Política ou BBB? Só o tempo dirá

A terceira via não deslancha e parece que já morreu antes mesmo de ter nascido.

Separe sua pipoca e seu guaraná, pois a política brasileira em 2022 está gerando mais entretenimento que certos reality shows em exibição na TV brasileira. 

A terceira via que não empolga nem deslancha, resolveu, na quinta-feira (31/03), ser mais emocionante que a noite de eliminação. Para começar, logo na madrugada, foi publicada a notícia que João Doria, aquele que não passa de 5% das intenções de votos nas pesquisas, estava pensando em não renunciar ao cargo de governador e desistir da corrida ao Palácio do Planalto.

Deu-se início ao clima de barata voa no ninho tucano e na imprensa. Com coletiva marcada para às 16h, Doria se negou a antecipar qualquer informação. Deixando no ar um certo clima de suspense. 

Outro candidato da terceira via, queridinho de alguns veículos da grande mídia, deixou a máscara cair de vez e mostrou aquilo que todo mundo sabe que ele é, mas ele insiste em tentar negar e esconder: um canalha! 

Obviamente que você já imagina que me refiro ao Marreco de Curitiba, ele mesmo, o juiz ladrão: Sérgio Moro

Moro resolveu abandonar a corrida presidencial, se desfiliar do Podemos, se filiar ao União Brasil e sair candidato a deputado federal por São Paulo… Ufa! Já estava me perdendo no meio dessa história. 

São tantos absurdos nesse Plot Twist que fica até difícil saber por onde começar. Moro, a planta do programa, percebeu que não passaria dos 8% das intenções de voto (segundo pesquisa DataFolha de 24/03) e que não teria a estrutura que imaginava ou queria para, pelo menos, ter um pouco mais de destaque. 

Acredito que Moro pensou nos debates e na vergonha que passaria em rede nacional, repensou e viu que deputado não precisa participar de debate. Mudou de ideia. 

O Podemos alega que gastou mais de R$ 200 mil com esses meses que o ex-juiz esteve filiado ao partido. Diz ainda que ficou sabendo da saída do Marreco pela imprensa e foram pegos de surpresa. Até aí, nada de novo. O que esperavam de um cara que agiu para tirar da disputa, em 2018, o líder das pesquisas e após a eleição do candidato beneficiado por suas medidas, aceitar fazer parte do governo. 

A cereja do bolo é Moro se filiando ao União Brasil (UB)! Para quem não sabe o União Brasil é a fusão do PSL com o DEM: 

  • PSL de Luciano Bivar e do bolsonarismo que após as eleições de 2018 estava sendo investigado por candidaturas laranjas e outras denúncias. 
  • Já o DEM – que já foi PFL, antes era PDS e mais antigamente era a ARENA (um partido político brasileiro criado em 1965 com a finalidade de dar sustentação política à ditadura militar instituída a partir do Golpe de Estado no Brasil em 1964).

Para além desse histórico partidário, vale lembrar as figurinhas que fazem parte do UB, as mesmas figurinhas que há anos estão na política brasileira fugindo ou conseguindo postergar diversos processos por corrupção ou outros crimes. Para ser bem atualizado, Moro será colega de partido de Arthur do Val, o Mamãe Falei, aquele do áudio de que as “mulheres ucranianas são fáceis porque são pobres”. 

Por fim e para ser mais patético, Moro ainda será candidato a deputado federal por São Paulo. O estado se tornou uma curva de rio, só para tranqueira e coisa que não presta. Eduardo Cunha, Eduardo Bolsonaro, Tarcísio Freitas e agora Moro. Todos fora de seus domicílios de moradia se candidatando pelo estado que tem o maior número de cadeiras na Câmara dos Deputados. O cálculo dessa gente é puramente eleitoral.

Moro será mais um zumbi da nossa política. Um cadáver insepulto que ficará vagando pelo Parlamento, sem contribuir com nada, sem fazer nada, apenas repetindo o mantra fajuto de “uma vida dedicada ao combate à corrupção”, porém o discurso não casa com a sua prática política e suas relações partidárias. 

Quando a história das decisões de Moro estava assentando na mente dos brasileiros, o espetáculo de horrores no Palácio dos Bandeirantes começou. Doria desistiu de desistir e, num evento de puro marketing e constrangimento, feito com dinheiro público, anunciou que renunciava ao governo do estado e dava início a sua pré candidatura à presidência da república. 

Toda a história da desistência foi um mero jogo de cena, marketing puro para colocar a faca no pescoço do próprio partido e fazer com que, publicamente, afirmassem que as prévias seriam respeitadas. 

Doria acostumado a trair e dar golpes nas pessoas tenta se precaver de tomar um dos maiores golpes políticos de sua carreira: ser rifado pelo próprio partido. Vale destacar que os aliados de Rodrigo Garcia, vice de Doria e candidato a governador, reagiram rapidamente e ameaçaram o governador até mesmo de cassação. 

Grotesco! 

No palco montado para o anúncio o constrangimento era geral. Sorrisos amarelas e caras fechadas. 

Doria pode até ter ganhado uma nota do partido que garante que as prévias serão respeitadas, mas sai apequenado de toda essa batalha. 

A terceira via não deslancha e parece que já morreu antes mesmo de ter nascido

Edcarlos Bispo

Edcarlos Bispo

Edcarlos Bispo é ativista, jornalista e assessor do mandato do Vereador Toninho Vespoli.

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