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MAIS UMA VEZ LULA. E A TERRA GIRA, É CLARO.

MAIS UMA VEZ LULA. E A TERRA GIRA, É CLARO.

O Lula voltou a ser elegível. Entenda o que isso pode significar para a esquerda

Todos os socialistas da minha geração possuem uma grane admiração por Lula. A minha, contudo, nunca se transformou em adoração. Cultos á personalidade são despolitizadores e frequentemente tiram das pessoas a capacidade de análise crítica.

Durante os governos de Lula e depois de Dilma Rousseff tive algumas discussões, ora civilizados, ora nem tanto com petistas que não admitiam críticas e de maneira maliciosa – e muitas vezes desonesta – igualava minhas críticas às administrações petistas, às dos tucanos ou da direita coxinha xucra. Nunca fiz isso. Sempre defendi que as críticas de esquerda aos governos petistas deveriam ser qualificadas. E que os inegáveis avanços sociais deveriam ser defendidos. Assim como seus erros deveriam ser discutidos publicamente.

Militei no PT durante dez anos da minha vida. Não me arrependo. Na época acreditava na capacidade de transformação do partido. Quando comecei duvidar me afastei, tornando-me um socialista sem partido. A tal da “real politik” praticada por sujeitos como Palocci e José Dirceu me levaram a votar no PSTU em 1998 e no primeiro turno em 2002. Voto no PSOL desde 2006, principalmente pós o PSTU, um partido que me parecia uma alternativa válida dentro do campo da esquerda socialista, ter se transformado no que é hoje, uma seita de lunáticos que vociferam contra tudo e todos.

Não obstante, e já com muitas críticas às administrações petistas, votei em Lula nos segundos turnos em 2002 e 2006, além de ter duas vezes votado em Dilma. Não porque possuía ilusões, mas porque as alternativas – tucanas – eram piores. O que a adesão do tucanismo ás práticas golpistas e o apoio de parte do PSDB ao bolsonarismo viria a confirmar.

Evidentemente fui contra o golpe que tirou Dilma da presidência em 2016 – apesar de me opor a várias medidas do seu governo – e contra a prisão de Lula em 2018, uma manobra criminosa da gangue da republiqueta de Curitiba para impedir o ex-presidente de desfrutar de um terceiro mandato.

A entrevista dada por Lula, na Band, ao jornalista Reinaldo Azevedo – não nos esqueçamos, um daqueles que com sua histeria antipetista, abriu o caminho para o neofascismo bozoasnático – demonstrou a diferença entre um político e um bufão, ou um rufião de taverna, diriam os romanos.

Um dos maiores crimes da histeria antipetista e antiesquerdista como um todo, endossado pela mídia, foi a criminalização da política e dos partidos. Cujas consequências foram a santificação de bonapartes de toga e a elevação à chefia do Estado de milicos fascistas de pijama. Que rapidamente vestiram ternos mal ajambrados e brincam de chefes do hospício.

Lula, com suas qualidades e defeitos, continua o maior líder popular que esse país produziu. Os imbecis da classe média que se acham inteligentes – aqueles formados nas universidades do Whatsapp – deveriam ouvi-lo. Certamente não conseguiriam entendê-lo, presos que estão aos seus preconceitos de classe, à sua estupidez atávica e às suas deficiências cognitivas aparentemente incuráveis.

A verdade é que o ex-metalúrgico está mais vivo do que nunca. Aqueles que se apressaram – mais uma vez – em decretar a morte de Lula, do PT ou da esquerda como um todo, podem ficar preocupados. Para essa gente é um choque, eu sei. Mas, independentemente das opiniões abalizadas dos terraplanistas, a terra gira, é claro. E a política está de novo na ordem do dia. Felizmente

As opiniões presentes no texto não necessariamente refletem as opiniões do Vereador Toninho Vespoli

Benedito Carlos dos Santos

Benedito Carlos dos Santos

Bene – Benedito Carlos dos Santos – É professor de história com mestrado na matéria e articulador na Rádio Cantareira

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