Por que os Conselhos de Classe dos profissionais de saúde ignoram?

Com mais protocolos, normas ou rotinas que na maioria das vezes são inúteis e só se servem para intensificar ainda mais o trabalho dos profissionais e o resultado em nada é modificado?

Em mais de um ano do início da pandemia no Brasil onde ultrapassamos mais de 300 mil mortos, o trabalho em Saúde a cada dia se torna mais intensificado, fazendo com que os profissionais da saúde sintam em seus corpos o peso e sobrecarga das condições precárias na saúde pública e também na assistência privada.

Os profissionais em Saúde, ao respeitarem os princípios éticos que norteiam o exercício das suas carreiras, estão comprometidos com a vida, mesmo que isso signifique se expor a diversos riscos, como atender em Unidades de saúde super lotadas em meio a uma pandemia, o que é contraditório, sendo que a orientação é manter o distanciamento entre as pessoas. Em um pronto socorro lotado isso se torna quase impossível.  Mas enfim, isso faz parte da rotina desses profissionais, bem mesmo antes da pandemia. A trágica situação trouxe maior visibilidade a muitas categorias da saúde além das especialidades médicas.

O processo de trabalho em Saúde ainda é muito marcado pela divisão técnica de tarefas onde os tomadores de decisão estão distantes de quem irá executar as mesmas. Esse processo é marcado pela centralização do planejamento das ações em Saúde, estando os envolvidos na tarefa do cuidar, muitas vezes distantes na arte de planejar o cuidado. Muitas instituições  de saúde vem se esforçando para melhorar e modernizar o processo de trabalho em Saúde, porém lamentavelmente que o resultado seja mais  intensificação na execução  de tarefas,  protocolos e mais protocolos.

É óbvio que o cuidar exige responsabilidades e normas, porém triste é notarmos que em muitas instituições protocolos, normas e rotinas tornam se elementos para diminuir a autonomia dos profissionais no processo do cuidar, fazendo destes como simples executores de tarefas, não dando  nem se quer o direito de exigir até mesmo melhores condições de trabalho e diante de um momento como o atual, aonde a comunicação  é  essencial, mas não só a comunicação, como a arte de planejar  é  fundamental para alcançarmos o que pretendemos, é  essencial planejar e executar em equipe e não centralizar a tomada de decisão.

Quantos procedimentos/tarefas realmente são necessárias? E quantos realmente não  são? Planejar não significa apenas dizer o que deve ser feito e sim como, mas infeliz  muitas instituições  sejam elas publica ou privadas, inclusive conselhos de classe, somente sabem dizer o que devem ser feito e para responder ao como, criam normas e rotinas que somente robôs conseguiriam executar cuidando de tanta gente ao mesmo tempo.

A reflexão aqui é:  o quanto podemos melhorar ou piorar o processo de trabalho em Saúde? Em meio a pandemia, que obviamente  é  uma situação atípica,  como nossos profissionais de saúde estão sendo tratados pelas instituições?  Com mais protocolos, normas ou rotinas que na maioria das vezes são inúteis e só se servem para intensificar ainda mais o trabalho dos profissionais e o resultado em nada é modificado? O que fazem os Conselhos de classe?

 

Douglas Cardozo

Douglas Cardozo

Douglas Cardozo é Economista e Consultor em Saúde do Mandato Popular do
Professor Toninho Vespoli

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