Equipe de redação

Por Gabriel Junqueira

2 de Outubro de 2016. Um prefeito é eleito para realizar o leilão de São Paulo. Seu nome é João Dória. Seu principal slogan: “eu não sou um político, eu sou um gestor”. O então prefeito se referia ao seu passado na iniciativa privada. Não é um passado muito glorioso: foi organizador de eventos  para os mega ricos, e editor de revistas para a classe A (seu maior sucesso na área, a revista “Caviar”). Ou seja, foi gestor de negócios que serviam aos mais abastados. 

De certa forma ele cumpriu seu slogan. Continuou sendo um gestor comprometido com o mesmo público. Isto é, serviu aos mais ricos. Desde cedo propôs a venda de serviços e propriedades públicas para o setor privado. Logo em seu segundo dia, anunciou que criaria a Secretaria Municipal de Desestatização. 

O órgão se explica pelo seu nome: objetiva determinar bens públicos para serem vendidos a empresários abastados. É o velho pensamento mágico da privatização. A ideia de que um grupo ou iniciativa extremamente lucrativo poderia beneficiar mais o município se nas mãos daqueles interessados em encher apenas seus próprios bolsos. 

Foram vários os serviços que o gestor tentou vender: o complexo do Anhembi; 14 mercados e 17 sacolões; 14 parques e praças; sistema de bilhetagem do transporte público; estádio do Pacaembu; 22 cemitérios e um crematório; a administração dos terminais de ônibus; e a SPTURIS. Tudo isso pela bagatela de 541 milhões. Pode parecer bastante, mas a cifra era de cerca de 1 % de toda a arrecadação da prefeitura.

Quem ganharia com o leilão de São Paulo?

Muitos desses serviços, se privatizados, seriam piorados. Parques e praças, por exemplo, para dar lucro à iniciativa privada precisariam começar a cobrar taxas de entrada, como chegou a ser debatido para o parque Ibirapuera; A verdadeira razão para empresas desejarem comprar o sistema de bilhetagem seria conseguir dados pessoais dos passageiros de ônibus; a privatização dos cemitérios e crematórios, concluída recentemente na gestão do Bruno Covas, já está produzindo efeitos desastrosos chegando a ser proposto que milhares de mortos sejam queimados juntos!

Por fim, a Spturis não apenas é uma empresa que dá lucro, como é um grupo que tem a grande maioria de seu financiamento por grupos não ligados à administração pública. É o grupo por trás do Carnaval de São Paulo, da Virada Cultural além de centenas de outros eventos espalhados ao longo do ano. Cumpre um papel estratégico e fundamental. Não se trata de simples eventos isolados, mas de um programa metódico e coordenado para impulsionar a economia turística, e criar uma imagem positiva de São Paulo no cenário internacional. Empresas privadas simplesmente não tem condições de realizar essas mesmas funções. É claro que, na verdade, não é sobre oferecer serviços de qualidade, mas sobre permitir que amigos ricos de Doria lucrem com serviços que deveriam ser públicos.

Para um desavisado talvez pareça estranho que Dória estivesse interessado em privatizar esses serviços. Assim como pode parecer estranho que Bruno Covas tente agora fazer as mesmas coisas. Mas na verdade faz perfeito sentido: são gestores. É só que gerem em nome dos mais abastados. Para o restante, porém, ele é maquiavélico.

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