conservadorismo

Por que ser contra o ‘homeschooling’?

homeschooling

50 milhões de alunos na Educação Básica; só 15 mil estão interessados na proposta

O ensino domiciliar ou homeschooling está tramitando em diferentes parlamentos pelo país. A proposta tem ganhado força novamente, inclusive com aprovações regionais. Explico ponto a ponto aqui os motivos de sermos contrários a esta modalidade, tomando como norte os argumentos que justificam a propositura:

A Educação é garantia do direito do SUJEITO. Não é do pai ou da família.

Convivência

O ensino domiciliar é alternativa excludente da escola, promove o individualismo e prejudica o desenvolvimento emocional e social das crianças e adolescentes, já que a convivência e interações nas escolas são fundamentais. Os estudantes ficam expostos a discursos homogêneos acarretando graves prejuízos ao desenvolvimento social desses alunos, devido à ausência de interações e convivências diversas.

Estudantes com deficiência

Defender que estudantes com deficiência devam ficar novamente fora da escola é um atraso secular! Está mais que comprovado que as interações são necessárias para a aprendizagem e boa convivência de todos! Não existem dois mundos. Todos precisam conviver, se respeitar e se relacionar. Aprendemos com o diverso e todos são capazes de aprender e devem estar em sociedade.

Periferia e desigualdade social

A iniciativa do homeschooling é oportunismo de grupos conservadores. Muitas famílias vivem em número superior a quatro pessoas dividindo um ou dois cômodos. Qual é o espaço adequado destinado ao estudo? Qual o tempo do responsável para acompanhar todas as tarefas de cada uma das crianças após o turno de trabalho, deslocamento e todas as outras tarefas domésticas? Como essa criança consegue estudar?

Gênero e trabalho

Na sociedade atual qual é o trabalhador que tem a disponibilidade, não de ajudar nas tarefas de casa, mas de ensinar de fato aos filhos todas as áreas do conhecimento? E mais, de quem seria essa atribuição em 1º lugar quando uma família opta pelo pelo ensino doméstico? No caso do Brasil talvez tiraria mulheres de outras atividades profissionais.

Avaliação baseada na BNCC

A transferência da responsabilidade do ensino às famílias coloca em risco a garantia do direito e acesso à Educação, já que não há diretrizes que garantam como será feita a devida fiscalização como ocorre nas escolas regulares. Será que uma avaliação trimestral ou anual dá conta de todo o diagnóstico e acompanhamento ao longo das aprendizagens das crianças? O Brasil não consegue nem fazer o recenseamento dos estudantes todo ano e garantir vagas com um número adequado por turmas no ano seguinte. Vai conseguir acompanhar essa especificidade de uma parte tão pequena da população?

Pais com ensino superior

Pais não podem ser responsáveis pela educação formal. Pais e mães têm sido convidados a refletir ainda mais sobre a educação dos filhos. A formação específica em uma área do conhecimento não faz com que os responsáveis sejam qualificados para exercer o papel de educador. Alguém consegue saber de tudo em todas as áreas específicas do conhecimento, ter metodologia e garantir as interações e a diversidade proporcionada pelas escolas regulares? As escolas clamam por maior participação das famílias no processo de formação das crianças em todas as classes sociais. O que se vê na verdade é uma transferência de responsabilidade da educação dos filhos para a escola. Aumentar a participação na vida escolar e conhecer documentos que norteiam o trabalho nas escolas já daria conta de resolver várias das inquietudes de famílias que desejam o ensino domiciliar.

Acompanhamento pelo conselho tutelar

Infelizmente esse é o ponto mais triste de toda essa história. A escola é o principal ponto de denúncia inicial sobre violência doméstica, exploração infantil e violência sexual. A escola é tradicionalmente um espaço em que as crianças e jovens encontram segurança e escuta ativa. O Conselho Tutelar está absolutamente precarizado e mal dá conta de dar devolutivas sobre as demandas de denúncias que recebe. Qualquer pessoa que conheça a realidade das escolas e dos Conselhos entende que esse argumento não possui aplicabilidade e no fim, é sabido que essas crianças estarão fora da escola e dos olhos da rede de proteção.

Perto de 50 milhões de alunos na Educação Básica; cerca de 15 mil interessados. 0.3% de interessados apressando uma discussão que não remete a interesses coletivos amplos. O fanatismo religioso e elitismo não podem pautar a política nacional. A pressa em retomar esse tipo de projeto tem um lema: criança rica em casa! Não dá pra desatrelar as tentativas de desvinculação de verba e a retirada de recursos da Educação com esse tipo de proposta.

Ricardo Nunes é um desserviço à cidade!

Ricardo Nunes é um desserviço à cidade!

Entenda qual ruim para São Paulo é ter um prefeito como o Ricardo Nunes!

Após a triste morte de Bruno Covas, Ricardo Nunes assumiu a prefeitura de São Paulo. A notícia é trágica. Ricardo Nunes é um político acusado de corrupção nos esquemas das creches escolares, contrário ao debate sobre gênero nas escolas, e ainda se fingiu de pobre para conseguir roubar terras para pecuária bovina! É o pior da política paulistana! Ricardo Nunes é um desserviço à cidade!

Ricardo Nunes e a máfia das creches

Lembram do escândalo que foi a máfia das creches escolares? Alguns grupos de direito privado foram acusados de desviar recursos da prefeitura que deveriam ir para as creches do sistema de parcerias. Ricardo Nunes é investigado pelo Ministério Público por denúncia de aluguéis irregulares em meio ao “esquema”. Além disso, sua empresa de dedetização, a Nikkey, fez contrato sem licitação no valor de 50 mil reais com a prefeitura.

Ricardo Nunes e o fundamentalismo

Primeiramente é importante reconhecer a riqueza cultural propiciada por uma cidade com a existência de diversas fés. Toninho Vespoli, católico, sempre lutou pela diversidade religiosa, pela tolerância e contra a discriminação sexual e de gênero. Ricardo Nunes é o oposto disso. Em São Paulo foi um dos articuladores do projeto extremista “escola sem partido”. Para quem não se lembra, o projeto de retórica fascista, além de tentar jogar a população contra os professores, proibiria a discussão de questões de sexo e gênero nas escolas, dificultando o combate contra a discriminação. No mesmo sentido, em 2015 Ricardo Nunes foi conta a inclusão do debate sobre sexo e gênero no Plano Municipal de Educação.

Ricardo Nunes se fez de pobre para ter propriedades!

Olha a ironia? E é a esquerda que é acusada de invadir terras dos outros. Acreditem ou não, enquanto recebia como vereador de São Paulo, Ricardo Nunes chegou a arranjar um atestado de pobreza para conseguir garfar duas propriedades! Aconteceu assim: Nunes ocupava ilegalmente duas áreas que não eram dele. Para conseguir fugir da justiça o atual prefeito de São Paulo arranjou um atestado de hipossuficiência (atestado de pobreza) para poder alegar usucapião nas propriedades que ele ocupava. 

O usucapião é, em princípio, uma coisa boa, uma ferramenta para pequenos fazendeiros pobres conseguirem garantir terras para seu sustento. A ideia é simples e justa: se você ocupa e cuida de uma área para a qual ninguém mais liga, a justiça a reconhece como sua. Mas Ricardo Nunes deu um jeito de distorcer completamente a legislação para garfar grandes lotes de terra para a criação agropecuária. Percebam o contraste: enquanto a esquerda luta para que terras improdutivas sejam dadas para quem planta a nossa comida e quem mais precisa, os ruralistas lutam para roubar terras para o cultivo de commodities de preço baixo, principalmente para a exportação.

Ricardo Nunes é um desserviço à cidade!

Para além de questões políticas divergentes, que podem e devem ser debatidas dentro de uma democracia, Ricardo Nunes representa o pior que a política tem a oferecer. O novo prefeito é conservador, suspeito de corrupção, e ainda adquire terras de formas bem questionáveis.. Que o povo paulistano tenha garra para resistir a tamanho desastre!

As opiniões presentes no texto não necessariamente refletem as opiniões do Vereador Toninho Vespoli

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