Atenção comunidade, a quarentena ainda tá de pé!

Periferia relaxa e vida segue normal nas ruas das quebradas

O governo estadual estendeu a quarentena até o dia 22 de abril para que o isolamento social impeça o avanço da Covid-19. E o que isso significa para a periferia de São Paulo? Muito, pouco, ou quase nada? Mesmo com as insistentes campanhas e reportagens sobre a importância de não sair de casa sem necessidade, está difícil para que o povo largue os antigos hábitos.

O boteco continuou sendo palco das partidas de truco. A manicure continuou cortando cutículas. O cabeleireiro continuou raspando cabeças. No quintal, ainda se suja o chão com a cinza da lenha dos churrascos e da cerveja derramada. As mini igrejas continuam ecoando vozes adultas e infantis. Na madrugada, a rua de baixo vibra com os pancadões. E os jovens compartilham as mangueiras de narguile nas tabacarias.

O Blog 2Litrão separou alguns depoimentos  de diversas quebradas da capital paulista:

Jardim Sinhá: “Vizinhos estão fazendo festa todo fim de semana. Os bares estão abertos e cheios de gente. O comércio funcionando normalmente. O pessoal não está nem aí!”

Vila Industrial: “Próximo ao mercado D’avó, estava tudo aberto. Todo os dias. Loja de sapato, perfumaria…”

Teotônio Vilela: “Aqui está parecendo colônia de férias… As pessoas estão pra baixo e pra cima,sem cuidado algum. Os comércios,bares e tabacarias  estão funcionando normalmente; e nos finais de semana,ainda pior,festas pra todo o lado”

Jardim Brasil: “Tem até baile funk acontecendo…Você vai no mercado, tem 150 pessoas por metro quadrado… As filas são aglomerações… Dá muito medo!”

Vila Joaniza: “Aqui as lojas e bares estão fechados, mas há crianças brincando na rua, adolescentes fumando narguilé, comadres fofocando sem a distância de um metro, supermercados lotados e os caixas sem proteção alguma, a garotada dando amassos nos becos e os idosos indo e voltando da lotérica”.

Vila Nova Cachoeirinha: “Aqui, a vida que segue. Ninguém de máscara. Todas as lojas abertas, mercados lotados,churrasco. Eu moro em prédio e as crianças estão brincando lá embaixo todos os dias. Sem comentários…Lamentável!”

Rebeldia ou necessidade

A ideia da quarentena implica privar corpos de ir ou vir e faz com que a autonomia seja reavaliada. Serão revolucionárias as pessoas envolvidas nos relatos acima? Ou muitos fogem à regra por necessidade? 

A operadora Vivo está veiculando uma propaganda na TV aberta sobre a conectividade digital em tempos de coronavírus. O slogan: “conecte-se para aproximar”. Durante o vídeo publicitário, eram apresentados personagens com tablets aprendendo receitas, outros assistindo série na televisão. Esplêndido, olhem como a Era Digital chegou na vida das pessoas. Mas de quais pessoas?

Na periferia, rede de internet à cabo é luxo, aliás, quase não existe. Como driblar a monotonia? Futebol de várzea, empinar pipa, dominó com os amigos, bater papo olho a olho com as vizinhas… Culturalmente, o isolamento para muitos brasileiros é quase que o mesmo que se privar de viver. Soma-se à isso, a falta de sintonia do Estado sobre a real situação que passamos. Por um lado, governos e ministérios soltam legislações para que os comércios se fechem e pedem ao povo que fiquem em casa o quanto puder. Já o presidente da República adota outra postura e em pronunciamento oficial contradiz tudo o que foi dito pelos seus pares. Em quem acreditar?

Aos que precisam trabalhar para fechar a conta da casa no fim do mês, o governo já liberou o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600, que pode chegar a R$1200 por família, pelos próximos três meses. Vale arriscar a vida por uma crise econômica que ainda não chegou? 

Já aos que escolhem a diversão ao isolamento social é preciso um choque de realidade: os números de casos e de mortos estão subnotificados. Sem sensacionalismo, a situação é gravíssima. A ficha só vai cair quando a matriarca de um vizinho for uma vítima da Covid-19? Por que não economizar a cerveja para comemorar a derrota da doença?

 

Juliana Ghizzi

Juliana Ghizzi

Juliana Ghizzi é Jornalista pela PUC-SP. Atualmente, trabalha como assessora de comunicação do Mandato Popular do Vereador Toninho Vespoli

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