus, publicada no IHU. 

Dom Leonardo, diante de parte dos prelados da Igreja no Brasil, é um sinal de esperança profética. Aquela profecia que anuncia e denuncia. Dom Leonardo nos faz matar a saudade, pois nos recorda figuras como Dom Hélder Câmara e Dom Paulo Evaristo Arns. 

O Papa Francisco, com seu olhar cuidadoso para a região amazônica e sua visão de uma teologia integral que fala não somente da relação do homem com Deus, mas dessa relação com meio ambiente e o cuidado com a “Cada Comum”, fará, em agosto próximo, dom Leonardo Cardeal. 

Francisco dá mais recado para a Igreja no Brasil e no mundo. A ecologia e a defesa do meio ambiente e da Amazônia estão no centro da defesa da vida para os próximos anos. Vale destacar que Manaus não é “sede” cardinalícia e as dioceses ou arquidioceses que historicamente tiveram cardeais a frente de seu pastoreio, não foram contempladas pelo Papa.


Não deixem cair a profecia 

Dom Leonardo, antes mesmo de assumir como arcebispo de Manaus, estava à frente da luta pela democracia no Brasil. Quando secretário geral da CNBB, dom Leonardo sempre foi voz forte em defesa dos direitos dos mais pobres e dos trabalhadores.

Vale destacar a fala do cardeal durante a crise de oxigênio em Manaus, em um dos piores momentos da pandemia. “O presidente chega a dizer que não é tarefa do governo federal enviar oxigênio para Manaus. Pode uma coisa dessas? É um absurdo. Se percebe que se perdeu o limite da ignorância, se perdeu o limite das ações que vão contra a população. Foram eleitos para cuidar do povo, mas não é isso que está acontecendo”, afirmou.

Recentemente, após sua nomeação para o cardinalato, em entrevista à rádio CBN dom Leonardo atacou a política do Governo Federal para a Amazônia: “É uma destruição das florestas, mas é uma destruição, especialmente, da casa dos indígenas. As terras indígenas estão sendo invadidas pelo garimpo e o garimpo tem levado à poluição das nossas águas. Mães amamentam os filhos com leite materno com mercúrio”. 

Para ele há uma “insensibilidade” do Governo Federal no cuidado e no trato com as questões dos povos indígenas. “100 etnias que estão sendo cada vez mais empurradas para os fundos das florestas daqui a pouco não existirão mais. Existe uma insensibilidade – para não usar outras palavras – da parte governo federal, que teria obrigação através da Funai, da fiscalização de cuidar melhor da nossa Amazônia. E também não sei se existe realmente muito interesse da parte dos governos locais”.

Sobre sua escolha, dom Leonardo afirma que a sua nomeação “tem um simbolismo, e não é mérito pessoal. O Papa sempre teve uma grande preocupação com a Amazônia, dada a importância que a Amazônia tem, mas também as igrejas que estão na Amazônia”. 


Um defensor da democracia

“Hoje virou moda agredir as pessoas com comunismo, chamar de comunista. Falar de democracia virou comunismo. Se fala tanto em ideologia e não se percebe que se fala a partir de uma ideologia. A ideologia que não consegue dialogar com outra torna-se devagar, uma espécie de ditadura do pensar e conviver.” O trecho acima é de uma entrevista de dom Leonardo a Carta Capital. Para quem quiser ler a entrevista completa do cardeal da Amazônia é só clicar aqui

Edcarlos Bispo

Edcarlos Bispo

Edcarlos Bispo é ativista, jornalista e assessor do mandato do Vereador Professor Toninho Vespoli.

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