O Dória e a violência nas escolas…

Equipe Redação

Por Vivian Alves

Nos últimos dias as redes sociais e grande mídia foram tomadas com a divulgação de um vídeo em que estudantes aparecem depreciando patrimônio público e em ações agressivas com a professora que estava em sala, inclusive a profissional está em afastamento por motivos médicos.

A violência é uma realidade no nosso país, em especial nas periferias. Quando se tem um triste estopim como o divulgado pelo vídeo é preciso que se reconheça que existem motivos que levaram até aquele fato e que isso não pode ser considerado como natural.

Ninguém mais do que jovens de periferia sabem reconhecer situações de desrespeito: são agredidos e privados de direitos fundamentais o tempo inteiro e a única presença de Estado que conhecem é a escola. Escola essa que vem sendo sucateada a cada dia mais com falta de recursos e profissionais.

As escolas estaduais possuem um programa de mediação de conflitos, em que o principal papel desse professor é ouvir e ajudar os estudantes a resolverem os problemas a partir do diálogo. Tal função se mostra muito necessária, diante do cenário atual e de tantas ações violentas nas escolas.

Assim como em todo o resto da Rede Estadual, a função do professor mediador foi precarizada a partir da Resolução nº 1/2019 em que o governador João Dória decretou que os profissionais designados em outras funções voltassem para a sala de aula. Ora, não tem professor nem mesmo para cobrir as aulas regulares, muito menos para suprir as necessidades de mediação das escolas. Tal medida fez com que o número de escolas com o recurso da Mediação de Conflitos diminuísse e os resultados já são vistos imediatamente com grandes casos de violência tendo repercussão na grande mídia em escolas estaduais.

Apoiamos e defendemos que as atitudes dos estudantes precisam ter consequências, afinal, são meios de aprendizagem e a legislação precisa ser cumprida, inclusive sobre patrimônio público, mas quem cuida dos direitos que a Rede de Proteção e a legislação não garantem?

A indisciplina não é fruto de pessoas que nascem más. O que tem sido feito por esses estudantes (com histórico de retenção e de problemas com regras e autoridades)? Que outras estratégias e apoio estão sendo garantidos? Quais as condições de trabalho que essa professora (e todos os outros) tem para trabalhar? Quais os projetos desenvolvidos nas escolas? Que outros recursos estão sendo oferecidos?

A Educação precisa ser levada a sério, com estrutura e investimentos, enquanto não for prioridade de fato no nosso Estado, infelizmente a profissão de professor ficará cada vez mais escassa e crianças e jovens serão culpabilizadas por atitudes que são fruto de falta do Estado cumprir o seu papel.

Tem-se a compreensão da Unidade Educacional como um espaço privilegiado de convivência, que possibilita aprender a lidar com a diversidade dos sujeitos e que não está isolada no território em que se insere. É, inclusive, nas relações com ele, que ela ganha vida e movimento e imbui de sentido sua luta. Portanto, assumir esta corresponsabilidade, como educadores, reafirma o reconhecimento de que a construção de uma sociedade mais justa e humana perpassa por um trabalho coletivo.

Não é fácil erradicar as violências da sociedade. Por serem suas causas complexas e de caráter estrutural, não está ao alcance do governo municipal eliminá-las das Unidades Educacionais ou de qualquer outro lugar. No entanto, é possível e necessário criar políticas públicas para o enfrentamento e superação dos mecanismos que as geram, reduzindo seus efeitos.

A questão da violência não é da escola, é da cidade, do país, do mundo. Diante disso, muitas vezes a primeira pergunta que surge é: o que a escola tem a ver com isso? Possibilitar instrumentos e recursos humanos dentro das unidades educacionais não é custo, é investimento.

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