pandemia

O abismo entre o idealizar e o realizar!

O abismo entre o idealizar e o realizar!

Estamos a todo momento ouvindo, seja pelos noticiários ou por especialistas em saúde, que não é momento de flexibilização, que ainda não atingimos o platô de contaminação e que não é hora de retomada das atividades presenciais. Trago para a reflexão, nesse contexto de pandemia, a minuta apresentada pela SME, de protocolo de volta às aulas. O abismo entre o idealizar e o realizar!

Ao promover a escuta e assegurar que todos os segmentos da sociedade sejam ouvidos, é gritante o abismo entre o idealizar, pensado sob à ótica da teoria desvinculada da prática de quem realiza.  Contudo, é preciso vencer o estigma do senso comum, sair da zona de conforto e realizar um debate reflexivo embasado por pesquisas sérias que de fato sejam fundamentadas e significativas.

“Vygotsky afirma que o bom ensino é aquele que se adianta ao desenvolvimento, ou seja, que se dirige às funções psicológicas que estão em vias de se completarem.” (Rego, 2001)

Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) é um conceito elaborado por Vygotsky, e define a distância entre o nível de desenvolvimento real, determinado pela capacidade de resolver um problema sem ajuda e o Nível de desenvolvimento potencial determinado através de resolução de um problema sob a orientação de um adulto ou em colaboração com outro companheiro.

E, justamente numa dessas conversas on-line, trocava figurinha com uma das minhas companheiras de jornada terrena, Celia Cristina, profa. de Educação Infantil da Rede Municipal, falávamos sobre as concepções de aprendizagens, a EAD na infância, a realidade excludente, a questão do ano letivo e a falta de diálogo por parte de SME. Adoro ouví-la, e ela me fez apontamentos importantíssimos para pensarmos sobre a minuta apresentada pelos idealizadores e, como nós, profissionais da Educação, faremos para realizar…

Ela aponta justamente para esse abismo, da dicotomia de uma teorização elaborada por pessoas há tempos distanciadas das práticas de sala de aula, elencando apenas os aspectos do que se considera ideal, desconsiderando, ou ignorando, de fato a realidade.
A minuta evidencia diversas controvérsias, numa leitura tecnicista. Ora fala em distanciamento, ora fala em acolhimento…

Ora! Afinal como será feito?

Os documentos que norteiam a educação infantil municipal são pautados nas interações das relações, ou seja, nas trocas previstas num currículo integrador.
É um olhar de quem não acompanha uma atuação efetiva ou não está presente no chão de uma escola pública!

Se transpormos esse olhar para o ensino fundamental, do processo da construção da alfabetização até seu ciclo final, bem como as especificidades do aluno da educação de jovens e adultos, que em sua grande maioria é formada por trabalhadores da nossa população mais carente, que por ser periférica e por um governo sem uma política pública que leve em consideração esse cidadão, não teve direito ao isolamento social, precisa fazer uso do transporte público lotado pois precisam se deslocar até seus locais de trabalho. Isso aos que ainda detém seus empregos, pois uma grande parcela já se encontrava desempregada, e com a pandemia, essa parcela apresentou uma elevação gigantesca…

Sem uma higienização minuciosa, tão crucial nesse momento, obrigaremos o aluno trabalhador a permanecer nas escolas sem tal, depois de um longo dia de trabalho e o percurso realizado para esse tramite.

Assim, vemos igualmente tamanhas contradições por não respeitar o sujeito de direito em seu processo de aprendizagens em todas as etapas e desconsiderar seu protagonismo nesse espaço tão vivo que é a escola.

A quem vai servir essa minuta?

Esse protocolo reconhece as limitações impostas a um espaço que até então era rico em vivências e explorações?Espaço que oportunizava as relações humanas, às vezes a única que a criança vivia na rotina do seu dia-a-dia, pois tratamos aqui das regras e não das exceções. Um espaço agora limitado de potêncialidade e oportunidades!

A criança NÃO poderá ser criança! Seu direito cerceado!

SME diz que o plano foi montado sob orientação da saúde. Coloca situações que, na imensa maioria, são de difícil aplicação prática, jogando toda a responsabilidade para as escolas, inclusive questões estruturais, que envolvem verbas e manutenção e dependem das DREs e da SME. Sanitários, por exemplo, a diretriz é não deixar faltar material de higiene e garantir vasos e pias sem defeito, mas em nenhum local está dito que a SME garantirá manutenção das unidades com problemas estruturais, suprimento de materiais de higiene, a necessidade de funcionários, em número insuficiente, essa falta é algo crônico. Aproveito para abordar a homologação dos concursos de Auxiliar Técnico de Educação e Coordenadores Pedagógicos, além das chamadas dos que aguardam para os cargos de diretores de escola e Supervisores Escolares e o fornecimento de ítens de segurança. Fazemos um adendo aqui, pois no caso das máscaras, dá a entender que é problema de cada aluno e profissional.

Me causa a sensação de que o plano da prefeitura junto à SME, está montado para que, se algo der errado, o problema seja de falta de gerência da equipe escolar, que será responsabilizada por orientar adequadamente os profissionais, os alunos e as famílias. Garantir uma organização em relação ao fluxos de entrada e saída, intervalos e refeições será quase impossível em muitas unidades.

O Secretário de Educação, vem tardiamente a se reunir com os Sindicatos e de forma unilateral. Isso não é diálogo! É fundamental assegurar que nossa representatividade seja efetivada pelos sindicatos com empenho e ações pontuais, pensando em todos os segmentos de profissionais da Educação, cobrando de SME e demais órgãos, um canal permanente de diálogo das demandas da rede, bem como negociação por valorização da carreira. ]

E por isso enfatizo a importância em articular e fortalecer um conselho de escola participativo, atuante e que busque legitimar a voz da comunidade nos CRECEs regionais e central.

Termino com o seguinte questionamento:
-QUEM IRÁ RESPONDER PELAS VIDAS CEIFADAS?

Deborah Fasanelli

Deborah Fasanelli

Deborah Fasanelli é professora de educação infantil e ensino fundamental; pedagoga e Psicopedagoga Pós graduada em Direito Educacional. Atualmente ocupa o mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli

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Retomada às aula? O que devemos considerar!

Foi realizada pelo site da Câmara Municipal de São Paulo, uma audiência pública, quando houve a explanação do Dr. Gonçalo Vecina, médico sanitarista, prof da USP, fundador da ANVISA e ex-secretário da Saúde, o qual foi enfático, com total fundamentação, a não retomada às aulas e a não reabertura das escolas.
Durante sua fala, fez importantes pontuações, como a questão das crianças serem vetores em potencial de transmissão da COVID 19, além da questão de não apresentarem sintomas e assim colaborarem para um aumento significativo nos números de pessoas contaminadas…

Citou que, de 1000 pessoas, entre 0 a 40 anos, 2 são contaminadas, e acima dos 80 anos, são 5 entre 100, vindo a óbito. Outro fato importante foi a questão de que, mesmo que seja garantindo o distanciamento físico e que não haja nenhum tipo de contato, o vírus pode ser propagado por via aérea, pelas
gotículas que são emitidas, de material biológico.

Um exemplo lúdico dessa situação é quando realizamos alguma atividade envolvendo tinta, glitter ou purpurina, o/a professor(a) realiza a atividade com sua turma e todas as demais crianças daquele turno parecem ter participado dessa atividade… Vão todas “enfeitadas” para casa! E assim se dará uma possível contaminação em massa, pois um professor ou um aluno contaminado, dentro de uma sala de aula, poderá contaminar, segundo dados apresentados, outras 5 pessoas… E assim se propagará esse ciclo de contaminação à diversas famílias.

Além do que, há outros fatores preponderantes quando falamos na realidade de uma escola pública:

  • Como assegurar o distanciamento físico necessário?
  • O uso contínuo e adequado das máscaras, sendo que nem o adulto realiza de forma correta?
  •  A questão da higienização do ambiente escolar, é outro grande nó para quem conhece essa realidade, sempre foi uma preocupação efetivar a limpeza dos espaços nas escolas públicas, levando em conta o fluxo contínuo de pessoas nesse lugar até a questão da redução no número de funcionários das equipes de limpeza, deixando óbvio que, aquilo que já se apresentava insuficiente, ficou de fato insalubre e não há uma eficácia que o  espaço esteja desinfectado.
  •  Na minuta de protocolo para o retorno às aulas, fica evidenciado o quanto dependerá de recursos humanos, o que não temos disponível na rede, seja pela defasagem no quadro de cada segmento, até mesmo por falta de homologação dos concursos vigentes ou chamada dos demais que aguardam para  tomar posse. Em tempo, destaco que todos esses concursos se tratam de cargos que já apresentavam um grande número de vagas, tanto que legitimaram um concurso público para o preenchimentos delas, pois esses cargos compõe segmentos de profissionais que estão trabalhando, em regime de plantão, as escolas permanecem abertas, cada hora sob uma justificativa, cartão alimentação, material Trilhas de aprendizagens, cestas básicas… Enfim, não se justifica o atraso na homologação do concurso de ATEs e CPs, e menos ainda na chamada de diretores e supervisores.
  • Fica notório que não houve diálogo entre as equipes que construíram os protocolos pedagógicos com os da saúde, aliás é evidente que não há por parte dessa gestão, uma construção pautada na escuta de quem está na linha de frente desse enfrentamento e conhece o chão da escola. A ambiguidade entre o idealizar e o realizar!
  •  A falta em ouvir a categoria tem um custo elevado, desde a elaboração das atividades pedagógicas, que demonstram desconsiderar principalmente a infância, seus repertórios e saberes com suas especificidades, até a realidade de nossos estudantes em seus territórios, causando uma lacuna enorme entre o real e o ideal, escancarando de forma nua e crua as desigualdades sociais e o quanto elas são excludentes. Se a EAD deve assegurar, um vínculo educacional ao mínimo, evitando a evasão escolar, se não houver um investimento para esse acesso em sua totalidade, ao contrário do que queríamos, podemos de fato acelerar esse processo de ruptura.
  •  Enquanto uma parte dos profissionais são mantidos como guardas patrimoniais ou assistentes sociais, em serviço nas escolas, quadro de apoio e o trio gestor, em trabalho remoto temos os professores, ensandecidos com uma cobrança desumana, plataforma complexa que exige um empenho descomunal, além de arcar com esse ônus, são punidos com redução salarial.

Prefeitura irresponsável

O descaso proposital do Secretário de Educação do Município ao participar da Audiência Pública somente ao término da fala do médico sanitarista, mostra o quanto desconsidera as orientações de especialistas em saúde, faz um discurso robotizado, descontextualizado, sem apresentar respostas e soluções aos questionamentos elencados, usando-se de uma narrativa política “empreendedora”, sem argumentos convincentes, diz que ouvirá os representantes de cada setor da educação por DREs e os respectivos sindicatos, mas apresenta de forma concluída os requisitos para uma possível retomada. Inquietudes que nos causam grande indignação! Contudo, existe algo que de fato é pior do que todo o relato descrito até agora. Trata-se da abordagem de uma parte da mídia,  que deveria assegurar uma informação séria e real dos fatos, mas que de forma tendenciosa, induz à fala numa indagação leviana de onde a população deixará seus filhos para irem trabalhar, demonstrando total desconhecimento com o real papel institucional da escola e os marcos legais ao direito à educação por parte dos estudantes, mascarando a realidade de um governo sem políticas públicas que obriga às escolas ao cumprimento de um papel de assistencialismo indevido, além de imputar aos profissionais da educação uma culpabilidade por algo que ocorreu de forma generalizada e mundialmente, que em nenhum país do mundo fora realizado de outra forma a não ser pelo fechamento das escolas e suspensão das aulas presenciais…

Como dizia nosso mestre Paulo Freire, de fato “Não basta saber ler que Eva viu a uva… É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem LUCRA com esse trabalho…”, in Pedagogia do Oprimido. Por isso pergunto:

_ É ,de fato, seguro voltar?

_ Será que os responsáveis, pais e mães, pelas crianças e adolescentes se sentem seguros em mandar seus filhos de volta à escola? E se foram ouvidos em todas as angústias?

Porque, para além das questões pertinentes sobre o ano letivo e as aprendizagens, a real pergunta que ecoa é:
_ E, seu eu perder minha vida em prol do ano letivo, terá valido a pena?

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Deborah Fasanelli

Deborah Fasanelli

Deborah Fasanelli é professora de educação infantil e ensino fundamental; pedagoga e Psicopedagoga Pós graduada em Direito Educacional. Atualmente ocupa o mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli

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O PL Inconstitucional de Bruno Covas

Comida para quem tem fome e repulsa para quem não enxerga o próximo

Parecer da CCJ, baseado em argumentos de ação de Toninho, recomenda ilegalidade de projeto de Bruno Covas

Quando o prefeito e a direita na Câmara Municipal aprovaram um projeto que, entre muitas questões, criava um voucher para vagas em CEIs privadas ou assegurava uma bolsa de R$ 100,00 para pagar famílias, que não tivessem conseguido a vaga na creche, o vereador professor Toninho Vespoli entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a referida lei.

De acordo com parecer do Subprocurador-Geral de Justiça o pedido do professor Toninho Vespoli é procedente e determinados artigos da lei são inconstitucionais. Essa decisão é usada como base para destacar que trechos do PL 452/2020, do poder executivo, incorre nos mesmos erros, sendo, também, inconstitucional.

A comissão de Constituição e Justiça emitiu parecer reconhecendo a ilegalidade de pacote de maldades de Bruno Covas na educação: o PL 452/2020. O projeto incluía a proposta falha dos vouchers para creches, compra de uniformes em processos pouco claros e transparentes entre outras medidas duvidosas e com fins eleitoreiros! Mais ainda: permitia a contratação de creches privadas pela rede pública com grupos que visam o lucro; violação expressa ao artigo 213 da Constituição Federal.

Com a desculpa de urgência em face da pandemia o projeto visava suprimir toda a ordem legislativa, e aprovar programa de distribuição gratuita de bens em ano eleitoral. O problema é que alguns dos itens do projeto só começam a ter validade no ano 2021. Fica difícil argumentar urgência para aquilo que pode esperar vários meses.

Por trás disso tudo o que há são os interesses de parte da indústria da educação. Creches altamente rentáveis para os seus donos que pretendem oferecer seus serviços à prefeitura sem mecanismos concretos de fiscalização.

O próprio projeto de lei não prevê alíquotas claras para os serviços que seriam criados, nem especificam quem seriam as partes beneficiadas. Ou seja, ficaria a critério de burocratas a serviço de Bruno Covas definir. Tudo isso, certamente, teria um impacto no orçamento de 2021, que já começaria com parte comprometida antes mesmo de ser votado.

Dessa vez o parecer da Comissão de Constituição e Justiça pareceu sensato. Mas a batalha ainda não foi ganha. Na próxima quarta, dia 29/07, a Comissão ainda votará se segue ou não o parecer que ela mesma produziu. Pode parecer estranho, mas em muitos casos nessas comissões os vereadores dizem defender uma coisa, mas na hora do voto final fazem o oposto.

Estaremos pressionando os vereadores na luta para que absurdos como este não saiam do papel!

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é estudante de Direito, ativista pelo clima e estagiário do mandato do vereador Toninho Vespoli

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o que é racismo ambiental?

o que é racismo ambiental?

Aproveite o Dia do Meio ambiente para entender como as questões raciais estão inseridas na luta climática

Sabe o que é racismo ambiental? Ocorre quando as catástrofes ambientais atingem principalmente a população negra. Falta de saneamento, poluição de rios, surtos epidêmicos… Tudo isso atinge muito mais pessoas negras do que brancas! O termo tem ainda outro significado, que é quando lideranças falando sobre a luta pela mãe natureza, são cortadas dos debates por serem negras! Em tempos em que o mundo se revolta por assassinatos de pessoas negras como João Pedro, e George Floyd, é importante aproveitarmos hoje, o dia do meio ambiente, para entendermos porque a questão racial está presente inclusive na luta ambiental!

Foto de Tuca Vieira. O mundo dos pobres é também o mundo dos negros

Pessoas negras tem 62% mais chance de morrerem em decorrência da Covid-19

O termo racismo ambiental foi pensado pelo braço direito do Martin Luther King Jr., o Dr. Benjamin Franklin Chavis Jr. O que Benjamin percebeu é que as pessoas negras tinham muito mais chance de sofrerem com infecções de resíduos tóxicos. E desde então parte da comunidade ativista negra começou a perceber que o padrão se repetia para uma série de desastres ambientais. Pega por exemplo o coronavírus. Apesar de ser um vírus trazido por brancos vindos da Europa para o Brasil, a população negra paulistana, segundo dados da prefeitura, tem 62% mais chance de morrer que a branca devido à covid! 

Tão chocante quanto, é perceber que pessoas negras que falam de questões ambientais, são muito menos escutadas que pessoas brancas, independente de qualificações! Isso é, ainda, outra forma de racismo ambiental, porque reflete um preconceito da sociedade contra qualquer coisa falada por negros! É como se existisse uma barreira social invisível, que diz que para um ativismo ser válido precisa ser respaldado com a opinião de brancos. Caso particularmente chocante disso aconteceu no Fórum Econômico Mundial em Davos deste ano, a ativista e liderança negra ugandesa Vanessa Nakate, foi literalmente cortada de foto com outras eco-ativistas brancas (dentre elas a sueca Greta Thunberg), na publicação de um jornal estadunidense (Associated Press)

Em cima a versão publicada no jornal, embaixo a foto original

Quando pessoas negras lutam e morrem, a mídia se cala

Ou seja, pouco importa que Vanessa é uma ativista incrível que iniciou seu próprio movimento internacional pelo clima, a partir de inúmeros protestos na Uganda. Pouco importa saber que na Uganda, diferentemente de países como a Suécia, protestar pelo clima traz um risco imenso de prisão. Pouco importa pensar nas mazelas do aquecimento global para Vanessa e para seus conterrâneos ugandeses. Pouco importa porque são pessoas negras. E quando pessoas negras, gritam, lutam e morrem; a mídia, os jornalistas e a própria ONU se calam! 

Ocorre, também, racismo ambiental com outras lideranças que sejam parte de minorias étnicas, mas não afrodescentes. No Brasil, por exemplo, ocorre isso com a população indígena. Um nome muito difundido pela mídia, por exemplo, é o da ativista sueca Greta Thumberg. Mas muito menos mencionados são os esforços do ativista Raoni Metuktire (conhecido como Índio Raoni) pela preservação da natureza. O ativista nativo-brasileiro luta desde a década de 60 pela preservação das florestas. 

Os brancos são mais ouvidos do que os negros

Mas foi apenas após participar de conferência pelo clima em Paris, em que estava presente o cantor branco Gordon Matthew Thomas Sumner (mais conhecido como Sting) que Raoni foi reconhecido pela mídia mundial. Como se percebe o cantor Sting, apesar de ser muito menos qualificado que Raoni para tratar da luta ambiental, foi muito mais considerado pela mídia.

ativista Raoni na direita, cantor Sting na esquerda,

Não cabe aqui criticar Sting. Muito pelo contrário: o cantor tenta usar de sua fama para jogar luz sobre figuras da luta ambiental normalmente invizibilizadas. Mas não há dúvida que ele é muito mais ouvido por ser branco e rico.

Estamos passando por um período em que a sociedade enfrenta surtos de indignação contra o racismo e fascismo estruturais em nossa sociedade. Nesse dia do clima, não podemos nos esquecer de refletir sobre o que é o racismo ambiental, e como ele afeta o nosso mundo. Não podemos nos esquecer de Vanessa Nakate, do índio Raoni, do Dr Benjamin Franklin Chavis, de Sonia Guajajara, e de tantas outras lideranças negras e étnicas que lutam pela preservação de nossa Mãe Terra!

Vidas negras importam! E não podem ser esquecidas. 

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Quer saber se você tem direito até a R$ 1.200 do governo?

Renda básica mensal será destinada a trabalhadores informais, autônomos, desempregados e microempreendedores. Valor pode chegar a R$ 1.200,00 por 3 meses

Como se prevenir contra o coronavírus se você é pobre

Como se prevenir contra o coronavírus se você é pobre

Pandemia não deve ser tratada como "salve-se quem puder", principalmente, na periferia

O novo coronavírus não infecta por CEP, cor ou classe social, mas as políticas públicas adotadas no Brasil que poderão ser responsáveis pelo contágio e a morte de pessoas pobres e periféricas do país. De antemão é preciso enumerar as nossas diversas peculiaridades que – ante a chegada do vírus – colocam a saúde pública em xeque, como a condição de vulnerabilidade de grande parte dos brasileiros. Todos conseguirão seguir os protocolos de prevenção à doença? 

Nós conhecemos de perto os surtos de dengue, zika, chikungunya, enfermidades relacionadas ao nosso clima tropical.  Dessa vez, o vilão veio importado e por gente “granfina”. Nos primeiros casos noticiados, até artistas estariam contaminados. Pessoas com suspeitas, que estiveram ou que tiveram contato com alguém que viajou aos EUA, Europa ou Ásia, por exemplo, correram aos hospitais particulares para obterem o veredicto sobre o contágio. 

Na semana passada, a periferia poderia até acreditar de que esses causos eram relacionados a uma “doença de rico”. No entanto, o aumento dos números de infectados ou suspeitos por Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus que já mostra sua força no país,passa a levantar o debate a respeito da sui generis desigualdade brasileira frente ao enfrentamento da pandemia

Exemplo disso são as últimas informações divulgadas a respeito da primeira vítima fatal, um homem de 62 anos que era porteiro aposentado e que raramente saia de casa. Mesmo apresentando sintomas, o idoso não estava na lista de casos suspeitos e não havia realizado teste para verificar a existência do vírus, o que foi feito após sua morte. A família aponta negligência por parte do hospital, que é particular, já que cinco pessoas que moram com ele apresentam indícios da doença, estão em grupo de risco e não foram diagnosticados por exames. Será que casos estão sendo subnotificados? Pobres poderão morrer sem saber se contraíram a doença?

É a partir daí que é preciso se preocupar. A doença é “democrática”, mas o acesso ao diagnóstico e ao tratamento pode não ser. Inegavelmente, nosso sistema público de saúde é referência mundial, mas a sua obsolência programada está em curso pelos governos federais há alguns anos. Em 2019, foi reduzido R$ 9 bilhões em recursos da  verba destinada à saúde pelo Governo Federal via a emenda constitucional do teto de gastos. Quem depende do atendimento público à saúde já enfrentava a precarização, com a falta de médicos, de materiais, de vacinas… E agora, José?

Há mais o que ser dito. A campanha de combate à doença divulgada oficialmente e pelos veículos de comunicação soa como um ato individual. Responsabiliza-se o próprio povo para a salvação: “sigam esse protocolo, senão o mundo terá consequências”. E como adotar medidas de prevenção ao coronavírus, como isolamento social, lavar as mãos com sabão frequentemente, usar álcool em gel frequentemente ou manter distância de pessoas, quando essas atitudes não se tratam de uma escolha?

Essa lógica de que só a solidariedade irá nos salvar da pandemia é tão perversa que os próprios trabalhadores consideram o home office como um “privilégio” para alguns. Mas não, não é você que precisa sair de casa para trabalhar que será o culpado pelo aumento do número de mortos no país, mas o Estado. E se alguma atitude efetiva por parte das instituições públicas não for tomada o cenário será como um “salve-se quem puder”. 

Se gradativamente os serviços já estão parando, o setor produtivo também vai. E, por consequência, ocupações sem vínculos empregatícios deixarão de ser necessários. Além disso, no Brasil, os trabalhadores informais representam 41,4% do mercado de trabalho, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicados em janeiro deste ano. 

Marreteiros, motoristas de aplicativos e diaristas sem CLT estão no olho do furacão, tanto no que se diz respeito à contaminação e às consequências econômicas. Um fato que retrata esse drama é a morte de uma empregada doméstica de 63 anos com a suspeita da doença na última terça-feira (17). A senhora trabalhava para uma mulher cujo exame deu positivo para o Covid-19 depois de uma viagem à Itália. Assim como a primeira vítima fatal pela doença, o teste da doméstica foi coletado posteriormente à sua morte e até o momento está sob análise. 

Um estudo dos pesquisadores Débora Freire, Edson Domingues e Aline Magalhães, da UFMG mostra que a camada de menor renda dos brasileiros deve ser a mais afetada. Num cenário de queda de 0,14% do PIB e de 0,1% no nível de emprego, a pesquisa conclui que as famílias com renda entre 0 e 2 salários mínimos podem ter sua renda 20% mais impactada do que a média de outras famílias. Se não houver intervenção estadual, muitos morrerão pela doença ou de fome. 

A crise também é sanitária. Só 48% da população tem coleta de esgoto e 35 milhões não possuem água tratada. Estamos falando de milhões que vivem em amontoados de cortiços ou barracos. Mães que não podem deixar de perder a diária como empregada doméstica. Muitos que não têm água em casa quando chega do trabalho porque a Sabesp faz racionamento. Trabalhadores cuja renda não paga uma unidade de sabão. Pessoas que vivem com o esgoto na porta de casa. Essa realidade está presente na capital paulista, o epicentro da doença no país.

O novo coronavírus escancara para o mundo a nossa desigualdade e reforça o papel fundamental dos governos. Vivemos uma situação de calamidade pública em que a solução não será dada pelo mercado. São as instituições públicas que podem e devem tomar  medidas emergenciais que garantirão a sobrevivência da população mais pobre. 

É urgente que haja a obrigatoriedade de empresas em manter os salários e empregos; tabelamento de preços dos itens de prevenção ou de itens da cesta básica; distribuição gratuita dos medicamentos antivirais e equipamentos de prevenção; estatização dos leitos hospitalares privados; anistia das contas de água, luz, gás e aluguel enquanto durar a pandemia; distribuição de renda básica emergencial; ampliação do prazo de recebimento do seguro-desemprego; suspensão de mandados de reintegração de posse, despejos e remoções judiciais ou extrajudiciais – exceto em casos de risco de vida e a revogação da PEC do Teto de Gastos. 

Saídas existem, basta vontade política.

Juliana Ghizzi

Juliana Ghizzi

Juliana Ghizzi é Jornalista pela PUC-SP. Atualmente, trabalha como assessora de comunicação do Mandato Popular do Vereador Toninho Vespoli

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[TEXTO DESATUALIZADO! IBUPROFENO ESTÁ LIBERADO!]Quais Remédios NÃO USAR Com o Coronavírus

Quais Remédios NÃO USAR Com o Coronavírus

Atualização: dia 19/03/2020 a OMS enviou novo posicionamento determinando que remédios contendo ibuprofeno podem ser usados por pacientes com suspeita de coronavírus. As informações deste texto tinham como base um comunicado do mesmo órgão do dia 17/03/2020. Segundo a informação do comunicado do dia 17, o uso do ibuprofeno deveria ser evitado por pacientes com suspeita do novo coronavírus.

Quais remédios não usar com o coronavírus

O coronavírus é traiçoeiro. Por trás de uma letalidade relativamente baixa, se esconde uma doença que se espalha muito fácil e que requer atendimento médico em cerca de 20% dos casos. E pior: seus sintomas (principalmente os iniciais) se assemelharem muito aos de resfriados e gripes. Mas não se desespere! O hospital deve ser recorrido apenas em casos mais graves. Isso porque se todo mundo sair correndo para o médico, não haverá capacidade de atendimento para os que mais precisam. Por isso, se você apresenta apenas sintomas brandos do novo coronavírus busque ficar em casa. Mas na chance da doença realmente ser o novo coronavírus, alguns remédios devem ser evitados. Para facilitar a sua vida, nós elaboramos esta lista de quais remédios não usar com o coronavírus. Lembramos que você sempre deve falar com o farmacêutico da farmácia antes de comprar qualquer medicamentos. Nada substitui este diálogo!

Medicamentos que devem ser EVITADOS

Medicamentos com Ibuprofeno

Este princípio ativo foi expressamente denunciado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) por haver risco de agravar os sintomas do novo coronavírus. Está na dúvida se o remédio contem ou não ibuprofeno? Pergunte ao seu farmacêutico!

 

Advil

 

Alivium

 

Buscofen

 

Buscopan

 

Algiflex

 

Ibuprofen

 

Algil-reumatril

 

Nurofen

 

Spidufen

 

Ibuflex

 

Aspirina

 




Corticóides

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