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100 dias de governo Lula: o que aconteceu?

Posse governo Lula

Depois da eleição mais suja desde a redemocratização, uma transição com bloqueio de estradas e acampamentos em frente aos quartéis, o novo governo do Presidente Lula chega aos 100 dias tendo vencido nos seus primeiros oito, uma tentativa de golpe de Estado.

Na opinião popular medida pelo Datafolha, nos três primeiros meses de governo, Lula só perde para si mesmo, durante seus primeiros mandatos. O Governo Lula 3 conta com 38% de ótimo e bom, empatado tecnicamente com FHC 1 (39%), e atrás de Lula 1 (43%) e Lula 2 (48%).

Apesar disso, a instabilidade e a sombra da extrema direita não foram deixadas para trás. A tensão nas relações com as forças armadas já foi muito pior, com um agravamento após a tentativa de golpe (8 de janeiro), que evidenciou total omissão por parte do exército. O episódio fez com que Lula tomasse algumas medidas, como a substituição de militares em cargos de confiança, incluindo o Comandante do Exército.

Ou seja, apesar desse novo rearranjo, sabemos que é forte o sentimento bolsonarista nas diversas alas das Forças, resultado de quatro anos onde o país foi mergulhado em uma crise moral sem precedentes após a redemocratização.

Na política econômica, mais preocupação. Roberto Campos Neto e a cúpula do Banco Central asfixiam a economia brasileira e encurtam a margem de investimento do governo, mantendo a alta taxa de juros.

Há que se avançar ainda mais no combate! Comemoremos, por exemplo, que na disputa com Campos Neto, 80% dos entrevistados pelo Datafolha afirmam que Lula age bem ao pressionar pela queda de juros. 

A desgraça causada pelo garimpo nas terras Yanomami, com anuência e influência explícita dos militares, teve sua reversão como prioridade do governo. Segundo pesquisa do Datafolha, 73% dos brasileiros são contrários ao garimpo em terras indígenas.

Afora isso, os muros de contenção do lulismo foram reerguidos:

  • Bolsa família bate recorde histórico de investimento;
  • Minha Casa Minha Vida foi retomado com investimento de R$ 590,5 milhões; e
  • A volta do Mais Médicos será feita com o desembolso de R$ 712 milhões só em 2023.

Todos são programas que a mídia hegemônica chama com pesar de “reciclados”, mas que fazem o apoio ao campo popular não retroceder mesmo sob forte influência da extrema direita.

O quadro geral convoca o governo a continuar acertando naquilo que até os eleitores de Bolsonaro concordam.Queda dos juros, investimento em educação e saúde, e melhora das condições de vida da classe trabalhadora. É isso que irá acabar empurrando para cada vez mais longe os inimigos da democracia.

Educação, um capítulo à parte

O governo decidiu ouvir os professores e os estudantes e optou por suspender tanto a implementação do Novo Ensino Médio quanto as alterações previstas no Enem 2024, que adequaria a prova ao novo formato.

Também houve incremento no orçamento. O valor médio repassado para merenda escolar, que não tinha reajuste desde 2017, teve finalmente uma reposição inflacionária. Jair Bolsonaro tinha vetado o reajuste, mantendo o valor em R$ 4 bilhões.

Os valores das bolsas de pesquisa, que estavam travados desde 2013, também ganharam recomposição. Uma conquista importante que terá forte impacto na economia e na soberania científica do país.

Bolsonaro é um fascista e Doria é um hipócrita!

Bolsonaro é um fascista e Doria é um hipócrita!

Entenda porque Doria agora se fantasia de "democrata"

Bolsonaro está tentando dar um golpe! Isso não segredo. O desfile de blindados em Brasília foi sua última tentativa. Felizmente, dessa vez, o tiro saiu pela culatra. Bolsonaro esperava um apoio no exército sem respaldo na realidade. Mas Bolsonaro agora organiza mais uma tentativa de golpe no dia 7 de setembro. Para isso, busca apoio entre grupos armados mais perigosos e fanáticos que o próprio exército: as milícias carioca e os policiais militares. Sobre o último grupo, a coisa tem saído bastante do controle. Neste dia 22, o comandante geral Aleksander Lacerda da PM/SP convocou suas tropas para a tentativa de golpe do dia 7. O Doria deu de se fingir de democrata. Afastou o comandante fingindo não ter se grudado na imagem do Bozo pra se eleger. Por mais que, por conveniência, Doria tenha agido certo, a verdade é que Bolsonaro é um fascista e Doria é um hipócrita!

A ação do comandante Aleksander Lacerda foi muito grave. Em suas redes sociais publicou chamado para o “ato” dia 7 de setembro, convocado pelo Bolsonaro. Sabemos, já, que o próprio celular de Bolsonaro foi usado para a convocação. Mais ainda, sabemos que no chamado o presidente eleito anunciou explícitas intenções de organizar um golpe, nos moldes da tentativa de Donald Trump em janeiro de 2021 na invasão do capitólio nos Estados Unidos. Neste contexto, a postagem de Aleksander foi um claro estímulo para policiais militares participarem de um golpe. Principalmente quando consideramos que Lacerda comanda um efetivo de 5 mil policiais em São Paulo.

A reação de Doria seria exemplar, se não fosse hipócrita: afastou de imediato o comandante de suas funções. Agiu de forma certa, mas apenas por oportunismo. O mesmo Doria que agora se coloca em “defesa da democracia”, se elegeu com amplo apoio da polícia militar. Em fala de campanha, o atual governador chegou a afirmar que, a partir de quando fosse eleito, a polícia iria “atirar para matar”. Tão ruim quanto, promoveu, em sua campanha para prefeito, a dobradinha “Bolsodoria”, em claro apoio à presidência do genocida! na verdade, no fim, Bolsonaro é um fascista e Doria é um hipócrita!

O que mudou entre 2016 e os dias de hoje? O que faz o ex-apoiador do presidente, agora se colocar contra ele? Muito simples: a popularidade de Bolsonaro caiu! Doria é um marketeiro em eterna campanha política. Se apoiou em Bolsonaro, enquanto ele era popular em São Paulo. Agora, o presidente derrete, Doria pula o barco de ratos para pousar de “moderado”. E faz isso com apoio de amplos setores da mídia e da elite, que procuram uma alternativa para candidato à presidência que não esteja alinhado com algumas causas progressistas!

A verdade é que tanto Bolsonaro quanto Doria promovem a política das elites e da extrema direta. A diferença é que um faz isso no grito e na agressão, enquanto o outro o faz com a fala mansa. Um apela aos militares, o outro apela aos jornalistas da Globo. Um veste coturno o outro veste cachemire. Mas na hora do vamos ver, os dois servem às mesmas elites! Bolsonaro é um fascista e Doria é um hipócrita!

O Golpe é essa Semana!

O Golpe é essa Semana!

Entenda porque estamos na iminência de um golpe militar!

Bolsonaro já percebeu que dificilmente terá uma vitória nas urnas em 2022. Por isso ele está articulando um golpe militar! Percebam: graças a pressões da base bolsonarista, o Presidente da Câmara dos deputados, Arthur Lira, irá colocar para votar no Congresso nesta semana, (quinta-feira, dia 12/08) emenda à constituição propondo o voto impresso. A votação será dias depois, de um desfile organizado pelas Forças Armadas, com tanques e carros de guerra. O desfile será amanhã, terça-feira dia 10 de agosto. O golpe é essa semana!

Sobre o voto impresso…

Já cobrimos com mais detalhes os absurdos do voto impresso. A proposta claramente tem o objetivo de justificar um golpe por Bolsonaro (link do texto). Mas os novos desenvolvimentos assustam! Acontece que uma comissão especial na Câmara foi criada para avaliar a validade da proposta. o projeto foi votado contra por 23 votos a 11, indicando que a Câmara dificilmente o aprovaria. Ainda assim, Arthur Lira, presidente da Câmara dos deputados, ignorou o voto e anunciou votação aberta em plenário (incluindo todos os deputados) para esta semana, na próxima quinta. Diz Lira, que pretende fazer isso justamente para acabar com a proposta de uma vez por todas (tendo em vista que o projeto não deverá ser aprovado). O problema é que há uma coincidência muito curiosa quanto ao momento da decisão.

Nesta mesma semana, amanhã na terça-feira, o Ministério da Defesa realizará um desfile de blindados que passará em frente ao Palácio do Planalto. A desculpa para trazer o exército às ruas, seria celebrar a entrega de um convite a Bolsonaro e ao Ministro da Defesa Walter Braga Neto (aparentemente a direita acha que o Whatsapp e meios de comunicação digital servem apenas para disparar fake news). 

O exército nas ruas!

A proximidade das duas coisas, o desfile e a votação, é muito curiosa, e força a contemplação da possibilidade de um golpe. Estariam as Forças Armadas se organizando para invadir o Congresso, alegando necessidade do voto impresso? Se a resposta for sim, então não devem haver dúvidas: o golpe é essa semana!

As incógnitas ainda existem: o Arthur Lira pretende ser aliado do Golpe, ou realmente é ingênuo e teria intenções republicanas? O quão popular Bolsonaro permanece entre as forças armadas? Estariam elas dispostas a apoiar o genocida em seus planos macabros? Mas a questão mais importante a ser respondida, é onde está a resistência a toda essa palhaçada? Não podemos esperar de braços cruzados! É importante que todas e todos lendo este texto se abram para meios mais agressivos de luta e resistência. Já temos um texto tratando de algumas ideias com mais detalhes. Cada um tem que lutar, o golpe é essa semana, e não temos tempo a perder!

A democracia irá vencer na Bolívia!

A democracia irá vencer na Bolívia!

Saiba como a democracia está se recuperando na Bolívia!

A democracia irá vencer na Bolívia! Já faz quase um ano que a Bolívia sofreu um golpe de Estado. Na ocasião, o governo autoritário ligado a setores reacionários das forças armadas, se negou a reconhecer os resultados das eleições para presidente. Através de ameaças a famílias e intimidações políticas, forçaram os representantes legítimos de esquerda a se afastarem de seus cargos. A ideia era, a princípio, tomar o poder. Mas graças ao ativismo e mobilização de tribos indígenas, novas eleições foram realizadas, com Luis Arce, candidato de esquerda, a frente nas pesquisas. A esquerda parece renascer  na Bolívia, em processo que talvez se espalhe por toda a América Latina (inclusive com Boulos 50 e Toninho 50650 em São Paulo).

As eleições de 2018 foram vencidas pelo candidato a reeleição, Evo Morales, pelo partido MAS (Movimento Pelo Socialismo). A direita acusou as eleições de fraude, e manipulou órgãos internacionais para entoarem o discurso. O que se sucedeu foi um complô organizado para ameaçar os familiares de políticos de esquerda para se afastarem de seus cargos. Quem assumiu, foi a direitista Jeanine Áñez. Em que pese as acusações de fraude, as primeiras preocupações do governo de Áñes não foram realizar novas eleições. Pelo contrário: ela desintegrou as estruturas para um novo pleito! O que a direita fez foi usar de seus poderes para perseguir políticos de esquerda, conforme relata representante da Anistia Internacional.

Política se faz nas ruas!

Mesmo assim a esquerda venceu na Bolívia. A democracia irá vencer na Bolívia! E irá vencer porque o povo entendeu que a política não é uma coisa que acaba com o voto. Política é o que se faz no dia a dia, na organização, na luta por um mundo melhor! Apesar de perder o poder oficial, a esquerda boliviana manteve pressão nas ruas. foram protestos, barricadas, e até confrontos com as forças armadas. Tudo pelo direito de o povo decidir! E é isso que está em curso em outros lugares da América Latina!

No Chile, também, a esquerda se organiza nas ruas, em massa, e exige uma nova constituição popular! Na Argentina, as mobilizações populares tiveram papel fundamental pela saída do governo de direita de Macrón no país! E aqui no Brasil não vai ser diferente! Temos no nosso horizonte a oportunidade de também colocar o povo na tomada de decisões! A possibilidade de conquistarmos uma política descentralizada, feita lado a lado com o povo, com orçamento participativo, e gestão democrática das políticas habitacionais e sociais! As minorias, negros, índios LGBTQ, todas e todos com espaço de fala! Todas e todos organizados para serem ouvidos! É isso que Boulos 50 propõe para a cidade de São Paulo! E é por isso que Toninho Vespoli 50650 luta como vereador de periferia! Com todos juntos, nas ruas e nas urnas, povo vai virar o jogo!

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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Um mandato popular!

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