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Alta do preço dos combustíveis também compromete bolso de quem não tem automóvel

Transporte público

Entenda o porquê do aumento do valor dos combustíveis derivados de petróleo e como os mais pobres serão impactados

Desespero. Logo que a Petrobras anunciou mais um abusivo aumento na última quinta-feira (10), os brasileiros correram para os postos de gasolina para encher o tanque com o que restou de combustível mais barato.

Risco de desabastecimento. Depois do episódio, lideranças dos caminhoneiros, envolvidas na paralisação de 2018, passaram a falar em outra greve. Dessa vez, não há apoio institucional e financeiro de empresários do agronegócio ou de transportadoras. Mas o temor é que o governo use suas bases na categoria para elevar o caos em meio ao ano de eleição.

Inflação

Levante. Se os caminhoneiros não se levantarem, no próximo mês, quando forem às compras, os outros trabalhadores irão.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) calcula o salário mínimo necessário com base no custo mensal com alimentação. Em fevereiro, ele chegou a R$ 6.012,18, enquanto o salário mínimo estipulado por Bolsonaro permanece em R$ 1.212,00.

O aumento dos combustíveis foi o que mais pressionou a inflação acumulada nos últimos 12 meses, representando 33,33% do peso dos aumentos de preços. Segundo os economistas, o último reajuste deve pesar entre 0,5 e 0,6 ponto porcentual na inflação oficial.

Nada será igual. Considerando o conflito na Ucrânia, e os boicotes à economia russa, esse não será o último aumento de preços que iremos passar. Junto com a destruição das políticas de soberania alimentar, como bancos de alimentos, operada pelo ministério de Paulo Guedes, isso significa que os supermercados vão precisar gastar mais com segurança.

Supermercado Dia tranca carne

Essa loja de rede de supermercados Dia, por exemplo, resolveu que iria trancar o freezer como geralmente fazem com os itens de luxo. A tática de entregar embalagens vazias, para que o cliente só receba a mercadoria após o pagamento, também está virando algo comum.

Transporte público

A máfia do transporte sempre quer mais. A ANTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Públicos), que reúne empresários de ônibus urbanos e metropolitanos do país todo, reagiu ao último aumento do óleo diesel, cobrando soluções rápidas do governo federal.

Segundo os cálculos da entidade patronal, o reajuste de 24,9% do óleo diesel nas distribuidoras reverterá em um impacto médio de 7,5% no custo das empresas operadoras de transporte coletivo.

A nível federal, já existe um projeto de lei (PL 4392/2021) em tramitação no Congresso que oferece um subsídio de R$ 5 bilhões às empresas de ônibus a fim de manter a gratuidade dos idosos no transporte.

Em São Paulo, o Prefeito Ricardo Nunes estava esperando o dinheiro, dizendo que seguraria o aumento da tarifa nos transportes se o PL fosse aprovado. Verdade? Como tudo que envolve máfia, as coisas não são tão explícitas assim.
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) tem fortes críticas a esse projeto. “Não apresenta critérios de qualidade para o serviço, nem formas de medir o impacto do recurso nas cidades”, declara o instituto em carta aos parlamentares.

Para o coordenador do Programa de Mobilidade Urbana do Idec, Rafael Calabria, esperar mais dinheiro para as empresas de ônibus, em São Paulo, faz muito menos sentido ainda do que em outros municípios.

“É tudo intransparente, o setor é uma bagunça.” Calabria argumenta que apesar da dificuldade em acessar os cálculos pouco transparentes das empresas, sabe-se que o aumento dos combustíveis não é tão impactante nos custos quanto foi a queda na demanda de passageiros durante a pandemia.

E nesta frente, eles já são ressarcidos. “Os contratos com a Prefeitura levam em conta passageiros transportados.” diz Calabria. Existem regras de remuneração que, na prática, fazem com que a Prefeitura dê mais dinheiro caso a quantidade de usuários caia. No final do ano passado, o repasse chegou a R$ 2,5 bilhões. Enquanto a SPTrans projeta R$ 3,3 bilhões para esse ano.

De acordo com um estudo realizado em 2011 pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), aumentos tarifários no transporte público urbano, sem melhora na renda familiar, tem como consequência a queda de demanda entre os usuários do serviço, principalmente os de baixa renda.

Entenda porque o preço do combustível aumenta

Entenda porque o preço do combustível varia

Entenda 5 motivos porque o preço do combustível aumenta

Agora, durante o que pode ser o auge da segunda onda do coronavírus, o preço da gasolina e diesel nos postos volta a aumentar. Este aumento já causou mobilizações e protestos no passado, por exemplo a paralisação dos caminhoneiros. Na realidade, a estrutura de preços da Petrobrás, atualmente praticada, traz uma situação de preço variável e pouco controlável. Entenda porque o preço do combustível só aumenta:

1) Apesar do Brasil ser autossuficiente em petróleo, parte considerável do nosso combustível é importada

O Brasil possui petróleo o suficiente para, em teoria, suprir todas as necessidades de sua população. Apesar disso, o Brasil escolhe não refinar todo o seu petróleo, e importar os subprodutos do refinamento por preços maiores. O Brasil poderia construir mais refinarias e diminuir a necessidade de comprar combustíveis mais caros do exterior. Isto poderia contribuir para uma diminuição dos preços nas bombas.

2) O preço do petróleo brasileiro varia de acordo com os preços internacionais

O Brasil escolheu vincular o preço do petróleo nacional a flutuações do câmbio estrangeiro. Isso significa que se por razões, pouco relacionadas com a política nacional (crises em outros países, guerras, decisões dos carteis do petróleo etc) o preço do petróleo comercializado mudar, a mudança ocorre também no preço do petróleo dentro do Brasil. Esta vinculação, em essência, prioriza mais a exportação do petróleo do que o seu uso para consumo interno.

3) Não temos infraestrutura de distribuição eficiente

Combustíveis, por serem em regra líquidos ou gasosos, podem ser distribuídos a preços baixos através de óleodutos e gasodutos. São basicamente sistemas de canulação parecido com os que distribuem água nas casas, mas usados para transportar combustíveis. O Brasil, no entanto, não investe nesta infraestrutura, utilizando, ao invés, estradas e caminhões. O transporte em estradas é mais caro, pois além de necessitar da contratação de mão de obra e equipamento, gasta combustível no próprio transporte.

4) Os tributos, de fato, são altos. Principalmente os estaduais

Existem impostos sobre combustíveis em todas as esferas de governo (federal, estadual e municipal). Mas a maior alíquota é a estadual. Segundo a Petrobrás o ICMS (imposto de natureza estadual) corresponde a cerca de 29% do preço final da gasolina, e 15% do preço final do óleo diesel.

5) A Petrobrás não controla os preços sozinha.

É importante compreender que, apesar das decisões da empresa Petrobrás impactarem diretamente os preços dos combustíveis, ela não é responsável exclusiva pelas variações. impostos (federais e locais), além de políticas de preços entre postos também contribuem para variações de preço. Por fim, a Petrobrás é uma empresa de capital aberto na qual investidores, inclusive internacionais, possuem grande poder de decisão. Do ponto de vista dos investidores, é mais interessante um modelo de extração voltado mais para a exportação do que para o uso interno, pois os lucros acabam sendo maiores.

Esperamos que com estas informações quem leia entenda porque o preço do combustível varia tanto no Brasil.

As opiniões presentes no texto não necessariamente refletem as opiniões do Vereador Toninho Vespoli

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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