meio ambiente

Naturalmente a chuva cai do céu; socialmente ela escorre pela terra

Parasita

Os desastres naturais que assolam a Bahia e Minas-Gerais nesse verão, são tão naturais como sociais.

Quem já assistiu o melhor filme de 2020, Parasita, tem plena noção dos diferentes impactos na vida do rico e do pobre frente a um fenômeno natural. Enquanto seus patrões, morando na parte alta da cidade em bairro planejado e arborizado, agradecem a chuva por amenizar a poluição; Kim, o protagonista que mora com a família em um apartamento subterrâneo, tem que ir ao trabalho mesmo tendo perdido tudo com a enchente.

O que sentimos assistindo essa cena é próximo do que sentimos na última semana do ano passado, quando o presidente do país estava dando suas “fugidas de jet ski”, ao mesmo tempo em que o sul da Bahia se afogava. As chuvas de verão, como fenômeno natural, são para todos — não importa a classe. Mas são nossos desígnios sociais que escolhem quem irá arcar com os prejuízos.

E não podemos nos enganar: ficará pior daqui para frente. Segundo a Organização Meteorológica Mundial, em virtude das mudanças climáticas, eventos extremos estão — e se tornarão — ainda mais frequentes e letais.

Estado de alerta

A Defesa Civil do estado da Bahia contabilizou 850 mil pessoas atingidas pelos temporais. Dessas, 26 mil estão desabrigadas, ou seja perderam totalmente suas casas. E mais de 61 mil estão desalojadas, sem saber quando poderão voltar ao seu lar.

Pelas contas da Defesa Civil mineira, até a última segunda-feira (10), o estado tinha 13.734 desalojadas e 3.409 desabrigadas, enquanto 145 municípios permanecem em estado de alerta. Como outro motivo de preocupação — e evidência de que existe sim quem culpar pelo clima — há diversas barragens, de hidrelétricas e de rejeito de mineração, em iminência de rompimento ou transbordamento.

O município de Itatiaiuçu por exemplo, à 70 km de Belo Horizonte, está sob a ameaça do rompimento de barragens das siderúrgicas ArcelorMittal e Usiminas, com as comunidades de Lagoa das Flores e Vieiras isoladas, sem rota de fuga, por conta da inundação da área.

Ecologia e jardinagem

É preciso superar a noção de que não há controle sobre o clima, ou então de que toda a humanidade é responsável pela “vingança da natureza”. Só um olhar mais abrangente consegue identificar os verdadeiros culpados. Parafraseando o seringueiro, militante ambiental e sindicalista Chico Mendes:

“Ecologia sem luta de classe é jardinagem.”

Foi a classe burguesa que colocou os bens naturais em esgotamento. Foi ela quem colocou — e ainda coloca sempre que tem chance — os lucros acima do bem comum. E suas tentativas de reparação de cima para baixo são inócuas.

Uma bilionária como Luiza Trajano fazer doações de produtos Magalu para os desabrigados da Bahia, no valor aproximado de R$ 1,6 milhões, parece muita bondade. Mas se lembrarmos que seu patrimônio é de R$ 27 bilhões, isso seria o equivalente a um trabalhador que ganha um salário mínimo doar 6 centavos.

É hora de apresentar além dos culpados, um novo sistema produtivo. Um que substitua a exploração predatória incentivada pelo lucro, pelo extrativismo incentivado pela necessidade coletiva organizada e planejada democraticamente.

Não vamos combater o fogo com mais fogo, vamos combater com água; não vamos combater o capitalismo com outro tipo de capitalismo, vamos combater com ecossocialismo.

Breno Queiroz

Breno Queiroz

Graduando em jornalismo e estagiário no mandato popular e periférico do professor Toninho Vespoli.

Ações para o meio ambiente paulistano que não podem esperar

Conferência P+L

Saiba o acúmulo das discussões na XX Conferência P+L, e os projetos que estão prontos para entrarem em prática.

Ao término dessa 20ª Conferência de Produção Mais Limpa e Mudanças Climáticas da Cidade de São Paulo nos sentimos mais uma vez realizados por termos compartilhado com todos vocês momentos de aprendizado e conhecimento sob um tema que faz parte das grandes preocupações mundiais, as mudanças climáticas.

A cidade de São Paulo já sofre os impactos da Emergência Climática. A frequência e a intensidade dos eventos climáticos extremos é cada vez maior na cidade com longos períodos de estiagem, aumento da frequência e da intensidade das chuvas e um aquecimento climático médio acima de 3ºC.

Precisamos nos unir e nos fortalecer propondo diretrizes e estratégias para tornar São Paulo menos vulnerável e mais resiliente às mudanças climáticas, cobrando o cumprimento das leis existentes, as quais muitas vem sendo descumpridas, sobretudo a Lei de Mudanças Climáticas e a redução das emissões de GEE.

No que diz respeito a mobilidade ativa, vamos continuar lutando para estabelecer percentuais mínimos de investimentos dos recursos municipais para mobilidade ativa e transporte coletivo. Na cidade, segundo a Pesquisa Origem e Destino 2017 do Metrô de São Paulo, mais de 70% das viagens diárias são feitas por meio de mobilidade ativa ou coletiva. Isso significa que o uso por uma grande parte da população requer que investimentos em segurança viária e melhoria do trânsito priorizem essas formas de deslocamentos.

Para tal, vamos lutar pela aprovação do PL  352/2021 , de autoria da vereadora Renata Falzoni e coautoria minha, que destina parte dos recursos provenientes da exploração do Sistema de Estacionamento Rotativo Zonal Azul ao Sistema Cicloviário do Município de São Paulo.

Além disso, ressalto que temos que continuar cobrando e denunciando o atraso na implementação da Lei nº 16802/18 sobre mudança da matriz energética dos ônibus na cidade de São Paulo e metas de redução de emissões de gases de efeito estufa na cidade. Segundo pesquisa do ISS feita em 2019 na qual uma das autoras é a Evangelina (palestrante), a poluição decorrente do diesel causará 13 mil mortes até 2025 na Região Metropolitana de São Paulo, ou seja, 1.741 mortes anuais evitáveis, 5 diárias, a um custo em perda de produtividade de R$ 6 bilhões.

Quanto a rede hídrica ambiental da cidade, vamos trabalhar para aprovação da PL 719/2021, de minha autoria, que dispõe sobre o cadastramento, monitoramento, proteção, conservação e recuperação das nascentes existentes no município de São Paulo. Quando um rio é poluído ou degradado, mas se suas nascentes estão preservadas, há boas chances de recuperação de todo corpo hídrico. Por outro lado, se as nascentes forem destruídas, pouco se pode fazer. Dessa maneira, temos que trabalhar para tornar a rede hídrica um dos elementos estruturadores do ordenamento, territorial e de resiliência das águas urbanas na revisão do PDE.

Finalmente, faço outro destaque importante que é a continuidade da nossa incansável cobrança de providências do Poder Público em ações de defesa do meio ambiente, tais como:

  • Conter o desmatamento dos remanescentes de Mata Atlântica do Município com recursos humanos e materiais para garantir uma fiscalização adequada;
  • Aprovar a Política Municipal de Fortalecimento Ambiental e Cultural de Terras Indígenas cujo objetivo é garantir e promover a proteção, a recuperação, a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais das Terras Indígenas que incidem no município de São Paulo(PL Nº 181/2016), que também sou coator;
  • Criar o Parque Ecológico YARY TY (CEYTY) e o Memorial da Cultura Guarani no Jaraguá (29/2020) do vereador Gilberto Natalini.
  • Revisar o PDE 2014 com ampla participação popular que recupere seus objetivos sociais e de sustentabilidade ambiental.

Tenho certeza de que com essas políticas públicas, juntos construiremos uma cidade mais sustentável, justa e inclusiva e adaptada para enfrentar as mudanças climáticas.

Veja as apresentações

Nenhuma terra a menos!

Saiba porque a sua ajuda é importante para ajudar os povos das florestas

Ontem, dia 24 de junho, foi aprovado o desastroso projeto de lei 490/2007. O projeto, criado por ruralistas, reduz reservas indígenas e as abre para a ação de hidrelétricas e garimpos. Em luta contra o projeto, há dias povos originários protestam em Brasília e por todo o Brasil. Em São Paulo, os povos do pico do Jaraguá, da zona Norte da cidade, passaram o dia de hoje protestando no quilômetro 21 da rodovia dos Bandeirantes. A luta é fundamental, e o apoio de todos também. Temos que lutar! Nenhuma terra a menos!

O europeu é o invasor. A princípio, tudo deveria ser do nativo. Mas o homem branco adentrou mata a dentro com armas, germes e aço em estupro esplêndido. A grande maioria dos povos foram dizimados. Os que restaram foram, em muitos casos, expulsos de suas terras para as cidades grandes, ou confinados em reservas cercadas de ruralistas e garimpeiros.

A situação é menos que justa. Depois de séculos de exploração tudo o que os nativos pedem é o direito de cuidar das florestas brasileiras. Os nativos são os maiores defensores das florestas, e um dos principais responsáveis pela Amazônia ainda estar em pé. Mas para os ruralistas e garimpeiros isso é um “mau negócio”. Preferem destruir, poluir e desmatar tudo o que vêem pela frente. O lucro capitalista fala mais alto.

Foram esses os interesses escusos que trouxeram o PL 490/2007. O projeto, cujo o relator é o ruralista Arthur Maia (DEM/BA), determina que somente serão válidas terras indígenas declaradas até 1988. Amém disso torna o congresso (e não mais o executivo) responsável pela demarcação de novas terras, e ainda abre a possibilidade de atividades ruralistas, de mineração (incluindo o garimpo), estradas e mesmo hidrelétricas serem instaladas nas poucas reservas indígenas.

Em suma, o projeto reduz as reservas, dificulta que novas sejam criadas, e faz que as restantes possam ser ameaçadas por atividades predatórias. Não podemos aceitar isso! Juntos aos nativos precisamos lutar por nenhuma terra a menos!

Em resposta a tantos absurdos, a comunidade nativo brasileira reagiu. Organizou protestos em todo o Brasil contra a aprovação do projeto de lei. Entre as iniciativas, uma das mais marcantes é o acampamento indígena em Brasília, na Praça dos Três Poderes, próximo ao Congresso Nacional. Cerca de 500 nativos acampam, há 15 dias, em barracas no local.

Apesar dos esforços dos nativos, o Projeto de Lei foi aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). A grande mídia burguesa, e mesmo partes de movimentos sociais, estão sendo omissos aos esforços dos povos nativos. Enquanto falamos, milhares de indígenas ao redor do Brasil arriscam suas vidas em protestos contra o projeto de lei aprovado. Além de serem alvos fáceis para a polícia, são ainda vítimas de garimpeiros que querem silenciá-los. Eles precisam da sua ajuda! Por isso é importante que cada leitor se mantenha informado. Pesquise sobre as aldeias locais que estejam se organizando e, se possível, esteja presente em solidariedade.

Em São Paulo, os povos do pico do Jaraguá, da zona Norte da cidade, protestaram no quilômetro 21 da rodovia dos Bandeirantes. Eles estão lutando, como sempre lutaram, pelas suas casas e pela Mãe Terra. Ajude você também! Preste solidariedade, visite as aldeias de sua cidade e conheça as lideranças. Seja humilde e pergunte como você pode ajudar. Sem o empenho de cada um, eles perderão suas casas. E o Brasil e o mundo podem perder a Amazônia. Somente juntos

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Sobre o PL das antenas…

SOBRE O PL DAS ANTENAS…

Saiba um pouco sobre os “jacarés” do PL das antenas!

Está para ser votado o PL 347/221 na Câmara Municipal de São Paulo. O projeto visa facilitar a instalação de Estações Rádio Base, em essência, antenas de celular. Sem dúvida, o cerne da proposta é positivo, haja vista que grandes áreas de São Paulo possuem internet móvel de baixa qualidade. No entanto, a permissividade para a construção de antenas prevista no Projeto, e a falta de clareza quanto a incentivos para a construção das antenas em periferias, suscitam algumas queixas razoáveis.

A começar, o Projeto de Lei não é claro quanto aos incentivos necessários para garantir a construção de antenas na periferia. O texto, de fato, diz, em seu artigo 25, que para cada antena construída em áreas não prioritárias, deverá ser construída outra em áreas prioritárias. No entanto, faz pouco caso para definir o que seriam as “áreas prioritárias”. Em entrevista dada na Câmara Municipal de São Paulo, o Secretário Municipal de Urbanismo e Licenciamento, Cezar Azevedo, deu a entender que estas determinações ficariam a cargo do executivo, e seriam resolvidas “por decreto”. Oras, sendo a prefeitura tão comprometida com os interesses de grandes empresas, e às vezes tão relapsa quanto aos interesses do povo, torna-se difícil de se assinar tal cheque em branco.

O PSOL, a fim de sanar esta lacuna, propôs uma emenda que garante, de forma mais enfática, a instalação de antenas em áreas prioritárias, e estabelece critérios técnicos para a suas definições, com base em pesquisas e audiências públicas.

Outro ponto curioso, é um valor ínfimo para as multas de empresas de telecomunicação que descumprirem as normas previstas em lei: 10 mil reais. Sendo que falamos de empresas bilionárias que devem mais de 46 milhões de reais ao município de São Paulo! Este valor tem que ser revisto!

Ainda em sentido similar, a lei é pouco clara quanto a barreiras para a instalação de antenas por empresas que devam ao município. Quando questionado sobre isso, o Secretário foi ambíguo quanto aos requerimentos legais. Deu, genericamente, a entender que a questão poderia ser mais bem definida pela Secretaria, ou seja, basicamente disse “deixa quieto que a gente resolve”.

O PSOL sugeriu uma emenda deixando explícito que, para a concessão de direito de construção, as empresas teriam que, primeiro, sanar suas dívidas com o município. Os valores das multas pagas, deverão, pela emenda, ir para o Fundo Municipal de Inclusão Digital, a fim de fomentar políticas públicas capazes de garantir o acesso à internet a todos.

Outro ponto particularmente polêmico do projeto, diz respeito ao uso de ocupação do solo. Ocorre que antenas não são, pela legislação, consideradas “construções”, e sim “equipamentos”. Isso significa que as normas de construção e de uso do solo seriam diferentes. Mas diferentes, como? Poderia uma antena ser construída em zona urbana em que prédios altos não são permitidos? Se sim, quantas antenas na região? Tornaria-se toda a cidade de São Paulo um mar de antenas? E quanto a normas ambientais? As antenas, mesmo as mais modernas, necessitam de uma base de concreto sólida no chão. Normas contra a impermeabilização em construções seriam ignoradas nos “equipamentos”? Pelo texto atual, seriam. O Artigo 4º explicitamente isenta as antenas de terem de respeitar as quotas ambientais! Queremos mais antenas, mas o preço disso não pode ser mais alagamentos! Uma solução estudada pelo PSOL seria determinar a instalação de hortas urbanas nas bases das antenas (ao invés de cimenta-las).

Ainda mais, poderia, por exemplo, um “prédio” de escritórios, mas em que o projeto previsse a construção de uma antena no topo ser considerado um “equipamento” e, assim, responder a legislação diferente? Se houver ambiguidade, não é difícil de perceber como as imobiliárias poderiam usar de “jeitinhos” para, na prática, burlar a lei.

No mesmo sentido, antenas, pelo texto do projeto, poderiam ser colocadas em prédios já construídos. Em que locais estas antenas poderiam ser “penduradas”? Diferente de outras cidades que aprovaram projetos parecidos, como Porto Alegre, Rio de Janeiro e Santo André; o PL de São Paulo não prevê normas urbanísticas mínimas a serem respeitadas. Ainda mais, estes prédios com antenas “deixariam de ser” construção para se tornarem “equipamentos”? A resposta do Secretário a estes questionamentos foi bastante preocupante. Ele chegou a afirmar que “os detentores das antenas deverão ingressar com um novo pedido na Secretaria para a análise e regularização destas antenas, uma vez que a interpretação destes equipamentos deixa de ser construção e passa a ser equipamentos“.

Dependendo da interpretação da fala, o caso abriria um precedente preigoso! Poderiam prédios irregulares, devendo dinheiro ao município, e descumprindo normas ambientais e de segurança, ter o regime de construção modificado em novo alvará? Se sim, isso representaria, na prática, a anistia de prédios irregulares em São Paulo pela simples instalação de uma antena! E, pelo texto atual, ainda podendo passar a desrespeitar normas de uso do solo!

Certamente, haverão regras para estes alvarás de “equipamentos”. Mas quando questionado quais seriam estas regras o Secretário afirmou que seriam definidas, você adivinhou, por decretos! É difícil de confiar que estes “decretos” seriam responsáveis o bastante com a cidade de São Paulo.

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Até Joe Biden critica Bolsonaro

Até Joe Biden critica Bolsonaro

Entenda como a direita está destruindo o meio ambiente!

Um juiz carioca teve o bom senso necessário para suspender decisão de Ricardo Salles que acabaria com proteção de manguezais. É uma vitória, mesmo que pequena. Mas não deixa de ser impressionante e ultrajante pensar que uma medida como a de Salles fosse proposta para começo de conversa. E ainda pelo Ministro do Meio Ambiente, que deveria zelar pela natureza. A medida barrada acabaria com uma série de normas de proteção ambiental no manguezal, justamente no momento em que o mangue pega fogo! A gestão do meio ambiente tem sido tão absurda que até Joe Biden critica Bolsonaro! O candidato favorito para a presidência dos EUA, criticou gestão ambiental do Governo. Essa triste tendência a desrespeito ambiental tem se verificado em todas as agremiações de direita. O próprio Bruno Covas fez nada ou quase nada pela natureza em São Paulo.

A medida que Salles queria enfiar goela abaixo do Brasil extinguia dois dispositivos de proteção ambiental do Ministério do Meio Ambiente. As medidas tinham o papel fundamental de delimitar Áreas de Proteção Permanente (APPs) no manguezal. Especialistas em gestão ambiental dizem que estas são as únicas normas que dão proteção efetiva para os manguezais brasileiros. Ricardo Salles queria mesmo, como admitido em conversas vazadas, passar a boiada em normas de proteção ambiental brasileiras! Felizmente, advogados conseguiram barrar a decisão entrando na justiça.

O que acontece com os mangues é bem parecido com o que aconteceu na Amazônia em ___ deste ano: incêndios criminosos, ao que tudo indica iniciados por latifundiários ruralistas, ameaçam, dessa vez, o manguezal, um dos biomas mais ameaçados do Brasil, berço de vida e fundamental para o equilíbrio ambiental! Houve até quem previu que fumaça tóxica chegaria em São Paulo como resultado dos incêndios! Felizmente, isso não correu.

Biden critica gestão ambiental de Bolsonaro

A tentativa da gestão bolsonorista de destruir a natureza brasileira está dando o que falar até no exterior. Até Joe Biden critica Bolsonaro. Recentemente Biden ofereceu participar de esforço internacional para garantir verba de 20 bilhões de dólares pela preservação da Amazônia. Esse tipo de resposta é inédita, e fruto do descaso total de Bolsonaro com a situação ambiental do país. Ter esse valor oferecido deveria ser encarado como um atestado de incompetência. O próprio Brasil deveria ser capaz, por conta própria, de garantir uma proteção eficiente à nossa Mãe Natureza!

Ao invés de aproveitar a situação para fazer um mea culpa da catástrofe ambiental em seu governo, Bolsonaro preferiu, mais uma vez, insistir em teorias da conspiração. Para ele, a proposta de verba, não tem nada haver com a preocupação de destruição iminente da vida na Terra como consequência possível do aquecimento global. Para ele estaria certo destruir a Amazônia para criar soja e gado, e errado se preocupar com as consequências a longo prazo. E qualquer um que pense de forma diferente tem que estar interessado apenas em deslegitimar seu governo. Não à toa, várias denúncias já foram feitas na própria ONU acusando Bolsonaro de “ecocído”, crime contra a humanidade em que danos ambientais arriscam matar grandes números de pessoa.

Ninguém está elogiando os EUA

Não cabe aqui, também, querer achar que os EUA são bonzinhos nessa história. O país, logo na frente da China, é o maior poluidor do mundo, e tem feito muito pouco para reduzir suas queimas de combustíveis fósseis. Além disso, justamente por ser o país mais rico do mundo, é o que está em posição mais confortável para fazer as reformas necessárias. Um mínimo de malícia é, também, necessário: existem riquezas nos biomas brasileiros de valor comercial inestimável!

Até hoje, o Brasil preferiu destruir tudo para criar gado e soja (vendendo, diga-se de passagem, principalmente para os EUA e para a China). É plausível pensar que outros países possam se interessar nessas riquezas desperdiçadas. Mas a única razão para o Brasil estar nessa posição, para começo de conversa, é justamente devido à gestão ecocida de Bolsonaro. Não haveria porque o exterior oferecer essa ajuda se a gente fizesse nosso trabalho direito! De certa forma, a devastação de Bolsonaro está dando a Amazônia em uma bandeja de prata para outros países, oferecendo a narrativa perfeita de luta pela preservação ambiental! Criando situação em que até Joe Biden critica Bolsonaro. Permitindo que mesmo o futuro líder de um país com um péssimo histórico ambiental como os EUA, sejam críticos à gestão ambiental do Brasil!

Em São Paulo, o padrão se repete

Além dos desastres federais aqui em São Paulo, a preocupação com questões ambientais também é quase nula! Por exemplo, a gestão dele está querendo acabar com os muros verdes na cidade. Os muros verdes, na verdade, não seriam, por princípio, a melhor forma de compensar as emissões de gases do efeito estufa em São Paulo. Os corredores eram para ser medida de compensação ambiental de empresa construtora, que havia destruído 800 árvores na cidade. O corredor verde foi a medida “estilo Vila Madalena” que o, então refeito João Doria, aprovou para compensar essa destruição. Diversos especialistas na época falaram que o melhor seria, simplesmente, obrigar essa empresa a plantar árvores, pois os corredores verdes não são eficientes no sequestro de gás carbônico.

Apesar de não ser a melhor medida, pelo menos seria alguma coisa. Só que não. A construtora simplesmente se recusou a implementar e prover a manutenção dos corredores verdes. O abacaxi caiu no colo da prefeitura. Ao invés de obrigar a empresa cumprir com o compromisso, a gestão Covas assumiu os gastos… Até o dia em que nem isso ela quis mais fazer. Agora o tucanato quer extinguir completamente os corredores, em descaso total com o meio ambiente em São Paulo.

E as matas ciliares também são destruídas!

Não foi o único caso de descaso de Bruno Covas. O prefeito também desde que entrou se recusa a se preocupar com as matas ciliares de São Paulo; matas nas beiradas de rios, fundamentais para garantir o equilíbrio hídrico na cidade. Essas matas tem sido destruídas há bastante tempo, mas Covas não faz nada! Mesmo com vereadores na casa denunciando a destruição! Gilberto Natalini, por exemplo, é um vereador que denuncia a questão há anos! O Professor Vereador Toninho Vespoli é um dos poucos que fez coro a essas reclamações. Até agora, a devastação continua!

Seja na esfera federal, seja na esfera municipal, a direita está destruindo o meio ambiente! Não podemos deixar que continue assim! É preciso agirmos com força por uma revolução solidária capaz de colocar a natureza acima dos lucros!

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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Reflexões do Grupo JUPIC (S. Paulo Apóstolo IV Centenário) sobre o Cuidado com a Casa Comum

São Paulo, 17 de setembro de 2020

O Homem é a mais insana das espécies. Adora um Deus invisível e mata a natureza visível

Sem perceber que a Natureza que ele mata é o Deus invisível que adora.
Hubert Reeves

Nós, integrante do Grupo JUPIC (Justiça, Paz e Integridade da Criação), da Paróquia São Paulo Apóstolo, Região Belém, reunidos em 14 de setembro de 2020, rezando e refletindo sobre as queimadas ilegais e o desmatamento, a realidade dos povos indígenas e outras agressões as nossa Mãe Terra, resolvemos externar a nossa indignação e soltar o nosso grito de SOS, por meio deste documento.

Estamos vivendo de 01/09 a 04/10 o Tempo da Criação, onde somos convidados a refletir que todos somos filhos e filhas da Terra. Mais ainda, como humanos, somos a própria Terra em seu momento de sentimento, de pensamento, de amor e de veneração, e, portanto, temos o compromisso de Cuidar da Casa Comum com responsabilidade, pois tudo está interligado!

Mas, infelizmente, nos colocamos na contramão deste compromisso e estamos colocando em risco não somente as vidas futuras, mas todas as formas da vida presente. Nos alerta a Carta Encíclica Laudato Si, 8: “Quando os seres humanos destroem a biodiversidade na criação de Deus; quando os seres humanos comprometem a integridade da terra e contribuem para a mudança climática, desnudando a terra das suas florestas naturais ou destruindo as suas zonas úmidas; quando os seres humanos contaminam as águas, o solo, o ar tudo isso é pecado. Porque, um crime contra a natureza, é um crime contra nós mesmos e um pecado contra Deus”.

“Estas situações provocam gemidos da irmã terra, que se unem aos gemidos dos abandonados do mundo, como um lamento que reclama de nós outro rumo. Nunca maltratamos e ferimos a nossa casa comum como nos últimos dois séculos”. LS 6

No Brasil vivemos um total descaso com o cuidado da Casa Comum. Tem aumentado demasiadamente o desmatamento, nossa casa está pegando fogo, em função de tantas queimadas criminosas. Quantos pássaros não poderão mais voar? Quantos animais não poderão mais correr, pular? Quantos peixes não poderão mais nadar? Quanta água contaminada? Quantos indígenas assassinados e sem a floresta? Quantos ribeirinhos sem trabalho? Quantos pessoas sem qualidade de vida? Quanto ar poluído? Quanta fauna e flora destruída?

Lamentamos e denunciamos o silêncio cumplice governamental. A omissão deste governo com a preservação do meio ambiente incentiva a queimada e o desmatamento ilegais. O sangue corre em suas mãos, como correu na mão de Caim que matou Abel. Gen, 4,10. É preocupante quando o centro não é a vida, mas o mercado pautado no lucro a qualquer custo. E em nome do lucro se mata, se vende, se cala, se corrompe, não se implementam políticas públicas, não se homologa a terra dos povos originários, não se faz a Reforma Agrária, e muitos ficam impunes diante de tantas atrocidades cometidas. Até quando o dinheiro estará acima da vida?

Queremos outra Economia, outra de verdade, radicalmente alternativa, não simplesmente de “reformas econômicas”. A Outra Economia não pode ser somente econômica. Há de ser integral, ecológica, intercultural, a serviço do Bem Viver, na construção da plenitude humana, desmontando a estrutura econômica atual que está exclusivamente a serviços do mercado total, homicida de pessoas, genocida de povos, destruidora da Casa Comum.

Quando morrer a utopia, quando morrer a utopia, toda canção, toda paixão, morrerão.
Quando morrer a utopia, quando morrer a utopia, terra e céu, tombarão.
Quem cuidará das estrelas, quem velará pelas flores, no coração em nosso chão? Quando morrer a utopia?

Conclamamos a tua solidariedade para que na solidariedade universal possamos resguardar todas as formas de Vida.

Exigimos da esfera governamental atitudes concretas que possam barrar os crimes ambientais e medidas emergenciais, com o uso de todos os recursos necessários para apagar os incêndios que destroem, neste momento, a Floresta Amazônica, o Pantanal e outros biomas brasileiros.

Exigimos dos demais poderes da república e das forças políticas, religiosas e sociais deste país posicionamentos firmes que levem as autoridades públicas a extrapolarem o normal e fazerem o extraordinário, para alterar o atual quadro de morte de nossa fauna, flora e dos povos indígenas.

Solicitamos de cada cidadão e irmão cristão a atitude de encaminhar este documento aos parlamentares, autoridades públicas e religiosas que possam interferir para a mudança do cenário atual.

“Nossa Senhora de todas as dores! Lava em tuas lagrimas a fumaça que nos sufoca e liberta o voo que nos roubaram! Que não nos anestesiem para que encaremos, lúcidos, o atiçador do irmão fogo”

 

Abraços fraternos !

______________
Padre Norbert H. C. Foerster

______________
Liz Mari da Silva Marques

 

____________
Flariston Francisco da Silva

JUPIC - Paróquia São Paulo Apóstolo -  IV Centenário

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