educação

VOLTA ÀS AULAS?

VOLTA ÀS AULAS?

Saiba como os servidores públicos, especialmente os ATEs, estão lidando com a incompetência tucana em tempos de pandemia!

Boa tarde meu povo!

Trabalho próximo de casa e, nas poucas vezes que saia e andava pelo meu bairro, me perguntavam “quando voltarão às aulas?”. Minha resposta era sempre a mesma. E sincera: “não tem previsão de volta”. Agora tem. Desde o início da pandemia, nossas autoridades, em todas as esferas, federal, estadual e municipal, conduziram a situação de forma, no mínimo incompetente, acentuando ainda mais as nossas profundas desigualdades.

O Presidente da República desdenhou da doença, incitou a desobediência às regras de isolamento e portou-se como um genocida. Não agiu, em nenhum momento, pensando no bem estar e na saúde da população. Muito pelo contrário. Governador e Prefeito insistiram em manter os festejos do carnaval, mesmo sabendo das medidas que estavam sendo tomadas nos países mais atingidos. Não decretaram o lockdown quando tiveram a chance, nunca puseram em prática a testagem em massa, tão importante para mapear a ação do vírus. Anteciparam o período destinado ao recesso escolar, suspenderam aulas, porém, as escolas não estão totalmente fechadas. Nós, ATE’s, agentes escolares e gestores das escolas, continuamos a trabalhar nestes três meses. Para quê? A comunidade praticamente não vem à escola. Viramos simples atendentes de telefone, prestadores de serviço de assistencialismo, como entrega de cartões e cestas básicas. Sem contar que estamos expostos a contaminação da Covid 19. Há vários relatos de falecimento de colegas que contraíram o vírus. Não vejo nenhum sentido em manter funcionando o atendimento nas unidades escolares, sem alunos e professores.

A máscara de Covas e Doria caiu rapidamente

Em poucos momentos, Dória e Covas pareciam conduzir com mais seriedade o combate à pandemia. Perto da atuação do presidente, o mínimo de seriedade os fez parecerem verdadeiros estadistas. Sabemos que nunca foram. A máscara caiu rapidamente. Relaxar medidas de isolamento e reabrir o comércio no meio da curva ascendente dos casos é de uma insanidade sem tamanho. Há muitos motivos por trás dessa irresponsabilidade. Não sou analista político, mas parece óbvio que a pressão do poder econômico está no cerne dessa questão. Deveríamos estar em isolamento total. Lockdown, tranca rua, não importa o nome. E o Estado tinha a obrigação de socorrer os pequenos empresários, para que o impacto da paralisação fosse reduzido ao máximo. Contudo, foram largados a própria sorte. Em nome do seu neoliberalismo selvagem, o governo brasileiro fechou os olhos e o cofre em meio à maior crise deste século. “Ah, tem o auxílio emergencial!” De emergencial ele não tem nada. Entre a aprovação no Congresso (à revelia do governo, que queria pagar R$ 200,00) e a liberação do dinheiro foram muitos dias de espera. Sem contar as dificuldades no cadastro e as falhas no pagamento. Um escárnio total.

No momento, não tem como voltar às aulas!

Diante de tudo isso, São Paulo quer reabrir as escolas em setembro. Imaginem as crianças da pré-escola tentando praticar o distanciamento, a usar corretamente as máscaras. Sem contar que poderão contrair o vírus e, mesmo tendo menor propensão a desenvolver a doença, podem contaminar pais e avós. O cenário parece ser terrível. E realmente é. Dizem as autoridades que as aulas retornarão apenas se houver condições para tanto. Mesmo se não houver, dirão que há. Sabemos como trabalham os tucanos. Deviam admitir o fracasso de sua estratégia e decretar o fim do ano letivo, sem prejuízo para alunos e funcionários. Aprendizagem por EAD não contempla a totalidade dos alunos. É injusto. Isto só atesta ainda mais a falta de comprometimento de João Dória e Bruno Covas com a educação de qualidade e o bem estar social da população mais carente. Devemos dizer não a volta às aulas.

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter

Um mandato popular!

Conheça mais sobre o que nos move!
João Luís Lopes Pinheiro

João Luís Lopes Pinheiro

João Luís Lopes Pinheiro é jornalista e A.T.E. na PMSP

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter

Um mandato popular!

Conheça mais sobre o que nos move!

Por que ser contrário à reabertura das escolas durante uma pandemia?

Desde que foi declarado o afrouxamento nas regras de distanciamento social por pressão de grupos econômicos temos acompanhado o efeito dominó de reaberturas de instituições e comércios até que o pico da pressão sobre a necessidade de reabertura das Unidades Escolares.

Um ponto importante a ser ressaltado é de que todo esse processo tem acontecido, diferente do resto do mundo, com números absurdamente altos (segundo país com maior número de contágios), mesmo com pequena parcela de testagem entre a população, e com uma média diária de mais de 1200 mortes devido ao vírus covid-19.

Em primeiro lugar é preciso considerar o direito à vida. Enfrentar uma pandemia de uma doença nova, sem estudos suficientes para analisar comportamento, sem vacina ou remédio tem sido muito difícil para o todos, porém, o único consenso mundial tem sido em torno da importância do cumprimento da quarentena para que o vírus deixe de circular e que inclusive o sistema de saúde tenha respiro para atender a todos.

Muitas das escolas não estão adaptadas para a quarentena!

Outro aspecto importante são os prédios das escolas. Cerca de 80% dos CEIs na cidade de São Paulo pertencem à rede parceira, muitos deles, funcionando em casas adaptadas para receber as crianças, sem ventilação adequada, sem espaços externos e sem possibilidade de distanciamento.

Além disso, justamente na Educação infantil, a mídia tem insistido sobre a importância dos pais terem onde deixar as crianças para poderem voltar ao trabalho e que os pequenos são assintomáticos. Ora, os professores mantém contato direto com as secreções dos bebês e o cuidar é um dos pilares do trabalho, o que obviamente está ligado à questão do afeto e contato físico. Mesmo que a afirmação sobre as crianças estivesse correta, os professores não são imunes, os familiares dos bebês, crianças e funcionários também não são imunes.

Além do mais todos os documentos de protocolos sendo apresentados possuem como premissa o distanciamento e a proibição de contato entre estudantes. Essas pessoas já foram numa escola? A escola é espaço de interação, crianças ou adolescentes se abraçam, compartilham lanches, brincam em suas rotinas, independente do comando do adulto.

Tendo por base que todas as escolas fossem equipadas com álcool gel, sabão suficiente, papel, máscaras para todos, como garantir a troca de forma adequada e o uso integral por seres em formação quando o que temos visto na prática entre adultos a resistência ao uso quer seja na prática de exercícios físicos, filas com lugares marcados ou perambulando pelas ruas? As campanhas por parte do Estado de orientação à população em geral tem sido satisfatória?

Não há espaço ou tempo para atender as crianças respeitando as medidas de isolamento

E as recomendações não pararam por aí, falam em marcar lugares durante o uso do refeitório ou que as refeições sejam feitas na própria sala de aula. As Secretarias sabem que devido ao grande número de estudantes atendidos por escola já é prática a realização de 3 ou 4 intervalos fora os momentos de lanche dirigido? Não há espaço hábil dentro da linha do tempo para fragmentar mais as turmas nas refeições. Além disso, os professores possuem o intervalo garantido em sua jornada de trabalho. Quem ficaria com os estudantes nas salas de aula? As unidades sofrem com vacância de cargo e insuficiência de trabalhadores no quadro de apoio, sem falar em todos os afastamentos de servidores do grupo de risco.

A super exploração das equipes terceirizadas também aparecem nessa conta. As equipes das escolas foram reduzidas de 11, 10, 9 para 3 ou 2 funcionários para dar conta da limpeza, independente do tamanho dos prédios. Como dar conta da higienização de todas as salas ( estamos falando de escolas que possuem até 25 salas por período de funcionamento) após cada refeição, revisão dos banheiros e reabastecimento de todos os pontos de álcool e sabão, dentro do período de aulas? Isso sem falar nas tarefas realizadas entre os atendimentos das turmas…

Ou seja, protocolo de volta com a pandemia em curso simplesmente não é possível com segurança. O problema é que muito se fala de Educação, porém sem conhecer ou respeitar a realidade e os problemas das escolas que já tem sido motivo de reivindicação há tanto tempo por quem conhece a prática e a estrutura por dentro.

Vivian Alves

Vivian Alves

Vivian Alves é filósofa, diretora de escola e ativista pela esucação. Atualmente ocupa o mandado do Vereador Toninho Vespoli.

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter

Um mandato popular!

Conheça mais sobre o que nos move!

REFLEXÕES/CONSIDERAÇÕES E AÇÕES – PERÍODO DE SUSPENSÃO DE ATENDIMENTO/ATIVIDADES, DEVIDO A PANDEMIA DO COVID 19.

Conheça as trilhas da aprendizagem! E entenda como a educação pode ir para além das salas de aula

Isso tudo nos pegou de surpresa, estamos com medo e inseguros, diante de uma situação que não conhecemos e nem sequer, podemos recorrer a quem conhece, pois, ninguém na face da terra conhece de fato.

Talvez, nunca soubemos tão pouco sobre o que está por vir; assim, tudo que pensamos e falamos é: “Vai passar…”, e de um jeito ou de outro, vai mesmo.

Vale dizer, que o que estamos passando deixará marcas, memórias e lembranças, algumas muito boas, outras nem tanto, deste modo, consideramos que tudo depende de quem somos, de como enxergamos o mundo, de como nos conectamos uns com os outros, depende dos nossos recursos, das nossas concepções, das nossas limitações, assim como depende das nossas habilidades, dos nossos medos e das nossas ousadias.

Depende do que estamos dispostos a fazer durante este período, quem temos auxiliado e quem temos do nosso lado, oferecendo ajuda. Depende de como anda nossa paciência com as pessoas no supermercado; àquelas que insistem em se aproximar, mais do que o recomendado, e principalmente, de como está nosso entendimento de que nós mulheres/professoras, estamos carregando: o peso da administração da casa, dos animais, dos maridos, dos filhos, das plantas, dos nossos pais e/ou dos irmãos em nossas “costas largas”; sempre tão largas.

Para muitas mulheres estar em casa é também trabalho

Talvez os maridos estejam em home office, enquanto muitas de nós (a grande maioria na educação), trabalhando em casa, estamos em ”home-tudo” (sem ter no momento, a pretensão de tentar consertar, o que é uma luta há séculos), mas é fato, que entre tantos outros motivos, isto pode estar nos cansando e nos confundindo, pois não sabemos trabalhar sem o barulho das nossas crianças, sem administrarmos os conflitos existentes nas turmas de estudantes, sem olharmos cada um dos trinta e cinco como únicos, e identificarmos se estão felizes, animados, tristes, desanimados, receptivos ou tímidos.

Podemos neste momento sugerir, que o que mais faz falta no nosso fazer é trabalharmos o famoso “Currículo Oculto”, onde não há palavras que possam definir a diversidade e o encantamento que existem nas relações com os pequeninos, em suas descobertas, aprendizagens e reações. Professora é sim, um ser que fala com o olhar, que enxerga com o ouvido e que fala com o coração, no melhor sentido da palavra. Por estes motivos, que o nosso cuidado em não nos descaracterizarmos seja redobrado, durante esta separação social, à qual não escolhemos e muito menos provocamos.

Há poucos dias, tínhamos um espaço físico para trabalharmos, horários definidos, uma rotina para pensar nas crianças em suas especificidades, e para a partir delas, dos seus interesses, dos seus saberes e curiosidades, planejarmos nossas ações e nossos projetos de trabalho pedagógico.

Atualmente e por enquanto, temos um lugar de encontro que se chama Zoom, um canal de comunicação que se chama Facebook, um material que irá nortear o nosso trabalho e que se chama: Trilhas de Aprendizagem.

Sobre o Trilhas:

Ah, por que não nos consultaram antes? Teríamos pensado em tão boas ideias, possivelmente mais econômicas e mais eficazes para dialogar diretamente com as nossas crianças. Bastaria um bom livro de literatura infantil e um pequeno kit de brinquedos, contendo uma cordinha, uma peteca, um pião, uma bolinha, uma panelinha com colherinha, um carrinho, alguns papéis de diferentes tamanhos e texturas, cola, tesoura, lápis pretos e coloridos, fitas adesivas e giz de cera, ou seja, um pequeno kit-criatividade, mas enfim, o que está feito, feito está.

Contudo e infelizmente, era preciso rapidez para dar alguma resposta à sociedade letrada e ansiosa para saber como ficaria a situação escolar e assim, não houve tempo para pensar no que nossos pequeninos, de fato precisam, sobretudo, houve uma desconsideração no que se refere a uma infância com repertório próprio e com uma cultura própria, a quem o adulto acostumou-se a olhar de cima para baixo, mas então que passemos a analisar com profundidade o conteúdo proposto no Trilhas, que a nosso ver, dialoga até certo ponto com a família, como está posto.

Qual família?

Na nossa interpretação:

  • A família que tem endereço de fácil localização;
  • A família que consegue ler e interpretar os bilhetes que a escola envia, sem perguntar para Professora o que é, ou aquela que depois de ler o bilhete, não liga para a escola e pergunta do que se trata;
  • A família que lê textos no Facebook com mais de quatro parágrafos;
  • A família que tenha pelo menos um membro, que compreenda o papel da escola de Educação Infantil e ao folhear o Caderno/Trilhas, não irá questionar: a falta de desenhos prontos e estereotipados para serem pintados, os perversos traçados a serem contornados, os desenhos com copas de árvores para serem preenchidas com papel crepom verde colado em formato de bolinhas, bem arredondadas de preferência. Fazeres que pouco ou nada acrescentam para os pequeninos, pois eles os fazem sem nenhum desafio ou fazem, sem nada compreender e com interesses focados em outras coisas, como por exemplo: chamar atenção da professora ou do colega.
  • Família que tenha uma casa boa e confortável, com uma sala ampla, tapete aconchegante e uma enorme TV 32’ para mais, como traz a ilustração do Caderno Trilhas.
  • Família com estoque de alimentos suficiente, para testar uma receita de um delicioso bolo de chocolate;
  • Família que é familiarizada com o vasto e rico repertório da nossa música popular brasileira e que além das atuais músicas de cunho comercial e de rasas inspirações, costumam deixar que as crianças acessem o conhecimento que as canções podem ensinar;
  • Família que esteja habituada a ler para seus filhos e que tenham materiais em casa, para que uma caixinha com materiais diversos possa estar à disposição da criança;
  • Família que tenha um banheiro com box e um bom chuveiro, onde a criança possa brincar e se divertir com a água e aprender a estabelecer excelente relação entre hábitos saudáveis de higiene com diversão;
  • Família preocupada com a proteção da criança e que na verdade, não precisa do Trilhas para se orientar, pois intuitivamente já realiza todas as propostas contidas no Caderno Trilhas, de uma forma ou de outra.

Diante destas suposições, ainda temos o importante dado, de que demoramos por volta de duas horas ininterruptas para lermos o Trilhas de Aprendizagem, no qual estávamos bastante interessados.

Sobre nosso grupo de Professoras:

Eu quero que a escola se reinvente e se reinventar não significa transformar professor em youtuber, mas aprender a abrir mão do conteudismo, entender que a aprendizagem vai além do que é dado pela escola e aceitar que o ano letivo já não cabe mais em 2020.

Vivenciando a Pandemia, juntamente com todas as indagações, angústias e experiências que já citamos acima, estas mulheres, mesmo fora do seu habitat natural, corajosamente, buscaram de todos os recursos e meios possíveis para produzirem o que a princípio chamamos de atividades e agora já chamamos de “Histórias”, em um universo amedrontador e desconhecido para a maioria (tecnologias da internet) e assim, conectaram-se com as crianças que puderam ter acesso às nossas postagens no famoso canal de comunicação gratuito, também conhecido como Facebook, numa fanpage da nossa Unidade Escolar.

Juntaram-se em uma rede solidária de coleguismo e proteção, onde cada uma, à sua maneira, fez e ofereceu o melhor que pôde; isso ficou claro. Não sabemos com certeza, quantas crianças nos viram, quantas gostaram, nem tampouco, o que de fato conseguiram, mas é certo que alguns nos viram e ainda que tivesse sido uma única criança, já teria valido a pena.

Calculamos grosseiramente, que o tempo que as docentes levaram para realizarem tais produções, fora infinitamente menor do que o tempo que utilizaram para pensarem o que fariam, como fariam, e principalmente com qual objetivo fariam, enfim um precioso tempo.

Sobre nossas principais intenções para maio e junho/2020:

Avaliarmos conjuntamente as produções e postagens na fanpage do Facebook, durante este mês de abril e chegamos à conclusão de que urge: planejar uma escola SEM DIST NCIA dos nossos princípios, das nossas concepções, da nossa ética, da equidade, da gratuidade, do que é laico, da inclusão, das Artes, das brincadeiras, da infância, dos vínculos afetivos constituídos como inerentes aos nossos fazeres diários, e constantes em nosso PPP – Projeto Político Pedagógico.

Propiciar para as professoras, formações de caráter reflexivo e dentro de análises críticas do atual momento da Pandemia (vídeo da FEUSP), lives e palestras sobre a temática, que nos auxiliem acerca de como podemos nos situar de forma consciente sobre o papel da escola de Educação Infantil e os fazeres das professoras, durante este período tão atípico.

Elaborar de forma mais ampla e democrática, mais um canal de comunicação gratuito com as famílias, com objetivo de estabelecer um alcance possivelmente maior e mais apropriado para conhecermos de fato quem estaremos atingindo, criação de grupos de Whatsapp, administrados pela Equipe de Apoio e Equipe Gestora.

Estarmos atentos para acolhermos a equipe docente a toda comunidade escolar em suas necessidades, anseios, inquietações, sugestões, formando assim, uma rede de proteção dentro das nossas possibilidades.

Trilha sonora: Miséria – Titãs

Miséria é miséria em qualquer canto

Riquezas são diferentes

Índio, mulato, preto, branco

Miséria é miséria em qualquer canto

Riquezas são diferentes

Miséria é miséria em qualquer canto

Filhos, amigos, amantes, parentes

Riquezas são diferentes

Ninguém sabe falar esperanto

Miséria é miséria em qualquer canto

Todos sabem usar os dentes

Riquezas são diferentes

Miséria é miséria em qualquer canto

Riquezas são diferentes

Miséria é miséria em qualquer canto

Fracos, doentes, aflitos, carentes

Riquezas são diferentes

O Sol não causa mais espanto

Miséria é miséria em qualquer canto

Cores, raças, castas, crenças

Riquezas são diferenças

A morte não causa mais espanto

O Sol não causa mais espanto

A morte não causa mais espanto

O Sol não causa mais espanto

Miséria é miséria em qualquer canto

Riquezas são diferentes

Cores, raças, castas, crenças

Riquezas são diferenças

Índio, mulato, preto, branco

Filhos, amigos, amantes, parentes

Fracos, doentes, aflitos, carentes

Cores, raças, castas, crenças

Em qualquer canto miséria

Riquezas são miséria

Em qualquer canto miséria.

FIM

28 de Abril, 2020
EMEI PADRE NILDO DO AMARAL JUNIOR
EQUIPE GESTORA: Elaine Coutinho, Eloisa Ramires e Hélio Brasileiro

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter

Um mandato popular!

Conheça mais sobre o que nos move!

A dualidade entre o real e o ideal!

A dualidade entre o real e o ideal!

Entenda sobre o descaso da administração pública contra os professores e alunos!

Estamos diante de tantas incertezas que nos causam medo, dúvidas e indignação, por isso, gostaria de iniciar com uma frase de Darcy Ribeiro, antropólogo, escritor e político brasileiro: “só há duas opções nessa vida; se resignar ou se indignar.” E Darcy Ribeiro afirmou que não iria se resignar nunca! Assim como ele, eu também não posso me resignar, uma vez que ao professor é inerente professar! Não posso me omitir neste momento e digo que a nossa categoria, como um todo, está indignada diante deste contexto pelo qual a educação vem sendo submetida!

Como dizia Paulo Freire, “me movo como educador porque, primeiro, me movo como gente!” É como gente que me sinto indignada! – Pelo descaso à educação; – Pela falta de elementos pontuais aos trabalhadores da saúde; – Pelo descaso à população periférica e negra; – Pela mulher e a violência sofrida em silêncio mais do que nunca; – Pela falta de condições para que a população pudesse ficar em isolamento social; Enfim, não nos falta pelo que nos indignarmos! Trago uma afirmação da filósofa húngara Agnes Heller, foi professora de Sociologia na Universidade de Trobe, na Austrália, “Se agimos, somos responsáveis pelo que se realiza através de nossa ação; se nos afastamos da ação, somos responsáveis pelo que não fizemos.” (Carecimentos e valores, em “Para Mudar a Vida: Felicidade, Liberdade e Democracia”, Editora Brasiliense)…. 

A Secretaria Municipal de Educação contraria a OMS

Segundo a Instrução Normativa número 38, publicada pela Secretaria Municipal de Educação em 22/11/2019 sobre as diretrizes para a elaboração do calendário de atividades para o ano letivo de 2020 nas unidades escolares, o período destinado ao recesso escolar seria de 10 a 19/07. Contudo, em março, esse período foi antecipado para 23/03 a 09/04, medida adotada pela Secretaria Municipal de Educação como forma de enfrentamento inicial à pandemia, naquele momento adotar tal medida foi a solução mais simples tomada, que não exigiu esforço por parte da SME. Além de tardia, mostrava o despreparo no trato em relação à Covid 19, pois não foi eficaz, uma vez que sabíamos que não se tratava de uma “gripezinha”.

Sendo assim, o período destinado ao recesso escolar, seria, como de fato foi, insuficiente diante dessa realidade. Tanto que SME se viu na necessidade de publicar instruções normativas, em virtude da manutenção das escolas abertas visando a adequação ao trabalho de gestores e do pessoal do quadro de apoio, forçando-os a cumprirem plantões nas escolas, totalmente na contramão das orientações da Organização Mundial de Saúde, que pedia pelo isolamento social, ignorando os milhares de apelos pelo fechamento das escolas.

Cada vez mais SME apresenta justificativas para manter as escolas em funcionamento, inclusive contrariando sua própria orientação, pois na instrução normativa no 13/2020, no artigo 4o dispõe que não haverá atendimento ao público, e dessa maneira, desrespeita seus profissionais, expondo-os nesse enfrentamento, nas trincheiras pela educação, exercendo para além do nosso papel de educador e da escola enquanto instituição educacional, suprindo mais uma vez as faltas de políticas públicas do governo, e cada vez mais, absorvendo as mazelas sociais nunca tão visíveis e de forma tão escancarada. 

Os servidores públicos devem se orgulhar!

A equipe escolar (quadro de apoio e gestores) mantida como guarda patrimonial, vulneráveis à toda forma de violência social, ou à contaminação quando colocados num trato direto com a população para garantir uma prestação de serviço assistencial que não deveria ser de competência dos profissionais da educação. A naturalização da exclusão pela negação da realidade. Vitor Paro, professor da Faculdade de Educação da USP e grande especialista em gestão democrática, esteve recentemente num bate-papo com o vereador prof. Toninho Vespoli e foi veemente na questão do fechamento das escolas, pontuando duras críticas ao atual governo em relação a forma de gerir e ao sistematizar uma relação vertical, desconsiderando os profissionais envolvidos. 

Nós, servidores públicos, que estamos no atendimento direto à população, devemos nos orgulhar em conseguirmos cumprir com efetividade nossas funções, muitas vezes sem o mínimo necessário nas repartições públicas, mas realizando um serviço eficaz e garantindo ao munícipe um atendimento efetivo. 

É triste saber que a escola pública, tão sucateada, reflexo de anos de abandono, é e talvez seja sempre a única opção à população! Para Vygotsky, psicólogo bielorusso, o homem é um ser que se forma em contato com a sociedade. 

“Na ausência do outro, o homem não se constrói homem”. Sua compreensão é a de que a formação se dá na relação entre o sujeito e a sociedade a seu redor. Assim, o indivíduo modifica o ambiente e este o modifica de volta. 

A EAD ressalta as desigualdades

Numa pandemia, instituir uma EAD, estranha ao processo educacional e esvaziada de sentido, ressalta as desigualdades e as condições insalubres, evidenciando a falta de um ambiente favorável à alfabetização e as experiências cognitivas, culturais, sociais, afetivas e lúdicas diante de um processo histórico nas relações territoriais. Entretanto, quando falamos em educação, é fundamental abordamos as legislações pertinentes.

Recentemente acompanhei uma live com a professora Selma Rocha, prof.a da FEUSP, atuou na SME entre os anos de 1989 a 1992, também fez parte do Conselho Municipal de Educação. Em sua fala, ela resgata a importância dos marcos legais e o direito inalienável à educação, previstos nos artigos 205 e 206 da constituição nacional, a lei 9394/96, nossa LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) e o Plano Nacional de Educação, que institui a educação como um direito de todos e dever do estado e da família dos 04 aos 17 anos, de forma presencial, e a Educação à distância, somente de forma complementar. 

Não há educação sem afeto

O parecer do CNE não caracteriza a educação remota, mas entende que há a necessidade da realização de atividades pedagógicas não presenciais, na tentativa de evitar uma ruptura ou lacuna no processo de aprendizagem, bem como a perda do vínculo com a escola que poderá levar à evasão… Precisamos pontuar a medida provisória 934/2020 que possibilitou a flexibilização do calendário escolar em carácter excepcional ao cumprimento dos 200 dias letivos, mantendo porém a exigência em relação às 800 horas. “Se você acha que educação é cara, experimente a ignorância!” Derek Bok. 

Se educar é impregnar de sentidos, garantir a permanência dos vínculos é fundamental na relação estabelecida entre o professor e seus alunos. Não há processo de aprendizagem sem os sujeitos de direitos exercendo amplamente suas potencialidades e capacidades, favorecidos por um diálogo de possibilidades, carregados de significados sob o olhar sensível do professor, fica ainda mais notório na educação infantil, que se impregna de sentido pelos cheiros, sons, sabores, cores, ao acalanto e toque das mãos dx educador(a)! 

“A primeira ideia que uma criança precisa ter é a da diferença entre o bem e mal. E a principal função do educador é cuidar para que ela não confunda o bem com a passividade e o mal com a atividade.” – Maria Montessori. 

O professor é o mediador de todo esse processo de aprendizagem e não um mero burocrata transmissor de conteúdo. 

Para tanto, há de fato uma importância da documentação pedagógica e o registro como forma fundamental de preservar e legitimar o processo construído, sem no entanto levar a uma burocratização enfadonha de planilhas e relatórios desconexos, sem nenhuma base científica, que nem de longe expressam a sistematização de um trabalho educacional, mas evidencia uma alienação, ainda que imposta, como uma justificativa documental. Mas o retorno à rotina escolar é inevitável… E está aí rondando às nossas portas e insistindo em nos tirar o pouco da preservação e serenidade que nos resta!

Se a educação se faz para além dos muros escolares, e assim entendemos quando acolhemos aos alunos e seus familiares, também precisamos saber como garantir dentro do espaço físico das escolas e de acordo com a sua realidade, como será essa volta. As escolas públicas, em particular as do município, tiveram redução do número de funcionários nas equipes de limpeza, e portanto é evidente que houve uma precarização dos serviços de higienização dos ambientes escolares e de todo o material ali contido, sobrecarregando os funcionários que são responsáveis pela realização do serviço. 

Precisamos pensar nos direitos dos alunos em sua totalidade

Importante destacar que alguns Centros de Educação Unificado, os CEU’s, estão acolhendo moradores em situação de rua em salas de aulas de suas unidades. De fato, tal acolhimento, recebe nosso respeito, mas como farão, diante dessa situação, quando retornarem às aulas? É pontual destacarmos outra questão em relação aos prédios escolares públicos, pois em regra, com raras exceções, a condição da estrutura física requer manutenção urgente e falta espaços externos. Para Paulo Sergio Fochi, professor da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul e especialista em Educação Infantil, precisamos pensar nos direitos das crianças, os alunos em sua totalidade, e de seus familiares na construção deste retorno, o acolhimento e o afeto, a aceitação e adequações às possíveis mudanças nesse retorno, inclusive ao ambiente escolar, participar e compartilhar das decisões, serem orientados e receber as informações necessárias para se sentirem tranquilizados…

Mas quem fará esse processo em relação à nossa equipe escolar, até agora em plantão? Bem como aos professores que também precisam sentir que estão acolhidos, protegidos e saber que sua saúde e sua vida serão preservadas! Escola é um organismo vivo, onde todos devem conhecer as ações desenvolvidas, entender como ocorrem as relações, com criticidade para esse espaço e suas intencionalidades, e assim deveriam comungar das mesmas concepções. Clarice Lispector se referindo à educação: “Ela tem em si água e deserto, povoamento e ermo, fartura e carência, medo e desafio. Tem em si a eloquência e a absurda mudez, o requinte e a rudeza.” 

“Mais vale errar se arrebentando do que poupar-se para nada.” Darcy Ribeiro. 

Deborah Fasanelli

Deborah Fasanelli

Deborah Fasanelli é professora de educação infantil e ensino fundamental; pedagoga e Psicopedagoga Pós graduada em Direito Educacional. Atualmente ocupa o mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter

Um mandato popular!

Conheça mais sobre o que nos move!

Cadáver paga mensalidade?

Cadáver paga mensalidade?

É possível observar que nos últimos dias os jornais foram tomados de notícias sobre protocolos para uma possível volta às aulas em todo o Brasil mesmo numa curva de contágio e mortes causadas pelo vírus covid-19 ascendente e sem vacina ou remédio para tratamento.

Os caminhos sinalizados foram desde a proibição de abraços até túneis de desinfecção (isso num país em que 6,5% das escolas não possui nem banheiros). Mas nada foi tão cruel e pesado como ver campanha de reabertura das escolas particulares para evitar a falência.

É indiscutível a importância de políticas voltadas a micro pequenos e médios empresários, especialmente em tempos de crise. Mas isso de forma alguma pode ter como contrapartida a vida.

Além disso, é uma consideração rasa ao ponto em que no contexto econômico, com salários arrochados, demissão em massa e estagnação financeira em todo o mundo, não é a volta às aulas de forma precipitada que vai garantir a manutenção das matrículas na rede particular.

Quanto vale um filho?

Especular irresponsavelmente sobre a reabertura das unidades escolares sob a justificativa de que os pais precisam de um espaço para deixar os filhos enquanto trabalham já é absurdo, pois desconsidera a criança como um sujeito de direitos e o papel fundamental da Educação.

Por outro lado defender essa reabertura sob a justificativa de manter os proprietários recebendo as mensalidades integralmente das famílias dos estudantes é de crueldade comparável ao fascismo. É genocídio infantil.

Que pai ou mãe ficaria tranquilo em entregar a educação formal dos filhos num local que não o enxerga como uma vida cheia de potencialidade, direitos e sonhos? Que tipo de escola expõe seus educadores ao contágio silencioso e inevitável, fantasiado dos abraços, do contato com as secreções, do espirro inesperado, do consolo ao choro que não quer usar mais a máscara ou daquele sono no colinho?

Sem vacina, sem volta

Muitas das escolas de pequeno e médio porte possuem sua estrutura alçada em casas adaptadas, salas de aula em espaços pequenos e com pouca ventilação.

Além do mais, como garantir afastamento, impedir afeto, garantir o uso e a troca de mascarás, correto manuseio e tantos outros protocolos especulados, durante uma pandemia em que do pouco que se conhece, indica que a maioria das crianças é assintomática. Ou seja, medidas como a aferição de temperatura se tornam ineficazes.

Porém, colocar as crianças como vítimas e vetores para toda a sua rede de relações em nome de lucro não parece ser um preço em que as famílias estejam dispostas a pagar, apesar de autoridades políticas estarem propensas a rifar tantas vidas em defesa de uma estratégia econômica.

Enfim, a reabertura das escolas aumentando a vulnerabilidade, contágio e mortes de nossas crianças e famílias em nome do dinheiro não é uma medida aceitável a quem reste um pouco de humanidade ou sensatez.

Vivian Alves

Vivian Alves

Vivian Alves é filósofa, diretora de escola e ativista pela esucação. Atualmente ocupa o mandado do Vereador Toninho Vespoli.

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin

Um mandato popular!

Conheça mais sobre o que nos move!

A importância do ano letivo ou como estamos fingindo que ele existe.

A importância do ano letivo ou como estamos fingindo que ele existe.

Entenda porque uma geração pode acabar não tendo o ano letivo

Pensem comigo: tenho 199 estudantes em 7 turmas de Ensino Fundamental I, dos quais apenas 29 acessam de forma bem esporádica as atividades da plataforma virtual que insistem em chamar de sala de aula. Agora façamos uma pausa para interpretar os dados. 1, 2, 3… Fez? Eu fiz.

O caderno Trilhas de Aprendizagens foi aparentemente entregue a todas as crianças da minha EMEF. Digo aparentemente porque temos famílias que, na prática, estão desaparecidas. Os endereços cadastrados ou não existem ou estão errados, algumas famílias vivem em comunidades onde os correios não entram e outras, apesar de possuir o endereço cadastrado corretamente, nos informaram que o material nunca chegou.

Imagina os tantos que não poderiam usar EAD?

Aqui na zona norte de São Paulo, não muito longe do bairro de Santana, existem comunidades tão fechadas que o correio não entra, seja pela impossibilidade do terreno ou por não terem autorização da “coordenação” do local. Nestes locais também não entra o respeito e, portanto, o ensino remoto público e gratuito para todos também tem ficado de fora. Cenário muito diferente daquele que deveríamos ter.

Com as portas da escola abertas somos capazes de auxiliar, cuidar e alimentar as crianças. E isso é uma escola, um lugar que integra a vida do ser humano de forma ampla para além da transmissão de conteúdo. Acontece que com a pandemia de COVID-19, as portas estão fechadas para estudantes e educadores, que agora se comunicam virtualmente. Bem, nem todos.

Do trabalho à exaustão

Todos os dias, eu vou dormir exausta dos múltiplos grupos de trabalho e das diversas reuniões virtuais me perguntando se os estudantes ainda estão vivos. Sinto falta da minha pitocada, como costumo chamar minhas crianças cheia de amor e agora com lágrimas nos olhos. Eu não me formei uma transmissora de conteúdo, eu me formei aprendiz da essência educadora. Tive o privilégio de encontrar na minha formação pessoas que me ensinaram a olhar os pequenos humanos para além de sua capacidade técnica. Aprendi que eu não ensino mais do que eles me ensinam e aprendi a criar possibilidades para que os estudantes se expressem com carinho, atenção, respeito e diversamente. E sigo pequena, muito menor que eles, ainda aprendendo com muito orgulho de ser professora da rede pública o que significa a prática educativa.

Desde que o ensino remoto emergencial teve início, estamos nos desdobrando para conseguir transmitir de alguma forma tudo o que acreditamos ser um ensino de qualidade. Todas as orientações didáticas, componentes curriculares, matrizes de saber, ODS, etc. precisaram ser condensadas em cliques, vídeos no youtube, adaptação da linguagem, reuniões e mais reuniões para descobrir como ensinar sem compreender a tecnologia necessária e sabendo muito bem que a maioria dos estudantes não a possuem. Temos feito tudo que está em nosso poder para que todos os estudantes entrem na plataforma virtual: ligações, mensagens nas mídias sociais, vídeos explicativos, comunicados, recados via moradores do bairro e, até agora, 29 de 199 crianças.

Tudo foi feito às pressas. Não tivemos tempo de entender como seria a nossa vida na quarentena, não nos foi dado o direito ao planejamento, não fomos consultados em nada e as normativas ainda estavam sendo construídas enquanto já tinham nos imposto a nova maneira de dar aula. Estamos enlouquecendo para nos apropriar de uma linguagem que está anos-luz distante da ideal para a educação. É ultrajante que o sistema educacional seja [des]construído desta maneira, mesmo que em caráter emergencial.

jogados ao mar, sem colete salva vidas

As equipes de professores, gestores e apoio pedagógico foram jogadas num barco sem remos em meio ao mar agitado. Nossas crianças sem coletes em pequenos botes individuais. Algumas sabem nadar, outras não. A situação é desesperadora e de alto risco, pra dizer o mínimo. E quem nos guia? Para onde vamos? Com qual intuito? Chegaremos em terra firme e o governo nos receberá dizendo que fizeram a parte deles. Mas a verdade é que não sabemos quantos grandes ou pequenos humanos conseguirão chegar e nem quando. Este é o propósito de manter um ano letivo virtual e praticamente imaginário?

Ensino não se faz à distância. Ponto. Num momento tão importante da formação humana, jogamos as ferramentas e alguns poucos materiais na mão dos pequenos e dizemos “construam uma casa forte!”. Que raio de educação é essa? Não é nosso papel ajudar a construir esta casa? Que autonomia têm as crianças para dar conta de um formato
atropelado de “sala de aula” que nem nós fomos ensinados a viver? Que nosso trabalho é essencial eu não tenho dúvidas, mas ele é essencial agora, quando pessoas passam fome e morrem sem os cuidados adequados, sem leitos de UTI, sem água para lavar as mãos? Qual é a prioridade: manter um canal afetivo de cuidado ou fingir que as aulas estão funcionando? Para quem? Para quantos? Onde está o para todos se apenas 29 de 199 crianças conseguem acessar a plataforma? Devemos considerar o ano letivo inválido para as 170 restantes?

Minha pitocada, os pequenos humanos, estão na fase da descoberta do corpo, dos sentidos, do espaço e do outro, fase única e importantíssima para o desenvolvimento motor, da individualidade, do coletivo e do afetivo além daquele proporcionado pela família. As construções nesta fase são a base do que futuramente será o indivíduo, portanto, o ensino remoto, apesar de emergencial, não é capaz de atender nenhuma das necessidades básicas da educação e não está chegando nem ao mínimo aceitável de estudantes atualmente.

Não liberam os auxílios

Enquanto os números de contágio e óbito só aumentam e o auxílio emergencial federal fica retido em mais um ato fascista de crueldade, não é dever de prefeituras e estados amparar o máximo de pessoas possível como as famílias em comunidades fechadas ou as que vivem em casas de palafita? Vidas seguem perdidas! Roubadas! É hora de guardar luto, cuidar dos próximos, socorrer os aflitos! E ao invés de dar um suporte afetivo, alimentar, salarial e igualitário a TODOS estudantes da cidade de São Paulo, estamos aqui trabalhando por um ano letivo que já deveria estar suspenso e nos perguntando: estão vivos? Os meus 170 pitocos que não entraram na sala de aula virtual estão vivos? Têm comida? Passam frio?

As contradições permanecem. Do lado de lá, discursos sobre o “respeito à democracia e à saúde” e, do lado de cá as crianças desamparadas, gestores e equipe de apoio correndo risco ou morrendo por serem forçados a cumprir a função de seguranças do patrimônio e professores sobrecarregados num trabalho remoto que não atende a todos. Pela televisão, os planos de reabertura são anunciados. Enquanto isso, mais uma criança perde a vida para o descaso público mascarado na subnotificação dos óbitos. Um pequeno humano que não vai voltar para escola quando a reabertura se der de fato. Mas, por enquanto, seguimos postando as atividades no sistema. É mais uma tragédia
escancarada na cidade de São Paulo.

*Marília Moreno é professora da PMSP e escritora indignada com o passado, presente e
futuro do ensino público nacional.

Marília Moreno

Marília Moreno

Marília Moreno é professora da PMSP e escritora indignada com o passado, presente e futuro do ensino público nacional.

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin

Um mandato popular!

Conheça mais sobre o que nos move!

Carta à Professora Lusia

Aluno faz carta em homenagem à professora Lusia, morta pela COVID-19. Estudante Marcos Vieira Gonçalves da Silva é do 7° ano de escola municipal em São Paulo

Bonitinhos, mas não inofensivos: os empresários e a educação como negócio

Como as organizações de educação geridas por grandes empresários entendem a pandemia como oportunidade de mercado  

COVID-19: Quais medidas para proteger a educação?

COVID-19: Quais medidas para proteger a educação?

Volumes são direcionados à comunidade escolar, famílias e agentes locais e outro a tomadores de decisão

 

A Campanha Nacional pelo Direito à Educação e a plataforma Cada Criança lançam dois guias hoje, 23/03, sobre educação e proteção no contexto da pandemia de COVID-19 (coronavírus). O objetivo é oferecer um compilado de informações checadas, comprovadas e acessíveis sobre como cidadãos ligados à educação podem agir, cobrar, e trabalhar pela proteção de todos de maneira colaborativa; e também, da parte de atores do poder público, garantir os direitos de nossas crianças e adolescentes em situação de emergência.

Ao direcionar recomendações à toda comunidade escolar, famílias e profissionais da proteção da criança e do adolescente, bem como aos tomadores de decisão do poder público, os documentos buscam dialogar com duas frentes centrais para o enfrentamento efetivo da pandemia.

O volume 1 se chama “Educação e Proteção de crianças e adolescentes – Comunidade escolar, família e profissionais da educação e proteção da criança e do adolescente”. Acesse aqui.

O volume 2 se chama “Educação e Proteção de crianças e adolescentes – Tomadores de decisão do poder público em todas as esferas federativas”. Acesse aqui.

Mais detidamente, vale descrever os temas e pontos principais de cada volume.

Descrição do volume 1:

o guia é destinado a comunidade escolar (professores, diretores e profissionais da educação), família (mães, pais, responsáveis, tias, tios, primas, primos, avós, irmãs e irmãos mais velhos) e assistentes sociais e demais profissionais da proteção da criança e do adolescente. Entre seus conteúdos, o leitor pode encontrar orientações que explicam, por exemplo:

– Por que fechar as escolas devido ao necessário isolamento social, e os efeitos disso à população;

– A situação no Brasil e no Mundo sobre a suspensão de aulas em números e mapas;

– O que fazer diante do problema geral: saber formas de pressionar por mais recursos para as áreas de saúde, assistência, segurança alimentar e educação, e seguir medidas preventivas indicadas pelas autoridades públicas;

– O que fazer quanto a uma escola que ainda não fechou;

– Por que a educação a distância (EaD), se for considerada atividade regular e contada nos dias letivos, deve ampliar as desigualdades educacionais e sociais?

– Como reivindicar providências a realização de atividades complementares virtualmente e a flexibilização do cumprimento dos 200 dias letivos;

– Dicas do que fazer com as crianças e os adolescentes em casa;

– O que fazer para exigir o direito à alimentação escolar;

– Como proteger a sua saúde e a das crianças e adolescentes;

– O que fazer para proteger crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade,
riscos ou violências em casa.

Descrição do volume 2:

volume 2 por sua vez, foi produzido para orientar tomadores de decisão do poder público e apresentar possibilidades de financiamento, garantia de direitos, suspensão das aulas e ao Ensino a Distância. Além de alguns dos temas do volume 1, são abordados neste volume:

– A necessidade de suspensão da Emenda Constitucional 95/2016 (Teto de Gastos). Com a EC 95, não se pode garantir saúde e educação, pois há três anos existe a redução de financiamento nessas áreas, fragilizando a capacidade do Estado em dar respostas adequadas a emergências como a do coronavírus;

– A recomendação da criação de um Fundo de Emergência em Defesa do Trabalho e Renda. Propõe condições para oferecer uma renda básica de emergência mensal, baseando-se na iniciativa de entidades que aderem ao rendabasica.org.br ;

– Recomenda o fechamento imediato das escolas, para conter a rápida propagação do coronavírus, seguindo as orientações do Ministério da Saúde;

– Para reorganizar os calendários escolares em função da suspensão de aulas, o guia recomenda que, com base na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), o calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais, inclusive climáticas e econômicas, a critério do respectivo sistema de ensino, sem com isso reduzir o número de horas letivas. O guia também indica que a LDB não vincula ano letivo a ano civil, ou seja, independentemente do ano civil, o ano letivo regular tem, no mínimo, duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo;

– O documento ainda ressalta que, na tomada de decisões, haja participação de toda a comunidade escolar: famílias, estudantes, profissionais da educação, em conjunto com os órgãos regulamentadores e as Secretarias de Educação;

– O que fazer enquanto durar a suspensão das aulas. Exemplo: além da distribuição de kits de alimentação, também é possível encontrar municípios que incluíram kit com itens básicos de limpeza e proteção, como forma de incentivar os cuidados com a higiene pessoal no âmbito do espaço familiar;

– Oferece sugestões para proteger a população em maior situação de vulnerabilidade: crianças e adolescentes em situação de rua, em situação de pobreza, violência, áreas de risco, negras, entre outras.

A Campanha Nacional pelo Direito à Educação e a plataforma Cada Criança/100 Milhões (“Livres, seguras e com direito à educação”) agradecem às dezenas de voluntários ligados à Rede da Campanha – destacados nos volumes – que contribuíram para a produção dos guias.

Daniel Cara

Daniel Cara

Daniel Tojeira Cara é um cientista político e político brasileiro filiado ao PSOL. É membro do Conselho Universitário da Universidade Federal de São Paulo. Foi laureado com o Prêmio Darcy Ribeiro em 2015, entregue pela Câmara dos Deputados.

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin

Um mandato popular!

Conheça mais sobre o que nos move!

[ADIADO] Ocupa Vila: Feira na Zona Leste quer Promover Cultura da Região

Ocupa Vila: Feira na Zona Leste quer Promover Cultura da Região

Atualização: Seguindo as medidas preventivas frente ao Coronavírus, a 1ª Edição do Ocupa Vila será adiada e uma nova data será divulgada em breve.

Você tem que sair do bairro que você mora e ir pro centro só pra fazer um rolê daora? Equipamentos culturais e de lazer nas periferias são poucos, e os que existem estão abandonados.

A Ocupa Vila é uma rede para se compartilhar na quebrada, seja a voz, o trabalho manual, o grafite… A gente quer dividir a vivência de quem produz arte, cultura e conhecimento na Zona Leste. Temos cantores, atrizes, trancistas, pintores, poetas, jovens sonhadores que se expressam para dizer “a gente também existe”. 

O evento que seria realizado no último domingo do mês de março (29/03) terá a data adiada. Estima-se que no mês de maio, a Rua Doutor Camilo Haddad estará aberta para atividades, assim como o Espaço Cultural Toninho Vespoli que fica no endereço.  

Fortaleça o trampo de quem é da mesma vila que você e participe do nosso primeiro evento.

PROGRAMAÇÃO:

SHOWS

 

 

 

 

 

 

 

10h:  DJ Master Mion

11h: Dj Master Mion / Código do Gueto

12h: Mro/ G.Ã.O

13h: JahPam

15h: Sub Zero/ Ud Brock

16h: Batalha de Rap 

17h: Spy & JHOW

WORKSHOPS

10h30 – Oficina de Cartoon com Eduardo Grillo

13h – Oficina de Upcycling – customizando roupas, com Gabriela e Maricléia (Brechó Bem Te Quer)

14h: Aula de dança com Renato do Coletivo Na Humilde Samba Rock

 

 

 

 

 

 

PALESTRAS

 

 

 

 

13h – Mitos sobre a Saúde da Mulher com 

15h30 – Desmitificando o Candomblé, com Elaine e Rubia do Axé Batistini














Para não esquecer

SERVIÇO: 

Ocupa Vila – feira cultural

Data: Previsto para o mês de maio

ENTRADA FRANCA 

Espaço Cultural e Político Toninho Vespoli

Rua Doutor Camilo Haddad, nº 420 – Parque São Lucas 

ORGANIZADORES











 

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin

Um mandato popular!

Conheça mais sobre o que nos move!

Faça parte da nossa rede