antifascismo

Tira o racista ou o fascista da minha rua

Tira o fascista da minha rua

Saiba como mudar o nome de sua rua!

Depois de séculos de exploração, tortura e assassinato do povo negro, a população enfim começa a reconhecer a gravidade do racismo em nossa sociedade. Ainda há muito a ser feito, e não há medida mágica ou estética que vai resolver o problema. É preciso de luta, e luta séria! Mas isso não significa que esteja tudo bem manter ruas homenageando racistas e fascistas! Precisamos mudar o panorama de nossa cidade enfeitada com nomes de algozes. Alguns vão achar pouco, e talvez seja mesmo. Mas é um passo a ser dado, uma medida pedagógica para ajudar a conscientizar a sociedade sobre séculos de discriminação. Por isso queremos te ajudar. É só mandar “Tira o fascista da minha rua!” que a gente te ajuda no zap!

A primeira coisa a fazer é pesquisar o nome da sua rua. É bom que dessa forma você aprende mais sobre a história da cidade, mas também fundamental para o segundo passo, que é comunicar o restante da comunidade.

Manda um zap pra gente e nós te ajudaremos em cada passo do processo, inclusive passando todos os modelos de documentos!

Pela lei municipal a única forma de mudar o nome de uma rua é a partir de abaixo assinado com metade dos moradores dela (temos um modelinho pronto!). Mas não desanima não! Dessa forma você também estará educando a sua comunidade sobre a história do racismo e do fascismo no Brasil! Talvez mais importante que a mudança do nome, é a luta popular que vem pela mudança!

Faça uma pesquisa na rua sobre o nome de um novo homenageado (também temos um modelo para pesquisa!). Aproveita para conversar com a comunidade sobre lideranças incríveis do nosso passado! Sugerimos que procure pessoas negras importantes, ou que deram suas vidas no combate ao racismo e ao fascismo!

Daí é só mandar pra gente (a pesquisa e o abaixo assinado) que nós faremos uma justificativa e protocolaremos o PL na Câmara! A partir daí é só aguardar o trâmite legislativo!

Vale ressaltar que o trâmite legislativo é bem moroso, o projeto é protocolado, passa pelas comissões até ser votado ou no plenário físico ou no plenário virtual. Por isso, é preciso uma pressão popular pelas redes sociais da Câmara e dos demais vereadores para que ajudem na aprovação dos projetos.

Nós estamos nessa luta há anos!

Por exemplo, fizemos uma colaboração junto com a Faculdade Zumbi dos Palmares, para mudar o nome da rua Jorge Velho (algoz de Zumbi) para Rua Zumbi dos Palmares, próxima à faculdade. Também lançamos em 2016, lutando junto à comunidade negra do bairro Vila Brasilândia, um projeto de lei para homenagear a Mãe Manaundê, primeira Yalorixa de São Paulo, com o nome de uma rua na região.

Por fim, nós não fazemos só isso para ajudar na luta contra o genocídio do povo negro. Nós cumprimos a nossa obrigação enquanto mandato combativo, e propomos PLs mais efetivos; como o que cria penas graves para quem depredar peças sagradas para praticantes de religiões de matriz africana, ou o que que institui a semana de conscientização e combate ao genocídio negro. Também lutamos para garantir cotas raciais na composição dos conselhos de Participação e Controle Social em São Paulo, entre outras medidas enquanto mandato comprometido! Mas os nomes das ruas também são um problema. Reescrevem de maneira sutil e constante a história aí relacionar algozes a heróis! Não podemos deixar que as coisas continuem assim precisamos esquecer os nomes dos tiranos e nos lembrar dos nomes dos heróis! #lembremseusnome

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é estudante de Direito, ativista pelo clima e estagiário do mandato do vereador Toninho Vespoli

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Lembrem os seus nomes!

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Entenda porque o racismo e o fascismo estão presente em nossos monumentos e ruas

Dia 7 de junho em Bristol, Inglaterra, ativistas negros arrancaram a estátua de um antigo racista e comerciante de escravos, e jogaram-na no rio que corta a cidade. O que ocorreu foi o desdobramento de um processo já de anos de campanha contra aquela estátua e o que ela representava. Os ativistas negros britânicos não queriam um monumento ao ódio é à escravidão. Esgotadas as vias pacíficas, arrancaram a estátua em bravo ato de heroísmo. Ocorre que no Brasil também temos monumentos e nomes de ruas homenageando, não apenas racistas, como também ditadores e apoiadores de regimes opressores. Já passou da hora de deixarmos esse assunto de lado. Durante a onda de levantes que o Brasil está enfrentando, precisamos parar de homenagear fascistas e racistas!

O assunto não é exatamente novo no Brasil. O vereador Toninho Vespoli, por exemplo, em parceria com a faculdade Zumbi dos Palmares, no projeto “ZUMBI RESISTE”, propôs que o nome da Rua Jorge Velho, no Bom Retiro, fosse mudado para Rua Zumbi de Palmares. Para quem não sabe, Jorge Velho foi o militar e escravagista que matou o líder quilombola Zumbi dos Palmares. Trocar esse nome seria não apenas uma forma de nos desvencilharmos da figura de um racista maldito, mas também uma forma de reparação histórica, em homenagem ao heróico Zumbi! Em outro projeto semelhante Toninho busca que uma rua no bairro da Brasilândia, seja denominada Rua Manaudê, nome da primeira Yalorixá (sacerdote de candomblé) em São Paulo! O atual nome, não homenageia nenhuma figura abjeta da nossa história, mas homenagear a Mãe Manaude é fazer memória a uma mulher negra e de luta.

Os fascistas e racistas são homenageados por toda a São Paulo

Temos em São Paulo muitas homenagens a racistas e fascistas. Pega por exemplo o Monumento às Bandeiras, um dos principais cartões postais da cidade. Muitos não sabem, mas os bandeirantes eram caçadores de índios e negros. Os capturavam para vendê-los como escravos! Além desse monumento, podemos citar: a imensa estátua do bandeirante Borba Gato, monumento a Anhanguera e a Pedro Álvares Cabral.

Muitos questionamentos surgem nesse momento sobre o que deveria ser feito. São propostas que vão desde demolir as imagens, ou remover para um outro espaço e colocar uma placa no local dizendo o que existia ali e para onde foi removida e até mesmo manter o monumento e colocar uma placa explicando quem foi aquela personalidade. Independente das propostas e das ideias do que fazer, precisamos urgentemente começar um debate sério e amplo sobre essa questão.

Tristes homenagens enfeitam as ruas de São Paulo

Outras tantas tristes homenagens enfeitam as ruas de São Paulo. A Avenida Castelo Branco homenageia o fascista que liderou o golpe militar no Brasil. A rua Dr. Sergio Fleury tem o nome de um dos maiores torturadores dos anos de chumbo. A rua Barão de Itapetininga se refere ao Barão Joaquim José dos Santos, comerciante de escravos negros! Essas ruas tem que cair. E no lugar devem se erguer ruas que representem a diversidade do povo paulistano! Pelo menos 37% da população paulistana é negra (pretos ou pardos na denominação do IBGE). No entanto, a cidade parece preferir homenagear fascistas, racistas, torturadores e assassinos!

Um dos gritos de guerra mais repetidos nos protestos contra o racismo nos Estados Unidos é “say their names!” (digam os seus nomes!) Não é só uma questão de dizer, temos também que lembrar. Lembrem os seus nomes! Justamente porque  que lembrar dos nomes dos heróis caídos é uma forma de construir a memória, sem a qual a mudança não pode acontecer. Não podemos deixar que os únicos nomes falados sejam os nomes dos opressores. Digam os seus nomes! Lembrem os seus nomes!

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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7 motivos para entender porque você é antifascista

Manifestações antifascistas tomaram as ruas de diversas cidades neste domingo (8). Mas afinal, o que é ser antifascista?

Direta ou indiretamente, nos últimos dias você deve ter ouvido falar em “fascismo” e “antifascismo”. Os últimos fins de semana foram marcados por manifestações antifascistas em diversas cidades do Brasil.  Nas redes sociais, provavelmente algum amigo trocou sua foto de perfil e está com o selo “Sou antifascista” como moldura. É, até a Anitta e a Xuxa postaram em seus perfis do Instagram. Modismo ou não, essa movimentação fez com que pessoas pesquisassem sobre o assunto e provavelmente você está aqui por isso.  

O fascismo surge junto com o imperialismo no sistema capitalista em países europeus após a Primeira Guerra Mundial. Os exemplos mais conhecidos são os regimes autoritários de Benito Mussolini na Itália e de Adolph Hitler na Alemanha. Ambos reúnem características em comum, como um líder carismático, uso da violência, patriotismo exacerbado, exaltação de valores tradicionais, desprezo pela democracia, perseguição a opositores, entre outras. Isso te lembra algum governo? 

Já o antifascismo é um conjunto de práticas e saberes que se lança contra a qualquer pessoa, grupo ou ação que remeta ao fascismo. Então, veja se você se identifica com esses 7 motivos para entender por que você é antifascista! 

1. Você fica indignado com a postura do Bolsonaro em não usar máscara e apertar a mão de pessoas, contrariando as recomendações de saúde durante a pandemia 

Uma característica do fascismo é a imagem de um líder “todo-poderoso”, a ser cultuado e que pode tomar qualquer decisão sem consultar a sociedade. Há uma tentativa desesperada de Bolsonaro em afirmar de que ele está acima da leis brasileiras e de toda a sociedade. Ele se exibe propositalmente nas aparições públicas sem usar máscara, quando a recomendação é de que todos usem. Infelizmente, as atitudes do presidente encontram respaldo em parcela da população, mesmo que fragilize a democracia do país. 

2. Você percebeu que o Bolsonaro para se eleger teve apoio de um monte de artistas e empresários por causa da economia

O fascismo é um jeito de pensar e se organizar da extrema-direita e quem o faz acontecer são as elites econômicas do país. Vários rostos não tiveram vergonha de fazer campanha em prol de Jair Bolsonaro, notório por vociferar absurdos. Muitos são donos de grandes redes de comércios, a lista é grande. Por exemplo, Luciano Hang, um dos bilionários da lista da revista Forbes e dono da rede Havan. Madero Junior Durski, dono dos restaurantes Madero,  Flávio Rocha, dono das lojas Riachuelo e Sebastião Bonfim, dono da Centauro.
Sozinho, Bolsonaro não seria nada. E são esses caras que colaboram com o seu governo e consequentemente com a ascensão do fascismo no Brasil. Eles querem ganhar mais dinheiro, reduzir seus impostos, pagar menos para funcionário, e por aí vai. Para isso, é preciso que haja a aprovação de leis que os beneficiem. Enquanto isso, há mais concentração de renda, ou seja, o rico cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre. 

3. Te incomoda o fato da camisa da seleção brasileira ter virado coisa de bolsonarista

O fascismo inventa a narrativa de uma nação a ser resgatada e há a tentativa de impor a ideia de que somos apenas um único povo. Além disso, há a apropriação de símbolos nacionais. Para fazer parte dessa nação idealizada é preciso seguir uma série de condições, como classe social, religião, cor e seguir valores impostos pelos fascistas. Quem pode ser considerado um “cidadão de bem” para esse governo?

Além disso, o patriotismo do governo Bolsonaro pode ser colocado em xeque frente à sua submissão ao governo estadunidense. Por exemplo, não há humilhação maior do que a nossa bandeira ocupar espaço junto às bandeiras dos EUA e de Israel quando não há nenhuma razão para isso? 

4. Você não concorda com os discursos homofóbicos, racistas e misóginos de Bolsonaro e seus ministros

A ideologia do fascismo também é a da negação. Nega-se tudo que não faça parte do grupo homogêneo, por exemplo, a cultura e a religião de povos afrodescentes e indígenas. No caso brasileiro, o modelo de cidadão ideal é o cristão, branco com família monoparental (isto é, homem e mulher casados, como pai e mãe), heterossexuais, entre outras características.
O que eles ganham em excluir e violentar os não-brancos ou as mulheres?  O fascismo legitima a supremacia branca e mantém a desigualdade social, onde os homens brancos ganham muito mais do que as outras pessoas do país. O que eles querem é a manutenção do status quo.  Portanto, o fascismo, o capitalismo e o racismo são os pilares que sustentam um sistema de opressão que nega direitos, anula vidas.

5. Você sabe que a mamadeira de “piroca” nunca existiu e que a covid-19 é mais do que uma “gripezinha”

Além de ter apoio da elite do país, um governo fascista precisa convencer parte da população para se manter no poder. A principal ferramenta para isso são os meios de comunicação. Bolsonaro e seus apoiadores (ou melhor, investidores) investiram pesado na contratação de robôs para disseminar notícias falsas nas redes sociais.  Assim, qualquer informação falsa ou distorcida pode ser disseminada por compartilhamento em massa. No dia a dia quem vai checar se algo é verdadeiro ou falso? E mais, por que Bolsonaro aparecia com tanta frequência nas emissoras apoiadoras, como o SBT, para entrevistas exclusivas? É óbvio: para falar o que quiser sem ter suas ideias confrontadas. 

6. Você não gosta da perseguição de Bolsonaro aos jornais nem da nomeação de vários militares no governo 

Um governo fascista pode ser eleito democraticamente, sim e pode utilizar de leis para realizar atos antidemocráticos. Para evitar a prisão de seus filhos envolvidos em milícias, Bolsonaro interveio na chefia da Polícia Federal. Cada vez mais militares passam a ocupar cargos no governo, possivelmente para agradar os eleitores simpatizantes, politizando a instituição das Forças Armadas. O presidente também está marcando presença em manifestações pró-ditadura militar e também incitou o fechamento do STF

Há uma articulação muito perigosa de colocar sob questionamento as instituições que não servem mais pra manutenção do governo ou que o ameaça. Por exemplo, Bolsonaro ataca  jornalistas, visto que corriqueiramente são noticiados fatos em alguns veículos de comunicação que podem não beneficiar sua imagem e isso o incomoda. 

7. Você acha ridículo quando os bolsonaristas acusam de “comunista” quem rompe com o governo

Outra coisa muito importante num governo fascista é a criação de um inimigo. Para o governo fascista de Bolsonaro e seus seguidores, o inimigo pode ser qualquer um que não esteja com ele, os que eles denominam como “comunistas”. Já estão nessa lista Alexandre Frota, Sérgio Moro, a galera do MBL, Joyce Hasselmann, Datena, Doria,  Witzel, entre outras figuras que também tem posicionamento político à direita. Agora que não se beneficiam do governo fascista se tornaram inimigos. Mas não se engane, eles foram coniventes com as falas preconceituosas de Bolsonaro e com a aprovação das reformas trabalhista e da previdência, que penalizam os trabalhadores pobres. 

Juliana Ghizzi

Juliana Ghizzi

Juliana Ghizzi é jornalista pela PUC-SP. Atualmente, trabalha como assessora de comunicação do Mandato Popular do Vereador Toninho Vespoli

Somos Mesmo 70%?

Somos Mesmo 70%?

Entenda por que nem todas as pautas cabem em 70%

Longe de mim causar divisionismos ou criar cisões neste momento de união para derrubar Bolsonaro. Acredito que realmente tem que ter união e mãos dadas para derrubar Bolsonaro, mas não podemos esquecer que muita gente que apareceu agora, quer sentar na janelinha, estava no palanque bolsonarista até ontem.

As pessoas não podem se arrepender? Evidente que podem, mas se arrependeram de ter votado e apoiado Bolsonaro ou se arrependeram por apoiar um projeto neoliberalista e completamente fascista?

Me explico: agora, Bolsonaro está sujo de lama até o pescoço, fazendo aliança até com o centrão. Dando mão ao diabo para se salvar. Logo, quem o apoiou, tipo o Sergio Moro, está fazendo questão de se distanciar para não parecer fedido e lunático.

Mas essas pessoas não se arrependeram de apoiar o projeto político e econômico de Bolsonaro. Essas pessoas acreditam e defendem as reformas neoliberais de seu governo, privatizações, ataques ao meio ambiente, teto de gastos e mais um monte de ataque ao Estado.

Não rejeitamos apenas Bolsonaro

Entendo que na lógica esses 70% são os que não apoiam o governo Bolsonaro e nesse balaio tem um montão de gente. Legal! Positivo! Mas não podemos nos furtar a fazer algumas perguntas e apontamentos. E com toda a paciência e didática do mundo dizer que não só rejeitamos Bolsonaro, mas que rejeitamos também a política econômica de Guedes o guru liberal da direita.

Precisamos estar atentos e de olhos abertos, pois podemos fazer coro ao MBL e a dita grande imprensa, que até ontem aplaudia e queria Bolsonaro presidente, mas hoje o rejeitam, porém sem rejeitar Guedes e seu projeto antipovo.

Hoje, na luta contra o bolsonarismo e o fascismo, somos 70% e não podemos nos calar. Mas não podemos esquecer que quando isso passar, e vai passar, temos que continuar lutando por igualdade e pelo fim do abismo social que há entre ricos e pobres.

Passando esse governo fascista, temos que lutar por um Brasil que respeite os mais pobres e crie mecanismos para reduzir essa gritante desigualdade social que esmaga pretos e pobres que foram colocados na base da pirâmide social. Precisamos inverter essa pirâmide.

Passando esse governo fascista, temos que lembrar que o liberalismo é nosso inimigo e os ricos precisam pagar mais impostos e pagar por essa crise que eles criaram. Hoje, para derrotar o fascismo e Bolsonaro, nos colocamos na mesma trincheira de luta, mas não podemos esquecer que defendemos aqueles que sempre foram colocados a margem. A nossa luta é contra o capitalismo. A nossa luta é luta de classes.

Somente um projeto popular pode nos representar

O capitalismo e a direita já preparam seus nomes para 2022. A ideia deles é colocar um fascista engomadinho disputando as urnas. Doria, Huck ou Moro, os queridinhos dos empresários, amigos do centrão e escolhido pelas organizações globo. Somente um projeto que faça frente a isso pode encontrar lastro na sociedade e apresentar saídas.

Passa pela esquerda a discussão de um projeto que aponte saídas para a crise criada pelos ricos e poderosos. Passa pelo entendimento que o fascismo sempre esteve atrelado a governos de direita e que aprofundaram o capitalismo.

Somente um projeto popular pode de fato ser uma iniciativa que nos representa.

Então, hoje estamos entre os 70% que rejeitam Bolsonaro e seu programa. Mas não! NÃO! Não somos 70%. Somos aqueles que defendem o Estado e os mais pobres e excluídos.

Edcarlos Bispo

Edcarlos Bispo

Edcarlos Bispo é jornalista, ativista e atualmente ocupa o mandato do Vereador Toninho Vespoli como assessor parlamentar

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PARA ALÉM DO ANTIBOLSONARISMO – UM MANIFESTO ANTIFASCISTA

PARA ALÉM DO ANTIBOLSONARISMO - UM MANIFESTO ANTIFASCISTA

Nos últimos dias há uma movimentação política nas redes sociais brasileiras. Elas estão estampadas por imagens do slogan antifascista. Corinthianos, palmeirenses, umbandistas, mulheres negras, professores e uma infinidade de agrupamentos sociais se expressam: Sou (preencha-aqui), sou antifascista.

A radicalização do discurso de Bolsonaro, seus filhos e apoiadores fez surgir, mesmo em meio a uma pandemia, um sentimento de luta e enfrentamento ao bolsonarismo. Membros de torcidas organizadas se reuniram para protestar contra o governo de Jair Bolsonaro no último fim de semana. 

Essa luta não se trava apenas na Internet, com suas infinitas notas de repúdio, mas também nas ruas, lugar que naturalmente a esquerda ocupou e, ocupa, de onde jamais deve se retirar.

Antibolsonarista ou antifascista?

Para entender o que é ser antifascista é preciso outro questionamento: o que é o fascismo? O fascismo não morreu em 1945, quando os regimes totalitários, como o de Hitler, na Alemanha, e de Mussolini, na Itália, foram derrotados na Segunda Guerra Mundial. Caracterizá-lo não é uma tarefa fácil, mas há um rico arsenal bibliográfico para explicar .

O fascismo é uma fusão de ingredientes diferentes que se combinam. Os elementos são o nacionalismo exacerbado e retrógrado, a supremacia branca e a direita radical, unidos por inimigos em comum e por uma motivação de falsa unidade de Nação.

Nesse sentido, vale destacar que o fascismo encontrou e encontra lastro nos governos de direita ou extrema-direita que, também, buscam a manutenção do capitalismo, através da força, das armas e, principalmente, da violência. Além de ser 

um movimento que tem por objetivo principal a destruição de toda e qualquer forma de organização social combativa e independente com a finalidade de alterar substancialmente a correlação de forças na sociedade a favor da grande burguesia. 

Por isso, é necessário combater as estruturas que geram o fascismo, uma delas, o sistema capitalista. Aqui vale lembrar dos selos antifascistas da Internet, que até mesmo a apresentadora Xuxa compartilhou um em suas redes com a seguinte legenda: “não sou de esquerda, não sou de direita, sou brasileira” e o selo “Brasileira antifascista”.

Não se iludam, nem todo antibolsonarista é antifascista. Mas todo antifascista é antibolsonarista. Acontece que o sentimento de revolta e até de arrependimento, por parte de alguns, jogou todos no campo do antibolsonarismo. Porém, não se pode esquecer que ser antifascista é algo maior. 

Aqui, podemos citar dois exemplos, Sergio Moro e Alexandre Frota. Ambos estiveram à favor do fascismo e apoiaram fortemente as ideias de Bolsonaro, porém agora que Bolsonaro não atende mais seus interesses, pularam fora.

(Brasília - DF, 29/08/2019) Solenidade de Lançamento do Projeto em Frente Brasil.

Uma luta contra o capitalismo e o neoliberalismo

A luta antifa ou antifascista é um conjunto de práticas e saberes que se lança contra a qualquer pessoa, grupo ou ação que remeta ao fascismo. Para Mark Bray, autor do livro O Manual Antifascista, o antifascismo é uma política nada liberal, é a revolução social aplicada ao combate à extrema-direita, não apenas à figuras fascistas, como o Bolsonaro.

É perigoso nos atentar unicamente à imagem do presidente, como a personalização do fascismo. Esse pode ser um álibi a todos os que contribuíram para a sua eleição e que, portanto, toleraram seus discursos racistas e misóginos. Nesse sentido, questionamos, por que quem lhe deu apoio anteriormente está voltando aos armários? Seus atos foram longe demais ou o plano econômico prometido saiu dos eixos?

Mesmo que antes de sua eleição, a figura pitoresca já vociferava preconceitos, sua campanha teve apoio de setores artísticos, empresariais e da classe média. Como carta na manga, seu projeto político-econômico  tinha Paulo Guedes, como avalista para o mercado financeiro com o pilar da diminuição do Estado, através de privatizações, do ataque ao funcionalismo público e das contra-reformas sociais previdência e trabalhista. 

Na periferia do mundo, o capitalismo neoliberal apresenta uma crise crônica. Para a filósofa e professora Marilena Chauí, há uma tese, defendida por alguns economistas, de que o neoliberalismo chegou ao seu ponto de crise final. “O que estamos assistindo é esse ponto de mutação e nesse momento de crise, ele faz aquilo que é típico do capitalismo: é sempre a resposta autoritária”, explica.

De acordo com Chauí, a resposta capitalista à crise é o endurecimento da direita e extrema direita, o que leva a regimes autoritários. É preciso salientar que no Brasil, vivemos uma democracia às avessas. Não é errado afirmar que vivemos em um regime fascista. Um regime autoritário que busca uma reafirmação nacionalista retrógrada (ironicamente, muito submissa aos EUA) e que já destrói a cultura, sucateia e persegue a formação acadêmica, e implementa reformas de aprofundamento do capitalismo.  

O regime fascista só está de black tie. Debaixo das vestes do “eleito democraticamente” está uma farda suja de sangue. Além disso, sua base é sustentada pelo apoio incondicional às milícias, Caixa Dois, alusão a torturadores e genocidas, uso de robôs e de fake news. O fascismo não existe sem os meios de comunicação!

Por isso, ser antifascista é combater com força esse sistema vigente. Ser antifa no Brasil é, também, lutar contra as reformas aprovadas no governo Temer e Bolsonaro.

Não dá para fechar os olhos e achar que a reforma trabalhista ou a PEC do Teto são questões menores. Esses dispositivos aprovados e apoiados por muitos que se hoje se colocam como antifascista são a causa da radicalização e aprofundamento do capitalismo. Combater as desigualdades e as leis que a aprofundam é lutar contra o regime fascista que, também, se materializa na economia. 

Uma luta antirracista

Os fascistas talvez não saibam o que querem, mas sabem bem o que não suportam. O governo Bolsonaro vocaliza e se expressa no ódio. E pior de tudo, encontra respaldo em parte da sociedade brasileira. Recentemente, isso foi concretizado na polêmica reunião ministerial em que o presidente e seus funcionários não apresentavam nada concreto frente à pandemia do novo coronavírus, mas declamavam preconceitos.

“Odeio o termo povos indígenas. (…) Só tem um povo nesse país”, disse Abraham Weintraub, ministro da Educação. Em outro momento, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos questionava o nascimento de crianças em quilombos: “Nossos quilombos estão crescendo e os meninos estão nascendo nos quilombos e seus valores estão lá. Então, tudo vai ter que ver a questão dos valores”, disse Damares. Para o fascismo, há a tentativa de impor a ideia de que somos apenas um único povo. E para fazer parte desse povo é preciso seguir uma série de condições: raça, classe social, religião e os valores impostos pelos fascistas. Ou seja, negros ou indígenas continuarão sendo excluídos, tendo suas populações dizimadas. 

A ideologia do fascismo também é a da negação. Nega-se tudo que não faça parte do grupo homogêneo, nem o conhecimento, e em consequência, o diálogo. O núcleo de toda violência contra diferença é o ódio, que no extremo de sua expressão, aniquila o outro.  Eles dizem que o inimigo do povo brasileiro são os comunistas, que, na realidade, são todas as pessoas que discordam deles. E isso remete à mesma estratégia da ditadura, situação na qual a finalidade é de destruir o inimigo interno em prol da manutenção do regime. 

Desse modo, a supremacia branca e a manutenção de seus valores, como cristianismo e a família tradicional, que preocupavam a ministra, controlam os corpos não-brancos do país. Os negros, assim como os povos originários, são os que sofrem com a violência institucional, que se expressam na negação da sua cultura até o punitivismo, que os encarceram e os matam. 

A cada 23 minutos, um jovem negro é assassinado no Brasil, segundo a Anistia Internacional. E como afirma Djamila Ribeiro, no seu livro Pequeno Manual Antirracista, “não é permitido odiar os negros, mas podemos odiar criminosos”. Portanto, ser antifascista é também ser antirracista.

O fascismo, o capitalismo e o racismo são os pilares que sustentam um sistema de opressão que nega direitos, anulam vidas e beneficia economicamente por toda história a população branca, ao passo que a não-branca é tratada como mercadoria, não tendo acesso a direitos básicos e à distribuição de riquezas.

Charge de Latuff. https://latuffcartoons.wordpress.com/2020/06/

Temos um projeto maior

Antonio Gramsci no seu texto Nem Fascismo, nem liberalismo: Sovietismo! descreve, de forma direta, o caminho que temos que percorrer:

“A tarefa essencial de nosso partido consiste em penetrar essa ideia fundamental  entre os operários e camponeses: somente a luta de classe das massas operárias e camponesas derrotarão o fascismo. Somente um governo de operários e camponeses pode desarmar a milícia fascista. Quando tais ideias essenciais tiverem penetrado o espírito das massas operárias e camponesas por meio de nossa incansável   propaganda, os trabalhadores das fábricas e dos campos, ou qualquer outro partido, entenderão a necessidade de construir Comitês Operários e Camponeses para a defesa de seus interesses de classe e para a luta contra o fascismo.”

O recado é simples e direto. Precisamos incansavelmente dialogar com os trabalhadores para apresentar e mostrar que temos uma saída, que é um governo popular, onde as lutas dos negros, das mulheres, dos LGBTQIA+, dos trabalhadores e dos pobres estarão no centro.

Gramsci nos alerta ainda para termos cuidado e atenção com os liberais que até ontem compunham o governo, e agora dizem estar do lado dos trabalhadores contra o fascismo. A crise gerada pelo fascismo “só pode ser resolvida com a ação das massas trabalhadoras. Não há possibilidade de liquidação do fascismo no plano das intrigas parlamentares, apenas um compromisso que deixa a burguesia na dianteira com o fascismo armado a seu serviço. O Liberalismo, mesmo se inoculado com as glândulas  do macaco reformista, é impotente. Pertence ao passado”.

E por fim, o mais importante! Ao construirmos um governo popular e dos trabalhadores devemos construir uma nova forma de pensar e de agir. Esquecer o pensamento burguês liberal. 

“Um governo das classes dos trabalhadores e camponeses, que não irá se preocupar nem com a constituição nem com os princípios sagrados do liberalismo, mas que está determinado em derrotar definitivamente o fascismo, desarmá-lo e defender os interesses dos trabalhadores da cidade e do campo contra todos os exploradores, essa sozinha é a única força jovem capaz de liquidar um passado de opressão, de exploração e crime e de dar um futuro de verdadeira liberdade a todos que trabalham”, escreve Gramsci.

Referências bibliográficas

TIBURI, Marcia – Como conversar com um fascista 

BRAY, Mark – O Manual Antifacista

PAXTON, Robert – A anatomia do fascismo 

RIBEIRO, Djamila – Pequeno Manual Antirracista

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