Grupo CCR

Adeus trem e metrô; olá privatizações

Trabalhador e Via Mobilidade

O que está acontecendo nas Linhas 8 e 9 pode ser um sinal do destino dos transportes sobre trilhos se as privatizações continuarem.

Quem usa os trens das Linhas 8 – Diamante e 9 – Esmeralda deve ter percebido. As falhas nos trens estão aumentando desde o início do ano. Em meio à pandemia, os trabalhadores se acostumaram a tratar os protocolos sanitários como mera formalidade quando enfrentam as aglomerações no transporte público. Mas isso é elevado à última potência nessas linhas.

Segundo levantamento da TV Globo, em 2022 foram registradas 25 falhas no funcionamento dos trens. Dessas, oito são apenas da Linha 9, a campeã em falhas. Incluindo duas grandes paralisações, quando é preciso acionar o sistema PAESE (Plano de Atendimento entre Empresas de Transporte em Situação de Emergência), e abarrotar todos em diferentes ônibus para que os passageiros completem a viagem.   

Quem são os novos responsáveis pelas Linhas 8 e 9?

Tudo isso porque a partir de janeiro a concessionária Via Mobilidade assumiu integralmente a operação das linhas 8 e 9. A Via Mobilidade é controlada majoritariamente pelo Grupo CCR, mais conhecido por administrar 3,955 km de rodovias brasileiras.

O Grupo nasceu no final dos anos 90 com a unificação de ações de grandes grupos nacionais no ramo da infraestrutura: Grupo Andrade Gutierrez, Grupo Camargo Corrêa e Grupo Soares Penido. E deste então, próximo do poder público, vem construindo um histórico de não-cumprimento dos contratos e investigações inacabadas de esquema de propinas.

Mesmo assim, em abril do ano passado, o governador João Doria resolveu que o grupo seria o vencedor do leilão de concessão das Linhas 8 e 9, com uma oferta de R$ 980 milhões por 30 anos.

Porta aberta do lado oposto na Estação Lapa

Falhas graves: do usuário ao cliente

Não é por falta de experiência. Antes de pegar essas linhas, o Grupo CCR já operava as Linhas 4 – Amarela e 5 – Lilás (e ainda espera o monotrilho na Linha 17 – Ouro). Mas o desafio das Linhas 8 e 9 é completamente diferente. Não é uma “vitrine” de privatização, digamos assim.

São 78,6 km de trilhos operacionais para gerenciar. Mais do que o dobro da soma das Linhas 4 e 5. Com o agravante de que os trilhos atravessam em sua maioria áreas densamente urbanizadas, aumentando a necessidade de fiscalização e manutenção.

E os sinais já aparecem. Nas redes sociais não faltam relatos de trens que param nas estações sem abrir portas, ou até mesmo, que abrem as portas do lado oposto expondo os usuários a acidentes com trens vindo no sentido contrário!

Na madrugada da última quinta-feira (10), um funcionário da Via Mobilidade morreu em um “acidente” durante atividade de manutenção de rotina na Linha 9. Detalhes do acidente não foram informados.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de São Paulo, o grupo CCR contratou maquinistas que não passaram por um treinamento de longo período. “Foram apenas orientados e não preparados, o que demandaria mais tempo.” lê-se no informativo do sindicato. Quando não contratam funcionários cedidos pela CPTM, em uma relação perversa entre ente privado e público, também denunciada pelo sindicato.

O quadro geral da situação mostra mais uma vez os obstáculos inevitáveis das privatizações. A empresa privada quer lucro, o quanto mais, o mais rápido possível. Por isso cria um equilíbrio precário entre o mínimo funcionamento do serviço e seu máximo pagamento: investe pouco, não capacita os funcionários, nem os valoriza. A voz dos alto-falantes das estações já passaram a se referir aos usuários dos trens como clientes.

Breno Queiroz

Breno Queiroz

Graduando em jornalismo e estagiário no mandato popular e periférico do professor Toninho Vespoli.

Para além de combater a Covid, vamos combater o neoliberalismo

Faça parte da nossa rede

Quer ser um embaixador virutual e ajudar a educacão salvar vidas na cidade?
Venha conosco, inscreva-se e ajude a espalhar a campanha do Professor Toninho