O fogo cruzado no debate da volta às aulas

Entenda porque as crianças são quem mais perde com a Volta às Aulas antecipadas!

Tem ficado acirrada a disputa de narrativa sobre a volta às aulas presenciais e as condições para fazê-la. Num espectro macro fica parecendo que os profissionais da Educação não querem a volta enquanto instituições privadas e parte das famílias desejam esse retorno o quanto antes!

O ponto comum é que toda a sociedade reconhece que as aulas presenciais nas escolas não podem ser substituídas e movimentos com solicitação pelo “homescholling” ficam mais enfraquecidos. Vamos aos pontos principais desse debate:

  1. Contexto de pandemia e os prédios escolares: não é surpresa para ninguém os relatos de que os prédios estão sucateados nas escolas públicas de São Paulo (referência de maior cidade do país). Isso vem sendo denunciado há décadas pelas entidades sindicais e profissionais que atuam nas escolas. De repente, chega um vírus que exige como cuidado fundamental ter a ventilação e a redução do número de pessoas nos espaços. O que fazer com CEUs projetados com corredores sem nenhum tipo de ventilação? O que fazer com escolas que foram instaladas dentro de galpões? O que fazer com escolas antigas sem janelas? O que fazer com o padrão de vidraça e tela/grade “padronizado” nas escolas por questão de segurança e que impede a abertura dos vidros? É óbvio que os governos não tiveram condições de resolver esses problemas estruturais ignorados há décadas durante a suspensão das aulas presenciais em 2020. Novamente, fecham os olhos para esse aspecto e insistem num discurso de “normalidade”.
  2.  Os recursos humanos: Já que o governo não resolve a questão estrutural das Unidades, o investimento foi na parte de equipamentos – foi um tal de tótem, tapete sanitizante, álcool gel e verba para essa finalidade chegando nas escolas. Mas quem limpa as maçanetas, vidros, mesas, brinquedos e banheiros com a frequência adequada? A prefeitura não faz concursos para o cargo de Agente Escolar desde 2002 e as equipes terceirizadas de limpeza estão contando apenas com 3 trabalhadores por escola, número já denunciado amplamente e que não tinha condições de manter a limpeza das escolas mesmo antes da pandemia. O quadro de professores substitutos foi reduzido. O número de inspetores foi reduzido. O quadro de cozinheiras foi reduzido. As escolas perderam os vigias. Onde estão os recursos humanos para, dentro de suas funções, colaborar com a volta presencial segura? E a vacinação dos profissionais da Educação? Simplesmente não há discussão de solução sobre isso.
  3. Crianças são transmissoras ou não? Bater o martelo sobre essa questão tem sido difícil no mundo inteiro, uma vez que trata-se de um novo vírus e com variantes e novas cepas aparecendo em diversos países, afirmar qualquer coisa de forma taxativa parece ser um erro grave. O que pode ser afirmado até o momento é que o número de crianças aumenta quando o do restante da população também aumenta e que existem casos de aparecimento de síndromes raras em crianças contaminadas pelo coronavirus.

Quanto à Economia…

Considerados esses pontos de maior discordância entre os que defendem ou não a imediata volta com segurança para criança, profissionais e familiares é importante falar sobre o outro lado dessa questão: a Economia.

Existe uma confusão entre interpretar a Educação como um direito fundamental aos cidadãos e um meio de lucro para os donos de escolas. Movimentos de escolas particulares estão preocupados com o possível desemprego de profissionais da rede privada e perdas nos lucros dos donos dessas instituições. A preocupação é legítima tendo em vista que o desemprego tem crescido e muitas pequenas empresas não sobrevivem à crise econômica.

O que não há concordância é na estratégia de minimizar mortes que estão representando quantidades absurdas em comparação com a representatividade da população mundial. Há dias em que o número de mortos por Covid-19 no Brasil chega a atingir 20% das mortes no mundo! Outra estratégia seria pressionar os governos para que exista apoio fiscal nesse momento tão difícil e que isso ajude a impedir mais falências e demissões.

A culpa da crise não é dos professores que não estão seguros para voltar às aulas presenciais sem paramentos, apoio com recursos humanos ou estrutura predial. Colocar profissionais em espaços fechados com as crianças diante de todo esse contexto por conta de razões econômicas é correspondente anacronicamente a campo de concentração. Não dá para culpar quem não é responsável pela situação ou agravamento da crise.

Apontados os nós fundamentais desse debate e escancarando os problemas da escola pública talvez o caminho seja toda a sociedade brigar por estrutura para todos. Com isso, toda a população só tem a ganhar. Nossas crianças merecem, a vida merece, o futuro merece!

Vivian Alves

Vivian Alves

Diretora de escola na Rede Municipal de Educação, historiadora, pedagoga e ativista. Atualmente faz parte da Caravana da Educação do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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