quarentena

Por que ser contrário à reabertura das escolas durante uma pandemia?

Desde que foi declarado o afrouxamento nas regras de distanciamento social por pressão de grupos econômicos temos acompanhado o efeito dominó de reaberturas de instituições e comércios até que o pico da pressão sobre a necessidade de reabertura das Unidades Escolares.

Um ponto importante a ser ressaltado é de que todo esse processo tem acontecido, diferente do resto do mundo, com números absurdamente altos (segundo país com maior número de contágios), mesmo com pequena parcela de testagem entre a população, e com uma média diária de mais de 1200 mortes devido ao vírus covid-19.

Em primeiro lugar é preciso considerar o direito à vida. Enfrentar uma pandemia de uma doença nova, sem estudos suficientes para analisar comportamento, sem vacina ou remédio tem sido muito difícil para o todos, porém, o único consenso mundial tem sido em torno da importância do cumprimento da quarentena para que o vírus deixe de circular e que inclusive o sistema de saúde tenha respiro para atender a todos.

Muitas das escolas não estão adaptadas para a quarentena!

Outro aspecto importante são os prédios das escolas. Cerca de 80% dos CEIs na cidade de São Paulo pertencem à rede parceira, muitos deles, funcionando em casas adaptadas para receber as crianças, sem ventilação adequada, sem espaços externos e sem possibilidade de distanciamento.

Além disso, justamente na Educação infantil, a mídia tem insistido sobre a importância dos pais terem onde deixar as crianças para poderem voltar ao trabalho e que os pequenos são assintomáticos. Ora, os professores mantém contato direto com as secreções dos bebês e o cuidar é um dos pilares do trabalho, o que obviamente está ligado à questão do afeto e contato físico. Mesmo que a afirmação sobre as crianças estivesse correta, os professores não são imunes, os familiares dos bebês, crianças e funcionários também não são imunes.

Além do mais todos os documentos de protocolos sendo apresentados possuem como premissa o distanciamento e a proibição de contato entre estudantes. Essas pessoas já foram numa escola? A escola é espaço de interação, crianças ou adolescentes se abraçam, compartilham lanches, brincam em suas rotinas, independente do comando do adulto.

Tendo por base que todas as escolas fossem equipadas com álcool gel, sabão suficiente, papel, máscaras para todos, como garantir a troca de forma adequada e o uso integral por seres em formação quando o que temos visto na prática entre adultos a resistência ao uso quer seja na prática de exercícios físicos, filas com lugares marcados ou perambulando pelas ruas? As campanhas por parte do Estado de orientação à população em geral tem sido satisfatória?

Não há espaço ou tempo para atender as crianças respeitando as medidas de isolamento

E as recomendações não pararam por aí, falam em marcar lugares durante o uso do refeitório ou que as refeições sejam feitas na própria sala de aula. As Secretarias sabem que devido ao grande número de estudantes atendidos por escola já é prática a realização de 3 ou 4 intervalos fora os momentos de lanche dirigido? Não há espaço hábil dentro da linha do tempo para fragmentar mais as turmas nas refeições. Além disso, os professores possuem o intervalo garantido em sua jornada de trabalho. Quem ficaria com os estudantes nas salas de aula? As unidades sofrem com vacância de cargo e insuficiência de trabalhadores no quadro de apoio, sem falar em todos os afastamentos de servidores do grupo de risco.

A super exploração das equipes terceirizadas também aparecem nessa conta. As equipes das escolas foram reduzidas de 11, 10, 9 para 3 ou 2 funcionários para dar conta da limpeza, independente do tamanho dos prédios. Como dar conta da higienização de todas as salas ( estamos falando de escolas que possuem até 25 salas por período de funcionamento) após cada refeição, revisão dos banheiros e reabastecimento de todos os pontos de álcool e sabão, dentro do período de aulas? Isso sem falar nas tarefas realizadas entre os atendimentos das turmas…

Ou seja, protocolo de volta com a pandemia em curso simplesmente não é possível com segurança. O problema é que muito se fala de Educação, porém sem conhecer ou respeitar a realidade e os problemas das escolas que já tem sido motivo de reivindicação há tanto tempo por quem conhece a prática e a estrutura por dentro.

Vivian Alves

Vivian Alves

Vivian Alves é filósofa, diretora de escola e ativista pela esucação. Atualmente ocupa o mandado do Vereador Toninho Vespoli.

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A rebeldia da juventude e o coronavirus: epicurismo ou realidade?

A rebeldia da juventude e o coronavirus: epicurismo ou realidade?

Entenda o que está acontecendo com a juventude nas quebradas durante a pandemia

Uma das preocupações durante a quarentena entre os educadores, especialmente os que atuam no Ensino Fundamental e Médio, é sobre o que seus alunos que não estão interagindo nas plataformas virtuais estão fazendo. Se estão bem.

Não faltam relatos de ruas cheias de jovens empinando pipas, de fluxos lotados ou de colegas mudando as fotos de perfil nas redes sociais com mensagens de luto.

É importante pontuar que via de regra muitos jovens dos extremos periféricos estão sendo contaminados e parecem desafiar as regras de cuidados impostos durante a quarentena.

Por outro lado, já vivem em meio às piores expectativas de vida da cidade. São os que não têm acesso ao saneamento básico. São os que esperam por 9 horas para uma consulta simples. São os que são selecionados negativamente na vaga de emprego pelo CEP. São muitas vezes os que dividem um cômodo para 7 pessoas da família. São os que não possuem acesso a diferentes fontes de lazer que muitas vezes é proporcionado pelas interações na escola. São as maiores vítimas de morte violenta e de “erros” por parte do Estado, é neles que cabe a justiça com as próprias mãos, furto de chocolate vira chibatada, furto de carne gera tortura com choques.

Falar que estão arriscando as vidas e que podem morrer por um vírus significa o que na rotina de vida desses meninos?

Sabe aquele papo do aluno que não sabe se vale a pena ser como o “bandido” da vila, pois é respeitado, anda de moto, tem namoradas, tênis da moda e uma TV legal em casa? Ele te fala que sabe que provavelmente viverá pouco, mas terá aproveitado ao máximo.

Às vezes é exatamente essa a impressão deixada quando alguns compram pebolim ou churrasqueira durante a quarentena e festejam como se não tivesse amanhã.

Em tempos normais, com alguns dias de não comparecimento às aulas a escola tenta contato com família, com conselho tutelar. E durante a quarentena? O trabalho dos conselhos precarizados foi intensificado? Quais as ações foram pensadas pelo governo para a busca ativa desses nossos estudantes? Quais foram as estratégias reais de proteção a essas vidas e de prevenção a evasão? Provavelmente poucas ou nenhuma, afinal os que eram invisíveis antes da pandemia, continuam tristemente a sê-lo.

Vivian Alves

Vivian Alves

Vivian Alves é filósofa, diretora de escola e ativista pela esucação. Atualmente ocupa o mandado do Vereador Toninho Vespoli.

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Atenção comunidade, a quarentena ainda tá de pé!

Periferia relaxa e vida segue normal nas ruas das quebradas

O governo estadual estendeu a quarentena até o dia 22 de abril para que o isolamento social impeça o avanço da Covid-19. E o que isso significa para a periferia de São Paulo? Muito, pouco, ou quase nada? Mesmo com as insistentes campanhas e reportagens sobre a importância de não sair de casa sem necessidade, está difícil para que o povo largue os antigos hábitos.

O boteco continuou sendo palco das partidas de truco. A manicure continuou cortando cutículas. O cabeleireiro continuou raspando cabeças. No quintal, ainda se suja o chão com a cinza da lenha dos churrascos e da cerveja derramada. As mini igrejas continuam ecoando vozes adultas e infantis. Na madrugada, a rua de baixo vibra com os pancadões. E os jovens compartilham as mangueiras de narguile nas tabacarias.

O Blog 2Litrão separou alguns depoimentos  de diversas quebradas da capital paulista:

Jardim Sinhá: “Vizinhos estão fazendo festa todo fim de semana. Os bares estão abertos e cheios de gente. O comércio funcionando normalmente. O pessoal não está nem aí!”

Vila Industrial: “Próximo ao mercado D’avó, estava tudo aberto. Todo os dias. Loja de sapato, perfumaria…”

Teotônio Vilela: “Aqui está parecendo colônia de férias… As pessoas estão pra baixo e pra cima,sem cuidado algum. Os comércios,bares e tabacarias  estão funcionando normalmente; e nos finais de semana,ainda pior,festas pra todo o lado”

Jardim Brasil: “Tem até baile funk acontecendo…Você vai no mercado, tem 150 pessoas por metro quadrado… As filas são aglomerações… Dá muito medo!”

Vila Joaniza: “Aqui as lojas e bares estão fechados, mas há crianças brincando na rua, adolescentes fumando narguilé, comadres fofocando sem a distância de um metro, supermercados lotados e os caixas sem proteção alguma, a garotada dando amassos nos becos e os idosos indo e voltando da lotérica”.

Vila Nova Cachoeirinha: “Aqui, a vida que segue. Ninguém de máscara. Todas as lojas abertas, mercados lotados,churrasco. Eu moro em prédio e as crianças estão brincando lá embaixo todos os dias. Sem comentários…Lamentável!”

Rebeldia ou necessidade

A ideia da quarentena implica privar corpos de ir ou vir e faz com que a autonomia seja reavaliada. Serão revolucionárias as pessoas envolvidas nos relatos acima? Ou muitos fogem à regra por necessidade? 

A operadora Vivo está veiculando uma propaganda na TV aberta sobre a conectividade digital em tempos de coronavírus. O slogan: “conecte-se para aproximar”. Durante o vídeo publicitário, eram apresentados personagens com tablets aprendendo receitas, outros assistindo série na televisão. Esplêndido, olhem como a Era Digital chegou na vida das pessoas. Mas de quais pessoas?

Na periferia, rede de internet à cabo é luxo, aliás, quase não existe. Como driblar a monotonia? Futebol de várzea, empinar pipa, dominó com os amigos, bater papo olho a olho com as vizinhas… Culturalmente, o isolamento para muitos brasileiros é quase que o mesmo que se privar de viver. Soma-se à isso, a falta de sintonia do Estado sobre a real situação que passamos. Por um lado, governos e ministérios soltam legislações para que os comércios se fechem e pedem ao povo que fiquem em casa o quanto puder. Já o presidente da República adota outra postura e em pronunciamento oficial contradiz tudo o que foi dito pelos seus pares. Em quem acreditar?

Aos que precisam trabalhar para fechar a conta da casa no fim do mês, o governo já liberou o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600, que pode chegar a R$1200 por família, pelos próximos três meses. Vale arriscar a vida por uma crise econômica que ainda não chegou? 

Já aos que escolhem a diversão ao isolamento social é preciso um choque de realidade: os números de casos e de mortos estão subnotificados. Sem sensacionalismo, a situação é gravíssima. A ficha só vai cair quando a matriarca de um vizinho for uma vítima da Covid-19? Por que não economizar a cerveja para comemorar a derrota da doença?

 

Juliana Ghizzi

Juliana Ghizzi

Juliana Ghizzi é Jornalista pela PUC-SP. Atualmente, trabalha como assessora de comunicação do Mandato Popular do Vereador Toninho Vespoli

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Toninho Vespoli busca justiça na ONU

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Toninho pede À ONU que se pronuncie contra os desmandos do Bolsonaro

É triste ter que afirmar, mas as ações do presidente eleito Bolsonaro estão custando vidas. Não é possível continuar a aturar tanto negacionismo. A COVID-19 (ou novo coronavírus), é uma epidemia facilmente transmitida. Apesar da taxa de mortalidade ser relativamente baixa (em comparação com outras infecções que o mundo enfrentou), uma grande parte dos infectados (cerca de 12,9%) chegam a precisar atendimento hospitalar, sem o qual correm risco de sequelas permanentes, ou até mesmo de morte. A única forma apontada por especialistas para diminuir a a velocidade da infecção é o isolamento e quarentenada da população. Infelizmente, o presidente Bolsonaro se recusa a permitir que seja feito o que é necessário. Diante de tão triste performance do presidente, o vereador Toninho Vespoli busca justiça na ONU por meio de carta enviada à OMS. Toninho não age por desejo ou prazer mas por senso de responsabilidade frente à catástrofe global.

Seria o ideal ter uma liderança capaz de ouvir aos anseios, tanto do povo como dos especialistas. Que entendesse que vidas devem vir antes da economia, e que a única forma de superarmos este momento será através da solidariedade e do isolamento social. Mas as coisas não assim. Em 2017, a população elegeu o presidente Jair Bolsonaro. Famoso por suas falas polêmicas e por sua admiração da ditadura militar, Bolsonaro já declarou, em inúmeras vezes, o seu descaso com a vida humana. “O grande erro da ditadura foi torturar e não matar” (sic.), disse o Bolsonaro certa vez em entrevista. Agora o presidente mostra, mais uma vez, estar disposto a trocar vidas humanas por ganhos políticos. Por diversas vezes ignorou a opinião da maioria dos especialistas, inclusive de seu ministro da saúde, se posicionando contrário ao isolamento social e à quarentena, em face do novo coronavírus.

Em face aos absurdos de Bolsonaro, Toninho Vespoli busca justiça na ONU

Apesar de inegáveis os danos à economia que serão consequência do isolamento, não é possível ser tão indiferente aos infectados. Ao invés de trabalhar junto à sociedade e aos especialistas no planejamento de programas de assistência aos que se verão afastados de seus trabalhos, Bolsonaro insiste em uma retórica genocida. Foi por isso que o vereador Toninho Vespoli se viu obrigado a enviar uma carta à Organização Mundial da Saúde pedindo que o órgão, ligado à ONU, se manifeste no sentido de frear as posturas do presidente. Não se trata de meras diferenças políticas, comuns e saudáveis em uma democracia. Tanto que outras lideranças, de outros partidos, ecoam a mesma súplica a órgãos internacionais. Trata-se, sim, da necessidade de fazer o possível para parar um líder que insiste em uma retórica política que deverá tomar muitas vidas.

O envio da carta não foi feito com pouco pesar. É, na verdade, constrangedor perceber a impotência de nosso país em lidar com este tipo de problemas. Não trás felicidade a ninguém ser forçado a reconhecer que nenhuma força no Brasil, do judiciário ao legislativo, teria força para frear as ações destrutiva do presidente. na verdade, todo o escândalo mostra a fragilidade de nossas instituições, a necessidade de uma estrutura em que o líder do executivo não concentre, em si, tantos poderes. Mas mesmo que resignado, o vereador não vê outro curso de ação que não este. Torcemos para que internacionalmente haja a ponderação necessária para enfrentar lideranças como o Bolsonaro. Mais que isso, torcemos pelo dia em que não seja necessário que lideranças como o vereador Toninho Vespoli busquem justiça na ONU.

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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Cursos gratuitos para fazer na quarentena

Cursos gratuitos pra fazer durante a quarentena - coronavírus

Se você está em casa para isolar do vírus do coronavírus, vale ficar atento às oportunidades gratuitas para sair do tédio e se qualificar. 

A Amazon, por exemplo, disponibilizou livros de graça na versão Kindle, sendo que é possível baixá-los para ler em qualquer dispositivo com temas em sociologia, psicologia, política, entre outros. 

Diversas plataformas de ensino também liberaram conteúdo com diversas temáticas. Confira a lista de cursos gratuitos para fazer durante a quarentena:

A FGV (Fundação Getulio Vargas) oferece 56 cursos gratuitos online nas áreas de finanças, administração pública, direito, gestão, marketing, entre outros temas.

No site do Senai, são 12 cursos online gratuitos com os temas consumo consciente de energia, desenho arquitetônico, educação ambiental, empreendedorismo, finanças pessoais, fundamentos de logística, lógica de programação, propriedade intelectual, segurança do trabalho, metrologia, noções básicas de mecânica automotiva e tecnologia da informação e comunicação.

A plataforma oferece 193 cursos gratuitos, com temas como conserto de celulares, criação de jogos e investimentos.

A Faber-Castell decidiu oferecer em sua plataforma de cursos online todos os cursos de desenho, de forma totalmente gratuita. Ao todo são 17 opções, não só para as crianças, mas também para os adultos.

Os cursos podem ser realizados de forma individual ou conjunta com os familiares, incentivando assim a interação entre todos. O objetivo é usar traços, desenhos e cores para estimular o pensamento criativo.

Quer saber mais sobre filósofos e sociólogos? Todo o conteúdo da Casa do Saber On Demand também estará disponível gratuitamente para todos os usuários pelos próximos 30 dias. Para acessar, é preciso login na plataforma com seu e-mail e senha já cadastrados.

O aplicativo Coursera oferece cursos online gratuitos criados por mais de 100 universidades espalhadas pelo mundo. A ideia da plataforma, durante o isolamento domiciliar em combate ao coronavírus, é fornecer o acesso gratuito ao seu catálogo de cursos de instituições impactadas pela pandemia. Para participar, o estudante deve procurar informações com os representantes da sua universidade. A data limite para inscrição de novos alunos é 31 de julho de 2020.

O Senac EAD disponibilizou gratuitamente diversos cursos de extensão universitária, nas áreas de Educação, Gestão e Saúde, e cursos livres. 

O governo federal lançou uma plataforma com 156 cursos gratuitos. A grade é da Escola Nacional de Administração Pública e os temas são variados, indo de saúde até economia.

A História da Quarentena

A História da Quarentena

Conheça a história da quarentena e porque ela é importante

Em períodos de pandemia, a palavra da vez é quarentena. Especialistas confirmam: é uma das melhores formas de impedir que um vírus se espalhe. Mas mesmo que muito usado, o termo quarentena é pouco entendido. Torna-se válido procurar a história da quarentena.

A prática de isolar doentes é tão antiga quanto a medicina. O próprio Hipócrates se referiu à ideia quando propondo formas de tratar de doenças transmissíveis em um estudo de três volumes sobre epidemias, em meados do século IV a.C.[1] Algo como no mesmo período o livro Levíticos, do primeiro testamento da Bíblia, recomenda o isolamento a pacientes com certas enfermidades. [2]

A tradição islâmica também demonstra um mesmo costume: Segundo o historiador turco Aydin Sayili, uma das maiores referências em história islâmica, o que talvez tenha sido o primeiro hospital islâmico, foi construído em Damascus, na atual Síria. No hospital, havia espaço específico para o isolamento de leprosos. [3]

Mas foi ainda antes, em cerca de em 600 a.C., que ocorreu a primeira referência conhecida à prática de isolamento para enfermos. O texto sagrado do hinduísmo Artharvaveda recomendava que pessoas evitassem contato com pessoas portadoras de doenças de pele. O princípio por trás da prática, mesmo que justificado por meio da religiosidade, é o mesmo por trás da quarentena moderna: que a melhor forma de evitar que uma infecção se espalhe é garantindo que os infectados não entrem em contato com pessoas não infectadas. [4]

As primeiras quarentenas

É evidente que, apesar das práticas serem semelhantes, as justificativas e contextos para elas variam a depender da cultura. Hipócrates acreditava que “miasmas”, gases vindos da terra, estariam presentes no cérebro do infectado. [1] Para os cristãos seria uma punição divina, que se estenderia a quem convivesse com o pecador [2]; para o texto hindu, doença e espiritualidade estão conectados, uma enfermidade sendo consequência ou de desvio espiritual, ou de alguma força ruim. [4] Mas é de se admirar que o conhecimento milenar sobre isolamento social possa ser traçado a diferentes culturas, regiões e períodos da história.

O primeiro uso do termo quarentena foi em Veneza, no período medieval. [5] A determinação de que navios ancorados levassem 40 dias antes da tripulação desembarcar. [5] [6] [7] [8] Acreditava-se que a isolação seria uma forma da pessoa se purificar. [9] A medida foi tomada para evitar a transmissão da peste bubônica e da lepra.  Entre o século XII e XIV, em Veneza, a quarentena se tornou padrão em navios que lá desembarcassem, sendo dedicadas ilhas inteiras para o desembarque de tripulações suspeitas de estarem infectadas por 40 dias, as ilhas apelidadas de “lazaretos”. [5] [6] [7] [8]

Da tradição cristã, a doença como punição divina, surge a ideia de desprezo e maus tratos ao isolado. O já citado trecho de Levíticos chama, de maneira pejorativa, de “impuros” aqueles infectados com lepra. [2] [9] Dessa forma, seguindo a tradição divina, as tripulações mandadas aos lazaretos corriam riscos grandes de serem deixadas a morrerem. Foram milhares de vítimas da prática. Muitos deles se contaminavam após o desembarque na ilha. Vincenzo Gobbo, um arqueologista encarregado de investigar as ossadas de um dos primeiros lazaretos, estima que só nessa ilha morriam cerca de 500 pessoas por dia [10]

A quarentena moderna

A prática da quarentena não se limitou a Veneza. Durante o surto de peste bubônica cidades inteiras chegaram a ser isoladas para tentar conter o espalhamento da doença. [5] [6] [7] [8] As medidas tiveram sucesso limitado, ajudando a frear o espalhamento da peste bubônica. [11] Mas como aponta a Introdução das Regulações Sanitárias Internacionais, documento de 1952 da Organização Mundial da Saúde, as medidas de quarentena eram tomadas de forma independente e dessincronizada, e geralmente sem o acompanhamento de análises clínicas e científicas. Dessa forma, a eficiência da medida era, muitas vezes, bastante limitada.

Por isso que hoje a recomendação da OMS, e de diversos órgãos internacionais, é que seja feita ação conjunta de vários países para frear surtos epidêmicos, principalmente considerando que, hoje, o transporte de mercadorias e pessoas se dá de forma global. Medidas isoladas não são capazes de resolver completamente o problema, segundo o órgão. [12] Segundo a própria ONU há a necessidade, inclusive, de solidariedade global, os países mais ricos dando para quem não tiver como pagar as contas da crise. [13] Afinal, vidas humanas deveriam ser mais importante do que dinheiro.

O que nos impede

Mas mesmo sendo necessária ação global e coletiva, sair de casa durante uma epidemia deve ser evitado. Tanto que a OMS recomenda a países em todo o mundo que seus habitantes permaneçam dentro de casa, em face do novo coronavírus. [14] Mas não é necessário reproduzirmos os descasos do passado. Hoje sabemos que vírus não são uma punição divina, mas infecções transmissíveis. O doente não tem culpa de estar doente. Medidas assistenciais e sociais são necessárias para manter o menor número de mortes possível.[13]

Em uma nota mais política, e expressando opiniões próprias, não vejo como negacionismo pode ajudar a superarmos a crise que, agora, vivemos. Bolsonaro e Donald Trump, presidentes do Brasil e Estados Unidos, por várias vezes optaram por subestimar a crise. [15] O nosso presidente, inclusive, negando a necessidade de quarentena, colocando o bem estar da economia acima do bem estar do povo. [16] [17]

É difícil saber o que nos espera, mas a mai

 

Legibilidadeoria da comunidade científica é clara: é hora de ficarmos em casa. Os governos deveriam prover ao povo, garantindo condições de sobrevivência frente à crise. Quem não puder se isolar corre riscos maiores e se infectarem.

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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