Reflexões do Grupo JUPIC (S. Paulo Apóstolo IV Centenário) sobre o Cuidado com a Casa Comum

São Paulo, 17 de setembro de 2020

O Homem é a mais insana das espécies. Adora um Deus invisível e mata a natureza visível

Sem perceber que a Natureza que ele mata é o Deus invisível que adora.
Hubert Reeves

Nós, integrante do Grupo JUPIC (Justiça, Paz e Integridade da Criação), da Paróquia São Paulo Apóstolo, Região Belém, reunidos em 14 de setembro de 2020, rezando e refletindo sobre as queimadas ilegais e o desmatamento, a realidade dos povos indígenas e outras agressões as nossa Mãe Terra, resolvemos externar a nossa indignação e soltar o nosso grito de SOS, por meio deste documento.

Estamos vivendo de 01/09 a 04/10 o Tempo da Criação, onde somos convidados a refletir que todos somos filhos e filhas da Terra. Mais ainda, como humanos, somos a própria Terra em seu momento de sentimento, de pensamento, de amor e de veneração, e, portanto, temos o compromisso de Cuidar da Casa Comum com responsabilidade, pois tudo está interligado!

Mas, infelizmente, nos colocamos na contramão deste compromisso e estamos colocando em risco não somente as vidas futuras, mas todas as formas da vida presente. Nos alerta a Carta Encíclica Laudato Si, 8: “Quando os seres humanos destroem a biodiversidade na criação de Deus; quando os seres humanos comprometem a integridade da terra e contribuem para a mudança climática, desnudando a terra das suas florestas naturais ou destruindo as suas zonas úmidas; quando os seres humanos contaminam as águas, o solo, o ar tudo isso é pecado. Porque, um crime contra a natureza, é um crime contra nós mesmos e um pecado contra Deus”.

“Estas situações provocam gemidos da irmã terra, que se unem aos gemidos dos abandonados do mundo, como um lamento que reclama de nós outro rumo. Nunca maltratamos e ferimos a nossa casa comum como nos últimos dois séculos”. LS 6

No Brasil vivemos um total descaso com o cuidado da Casa Comum. Tem aumentado demasiadamente o desmatamento, nossa casa está pegando fogo, em função de tantas queimadas criminosas. Quantos pássaros não poderão mais voar? Quantos animais não poderão mais correr, pular? Quantos peixes não poderão mais nadar? Quanta água contaminada? Quantos indígenas assassinados e sem a floresta? Quantos ribeirinhos sem trabalho? Quantos pessoas sem qualidade de vida? Quanto ar poluído? Quanta fauna e flora destruída?

Lamentamos e denunciamos o silêncio cumplice governamental. A omissão deste governo com a preservação do meio ambiente incentiva a queimada e o desmatamento ilegais. O sangue corre em suas mãos, como correu na mão de Caim que matou Abel. Gen, 4,10. É preocupante quando o centro não é a vida, mas o mercado pautado no lucro a qualquer custo. E em nome do lucro se mata, se vende, se cala, se corrompe, não se implementam políticas públicas, não se homologa a terra dos povos originários, não se faz a Reforma Agrária, e muitos ficam impunes diante de tantas atrocidades cometidas. Até quando o dinheiro estará acima da vida?

Queremos outra Economia, outra de verdade, radicalmente alternativa, não simplesmente de “reformas econômicas”. A Outra Economia não pode ser somente econômica. Há de ser integral, ecológica, intercultural, a serviço do Bem Viver, na construção da plenitude humana, desmontando a estrutura econômica atual que está exclusivamente a serviços do mercado total, homicida de pessoas, genocida de povos, destruidora da Casa Comum.

Quando morrer a utopia, quando morrer a utopia, toda canção, toda paixão, morrerão.
Quando morrer a utopia, quando morrer a utopia, terra e céu, tombarão.
Quem cuidará das estrelas, quem velará pelas flores, no coração em nosso chão? Quando morrer a utopia?

Conclamamos a tua solidariedade para que na solidariedade universal possamos resguardar todas as formas de Vida.

Exigimos da esfera governamental atitudes concretas que possam barrar os crimes ambientais e medidas emergenciais, com o uso de todos os recursos necessários para apagar os incêndios que destroem, neste momento, a Floresta Amazônica, o Pantanal e outros biomas brasileiros.

Exigimos dos demais poderes da república e das forças políticas, religiosas e sociais deste país posicionamentos firmes que levem as autoridades públicas a extrapolarem o normal e fazerem o extraordinário, para alterar o atual quadro de morte de nossa fauna, flora e dos povos indígenas.

Solicitamos de cada cidadão e irmão cristão a atitude de encaminhar este documento aos parlamentares, autoridades públicas e religiosas que possam interferir para a mudança do cenário atual.

“Nossa Senhora de todas as dores! Lava em tuas lagrimas a fumaça que nos sufoca e liberta o voo que nos roubaram! Que não nos anestesiem para que encaremos, lúcidos, o atiçador do irmão fogo”

 

Abraços fraternos !

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Padre Norbert H. C. Foerster

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Liz Mari da Silva Marques

 

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Flariston Francisco da Silva

JUPIC - Paróquia São Paulo Apóstolo -  IV Centenário

JUPIC - Paróquia São Paulo Apóstolo - IV Centenário

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