O que significa o Dia Mundial Sem Carro?

Mobilidade Urbana Trem Metrô Carro

A data foi criada na França em 1997 junto com uma série de medidas para mitigar a poluição vinda dos automóveis.

No dia 22 de setembro se comemora o Dia Mundial Sem Carro. Em São Paulo, segundo o calendário da Prefeitura, o dia se encaixa na Semana da Mobilidade, que teve início no último domingo (19). As secretarias de Mobilidade e Trânsito, e Executiva de Transporte e Mobilidade Urbana – CET, SPTrans e departamentos de Transportes Públicos (DTP) e de Operação do Sistema Viário (DSV) — são combinadas, para organizarem uma programação com atividades sobre segurança e convivência saudável entre os diferentes modais. E o que acontece no Dia Mundial Sem Carro? Qual o objetivo?
Ainda que por um dia, os munícipes tem alguma possibilidade de refletir sobre como seria o mundo sem carro, sobre o quanto são dependentes de algo que lhes inviabiliza a existência no planeta.
Andar de carro não parece um grande problema quando pensamos individualmente. Carro é, no discurso do senso comum, uma conquista: o sonho de quem depende de transporte público. Mas pensando em um nível social, é perceptível como a disposição do espaço nas cidades está em função do carro, e com isso, nossa qualidade de vida, tempo de deslocamento, e por que não, toda nossa economia.
Basta lembrar que na origem do carro, na fundação da Ford Motor Company em 1903, Henry Ford estava alterando para sempre as formas produtivas da sociedade americana. Logo, a preocupação não era apenas em aumentar “cientificamente” — e exponencialmente, a produção; mas também, assegurar que seus trabalhadores formassem uma classe média capaz de impulsionar o ciclo de consumo.
Depois dos carros causarem seu impacto, a oposição foi se formando lentamente. Primeiro na França em 1997, quando a proposta do Dia Sem Carro chegou ao ministério do meio ambiente junto a um pacote de medidas para mitigar a poluição do ar, entre outros problemas. A partir dos anos 2000, a data começou a ser adotada em diversas cidades da Europa. Em São Paulo, as atividades são realizadas desde 2003, graças à forte participação de coletivos de cicloativistas.
No atual contexto de avanço do capital sobre os direitos sociais, a prevalência do carro sobre os demais modais se torna cada vez mais real. Enquanto a sociabilidade do capital atrair o isolacionismo e afastar a solidariedade, será natural que a solução para o futuro dos transportes seja sempre individual. E isso agora é verdade até para viagens interplanetárias.
Se for por falta de consciência, estamos enfrentando um problema de percepções imediatas, contra compreensões totais. Quando um trabalhador liga seu carro de manhã para trabalhar, ele não sente a temperatura média da Terra aumentar 1,1º C. Mas ela aumentou, pouco a pouco, desde a revolução industrial.
E tudo contribui para a falta de consciência. Shell e outras grandes petroleiras esconderam por anos os estudos que comprovaram o efeito estufa, a virada do nosso karma ecológico. A aceitação do problema por parte do capital só será feita se ele também puder vender a solução.
Comprar vendido. Essas mesmas empresas petroleiras já são as maiores investidoras em energia “limpa”. Assim, o lucro do petróleo vai se transformando em lucro do capitalismo verde, e a “dívida” com a natureza fica para os despossuídos e refugiados climáticos.
De forma parecida, a mesma Prefeitura que coloca no calendário o Dia Sem Carro, também está há 5 anos sem implantar o Programa BikeSP, que iria remunerar os munícipes que trocassem o carro ou ônibus pela bicicleta para ir ao trabalho ou à escola. A mesma que direciona para os 80% dos investimentos em mobilidade urbana.

Breno Queiroz

Breno Queiroz

Graduando em jornalismo pela ECA USP e estagiário de comunicação no mandato do vereador Toninho Vespoli

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