neoliberalismo

“Se votar, não volta”: como reverter os avanços do inimigo?

Votação Sampaprev 2

Qual a estratégia para os trabalhadores desviarem das bombas ideológicas e marcharem contra os inimigos da “primeira classe”?

Um espírito de derrota assombra as mentes dos trabalhadores de todo mundo. As dores se espalham em cascata seguindo os ataques dos inimigos da “primeira classe”, mas não desembocam em um sofrimento único e compartilhado. Primeiro a PEC 32 de Bolsonaro, depois o PLC 26 de Doria, para desaguar no Sampaprev 2 de Ricardo Nunes. Um respaldando o outro para ataques mais pesados.

O combo de horas de trabalho e de deslocamentos no transporte público rouba um tempo precioso de vida, favorecendo os ataques. Sequer sobra um momento com a família. Para pensar em política então… A dor só supera a anestesia quando “a água bate na bunda”. Aos que culpam os pobres por votarem nos ricos, é preciso perguntar: que escolha eles têm?

Leva tempo e muito trabalho para substituir o senso comum pelo bom senso na perspectiva dos oprimidos. Esse é um dos motivos que explica porque o grito dos servidores públicos municipais durante a votação do Sampaprev foi: “se votar, não volta”; e não “se votar, meto o pé” como queriam os grupos mais radicalizados.

Para o senso comum, política é coisa para os políticos, ou no máximo, algo que brota de quatro em quatro anos. É natural, então, que a maioria dos servidores espere dar o troco nos políticos que roubaram parte da sua aposentadoria por meio do voto, e não metendo os pés nos portões da Câmara.

O mais preocupante, porém, não é o debate tático — se será manifestação pacífica ou violenta, greve ou ocupação. Afinal, os servidores públicos formam um setor relativamente politizado entre os trabalhadores brasileiros. O que mais preocupa são as pessoas que sequer sentem a água batendo na bunda. Pelo contrário, são informados e direcionados o tempo todo para se afundar cada vez mais.

Um dos maiores especialistas em medicina do trabalho no Brasil, professor René Mendes, sempre faz questão de afirmar objetivamente em suas obras e palestras: trabalhar adoece. Uma das primeiras obras de Friedrich Engels, “As condições da classe trabalhadora na Inglaterra”, também mostrava que era possível descobrir que tipo de máquina cada trabalhador operava somente observando o seu mancar. À primeira classe, não há outra escolha a não ser glorificar a dor do trabalho, e convencer todos a gostar dela.

Então, qual a receita para escancarar as contradições da realidade do trabalhador? O caminho pode estar relacionado com uma estratégia predominante nos grupos feministas nos anos 70. Em uma das suas últimas aulas, transcrita no livro “Post Capitalist Desire” (Desejo pós-capitalista), ainda sem tradução, o filósofo Mark Fisher explicava qual o objetivo dessa estratégia:

“[…] em parte, o poder disso é sua simplicidade. Tudo o que você precisa são os membros do grupo juntos, e quando falam juntos, aberto e honestamente, eles começam a ver que têm problemas comuns e interesses comuns, e também que a causa desses problemas não são eles, mas outra coisa. Simplesmente, ‘não sou eu, é o patriarcado’ seria a revelação. ‘Eu não limpo a casa o suficiente; sempre me sinto mal por não fazer isso’. Bem, o problema não é que você não limpou a casa o suficiente. O problema é o conjunto de expectativas em volta daquele trabalho […]”. (Tradução livre)

Mais do que uma resposta pronta, Fisher destaca um método desenvolvido na luta política, capaz de fazer algo antes invisível — como a divisão sexual do trabalho e o papel subalterno da mulher nessa divisão  tornar-se algo óbvio e inegável para os oprimidos.

Breno Queiroz

Breno Queiroz

Graduando em jornalismo e estagiário no mandato popular e periférico do professor Toninho Vespoli.

Para além de combater a Covid, vamos combater o neoliberalismo

Para além de combater a Covid, vamos combater o neoliberalismo

Para além da covid, o problema é o neoliberalismo. Entenda porque:

Não é crise. É um projeto com nome, ideologia, pensadores e até escola. Antes de mais nada, é preciso destacar que ainda que não acontecesse a pandemia de Covid-19, a situação do povo brasileiro, paulista e paulistano não estaria melhor. O projeto neoliberal de Bolsonaro, Guedes, Doria e Covas tem por ideal sucateamento do Estado e o esfacelamento das políticas públicas vigentes.

Antes do surgimento da pandemia, o discurso dos liberais era o de entrega total dos bens públicos. Bolsonaro e Guedes, assim como Doria e Covas, traçaram planos e planos de privatização, sob o pretexto de enxugar e tornar mais eficiente a máquina pública. No fundo, a realidade já conhecida por todos, é a de pagar os empresários patrocinadores de suas campanhas eleitorais.

Infelizmente, desde 2019, o mundo vive com uma das piores pandemias de sua história. No Brasil, a pandemia aportou em março de 2020, um ano depois, vemos uma segunda onda destruir famílias, levar milhares de vidas e arrasar a já combalida economia do país. O discurso neoliberal de Bolsonaro e seus asseclas preferiram minimizar a pandemia e tomar medidas tímidas de combate ao vírus.

Nesse sentido, vale reforçar que Bolsonaro, Doria e Covas são frutos da mesma árvore, ou em um linguajar bem mais popular são todos farinha do mesmo saco. Bolsonaro é um genocida sem vergonha, age de forma a causar mais mortes, porém Doria e Covas, mesmo usando máscaras e não aglomerando, agem de forma covarde e melindrosa no combate à pandemia.

Doria cria nomes para as fases de restrição no estado, mas não há nada de novo sob o sol. Não criou uma renda emergencial no estado, não fechou as escolas, não socorreu micro e pequenos empresários. Covas enviou para a Câmara um projeto de renda emergencial em fevereiro. O valor é um escárnio: R$ 100. Aqui ainda vale ressaltar que o projeto foi aprovado em fevereiro e só agora, quase abril, foi pago.

Neste momento em que tudo se turva no horizonte, nós que defendemos um outro projeto de governo, um outro modelo de sociedade, não podemos deixar de dizer que tudo seria diferente se o projeto político em prática no país não fosse o liberal/neoliberal. Um modelo onde o povo e a defesa da vida de todos está no centro da administração pública não permitiria esse genocídio do povo brasileiro.

Por fim, para responder ao segundo parágrafo deste texto, destaco o papel do SUS, do Butantan, da Fiocruz e das Universidades públicas. Os serviços públicos mostraram o seu papel e a sua importância. Mostraram aos privatistas que se não há serviço público de qualidade e forte quem perde é o país e não apenas os servidores. Por isso, viva o SUS, viva os servidores e vacina já para todos.

Toninho Vespoli

Toninho Vespoli

Toninho Vespoli é vereador em São Paulo pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL)

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Apoio a Baleia ou candidatura própria, uma falsa polêmica

Apoio a Baleia ou candidatura própria, uma falsa polêmica

Entenda porque nem Baleia nem Lira estão do lado do povo

Desde a eleição de Bolsonaro, a principal discussão dos progressistas no país é a composição de frentes amplas para derrotar o bolsonarismo. Essa discussão, tem se tornado um tema tão central no debate que é comum vermos os ditos analistas levantarem a bola de Doria, Moro, Huck, Mandetta e Maia como nomes ilibados para unirem o país contra o bolsonarismo.

Essa conversa vem crescendo como uma bola de neve e levado muita gente a acreditar que esse é o único caminho para 2022. O fim das eleições municipais de 2020 e o quadro de crescimento ou queda dos partidos colocou mais lenha nessa fogueira, mas nada se compara com a eleição para presidente da Câmara Federal que acontecerá em 1º de fevereiro.

A eleição pra presidência da Câmara dos deputados se tornou um ensaio para a eleição da presidência da república em 2022, e o que fica nítido é que querem empurrar uma escolha entre a direita fascista e a direita liberal e relegar a esquerda ou centro esquerda um papel de coadjuvante de todo esse processo.

Maia, uma falsa oposição a Bolsonaro

A afirmação desse intertítulo deve ser o que nos norteia. De fato, que oposição Rodrigo Maia fez a Bolsonaro? E podemos ir além, Doria, Moro, Huck e Mandetta, que estiveram no palanque bolsonarista até um dia desses que oposição fizeram, efetivamente, a esse governo?

Maia votou e aprovou todos os projetos de desmonte do Estado propostos por Bolsonaro, sem vergonha ou constrangimento tocou o projeto bolsonarista com orgulho. Agora, no apagar das luzes de seu mandato de presidente, banca o opositor fazendo críticas no twitter e xingando o presidente. Maia e Bolsonaro são dois lados de uma mesma moeda. A moeda do neoliberalismo entreguista, que ataca direitos sociais e os mais pobres para beneficiar os poderosos empresários.

Lira e Baleia, farinhas do mesmo saco

O deputado Arthur Lira é o candidato de Bolsonaro, porém, é Baleia Rossi, candidato de Maia quem mais votou favoravelmente aos projetos encaminhados por Bolsonaro a Câmara dos Deputados. Querem impor as esquerdas um candidato que sequer defendeu os interesses do povo contra as medidas do presidente nesses últimos dois anos de mandato.

De acordo com um levantamento feito pela consultoria ArkoAdvice, em 2019 Baleia votou a favor do governo em 90,24% das votações e contra em 9,75%. No mesmo ano, Lira votou a favor em 86,29% das vezes e contra em 13,70% das ocasiões. Portanto podemos cravar categoricamente: não há distinção entre Lira e Baleia. Maia sabe disso e apresenta Baleia como seu sucessor numa tentativa de constranger as esquerdas e dar o tom da eleição de 2022.

O que a esquerda deveria fazer? 

Essa é a pergunta do século, e não vale apenas para esse momento, mas diante do cenário nacional e internacional, essa é a pergunta que deve virar o mantra da esquerda: O que devemos fazer?

Antes de mais nada admitir que há uma tentativa de silenciamento e escanteamento do nosso campo por parte da grande mídia e dos liberais e neoliberais. Esses tentam fazer parecer que a culpa do estado bizarro de coisas que vivemos no país é da esquerda e, portanto, apenas eles ou uma aliança ampla e global pode salvar o país.

Não assumem que Bolsonaro e essa política de desmonte do Estado é fruto das ações de todos esses que agora bancam de salvadores da pátria. Temos que denunciar o genocídio de Bolsonaro, mas temos que igualmente denunciar Doria, Moro, Huck, Mandetta e Maia. Temos que denunciar o Estadão e seus colunistas que dias antes da eleição apregoavam o editorial: Uma escolha difícil.

É nosso papel enquanto esquerda permanecer aglutinando militantes e movimentos sociais na defesa da construção de um outro projeto político. Que caminhe ao lado da luta parlamentar, mas que entenda que o jogo de cena do Congresso Nacional é uma falsa dicotomia. Nem Lira e nem Baleia defenderão os interesses do povo quando isso for posto em pauta. Ambos defenderão o grande capital e seu representante.

A esquerda deveria defender outro projeto!

Por isso é necessário que a esquerda ocupe o espaço da candidatura a presidência da mesa diretora da Câmara dos Deputados e dialogue com a população para dizer o que ela defende. Sabemos que o voto para presidente das Casas Legislativas não é direto, são os parlamentares eleitos que elegem, entre seus pares, quem conduzirá o trabalho daquela instituição. Porém, ao ocupar um espaço entre as candidaturas postas, a esquerda conseguirá mais uma vez mostrar que defende um outro projeto.

A despeito disso, é necessário ressaltar que a eleição para a Câmara dos Deputados acontece em dois turnos, portanto ainda que, por hora, não tenhamos uma candidatura competitiva e com possibilidade de vitória, a eleição será decidida apenas no segundo turno, momento sim que podemos apoiar ou dar o voto crítico ao candidato que representa uma oposição maior ao bolsonarismo.

A esquerda deve apresentar o seu candidato, mostrar a sua cara o seu programa. Debater pra dentro e pra fora do parlamento a importância de frearmos o bolsonarismo, mas não para cair no canto da sereia do liberal moderado e sim, para caminharmos para um outro projeto social de país.

Toninho Vespoli

Toninho Vespoli

Toninho Vespoli é Professor e Vereador pelo PSOL em São Paulo.

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A Uber não liga para o coronavírus

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Entenda o descaso da Uber com os seus motoristas em meio à pandemia

Nós já cobrimos no blog o descaso da Uber com os motoristas “parceiros”. Mas agora a empresa passou de todos os limites da decência: o mesmo grupo que burla a legislação trabalhista para forçar motoristas a trabalharem por mixarias, está, em plena pandemia, se recusando a deixar os motoristas irem para casa. É o que demonstra um comunicado enviado a todos os “parceiros” da Uber. Isso é o que acontece quando deixamos o livre mercado correr solto. Em tempo de pandemia global, tamanho descaso pode custar vidas! Fica claro que a Uber não liga para o coronavírus. Liga apenas para os seus lucros.

Apenas os motoristas diagnosticados com a doença receberão qualquer tipo de benefício



A OMS, o ministério da saúde, dezenas de governos ao redor do mundo e até o papa recomendam que as pessoas fiquem em quarentena. Isso porque o isolamento e distanciamento social são as medidas mais certeiras na diminuição do contágio do novo coronavírus. Para acompanhar as recomendações de especialistas Governos no Brasil têm encerrado trabalhos presenciais, adiantado benefícios como o décimo terceiro e promovido trabalho remoto (home office). Essas medidas, tomadas  pelo Estado, não são o suficiente, mas pelo menos reconhecem a necessidade de permitir o isolamento dos trabalhadores. Já a frieza capitalista, entretanto, possui outro olhar sobre como as coisas devem funcionar: para eles lucros vêm antes de vidas.

Total descaso com os seus “parceiros”

Nós já explicamos em outro artigo como a Uber, e outras empresas de aplicativo, burlam a lei para pagar pouco aos seus funcionários, digo “parceiros”. Mas agora, em meio à pandemia do novo coronavírus, a empresa superou a sua própria cara de pau ao informar que apenas pagaria assistência financeira a motoristas diagnosticados com a covid 19! Oras, como já exposto neste blog pacientes infectados com o novo coronavírus levam até 14 dias para começarem a apresentar sintomas. Além disso, não existem muitos testes disponíveis para o novo vírus, então mesmo um motorista infectado teria dificuldades para conseguir confirmação médica da infecção. E ainda mais, quando pensamos em motoristas de Uber estamos pensando em pessoas que entram em contato com dezenas de pessoas todos os dias. O risco de algum deles se infectar é real! E a chance de o motorista passar a infecção à frente também! 

O mínimo a se esperar da Uber seria que ela suspendesse suas atividades, e garantisse uma bolsa no valor do ganho médio mensal de cada motorista a ser pago enquanto o isolamento social for recomendável. Ao invés disso, obriga os seus clientes e trabalhadores, digo “parceiros”  a se exporem ao vírus em um momento em que o isolamento é a melhor medida a se tomar. É isso o que acontece quando deixamos o livre mercado correr solto! Empresas como a Uber não liga para o coronavírus!

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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