protesto

uma estátua vale mais que uma vida?

incendiaram estátua do bandeirante, e escravizador Borba Gato. A reação ao caso faz pensar: uma estátua vale mais que uma vida?

O mesmo prefeito que nega auxílio a um povo que volta a passar fome, lamenta o incêndio da estátua de um escravizador (o bandeirante Borba Gato). Em meio a isso somos forçados a nos perguntar, uma estátua vale mais que uma vida?

É importante, primeiro, entender quem foi Borba Gato. A figura icônica, homenageada com a obra de gosto duvidoso na avenida Santo Amaro, foi um bandeirante, que organizava ações para escravizar povos nativos e quilombolas. No processo de captura era comum o estupro de mulheres, e assassinato de crianças. Antes de mais nada, é importante questionarmos como vivemos em uma sociedade em que figuras terríveis assim sejam homenageadas?! Seria quase o equivalente a manter uma estátua de Hitler em Berlim!

Infelizmente, no entanto, desastres assim são comuns. Na Argentina, em Buenos Aires, uma praça é enfeitada com o busto do facínora ditador Juan Domingos Perón; na Inglaterra, monumentos ao racista, e antissemita Whinston Churchill, brotam dos chãos de espaços públicos por todo o país; no Peru, até 2016, uma estátua homenageava o ditador sanguinário Alfredo Stroessner; e para além do Borba Gato, aqui em São Paulo, são muitas as homenagens a genocidas: o Monumento às Bandeiras, próximo ao Parque Ibirapuera; o Monumento da Independência, na praça de mesmo vulgo; a obra presente do próprio Mussolini, o Monumento aos heróis da travessia do Atlântico; entre tantas outras!

O que ocorre é que a história é construída sobre o sangue dos derrotados, e os vitoriosos, tão sedentos por sangue e poder, sempre se apressam em criar monumentos capazes de inflar seus próprios egos. Servem também de aviso aos que pensarem em se rebelar: da última vez que tentaram acabaram enterrados sobre as pedras de nossas estátuas!

Alguns se revoltam contra tantos símbolos de opressão. Recusam-se a aceitar que devem apenas se resignar enquanto verdadeiros genocidas são aclamados em praça pública! uma estátua vale mais que uma vida? Para estes manifestantes não! Assim manifestantes britânicos picham “genocida” em estátua de Churchill, além de arrancarem a estátua homenageando o traficante de escravos Edward Colston; no Peru a estátua de Stroessner, em 2016, foi destruída por manifestantes, e mais tarde recuperada em nova obra/alerta, que o mostra esmagado por uma pedra, tentando voltar do passado; em junho deste ano argentinos derrubaram uma estátua do estuprador sanguinário Cristóvão Colombo; e assim parte do povo busca formas de se revoltar.

Foto de nova “versão” de estátua do ditador peruano Alfredo Stroessner. Obra foi feita pelo artista Carlos Colombiano, com destroços de estátua anterior, feita em homenagem ao ditador. Ocupa, hoje, a Praça dos Desaparecidos. Fonte da foto: https://twitter.com/delucca/status/1419051049592184835

Impressiona, muito, que o horror à queima do símbolo de um traficante de escravos, seja tão superior ao horror cedido à população brasileira que volta a passar fome, ou que o horror cedido ao povo negro e periférico quando vítima de ações da polícia militar. Ou seja, o que pessoas como o prefeito Ricardo Nunes revelam, na verdade, é que ao invés de se chocarem com o genocídio do povo pobre e negro, que continua no Brasil através da fome e violência sistêmica, preferem a indignação em favor de símbolos do genocídio ao longo da história! O mesmo prefeito que nega auxílio emergencial ao povo pobre paulistano, faz drama em favor da estátua de um ser horrível! Irônico pensar que faz parte da direita que defende “tolerância zero” contra assassinos e estupradores.

Impressiona, ainda mais, pensar que a destruição de estátuas feitas em memória aos oprimidos, não são alvo de tanto apreço pelas mídias oficiais, ou pelos políticos “defensores da ordem”. Em 1988, foi inaugurado o monumento de Oscar Niemeyer, Memorial 9 de Novembro, em homenagem a 3 operários mortos pelas forças do Estado durante greve no mesmo ano. Os reacionários nem deram 24 horas para a estátua estreiar! Na madrugada do dia seguinte à inauguração explodiram o monumento. A polícia não reagiu para prender os neofascistas. A mídia quase nada falou. A obra ficou quase toda destruída. Oscar Niemeyer optou por deixa-la assim, como lembrete de que as conquistas são sempre frágeis, e merecem ser vigiadas.

Outra obra, do mesmo Oscar Niemeyer, o Monumento Eldorado Memória, inaugurada em 1996, lembrava os nomes dos pequenos agricultores mortos a mando do Estado no mesmo ano. Agiam representando os interesses da elite agrária do Pará. Só demorou 15 dias para ruralistas da região destruírem a obra. A polícia não fez nada. E a cobertura da mídia foi ínfima. Ou seja o Estado, a polícia, a mídia, e as elites capitalistas estão dispostas a defender a memória de genocidas, mas não de heróis do povo que lutaram por vidas dignas!

Tamanha hipocrisia, força a questão: uma estátua vale mais que uma vida? É correto nos darmos ao luxo de nos indignar com a queima de um símbolo genocida enquanto enfrentamos a continuação do mesmo processo vil? De que lado Ricardo Nunes está? Do genocida, ou das vítimas?

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Povo nas ruas: Bolsonaro vai cair!

ovo nas ruas: Bolsonaro vai cair!

Saiba como ajudar o Bolsonaro a cair!

Sábado, 19 de junho, ocorreu o segundo grande ato contra o Bolsonaro! Protestos ocorreram no Brasil e no mundo inteiro! Em São Paulo, o ato foi imenso, contando com a participação de cerca de 100 mil pessoas! Com o povo nas ruas: Bolsonaro vai cair! Temos que continuar protestando e ocupando as ruas! Sempre, é claro, tomando o cuidado de usar máscaras, lavar as mãos, e mesmo no protesto buscando algum distanciamento entre os camaradas.

Bolsonaro é um genocida. Isso já está estabelecido. São muitas posturas que custaram vidas. A negação dele em comparar vacinas disponibilizadas, a postura dele completamente contrária à ciência e ao isolamento social, para não entrar na insistência dele em utilizar a cloroquina, medicamento que não funciona contra a covid e aumenta risco de ataque cardíaco! E não é só “intriga da oposição” não. Um estudo recente assinado por cientistas da USP e de Harvard, e publicado na renomada revista Science, revela Bolsonaro como um dos maiores responsáveis pelas mortes do coronavírus.

Enquanto Bolsonaro continuar no poder, mais ações desastrosas ocorrerão, e mais vidas serão perdidas à toa! E o povo sabe disso! Por isso que estamos indo às ruas! Para tirar este genocida do poder!

Os protestos, que estão sendo puxados junto ao PSOL pela Frente Povo Sem Medo, articularam ativistas no mundo inteiro! Além de em mais de 400 cidades brasileiras, houveram manifestações em Berlim, Londres, Lisboa, Amsterdã, Dublin entre outras!

A mensagem está mais do que dada: Bolsonaro tem que cair! E se mais pessoas continuarem se unindo aos protestos, ele irá cair! Por isso, convidamos vocês a se unirem ao próximo ato, previsto para o dia 24 de julho! Em São Paulo a concentração ocorrerá à tarde, em frente ao MASP. Queremos o povo nas ruas: Bolsonaro vai cair!

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Sábado dia 29, às 16 horas no MASP é dia de ir para as ruas!

Sábado dia 29, às 16 horas no MASP é dia de ir para as ruas!

Entenda porque, mesmo com a pandemia, os atos previstos para o próximo sábado são fundamentais para barrar o Bolsonaro!

Sábado dia 29, às 16 horas no MASP é dia de ir para as ruas! Não, não viramos negacionistas, nem queremos dar “rolê” na Paulista. Muito pelo contrário: entendemos que ter um presidente que luta contra a ciência, e estimula todos os comércios a abrirem sem dar amparo para quem precisa de renda está matando centenas de pessoas todos os dias. Bolsonaro é um genocida, que tem que ser arrancado de Brasília! E é para isso que precisamos da sua ajuda. Leve máscara, álcool gel e busque manter distância das pessoas. E se for grupo de risco, ou se tiver tido contato recente com quem apresentou sintomas, é melhor não ir. Mas se sentir que pode, vai! O Brasil não pode esperar por mais mortes!

Lógico que todos deveriam ficar em casa. É o que recomenda toda a comunidade científica. É o que disse a OMS, o Instituto Oswaldo Cruz, o Instituto Butantã e qualquer um que entende do assunto desde o começo da pandemia! O problema é justamente ter um presidente que não ouve a ciência, e que não garante ao povo condições de ficar em casa. A grande maioria do povo brasileiro não fez isolamento social. Em um país de privilégios, a quarentena virou luxo. E Bolsonaro fez muito pouco para lutar contra esta realidade.

Muito pelo contrário, Bolsonaro a princípio nem sequer queria dar auxílio emergencial ao povo. Foi graças à oposição, liderada pelo PSOL no congresso, que o auxílio virou lei. Mas o oráculo da economia, o Ministro Paulo Guedes, não quis deixar barato. Agora negociam valores menores para o auxílio, em “troca” do desmonte total da educação, saúde e outras áreas sociais importantes. Não podemos deixar assim!

Já era para o Brasil estar vacinado! Na verdade, o Brasil teve a chance de ser o primeiro país a começar a vacinar, e um dos primeiros a ter mais de 60% da população imunizada. Mas Bolsonaro disse não. Negou as vacinas da Pfizer, da China e mesmo as produzidas no Brasil. Recusou vacinar o povo por… razões. A incompetência é tão absurda que é difícil entender as motivações por trás. Uma hora alega preço alto, na outra berra teorias da conspiração falando da “vacina chinesa”… Os absurdos são tão grandes que nem tem nexo interno!

Tudo isso cansa. Mas se fosse apenas cansaço, tudo bem! Poderíamos esperar. Mas não é apenas isso, tem gente morrendo! E gente que vai continuar morrendo a não ser que o Bolsonaro saia da presidência! Temos que agir, e agir agora!

Ainda assim precisamos ter cuidado. Quem for idoso, menor de idade, grávida, tiver comorbidades, ou mesmo tiver tido contato recente com pessoas com sintomas, deve se abster do ato. Aproveita para acompanhar a página do Toninho. Haverá uma programação de lives e conteúdos para você se informar e compartilhar!

De toda a forma, lute! Seja de casa ou presencialmente no ato. A concentração será no próximo sábado, dia 29 no vão livre do MASP às 16 horas. Use máscara e se cuide, mas ajude a cuidar do Brasil também!

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Assembleias e Conselhos Populares já!

Por Celio Turino

Texto publicado originalmente dia 21 de Junho de 2013, às 16:06 horas na Revista Fórum

O texto de Célio Turino foi escrito em meio às jornadas de junho de 2013. Desde lá o historiador já percebia a ameaça de golpes na América Latina, com participação direta dos Estados Unidos. Já era possível vislumbrar a ameaça fascista que se formava, e o imenso vácuo político, que viria a ser mais tarde preenchido por uma extrema direita reacionária. Mas acima de tudo, percebia-se como imperativo histórico a necessidade da esquerda de dar razão ao descontentamento da sociedade em nome de um programa verdadeiramente revolucionário.

Antes que seja tarde, é preciso dar vazão ao sentimento da Multidão.

Houve a reivindicação unificadora pela revogação do aumento na tarifa do transporte, os protestos, a repressão, o povo que não se intimidou, as bandeiras difusas expressas pelo ativismo autoral, a horizontalidade, o desejo de mudança, a cultura de paz, a auto-organização em manifestações pacíficas…; a raiva incontida, a classe dirigente de costas para o povo, os partidos políticos atônitos, as prioridades duvidosas, os serviços públicos mal prestados, os desvios de recursos…; mais raiva, mais gente nas ruas, agora abrindo espaço para provocadores, aproveitadores e fascistas. E mais raiva!

Deixaram que isso acontecesse. Quem está nos governos (todos os governos) não conseguiu perceber a situação, foi arrogante e ignorante ao mesmo tempo. Não deram ouvidos e continuam não escutando. Dos parlamentares, nem se fala. Quanto aos movimentos sociais, tentam entender o que está acontecendo e se reconectar com o povo e, quem sabe, ainda haja tempo para que o façam. E o povo na rua, com suas bandeiras difusas, sua revolta, sua raiva.

O que fazer?

Ouvir, escutar, canalizar, resolver. Se rapidamente (o quanto antes, pois os dias no Brasil estão correndo em velocidade de décadas) os que estão nos governos conseguirem interpretar esta insatisfação e atendê-la, ao menos mostrando um horizonte diferente, ótimo. Mas talvez não tenham mais capacidade de fazê-lo; em nome de uma governabilidade oportunista perderam a conexão com o povo e isto é fatal. Alguns tramam por golpe, uma mudança autoritária, seja de carater clássico e fascista ou em novas formas. Esta é uma hipótese real, que pode ser constatada com a ação de provocadores nas manifestações, na manipulação das polícias estaduais, que ora reprimem de forma desmesurada e ora desaparecem, provocando caos e o terror em ambas situações; há também a alteração na embaixada norteamericana no Brasil, fato que não pode passar despercebido, pois a nova embaixadora também estava no Paraguai, quando do golpe contra o presidente Lugo. E há o povo, com seu desejo de mudança, sua festa, suas cores e sua força. Agora cabe escolher com coragem e clareza de que lado estar.

Este é um tempo em que não podemos nos omitir e, da mesma forma que defendemos a democracia, temos que defender a mudança. E estar ao lado do povo, não acima nem abaixo, simplesmente ao lado, caminhando junto, por uma solução comum e democrática. Quem não perceber esse momento será tragado pela Multidão, não resta dúvida, e se aqueles que deveriam estar ao lado do povo não conseguirem cumprir o seu papel, outros o farão; que não sejam os fascistas e reacionários, que não seja a manipulação midiática, nem os golpistas de olho no pré-sal e em outras riquezas mil. Em uma situação de quase descontrole é momento de parar e refletir. Mas temos que fazer isso já e junto com o povo, não fora. As manifestações do dia 20 de junho demonstraram que a população segue insatisfeita e que não vai parar de ir às ruas, pois quer muito mais que a redução da tarifa no transporte. Porém, continuar saindo às ruas em revolta difusa só abrirá espaço para manipuladores. Daí a necessidade de um caminho que canalize toda essa energia em um programa mínimo.

Como fazer?

Ao invés de manifestações e marchas de rua, Assembleias Populares, em locais adequados para o debate com a Multidão, seja em estádios ou praças cívicas. E com método. É preciso restabelecer acordos de convivência entre a Multidão, movimentos sociais organizados e partidos políticos populares. Se cada parte ceder um pouco isso será possível, pois o povo já aprendeu que unido e em paz consegue muito mais que em disputa entre si. E em caso de provocadores, isolá-los. Como método preparatório, devemos lançar mão de exercícios de convivência e paz, realizados no mesmo local, em grupos (certamente poderemos contar com muitos bons voluntários), antecedendo a Assembleia. E ir com espírito aberto, sabendo escutar, orientar e ceder. Se em uma única assembleia não for possível para unificar a pauta, façamos outras, até a construção de consensos mínimos, que permitam a formação de Conselhos Populares, seja por bairros, municípios ou nação.

O Rio de Janeiro já deu o primeiro passo e dia 24 de junho será realizada a primeira Assembleia Popular da cidade (na sequência publico o vídeo-convocatória, preparado por Alessandra Stropp), cabe às outras cidades fazer o mesmo (em São Paulo poderia ser no Sambódromo ou no estádio do Pacaembu).

E assim, com paciência, clareza e coragem, faremos brotar um Brasil como nunca se viu! E que seja justo, democrático, tolerante e diverso.

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