racismo

Mil dias depois e uma pergunta permanece sem resposta

Mil dias depois e uma pergunta permanece sem resposta

Por que se recusam a responder essa pergunta?

Mil dias!

Mil dias são 24 mil horas e cerca de 33 meses. Nesses mil dias, contados a partir de 14 de março de 2018, muita coisa mudou no Brasil e no mundo. Bolsonaro foi eleito presidente do país, já Trump foi derrotado nos EUA. Vimos surgir uma pandemia e, em tempo recorde, várias tentativas de produção de vacinas.

Mas uma coisa não mudou nesses mil dias, uma pergunta segue até hoje, mesmo depois de tanto tempo, sem respostas: Quem mandou matar Marielle e Anderson?

A noite de 14 de março de 2018 fez surgir essa pergunta que dia após dia não é respondida. E hoje, 8 de dezembro de 2020, mil dias depois, seguimos com esse questionamento: Quem mandou matar Marielle e Anderson?

Polícia Civil, Ministério Público e Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, ninguém sabe as respostas. As investigações chegaram nos autores do crime, mas ainda nada dos mandantes. No meio do caminho queimas de arquivo, mas nada do mandante.

Quantos dias mais teremos que conviver com essa pergunta que parece não ter resposta? Quantos dias mais teremos que esperar que seja descoberto quem mandou matar Marielle e Anderson?

Na esteira desse crime, ainda sem resposta, vemos aumentar no Brasil as ameaças contra outras mulheres eleitas. A deputada federal do PSOL RJ, Talíria Petrone, teve que se mudar e passou a andar de carro blindado e escolta armada, já a vereadora Carol Dartora (PT), primeira mulher negra eleita vereadora de Curitiba, publicou print das ameaças que vem sofrendo. A mesma coisa acontece com a prefeita eleita da cidade de Bauru, Suéllen Rosim (PATRIOTA), que está sofrendo com ataques racistas e ameaças de morte após denunciar as falas preconceituosas de seus opositores políticos.

Por que mulheres negras incomodam tanto?

Com exceção de Suéllen, eleita por um partido de direita, vemos que a eleição de mulheres negras, feministas e militantes de movimentos sociais tem causado um tremendo medo nas velhas milícias políticas de sempre.

Não! Não aceitaremos ver mais corpos de mulheres negras serem assassinados covardemente. Denunciaremos essas ameaças e tentativas de silenciamento.

“Eles combinaram de nos matar. E nós combinamos de não morrer.” Conceição Evaristo.

Edcarlos Bispo

Edcarlos Bispo

Edcarlos Bispo é jornalista e assessor do Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli

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O tucanato criou a PM assassina!

O tucanato criou a PM assassina!

Entenda como o PSDB criou, ao longo de décadas no poder, uma das polícias mais letais do mundo!

A polícia militar ainda continua torturando e matando a população. Mas por trás disso estão décadas de lavagem cerebral dos policiais, e de incitação à violência por parte dos governadores. O balanço do Estado de São Paulo depois de mais de 25 anos anos de governo tucano é o de uma polícia mal paga, mal treinada, constantemente humilhada pelo Estado e doutrinada para matar negros, pobres e periféricos. O tucanato criou a PM assassina!

O histórico de incitação à violência não é recente em São Paulo. Em 2002, 2 anos após Geraldo Alckmin (PSDB) ter assumido o governo do estado, a violência policial aumentou como não visto em 9 anos. A maior parte das vítimas, como sempre, foram pessoas pobres e negras de periferia. Quando questionado por jornalistas sobre os números, Alckmin foi categórico “Em São Paulo, bandido tem dois destinos: prisão ou caixão”. Só que mais violência vinda por parte da polícia nunca está associado a mais segurança e menores índices de violência. Na verdade, São Paulo na época passava por uma baixa histórica no número de roubos, furtos e homicídios. E um aumento na violência policial não resultou em mais segurança para a população.

De Alckmin à Doria

A tendência infeliz do populismo de guerra não parou no Governo de Alckmin. Pelo contrário, se fortaleceu no decorrer dos anos. O José Serra, por exemplo, enquanto Governador de São Paulo, mandou os policiais militares trocarem tiros com os policiais civis da capital do estado. Acontece que a polícia civil estava em greve pedindo melhores condições de trabalho. A greve era legítima, e havia sido convocada após várias tentativas de negociação com o município, em meio a salários e equipamentos defasados.

Ao invés do diálogo, Alckmin optou por mandar atirar. Por sorte ninguém morreu, mas pelo menos 32 investigadores, delegados, escrivães e peritos da Polícia Civil ficaram feridos. José Serra aproveitou o caos para posar para foto com militares em campo de tiro, e ainda acusou “políticos e sindicalistas” de incitarem o confronto com fins eleitorais. Ou seja, quem é contra ele seria criminoso que merece ser alvejado.

A transformação do inimigo político em “criminoso”

Essa mesma lógica de “criação do inimigo”, foi usada por Geraldo Alckmin, em seu terceiro mandato de governador, para reprimir manifestantes em 2013. Só que dessa vez os manifestantes tinham uma nova arma: as câmeras de celular. Pela primeira vez no Brasil os ataques e a truculência dos policiais foi sistematicamente registrada em dezenas de momentos diferentes. Ficou claro e escancarado para quem quisesse ver. E por mais que a Globo tentasse abafar os protestos, todos foram obrigados a reconhecer: nossa polícia é uma das mais violentas do mundo!

Infelizmente esse novo conhecimento não foi o bastante para parar a violência da polícia militar. Em 2018 dois fascistas foram eleitos: um para o governo de São Paulo e outro para a presidência da república. E os dois se assemelham (demais). Ainda antes de ser eleito Doria chegou a níveis bolsonaristas de incitação à violência. Disse que quando assumisse ia ser política do tipo “ou se rendem ou vão para o chão. […] a polícia atira. E atira para matar”(sic.). ]

Ciclo de violência que mata pobres e negros

Por trás dos discursos fortes do populismo de guerra se perpetua um ciclo de violência que deixa, não apenas a população civil, como também militares mortos. Eu já cobri em outro artigo com mais detalhes, mas o ponto é que o treinamento dos policiais militares é feito para torná-los violentos, sanguinários. Ocorre uma lavagem cerebral para que eles pensem que a violência é a única solução.

Soma-se a isso constantes humilhações e salários baixíssimos, mesmo se comparados aos salários em outros estados brasileiros, e o resultado acaba sendo uma polícia violenta, desesperada e com uma série de traumas mentais.

E quem mais sofre com todo esse descaso são as populações pobres, negras e periféricas. Como no caso recente caso de Guilherme Silva Guedes. O jovem de apenas 16 anos, foi assassinado com dois tiros na cabeça na madrugada do dia 14. Difícil prever o que acontecerá com os policiais envolvidos. Mas a seguir a tendência da corregedoria da PM em São Paulo, é pouco provável que se venha a ter justiça. Fica claro que desde que o tucanato criou a PM assassina as coisas não devem funcionar pelo bem do povo.

É preciso que as coisas mudem. Precisamos de uma polícia eficiente, comunitária e capaz de prezar pela vida (e não pela morte) da população. A polícia que temos precisa acabar. E no lugar uma nova deve surgir, com salários dignos, treinamento correto e fiscalização por uma corregedoria forte e independente.

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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o que é racismo ambiental?

o que é racismo ambiental?

Aproveite o Dia do Meio ambiente para entender como as questões raciais estão inseridas na luta climática

Sabe o que é racismo ambiental? Ocorre quando as catástrofes ambientais atingem principalmente a população negra. Falta de saneamento, poluição de rios, surtos epidêmicos… Tudo isso atinge muito mais pessoas negras do que brancas! O termo tem ainda outro significado, que é quando lideranças falando sobre a luta pela mãe natureza, são cortadas dos debates por serem negras! Em tempos em que o mundo se revolta por assassinatos de pessoas negras como João Pedro, e George Floyd, é importante aproveitarmos hoje, o dia do meio ambiente, para entendermos porque a questão racial está presente inclusive na luta ambiental!

Foto de Tuca Vieira. O mundo dos pobres é também o mundo dos negros

Pessoas negras tem 62% mais chance de morrerem em decorrência da Covid-19

O termo racismo ambiental foi pensado pelo braço direito do Martin Luther King Jr., o Dr. Benjamin Franklin Chavis Jr. O que Benjamin percebeu é que as pessoas negras tinham muito mais chance de sofrerem com infecções de resíduos tóxicos. E desde então parte da comunidade ativista negra começou a perceber que o padrão se repetia para uma série de desastres ambientais. Pega por exemplo o coronavírus. Apesar de ser um vírus trazido por brancos vindos da Europa para o Brasil, a população negra paulistana, segundo dados da prefeitura, tem 62% mais chance de morrer que a branca devido à covid! 

Tão chocante quanto, é perceber que pessoas negras que falam de questões ambientais, são muito menos escutadas que pessoas brancas, independente de qualificações! Isso é, ainda, outra forma de racismo ambiental, porque reflete um preconceito da sociedade contra qualquer coisa falada por negros! É como se existisse uma barreira social invisível, que diz que para um ativismo ser válido precisa ser respaldado com a opinião de brancos. Caso particularmente chocante disso aconteceu no Fórum Econômico Mundial em Davos deste ano, a ativista e liderança negra ugandesa Vanessa Nakate, foi literalmente cortada de foto com outras eco-ativistas brancas (dentre elas a sueca Greta Thunberg), na publicação de um jornal estadunidense (Associated Press)

Em cima a versão publicada no jornal, embaixo a foto original

Quando pessoas negras lutam e morrem, a mídia se cala

Ou seja, pouco importa que Vanessa é uma ativista incrível que iniciou seu próprio movimento internacional pelo clima, a partir de inúmeros protestos na Uganda. Pouco importa saber que na Uganda, diferentemente de países como a Suécia, protestar pelo clima traz um risco imenso de prisão. Pouco importa pensar nas mazelas do aquecimento global para Vanessa e para seus conterrâneos ugandeses. Pouco importa porque são pessoas negras. E quando pessoas negras, gritam, lutam e morrem; a mídia, os jornalistas e a própria ONU se calam! 

Ocorre, também, racismo ambiental com outras lideranças que sejam parte de minorias étnicas, mas não afrodescentes. No Brasil, por exemplo, ocorre isso com a população indígena. Um nome muito difundido pela mídia, por exemplo, é o da ativista sueca Greta Thumberg. Mas muito menos mencionados são os esforços do ativista Raoni Metuktire (conhecido como Índio Raoni) pela preservação da natureza. O ativista nativo-brasileiro luta desde a década de 60 pela preservação das florestas. 

Os brancos são mais ouvidos do que os negros

Mas foi apenas após participar de conferência pelo clima em Paris, em que estava presente o cantor branco Gordon Matthew Thomas Sumner (mais conhecido como Sting) que Raoni foi reconhecido pela mídia mundial. Como se percebe o cantor Sting, apesar de ser muito menos qualificado que Raoni para tratar da luta ambiental, foi muito mais considerado pela mídia.

ativista Raoni na direita, cantor Sting na esquerda,

Não cabe aqui criticar Sting. Muito pelo contrário: o cantor tenta usar de sua fama para jogar luz sobre figuras da luta ambiental normalmente invizibilizadas. Mas não há dúvida que ele é muito mais ouvido por ser branco e rico.

Estamos passando por um período em que a sociedade enfrenta surtos de indignação contra o racismo e fascismo estruturais em nossa sociedade. Nesse dia do clima, não podemos nos esquecer de refletir sobre o que é o racismo ambiental, e como ele afeta o nosso mundo. Não podemos nos esquecer de Vanessa Nakate, do índio Raoni, do Dr Benjamin Franklin Chavis, de Sonia Guajajara, e de tantas outras lideranças negras e étnicas que lutam pela preservação de nossa Mãe Terra!

Vidas negras importam! E não podem ser esquecidas. 

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Itaú Racista

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Bolsonaro é um genocida

Entenda porque o Itaú é racista!

Dia 30, quinta-feira, a esteticista Lorena Vieira tentou sacar dinheiro em uma agência Itaú. A questão é que Lorena é negra. Por isso, ao invés do tapete vermelho tão comum para quem é branco e rico, Lorena foi detida, por sacar a quantia de 1500 reais. Para o Itaú, essa seria uma quantia “atípica”, capaz de justificar mandar Lorena para delegacia. Fica claro, na realidade, o quanto o Itaú é racista!

No Itaú ela foi segurada na agência até a unidade fechar. Não deixaram ela sair. Os funcionários começaram a caçoar dela e do marido (um DJ negro de periferia). Próximo a agência fechar, CHAMARAM A POLÍCIA para leva-la a uma delegacia. Uma vez lá a polícia, ainda, se recusou a reconhecer o RG de Lorena. Segundo os policiais, Lorena estava diferente na foto. “o policial falou que (…) o meu cabelo estava liso [na foto do RG], falou que era pra eu jogar minha identidade fora e fazer outra com o meu cabelo ‘natural'”, disse Lorena em entrevista a jornais. Em  protesto contra o racismo dos oficiais, Lorena rasgou o RG na delegacia. 

 

Muito diferente do tratamento dado a Lorena, foi a atenção dada por uma agência do Itaú ao Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro. O Laranja do filho do presidente, movimentou quantias, essas sim suspeitas, no montante de 661 mil reais! Nenhuma medida foi tomada pelo banco. Ou seja, a atenção é claramente “seletiva”.

O fato contrasta muito com as informações do site do Itaú. Lá eles falam do banco como um lugar idílico e perfeito, em que eles se esforçam para reforçar “internamente a importância da inclusão de negros a partir de ações de conscientização referente a temática”. Traduzir isso para o português: significa que eles não têm problema em ter negros trabalhando como faxineiros, secretários ou atendentes na empresa. Eles chamam de “inclusão” dar o “direito” aos negros de servirem. Mas para sacar dinheiro, não. Para eles isso já seria demais.








Diversidade à venda

Mas não pensem que servir de secretário seja a única função que o banco permite aos negros. O banco está feliz em esbanjar na televisão atores e atrizes negros para “vender” mais diversidade aos investidores. A maioria deles, é claro, são brancos, como uma rápida pesquisa na internet permite perceber. Ou seja, para esse banco de brancos os negros só serviriam para “inglês ver”. Isto é, para vender coisas para brancos.









2018, em plena crise, as famílias donas do Itaú tiveram ganhos recordes de 9 bilhões reais, livres de imposto!














Fica, ainda, a dúvida sobre o quanto a ação do banco (e, depois, da polícia) está relacionada com o marido de Luana, o rapper Rennan da Penha. Acontece que o rapper, morador da favela do Alemão, havia sido preso duas vezes por acusações sem pé nem cabeça. Foi solto ambas as vezes por falta de provas. A verdade é que para essa polícia racista é inconcebível existir uma pessoa negra de sucesso. E mais, alguém que mesmo fazendo sucesso, fez questão de continuar em contato com suas raízes, morando na favela em que foi criado. Um absurdo inconcebível para a nossa elite racista! A polícia não podia permitir tamanha “insolência”.

É interessante que, ao menos, essas situações mostram quem são os verdadeiros aliados da luta. Instituições “bacanas” que se fingem de “diversas”, geralmente, quando faz diferença, estão do mesmo lado do nosso Estado autoritário. Mostram que temos uma polícia racista e, também, um Itau Racista!

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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