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E quando invadirem Brasília?!

E quando invadirem Brasília?!

Entenda porque a invasão do Congresso estadunidense pode por a democracia brasileira em jogo

Como todos sabem, esse dia 6 de janeiro terroristas armados invadiram o Congresso dos Estados Unidos. O objetivo era dar um golpe no país, e tornar Donald Trump, derrotado nas urnas, um ditador. Os terroristas – até agora – não tiveram sucesso. É provável que as instituições do país sejam, ao menos, suficientes para impedir algum desastre dessa magnitude. Mas preocupa bastante pensar que o Bolsonaro se espelha no Trump. Em 2022, quando Bolsonaro perder as eleições presidenciais, há risco real de ele tentar fazer o mesmo. Mas aqui ele contaria com apoio de milícias ligadas ao tráfico de drogas, além de grandes partes das polícias militares. E quando invadirem Brasília?! O risco de um golpe é real! não podemos abaixar a guarda e deixar para agir só em 2022! Bolsonaro precisa ser afastado. E isso precisa ser feito rápido!

Os terroristas dos Estados Unidos estavam armados, e preparados para a guerra. Foi um milagre terem morrido apenas 4 pessoas. Os manifestantes chegaram a tentar ameaçar e agredir deputados da oposição (além do próprio vice presidente de Trump, o Mike Pence). De dentro do salão em que ocorrem as votações do Congresso, seguranças chegaram a usar mesa para barrar a entrada na porta, enquanto se preparavam para reagir em caso dos terroristas armados a arrombarem. A intenção do protesto era clara: negar os resultados das últimas eleições e tornar Trump um ditador. Grande é o contraste com as manifestações pacíficas e organizadas da esquerda. No caso da direita, vários manifestantes estavam armados. O objetivo não era pressionar os políticos, mas ameaça-los de morte. Apenas porque não gostaram dos resultados das eleições, que revelaram Trump como o perdedor.

Trump incitou os terroristas!

Minutos antes da invasão acontecer, Trump fez discursos incitando os manifestantes. “Vocês têm que mostrar força e têm que ser fortes. Viemos exigir que o Congresso faça a coisa certa e conte apenas os eleitores que ‘votaram legalmente. Que votaram legalmente’ (sic.) Eu sei que todos aqui logo estarão marchando para o edifício do Capitólio” Para além do tom agressivo, é importante atenção ao contexto: Trump passou as semanas anteriores negando os resultados das eleições presidenciais, dizendo que ele teria ganho e que, na verdade, deveria ser o presidente. Obviamente é tudo mentira. E no contexto as mentiras escalaram para uma marcha violenta com o objetivo de fazer de Trump um ditador!

Tradução do tweet: "é isso que acontece quando eleições sagradas, ganhas de lavada, são arrancadas de grandes patriotas que foram tão mal e injustamente tratados por tanto tempo. vão para casa com amor e paz. Lembrem-se desse dia para sempre!"

Mesmo sem superestimar o valor da “democracia” liberal-burguesa que reina nos Estados Unidos, o evento é preocupante por si só. Há, ao menos em teoria (mesmo que na prática de forma bastante limitada) um pressuposto de que as instituições do país devam ser controladas pelo povo. Um ditador assumir seria o fim dos poucos aspectos democráticos no país, e teria consequências políticas e econômicas globais.

No Brasil o caso é ainda mais grave!

Mas o Brasil tem algo mais a temer: a saúde de suas próprias instituições democráticas. E quando invadirem Brasília?! Não é segredo algum que Bolsonaro gostaria de dar um golpe e assumir como ditador. Já afirmou, em mais de uma ocasião, ser favorável a um golpe e admirador da ditadora militar brasileira. Também não há dúvidas de que Bolsonaro se espelhe nas ações de Donald Trump (o seu ídolo). Bolsonaro chegou a bater continência à bandeira dos Estados Unidos, em forma, na verdade, de homenagem a Trump.

Mas aqui a situação seria ainda mais grave que nos EUA. E quando invadirem Brasília?! Não apenas nossas instituições democráticas são ainda mais frágeis que as de lá, como aqui o Bolsonaro já conta com apoio expresso de milícias armadas, muitas delas ligadas ao tráfico de drogas armas e pessoas. Mais que isso, Bolsonaro conta com o apoio do exército e das polícias militares do Brasil. Mobilizações recentes de sua base no Congresso para diminuir o controle civil das polícias militares podem ser vistas como preparo dele para um golpe em 2022.

Nós não podemos nos dar ao luxo de esperar até lá! Não podemos ficar quietos enquanto um fascista conspira um golpe contra o povo, a república, a democracia e a justiça! É importante agirmos agora! O caminho que devemos tomar é prosseguir com o impeachment de Bolsonaro o quanto antes, e cortar logo a cabeça da cobra do fascismo! Se não agirmos rápido, 2022 pode se tornar 1964!

As opiniões presentes no texto não necessariamente refletem as opiniões do Vereador Toninho Vespoli

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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Apoio a Baleia ou candidatura própria, uma falsa polêmica

Apoio a Baleia ou candidatura própria, uma falsa polêmica

Entenda porque nem Baleia nem Lira estão do lado do povo

Desde a eleição de Bolsonaro, a principal discussão dos progressistas no país é a composição de frentes amplas para derrotar o bolsonarismo. Essa discussão, tem se tornado um tema tão central no debate que é comum vermos os ditos analistas levantarem a bola de Doria, Moro, Huck, Mandetta e Maia como nomes ilibados para unirem o país contra o bolsonarismo.

Essa conversa vem crescendo como uma bola de neve e levado muita gente a acreditar que esse é o único caminho para 2022. O fim das eleições municipais de 2020 e o quadro de crescimento ou queda dos partidos colocou mais lenha nessa fogueira, mas nada se compara com a eleição para presidente da Câmara Federal que acontecerá em 1º de fevereiro.

A eleição pra presidência da Câmara dos deputados se tornou um ensaio para a eleição da presidência da república em 2022, e o que fica nítido é que querem empurrar uma escolha entre a direita fascista e a direita liberal e relegar a esquerda ou centro esquerda um papel de coadjuvante de todo esse processo.

Maia, uma falsa oposição a Bolsonaro

A afirmação desse intertítulo deve ser o que nos norteia. De fato, que oposição Rodrigo Maia fez a Bolsonaro? E podemos ir além, Doria, Moro, Huck e Mandetta, que estiveram no palanque bolsonarista até um dia desses que oposição fizeram, efetivamente, a esse governo?

Maia votou e aprovou todos os projetos de desmonte do Estado propostos por Bolsonaro, sem vergonha ou constrangimento tocou o projeto bolsonarista com orgulho. Agora, no apagar das luzes de seu mandato de presidente, banca o opositor fazendo críticas no twitter e xingando o presidente. Maia e Bolsonaro são dois lados de uma mesma moeda. A moeda do neoliberalismo entreguista, que ataca direitos sociais e os mais pobres para beneficiar os poderosos empresários.

Lira e Baleia, farinhas do mesmo saco

O deputado Arthur Lira é o candidato de Bolsonaro, porém, é Baleia Rossi, candidato de Maia quem mais votou favoravelmente aos projetos encaminhados por Bolsonaro a Câmara dos Deputados. Querem impor as esquerdas um candidato que sequer defendeu os interesses do povo contra as medidas do presidente nesses últimos dois anos de mandato.

De acordo com um levantamento feito pela consultoria ArkoAdvice, em 2019 Baleia votou a favor do governo em 90,24% das votações e contra em 9,75%. No mesmo ano, Lira votou a favor em 86,29% das vezes e contra em 13,70% das ocasiões. Portanto podemos cravar categoricamente: não há distinção entre Lira e Baleia. Maia sabe disso e apresenta Baleia como seu sucessor numa tentativa de constranger as esquerdas e dar o tom da eleição de 2022.

O que a esquerda deveria fazer? 

Essa é a pergunta do século, e não vale apenas para esse momento, mas diante do cenário nacional e internacional, essa é a pergunta que deve virar o mantra da esquerda: O que devemos fazer?

Antes de mais nada admitir que há uma tentativa de silenciamento e escanteamento do nosso campo por parte da grande mídia e dos liberais e neoliberais. Esses tentam fazer parecer que a culpa do estado bizarro de coisas que vivemos no país é da esquerda e, portanto, apenas eles ou uma aliança ampla e global pode salvar o país.

Não assumem que Bolsonaro e essa política de desmonte do Estado é fruto das ações de todos esses que agora bancam de salvadores da pátria. Temos que denunciar o genocídio de Bolsonaro, mas temos que igualmente denunciar Doria, Moro, Huck, Mandetta e Maia. Temos que denunciar o Estadão e seus colunistas que dias antes da eleição apregoavam o editorial: Uma escolha difícil.

É nosso papel enquanto esquerda permanecer aglutinando militantes e movimentos sociais na defesa da construção de um outro projeto político. Que caminhe ao lado da luta parlamentar, mas que entenda que o jogo de cena do Congresso Nacional é uma falsa dicotomia. Nem Lira e nem Baleia defenderão os interesses do povo quando isso for posto em pauta. Ambos defenderão o grande capital e seu representante.

A esquerda deveria defender outro projeto!

Por isso é necessário que a esquerda ocupe o espaço da candidatura a presidência da mesa diretora da Câmara dos Deputados e dialogue com a população para dizer o que ela defende. Sabemos que o voto para presidente das Casas Legislativas não é direto, são os parlamentares eleitos que elegem, entre seus pares, quem conduzirá o trabalho daquela instituição. Porém, ao ocupar um espaço entre as candidaturas postas, a esquerda conseguirá mais uma vez mostrar que defende um outro projeto.

A despeito disso, é necessário ressaltar que a eleição para a Câmara dos Deputados acontece em dois turnos, portanto ainda que, por hora, não tenhamos uma candidatura competitiva e com possibilidade de vitória, a eleição será decidida apenas no segundo turno, momento sim que podemos apoiar ou dar o voto crítico ao candidato que representa uma oposição maior ao bolsonarismo.

A esquerda deve apresentar o seu candidato, mostrar a sua cara o seu programa. Debater pra dentro e pra fora do parlamento a importância de frearmos o bolsonarismo, mas não para cair no canto da sereia do liberal moderado e sim, para caminharmos para um outro projeto social de país.

Toninho Vespoli

Toninho Vespoli

Toninho Vespoli é Professor e Vereador pelo PSOL em São Paulo.

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QUEM CANCELA QUEM? JONES MANOEL E EDUARDO SUPLICY ESTÃO SOPRANDO NO VENTO

QUEM CANCELA QUEM? JONES MANOEL E EDUARDO SUPLICY ESTÃO SOPRANDO NO VENTO

Adicione o texto do seu título aqui

Durante o ano de 2020 tivemos super bate-papos com pessoas inspiradoras que nos tocaram com ensinamentos e reflexões sobre cultura, politica, esportes e sociedade em geral. Depois de cada conversa sempre foi muito difícil segurar a pena e registrar um tanto daquilo que nos entregaram de tão bom grado, por culpa da rotina que consome o tempo e impede um texto possível transmitir a altura o recado.

Esse artigo se inspira dentre tantas trocas de ideias em duas que vieram mais ao final do ano; uma com o Ver. Eduardo Suplicy e outra com Jones Manoel. Duas personalidades que à primeira vista cheios de diferenças e até antagônicos – quando mal compreendidos nas distorções que se produzem ao olhar menos atento – Mas, mentes e corações que se tocam no ideal de uma sociedade mais justa e solidaria e na radicalidade de fazê-la real, já, agora, sem subterfúgios, sem rodeios e sem tramas de bastidores. E eles estão soprando esperança nos ouvidos de quem queira ouvir e escutar de verdade, sem medo do tão cancelado contraditório, essencial ao bom debate.

Faz parte de qualquer processo político a luta pela hegemonia de uma corrente, de um partido ou de um conjunto de ideias. Mente ou se equivoca grosseiramente quem nega isso. Ou é profundamente ignorante sobre as lutas políticas que são travadas no interior de movimentos sociais, partidos, sindicatos, ou seja, lá o que for. E, é claro, há diversas estratégias parra atingir tais finalidades. Com as quais podemos ou não concordar.

Não acho nada demais que a um ano e meio da eleição de 2022 partidos, candidatos e movimentos façam seus jogos, coloquem suas cartas na mesa e façam suas apostas. Isso é da democracia e do jogo democrático.

O que me preocupa, não obstante, é a luta feroz pelo protagonismo no interior do movimento progressista, onde partidos, grupos e indivíduos parecem não fazer distinção entre adversários e inimigos de classe. Entre as diferentes estratégias dentro desse campo, não percebendo ou não querendo perceber as diferenças entre os socialistas que divergem das suas estratégias e dos agentes parasitas e venais da classe dominante. Pior. Às vezes, para destruir – ou “cancelar” – o outro lado, aliam-se até mesmo aos inimigos de classe. Lembremos que Lula, às vésperas de ser injustamente encarcerado, abraçou Renan Calheiros e criticou publicamente o PSOL. Ou de algumas figuras do PSOL, que acreditaram nas “jornadas de 2013” ou saudaram o lavajatismo.

Quem duvida e quiser vivenciar a estupidez política no seu estado mais primitivo, proponho consultar as páginas nas redes sociais daquelas seitas minúsculas que acusam todo mundo, a não ser eles próprios, os iluminados da revolução, de alimentarem tendências pequenos burgueses a serviço da direita. Ou pior, equiparar todos à direita mais retrógrada. Mas esse mal não assola apenas grupúsculos sem importância. Infelizmente.

Num jogo mais alto, ou seja, na primeira divisão da política eleitoral, temos os partidários de Ciro Gomes, que tentam impor a todos o seu candidato, proclamado como “a melhor opção progressista”. Para quem, cara pálida? Ou a guerrilha surda (e cega!) entre o PT e o PSOL, que parecia ter sido abandonada ou abrandada nas eleições de 2020. E vamos falar sério: em todos os campos há gente demais alimentando essas disputas. Inclusive – principalmente! – na tal centro-direita, que adoraria lançar um candidato “de centro”, de união nacional, apoiado pelos progressistas de estimação. E que estilhaçasse a esquerda socialista

Aí entramos na conhecida seara do vale-tudo. Jogo perigoso no qual o grão tucanato mergulhou desde 2014 e o resultado foi, não um governo formado pelas aves de rica plumagem, mas o triunfo da confraria dos abutres milicianos e fascistas. Que a direita faça isso não é surpresa. Mesmo a direita gourmet que agora faz ligeira mea culpa por “não perceber” – Ingênua essa gente! – o perigo que o milico fascista e sua corja representavam para o país. Como já disse antes, não espero nada daqueles que sempre foram privilegiados e não fazem nada além de preservar seus privilégios ancestrais. Mas sempre se espera mais daqueles que almejam por mudanças.

É engraçado como ativistas que discutem ideias, das quais se pode obviamente discordar, como Jones Manoel, da noite para o dia, passaram a ser atacados, tanto pelas seitas de extrema esquerda quanto pela “esquerda institucional”, aquela que se empolgou com a Operação Lava a Jato e a imolação do PT e de Lula. Ou seja, a credulidade num cafajeste midiático como Moro é perdoável, mas não a discussão franca de ideias e conceitos acerca das estratégias socialistas!

Não sou nenhum ingênuo e tenho certeza de que nem “todas as ideias” possuem o mesmo valor! Racismo, homofobia, machismo e ideais fascistas devem ser mesmo combatidos. Até mesmo com uso da força, sempre que necessário. Ou alguém acha que fascistas estão abertos ao diálogo? Mas não deveríamos dialogar mais no campo da esquerda? Não deveríamos debater nossas táticas e estratégias para derrotar o fascismo ao invés da imposição pela fo0rça da ofensa, da infâmia, da calúnia e do cancelamento burro daqueles que divergem de nós dentro do mesmo campo? A resposta, meu amigo, como diria Bob Dylan – e Eduardo Suplicy – está soprando no vento.

E o mais duro saber é que ela está soprando, assim, com aquele hálito fétido da corja miliciana, bem distante do suplicyano aviso sincero e corajoso de quem nunca fugiu a luta.

Texto publicado originalmente em https://sbpconection.blogspot.com/2021/01/o-que-sopra-no-vento-ou-quem-cancela.html 

As opiniões presentes no texto não necessariamente refletem as opiniões do Vereador Toninho Vespoli

Benedito Carlos dos Santos

Benedito Carlos dos Santos

Benê Santos (Benedito Carlos dos Santos), paulistano do Imirim, professor de História, corintiano e socialista. Da equipe do programa Super Bate-papo da rádio Comunitária Cantareira e membro do Coletivo Caminho Luminoso.

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