CORONAVÍRUS NA PERIFERIA

Pandemia Mata a Periferia

Pandemia Mata a Periferia

Entenda como a desigualdade social é amplificada pelo coronavírus.

Diferente da falta de saneamento básico, da violência policial e da especulação imobiliária, o coronavírus também mata alguns ricos. Isso não é de todo ruim, se fosse algo que apenas atacasse os pobres o descaso e inação dos governos seriam ainda maiores. Mas isso não significa que o corona atinja a todos de forma igual. Na verdade, apesar da doença ter sido trazida ao Brasil por pessoas ricas viajando pela Europa, hoje o pandemia mata a periferia mais do que outras regiões de São Paulo. Imita o curso de tantas outras doenças que assolam o continente americano: trazidas por dominadores europeus, mas matando, principalmente, o povo explorado e dominado.

Entender isso facilita compreender as posturas dos governos (que agem mais em função dos ricos): é fácil falar de isolamento para quem pode se dar ao luxo de trabalhar em casa, em apartamentos luxuosos com internet de alta velocidade. Enquanto isso, para os mais pobres, auxílios em valores pífios demoram para chegar. O povo tem fome, e precisa conseguir tirar dinheiro de algum lugar. O resultado: se no começo da pandemia a maioria das vítimas do corona eram ricas, hoje a grande maioria dos mortos em São Paulo vive na periferia, como mostram dados oficiais da própria prefeitura. Sapopemba, por exemplo, em 24 de abril, tinha a segunda maior taxa de mortalidade: 77 mortes.

A dança dos corruptos

É quase cômico observar a troca de retórica das lideranças. O Doria, que no auge de sua campanha para Governador se orgulhava da hashtag “bolsodoria”, agora se delicia atacando o fascista do planalto por pegar leve contra a pandemia. Não se trata aqui de defender o amante da ditadura militar, mas de apontar que além de engrossar a voz o governador bem que poderia criar seu próprio programa de auxílio emergencial à população Paulista.

Só pra ficar claro: o Bolsonaro é um boçal, e fosse qualquer presidente minimamente decente o auxílio nacional de 600 reais já teria saído a todos que precisam. Mas o líder do Estado mais rico de São Paulo, bem que podia fazer mais além de ficar xingando o presidente no Twitter.

No município a situação não é diferente: o Bruno Covas vai na tv dia sim dia não reclamar que o povo não fica em casa. Mas na hora de liberar auxílios econômicos se preocupa muito mais em dar empréstimos a meia dúzia de empresas do que em, realmente, ajudar a população miserável. Por exemplo, o Covas está gastando 375 milhões de reais para continuar repasses empresas terceirizadas da cidade, mas apenas 5,7 milhões para auxiliar catadores durante a pandemia. A prioridade deles continua sendo os ricos.

A pandemia do corona está, sem dúvida, mostrando as veias abertas de sociedades ao redor do mundo. Não é, portanto, de se surpreender que a história esteja se repetindo aqui no Brasil. Doenças que são trazidas pelos dominadores acabam se transfigurando em mecanismo de extermínio dos mais pobres e necessitados. A pandemia mata a periferia. As elites riem em suas casas.

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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Abaixo-assinado: Zona Leste precisa de hospital de campanha

Não há vagas de UTI em quatro hospitais municipais da região

Não é no centro da capital paulista que mais morrem pela covid-19, mas nas franjas da cidade. De acordo com a Secretaria da Saúde Municipal, até o dia 17/04, quarenta por cento das vítimas moravam na zona leste de São Paulo, num total de quase dois mil óbitos suspeitos e confirmados da doença. O cenário se agrava com lotação dos leitos de UTI dos hospitais municipais da região.  O ranking da morte é liderado pelo distrito de Brasilândia, localizado na zona norte, com 54 óbitos. Sucedem-se bairros da região leste, Sapopemba, com 51 óbitos, São Mateus  e Cidade Tiradentes, com 41 e 37 óbitos, respectivamente.  (Veja o mapa abaixo).  Além disso, quatro hospitais da região leste estão sem vagas nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para casos graves. Os casos de coronavírus atingem os hospitais municipais Tide Setúbal, Cidade Tiradentes, Ermelino Matarazzo e Doutor Inácio Proença de Gouveia. 
Mapa dos óbitos por coronavírus em São Paulo por região, na semana de 09 a 16 de abril. Fonte: Secretaria da Saúde

Vidas não podem estar em jogo! 

Na data de ontem (21/04), uma imagem chocou as redes sociais. A prefeitura de Manaus fez valas comuns no maior cemitério da cidade para enterrar corpos de vítimas de covid-19. O estado do Amazonas passa por um colapso no sistema de saúde e de uma explosão no número de enterros. Já no Rio de Janeiro, as vagas criadas pela rede municipal de saúde para atender pacientes com a doença estão esgotadas. No estado de São Paulo, a taxa média de ocupação dos leitos de UTI é de 60%. Na região metropolitana, o índice sobe para 80%. Na capital está em 73%.

Hospital de campanha na zona leste, já!

No fim de março, a Prefeitura abriu dois hospitais de campanha, Anhembi e Pacaembu, para atender pacientes infectados pelo novo coronavírus em situação de baixa ou média complexidade. No dia 21/4, ambos registraram 240 dos leitos ocupados. Os comunicados oficiais não informam se estamos no pico das infecções da doença, mas a atenção pública deve ser voltada às periferias imediatamente, especialmente, na zona leste. Um doente internado no Hospital Sapopemba terá que percorrer quase 25 km para ser transferido até o Hospital de Campanha Anhembi, na zona norte, ou 30 km até o Hospital de Campanha Pacaembu, na zona oeste da cidade.
Covas abertas no Cemitério Parque de Manaus, na terça-feira (21), no bairro Tarumã, zona oeste de Manaus – Sandro Pereira/Fotoarena/Agência O Globo

Qual é a saída?

Se o sistema público paulistano de saúde entrar em colapso, um cenário apocalíptico irá recair sobre a periferia. Por esses motivos, nós queremos que a Prefeitura crie um hospital de campanha localizado na zona leste de São Paulo, região mais populosa da capital paulista e onde concentra o maior número de mortes pela covid-19.

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