Borba Gato

A prisão ilegal do Gallo de luta!

A prisão ilegal do Gallo de luta!

Para além do Borba Gato, entenda porque a prisão de Gallo foi ilegal

O Gallo de Briga (apelido carinhoso de Paulo Gallo) foi preso com fundamentos ilegais, por supostamente incendiar o monumento em homenagem ao genocida Borba Gato. Para além de tratar do incêndio em si, vale usar uns momentos para refletir sobre os absurdos por trás da prisão.

Começa com a justificativa: prisão preventiva. Segundo o artigo 312 do Código de Processo Penal a prisão preventiva deve ser usada para a “garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria”. Ou seja, só cabe se houver risco real para a sociedade caso o suspeito continue solto. Não é o caso de Gallo.

Outra coisa absurda, é a prisão da esposa de Gallo Gessi. Segundo a polícia a prisão teria ocorrido pelo telefone de Gallo estar em nome de Gessica. A coitada é mãe, junto de Gallo, de criança de 3 anos de idade! Ela havia acompanhado o marido por livre e espontânea vontade, para prestar esclarecimentos.

A desculpa da polícia para a prisão de Gessica é esfarrapada, e vai de encontro com jurisprudência do STF. Segundo decisão da segunda turma do órgão, mães de crianças devem ter prisão domiciliar decretada, se qualquer coisa. Isso sem entrar no mérito de que uma esposa apenas estar em posse de linha telefônica de marido dificilmente configura argumento para cumplicidade.

Mais do que tudo, é importante, neste momento, prestarmos solidariedade a Gallo e sua família. Pois como diria o mestre Eduardo Couture “Teu dever é lutar pelo Direito, mas no dia em que encontrares em conflito o direito e a justiça, luta pela justiça”.

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter

Um mandato popular!

Conheça mais sobre o que nos move!

uma estátua vale mais que uma vida?

incendiaram estátua do bandeirante, e escravizador Borba Gato. A reação ao caso faz pensar: uma estátua vale mais que uma vida?

O mesmo prefeito que nega auxílio a um povo que volta a passar fome, lamenta o incêndio da estátua de um escravizador (o bandeirante Borba Gato). Em meio a isso somos forçados a nos perguntar, uma estátua vale mais que uma vida?

É importante, primeiro, entender quem foi Borba Gato. A figura icônica, homenageada com a obra de gosto duvidoso na avenida Santo Amaro, foi um bandeirante, que organizava ações para escravizar povos nativos e quilombolas. No processo de captura era comum o estupro de mulheres, e assassinato de crianças. Antes de mais nada, é importante questionarmos como vivemos em uma sociedade em que figuras terríveis assim sejam homenageadas?! Seria quase o equivalente a manter uma estátua de Hitler em Berlim!

Infelizmente, no entanto, desastres assim são comuns. Na Argentina, em Buenos Aires, uma praça é enfeitada com o busto do facínora ditador Juan Domingos Perón; na Inglaterra, monumentos ao racista, e antissemita Whinston Churchill, brotam dos chãos de espaços públicos por todo o país; no Peru, até 2016, uma estátua homenageava o ditador sanguinário Alfredo Stroessner; e para além do Borba Gato, aqui em São Paulo, são muitas as homenagens a genocidas: o Monumento às Bandeiras, próximo ao Parque Ibirapuera; o Monumento da Independência, na praça de mesmo vulgo; a obra presente do próprio Mussolini, o Monumento aos heróis da travessia do Atlântico; entre tantas outras!

O que ocorre é que a história é construída sobre o sangue dos derrotados, e os vitoriosos, tão sedentos por sangue e poder, sempre se apressam em criar monumentos capazes de inflar seus próprios egos. Servem também de aviso aos que pensarem em se rebelar: da última vez que tentaram acabaram enterrados sobre as pedras de nossas estátuas!

Alguns se revoltam contra tantos símbolos de opressão. Recusam-se a aceitar que devem apenas se resignar enquanto verdadeiros genocidas são aclamados em praça pública! uma estátua vale mais que uma vida? Para estes manifestantes não! Assim manifestantes britânicos picham “genocida” em estátua de Churchill, além de arrancarem a estátua homenageando o traficante de escravos Edward Colston; no Peru a estátua de Stroessner, em 2016, foi destruída por manifestantes, e mais tarde recuperada em nova obra/alerta, que o mostra esmagado por uma pedra, tentando voltar do passado; em junho deste ano argentinos derrubaram uma estátua do estuprador sanguinário Cristóvão Colombo; e assim parte do povo busca formas de se revoltar.

Foto de nova “versão” de estátua do ditador peruano Alfredo Stroessner. Obra foi feita pelo artista Carlos Colombiano, com destroços de estátua anterior, feita em homenagem ao ditador. Ocupa, hoje, a Praça dos Desaparecidos. Fonte da foto: https://twitter.com/delucca/status/1419051049592184835

Impressiona, muito, que o horror à queima do símbolo de um traficante de escravos, seja tão superior ao horror cedido à população brasileira que volta a passar fome, ou que o horror cedido ao povo negro e periférico quando vítima de ações da polícia militar. Ou seja, o que pessoas como o prefeito Ricardo Nunes revelam, na verdade, é que ao invés de se chocarem com o genocídio do povo pobre e negro, que continua no Brasil através da fome e violência sistêmica, preferem a indignação em favor de símbolos do genocídio ao longo da história! O mesmo prefeito que nega auxílio emergencial ao povo pobre paulistano, faz drama em favor da estátua de um ser horrível! Irônico pensar que faz parte da direita que defende “tolerância zero” contra assassinos e estupradores.

Impressiona, ainda mais, pensar que a destruição de estátuas feitas em memória aos oprimidos, não são alvo de tanto apreço pelas mídias oficiais, ou pelos políticos “defensores da ordem”. Em 1988, foi inaugurado o monumento de Oscar Niemeyer, Memorial 9 de Novembro, em homenagem a 3 operários mortos pelas forças do Estado durante greve no mesmo ano. Os reacionários nem deram 24 horas para a estátua estreiar! Na madrugada do dia seguinte à inauguração explodiram o monumento. A polícia não reagiu para prender os neofascistas. A mídia quase nada falou. A obra ficou quase toda destruída. Oscar Niemeyer optou por deixa-la assim, como lembrete de que as conquistas são sempre frágeis, e merecem ser vigiadas.

Outra obra, do mesmo Oscar Niemeyer, o Monumento Eldorado Memória, inaugurada em 1996, lembrava os nomes dos pequenos agricultores mortos a mando do Estado no mesmo ano. Agiam representando os interesses da elite agrária do Pará. Só demorou 15 dias para ruralistas da região destruírem a obra. A polícia não fez nada. E a cobertura da mídia foi ínfima. Ou seja o Estado, a polícia, a mídia, e as elites capitalistas estão dispostas a defender a memória de genocidas, mas não de heróis do povo que lutaram por vidas dignas!

Tamanha hipocrisia, força a questão: uma estátua vale mais que uma vida? É correto nos darmos ao luxo de nos indignar com a queima de um símbolo genocida enquanto enfrentamos a continuação do mesmo processo vil? De que lado Ricardo Nunes está? Do genocida, ou das vítimas?

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter

Um mandato popular!

Conheça mais sobre o que nos move!
Para além de combater a Covid, vamos combater o neoliberalismo

Faça parte da nossa rede

Quer ser um embaixador virutual e ajudar a educacão salvar vidas na cidade?
Venha conosco, inscreva-se e ajude a espalhar a campanha do Professor Toninho