QUEM CANCELA QUEM? JONES MANOEL E EDUARDO SUPLICY ESTÃO SOPRANDO NO VENTO

QUEM CANCELA QUEM? JONES MANOEL E EDUARDO SUPLICY ESTÃO SOPRANDO NO VENTO

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Durante o ano de 2020 tivemos super bate-papos com pessoas inspiradoras que nos tocaram com ensinamentos e reflexões sobre cultura, politica, esportes e sociedade em geral. Depois de cada conversa sempre foi muito difícil segurar a pena e registrar um tanto daquilo que nos entregaram de tão bom grado, por culpa da rotina que consome o tempo e impede um texto possível transmitir a altura o recado.

Esse artigo se inspira dentre tantas trocas de ideias em duas que vieram mais ao final do ano; uma com o Ver. Eduardo Suplicy e outra com Jones Manoel. Duas personalidades que à primeira vista cheios de diferenças e até antagônicos – quando mal compreendidos nas distorções que se produzem ao olhar menos atento – Mas, mentes e corações que se tocam no ideal de uma sociedade mais justa e solidaria e na radicalidade de fazê-la real, já, agora, sem subterfúgios, sem rodeios e sem tramas de bastidores. E eles estão soprando esperança nos ouvidos de quem queira ouvir e escutar de verdade, sem medo do tão cancelado contraditório, essencial ao bom debate.

Faz parte de qualquer processo político a luta pela hegemonia de uma corrente, de um partido ou de um conjunto de ideias. Mente ou se equivoca grosseiramente quem nega isso. Ou é profundamente ignorante sobre as lutas políticas que são travadas no interior de movimentos sociais, partidos, sindicatos, ou seja, lá o que for. E, é claro, há diversas estratégias parra atingir tais finalidades. Com as quais podemos ou não concordar.

Não acho nada demais que a um ano e meio da eleição de 2022 partidos, candidatos e movimentos façam seus jogos, coloquem suas cartas na mesa e façam suas apostas. Isso é da democracia e do jogo democrático.

O que me preocupa, não obstante, é a luta feroz pelo protagonismo no interior do movimento progressista, onde partidos, grupos e indivíduos parecem não fazer distinção entre adversários e inimigos de classe. Entre as diferentes estratégias dentro desse campo, não percebendo ou não querendo perceber as diferenças entre os socialistas que divergem das suas estratégias e dos agentes parasitas e venais da classe dominante. Pior. Às vezes, para destruir – ou “cancelar” – o outro lado, aliam-se até mesmo aos inimigos de classe. Lembremos que Lula, às vésperas de ser injustamente encarcerado, abraçou Renan Calheiros e criticou publicamente o PSOL. Ou de algumas figuras do PSOL, que acreditaram nas “jornadas de 2013” ou saudaram o lavajatismo.

Quem duvida e quiser vivenciar a estupidez política no seu estado mais primitivo, proponho consultar as páginas nas redes sociais daquelas seitas minúsculas que acusam todo mundo, a não ser eles próprios, os iluminados da revolução, de alimentarem tendências pequenos burgueses a serviço da direita. Ou pior, equiparar todos à direita mais retrógrada. Mas esse mal não assola apenas grupúsculos sem importância. Infelizmente.

Num jogo mais alto, ou seja, na primeira divisão da política eleitoral, temos os partidários de Ciro Gomes, que tentam impor a todos o seu candidato, proclamado como “a melhor opção progressista”. Para quem, cara pálida? Ou a guerrilha surda (e cega!) entre o PT e o PSOL, que parecia ter sido abandonada ou abrandada nas eleições de 2020. E vamos falar sério: em todos os campos há gente demais alimentando essas disputas. Inclusive – principalmente! – na tal centro-direita, que adoraria lançar um candidato “de centro”, de união nacional, apoiado pelos progressistas de estimação. E que estilhaçasse a esquerda socialista

Aí entramos na conhecida seara do vale-tudo. Jogo perigoso no qual o grão tucanato mergulhou desde 2014 e o resultado foi, não um governo formado pelas aves de rica plumagem, mas o triunfo da confraria dos abutres milicianos e fascistas. Que a direita faça isso não é surpresa. Mesmo a direita gourmet que agora faz ligeira mea culpa por “não perceber” – Ingênua essa gente! – o perigo que o milico fascista e sua corja representavam para o país. Como já disse antes, não espero nada daqueles que sempre foram privilegiados e não fazem nada além de preservar seus privilégios ancestrais. Mas sempre se espera mais daqueles que almejam por mudanças.

É engraçado como ativistas que discutem ideias, das quais se pode obviamente discordar, como Jones Manoel, da noite para o dia, passaram a ser atacados, tanto pelas seitas de extrema esquerda quanto pela “esquerda institucional”, aquela que se empolgou com a Operação Lava a Jato e a imolação do PT e de Lula. Ou seja, a credulidade num cafajeste midiático como Moro é perdoável, mas não a discussão franca de ideias e conceitos acerca das estratégias socialistas!

Não sou nenhum ingênuo e tenho certeza de que nem “todas as ideias” possuem o mesmo valor! Racismo, homofobia, machismo e ideais fascistas devem ser mesmo combatidos. Até mesmo com uso da força, sempre que necessário. Ou alguém acha que fascistas estão abertos ao diálogo? Mas não deveríamos dialogar mais no campo da esquerda? Não deveríamos debater nossas táticas e estratégias para derrotar o fascismo ao invés da imposição pela fo0rça da ofensa, da infâmia, da calúnia e do cancelamento burro daqueles que divergem de nós dentro do mesmo campo? A resposta, meu amigo, como diria Bob Dylan – e Eduardo Suplicy – está soprando no vento.

E o mais duro saber é que ela está soprando, assim, com aquele hálito fétido da corja miliciana, bem distante do suplicyano aviso sincero e corajoso de quem nunca fugiu a luta.

Texto publicado originalmente em https://sbpconection.blogspot.com/2021/01/o-que-sopra-no-vento-ou-quem-cancela.html 

As opiniões presentes no texto não necessariamente refletem as opiniões do Vereador Toninho Vespoli

Benedito Carlos dos Santos

Benedito Carlos dos Santos

Benê Santos (Benedito Carlos dos Santos), paulistano do Imirim, professor de História, corintiano e socialista. Da equipe do programa Super Bate-papo da rádio Comunitária Cantareira e membro do Coletivo Caminho Luminoso.

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