Por mais Cultura para o povo e nas Periferias

 

Quando o Município se trata da cidade de São Paulo, é inevitável pensarmos de uma maneira ampla, com uma infinita gama de variáveis e necessidades prementes, tanto olhando para dentro do sistema que temos, como para sua relevância global.

Pré-pandemia, São Paulo figurava entre as 6 cidades com maior atividade cultural do planeta e grande parte gratuita e de baixo custo.

O que tínhamos aqui era algo inacreditável para o próprio país e esperamos voltar a este patamar rapidamente, incluindo os novos protocolos e formatos de visibilidade

Mesmo diante de um número tão grande de atividades, jamais isto significou que estava sendo atendidas, nem de perto, às necessidades de acesso à cultura dos 12 milhões de pessoas, já que grande parte desta produção sempre ficou concentrada no quadrilátero central da cidade, com poucas inserções para acesso de mais de 65% da população que vive na periferia ou entornos.

Nesta outra realidade das regiões periféricas da cidade de SP, encontramos  pouquíssimos equipamentos culturais em relação à sua população local.

Cada equipamento ainda se apresenta pouco valorizado, utilizado e até conhecido pela própria comunidade e praticamente sem recursos e acesso a toda essa grande produção oferecida.

Esta visão corroborada por outros descritivos sinceros do setor cultural está consolidada no material a seguir, documento resultado da construção coletiva do processo de escuta do “Toninho Escuta a Cultura de SP”. As propostas vem de pessoas que atuam e se dedicam intensamente a estes locais importantes de trabalho cultural e atendimento a este público e deixa claro que a construção de um plano de mandato deve ter um olhar que considere estratégias de atuação que possam atender a esta grande diversidade e demanda buscando focos específicos de soluções para maior efetividade.

Com base nessa construção propositiva, esperamos estabelecer um plano de política estratégica do setor cultural que inclua:

 

Exigir política transparente de distribuição de verbas pelas sub-prefeituras Com a criação de um plano de atuação para cada atividade e espaço cultural público.

Definir metas de atendimento da população de seu entorno Promovendo atividades a serem distribuídas e a metodologia e recursos para estes fins

Tornar a troca dos espaços públicos uma política de desenvolvimento social Fazendo com que os espaços centrais se responsabilizem em criar datas e oportunidades para a apresentação das atividades periféricas, como parte de uma política democrática de acesso.

Maior integração entre escolas e equipamentos culturais Promover maior integração dos programas e garantir que arte educadores já atuantes nos programas municipais atuem diretamente nas unidades escolares a fim de aproximar os saberes formais à realidade cultural local dos estudantes.

Promover concursos públicos para agentes públicos do setor cultural Equipamentos culturais encontram-se com déficit de funcionários. Para revitaliza-los seria importante garantir mais pessoal como bibliotecários e agentes de apoio.

Proposta de orçamento na cultura objetivando 2% Luta por LOA e LDO que prevejam esse percentual para o setor cultural da cidade

Fiscalização continua do executivo no cumprimento das leis da cultura Muitas leis não são seguidas ou são distorcidas. Pensar em formas de se mobilizar enquanto rede de agentes culturais para fiscalizar os poderes.

Mapear territórios e coletivos e propor criação de espaços culturais Analisar áreas carentes de espaços culturais e converter espaços públicos em espaços culturais, fazendo a transformação a partir de áreas da periferia em conjunto com coletivos culturais locais

Fomentar Oficinas de Formação para as diversas funções da categoria Usar escolas durantes fim de semanas para efetivar essas oficinas com processo de ocupação dos espaços resultando em núcleos de lazer, especialmente na periferia

Fortalecimento das Casas de Cultura com gestão feita por coletivos  As casas de cultura poderiam ser fortalecidas transformando-as em locais onde a população se sentiria motivada a frequentar. Mudar a gestão de equipamentos culturais para que estes passem a ser geridos por coletivos culturais autônomos

Propostas que garantem o fortalecimento do samba de rua e popular Tornar alguns grupos de samba patrimônio imaterial da cidade de São Paulo (samba da vela, samba da laje, samba da Maria Zélia, samba da treze etc)

Virada cultural melhor planejada com análise orçamentária e descentralizada É necessário, além dos palcos grandes nos centros, outros descentralizados nas periferias. A rubrica deve ser revista, pois trata-se de um único evento tomando uma parte considerável do orçamento da cultura.

Mais ruas fechadas em finais de semana, inclusive na periferia (no modelo paulista fechada) Ao invés de manter em um modelo elitizado, apenas na paulista, expandir o projeto para cada vez mais bairros.

Descentralização do orçamento da cultura por distritos  Com participação ativa de gestores da cultura com eleições regionais para subprefeitos

 

E Mais: 

  • Fomentar parcerias entre equipamentos culturais e grupos e coletivos de cultura,
  • Destinar orçamento para as festas literárias das periferias.
  • Construção coletiva de uma política pública para o graffiti e arte de rua
  • Mapear datas culturais importantes nos bairros e conscientização da população
  • Implantação integral do Centro Cultural Cidade Tiradentes
  • Fomentar o Hip Hop com as Casas de Hip Hop
  • Repensar a lei de fomento à dança com editais abertos à população mais pobre
  • Aumentar o número de convocados pelo programa VAI
  • Criação da Noite Cultural para novos talentos da Cultura Popular Brasileira
  • Criação do CRPR (Centro de Referência e Patrimônio Reggae) na cidade.
  • Criação de residências artísticas em CEUs e Centros Culturais
  • Retomada do Projeto Vocacional e programas de formação
  • Criar editais para apresentações artísticas para o público infantil.
  • Reestruturar programas culturais dos CEUs
  • Criação de quotas raciais entre alunos e professores de dança e expansão das escolas para áreas periféricas em formatos de dança menos eurocentristas

    Propostas elaboradas por grupo de trabalho formado em processo de escuta com a população da cidade feita pelo mandato popular do Professor e Vereador Toninho Vespoli entre os dias 17 e 22 de Agosto de 2020

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